domingo, 18 de maio de 2008

O Galicanismo e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil




Por Gederson Falcometa Zagnoli Pinheiro de Faria



O nome da nossa conferência episcopal é bastante interessante, ela é nacional e os Bispos são do Brasil. É interessante considerar que se ela é nacional, os Bispos não poderiam ser, por exemplo, da Argentina só poderiam estar no Brasil. No entanto os Bispos são do Brasil, mas como pode ser isto, se o Brasil não é Igreja?


As Conferências Episcopais, lembram o Galicanismo de Luís XIV. Tratando a questão a um nível de Brasil, a declaração do Clero Galicano, lembra em muito as práticas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. A semelhança essencial reside no fato de se trabalhar por uma Igreja particular e independente que é propriedade do Estado a que pertence ou do povo. Digamos que uma Igreja cismática na essência e que aparenta fidelidade em sua forma (como a foto do artigo).


O Bispo Bossuet, cabeça do Galicanismo, muito provávelmente estava entre aqueles que não se consideravam Bispos da Igreja. Tinha se tornado Bispos da França e admirava no lugar do Papa, Luís XIV. Acreditava na Igreja Particular e Independente, na Igreja da França, não na Igreja de Jesus Cristo. Óbviamente era partidário da monárquia absolutista, contra todas as orientações da Santa Sé. Vejam a concepção de poder real de Bossuet:


"Todo poder reside inteiramente na pessoa do rei, não podendo existir outra autoridade além da sua. Poder tão grande não emana dos homens, mas sim de Deus, que estabeleceu os reis para governar o mundo em seu nome, os quais a mais ninguém senão a Ele devem prestar contas dos seus atos. os súditos devem ao rei obediência e respeito, toda desobediência é grave falta cometida contra ele."


A situação daqueles tempos na França é bem semelhante a do Brasil e de outros países católicos em nosso tempo. Aqui nosso Bossuet, foi o Bispo Vermelho (Comunista) de Paulo VI, Dom Hélder Câmara. A diferença dele para Bossuet, era apenas política, enquanto um colocou toda autoridade no Rei o outro colocou toda autoridade no povo.


Dom Hélder, era marxista este talvez seja um dos motivos pelos quais a CNBB prega o comunismo. Normalmente a criatura é reflexo do criador, quem poderia esperar catolicismo da CNBB, se ela foi criada por um comunista? É por esta razão que o episcopado "made in brazil", coloca o povo no lugar de Jesus Cristo, a política no lugar do Pai e a sociedade no lugar do Espírito Santo. Arrependimento, conversão e graça, deram lugar nesta entidade, aos ideais revolucionários de liberdade, igualdade e fraternidade. Vestem-se como Bispos, mas não agem como Bispos. Para fazer esta constatação basta-se visitar o site da CNBB. Não existem artigos católicos, só existe uma preocupação superficial com a religião. O essencial para esta entidade é o povo, a política e a economia, é uma autêntica Sinagoga de Satanás.

Dom Marcel Lefebvre referindo-se ao homem moderno e liberal, o chama de individuo-rei. Aplicando-se as teses de Bossuet aos individuos-reis, evidentemente todo poder emanará do povo e teremos exatamente a CNBB. O inclusivismo desta entidade laica e profana, não pode permitir que DEUS ofereça dons a uns e a outros não. Deste modo, a Igreja para eles é a humanidade e como o Brasil é uma parcela da mesma justifica-se considerarem o Brasil como Igreja.

As teses galicanas de um certo modo parecem mais atuais do que nunca, elas evoluíram. Tornaram-se excelentes instrumentos para se compreender a atual situação da Igreja. Para terminar, analisemos cada uma delas:

1) O Papa recebeu de Deus um poder meramente espiritual. os reis, em questões temporais, não estão sujeitos, nem direta nem indiretamente, a alguma autoridade eclesiástica; por isto não podem ser depostos em nome do poder das chaves, nem os seus súditos desligados do juramento de fidelidade.

Troque-se os reis pelo individuo-rei e o juramento de fidelidade pela liberdade e teremos o cristão moderno. Cabe ainda lembrar que se os reis não estão sujeitos a autoridade eclesiástica, eles se fazem a própia autoridade eclesiástica, como se comprova pelo própio galicanismo. A mutação moderna deste ato, seria o cristianismo anônimo de Karl Rahner. Onde cada um se julga um Henrique VIII ou um Luís XIV.

2) Os decretos do Concílio de Constança que estabeleceram a supremacia do Concílio sobre o Papa, tem vigor de lei perene.

Ninguém ignora que esta tese triunfou no Concílio Vaticano II e a prova disso é bem simples; estamos a exatos 42 anos sem anátemas, condenações e com apenas seis excomunhões expressivas, as de Dom Lefebvre e Dom Mayer juntamente aos 4 Bispos por eles sagrados.


Entende-se pela postura de um Magistério que não anatematiza, não condena e não excomunga a ausência de heresias (O que sabemos não ser verdade) ou então que teve a sua orientação funcional modificada. Neste caso, a sé primacial foi julgada (que não pode ser julgada por ninguém, segundo a tradição) e sua orientação funcional foi alterada pela instância conciliar que lhe imprimiu uma nova orientação. O que se tem senão o conciliarismo?

3) O exercício da autoridade papal e regrado pelos cânones da Igreja Universal, pelos princípios e os usos que, desde época remota, se observam na Igreja Galicana.

O exercício da autoridade papal atualmente é regrado pelas conferências episcopais e seus presidentes. Aqui no Brasil, Dom Aloisio Lorscheider, chegou a ameaçar a Santa Sé com um cisma caso não parasse de criticar negativamente a atuação da CNBB. Neste ponto, pode se falar em conferencialismo que seria a supremacia de uma conferência episcopal sobre o Papa.

4) Em decisões de fé o Papa tem voz preponderante, mas só irreformável após obter o consentimento da lgreja inteira.

Não foi isso que ocorreu com São Pio X e toda orientação anti-modernista pré-conciliar?

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