domingo, 5 de outubro de 2008

Theos Vacantismo: A tese judaíca

"...Não é por causa de alguma boa obra que te queremos apedrejar, mas por uma blasfêmia, porque, sendo homem, te fazes Deus." Jo 10,33

Cristo escandalizou os judeus por estes considerarem no um homem que se fez DEUS, eles não o apedrejaram, mas o crucificaram. Há cruz foi a prova exigida pela grande maioria judaíca para que viessem a crer em Nosso Senhor, daí dizerem "Tu, que destróis o templo e o reconstróis em três dias, salva-te a ti mesmo! Se és o Filho de Deus, desce da cruz!"(1). Como Cristo não desceu da cruz, concluíram que em Cristo, a divindade estava vacante (Theos Vacantismo).

Em nosso tempo a tese judaíca adentrou na Igreja, a pelo menos dois séculos através do liberalismo. O modernismo nega a divindade de Cristo afirmando com o Sinédrio Judaíco que ele é o homem que se fez DEUS. O que os judeus fizeram grosseiramente, os modernistas fazem refinidamente desenvolvendo intelectualmente a tese judaíca. A diferença entre ambos reside naquilo que era a liberdade naquele tempo e naquilo que hoje é a liberdade. Naquele tempo a liberdade tinha uma definição racional, hoje ela é definida pelo sentimento. Assim, mesmo que as escrituras chamem deuses apenas a quem a palavra foi dirigida(2), o modernismo estende a todos o direito negado pelo Sinédrio judaíco a Cristo. Deste modo, a finalidade principal do modernismo é fazer com que o Cristo deixe de ser escândalo para os judeus e loucura para os gregos, através da "revelação" da filosofia e ciência moderna que afirmam a divindade humana. Consequentemente afirma-se a igualdade das religiões, culturas e filosofias, porque para eles, o logus é a matéria e não o verbo.

O modernismo é a teologia do homem da iniqüidade, "o adversário, aquele que se levanta contra tudo o que é divino e sagrado, a ponto de tomar lugar no templo de Deus, e apresentar-se como se fosse Deus" (3). O resultado desta teologia, nada mais é do que a pura e simples apostasia. Manifesta pela tolerância ao erro que nada mais é do a dúvida assumindo o lugar da certeza(4).

Um outro matiz da tese judaíca, é o sede-vacantismo, que é o efeito do modernismo na Igreja. Sobre o que acima disse a respeito da provação que os judeus submeteram Nosso Senhor, deve-se acrescentar que a sua causa foi "a hora e o poder das trevas"(5). Diante de tantos acontecimentos, não é absurdo e nem contrário a fé crer que estamos diante dos eventos narrados no Apocalipse. Desta maneira, se o perseguiram (6), também perseguiram a Igreja e se submeteram no a prova da cruz, também a Igreja seria submetida a esta prova.

Diante da prova da crucificação a que se expõe a Igreja, quem é provado sobremaneira, é o Papa. Assim, da mesma maneira que Cristo não desceu da cruz para se salvar e provar aos judeus a sua divindade, o Papa não desce de sua cruz para provar empíricamente aos sede-vacantistas a sucessão petrina. E afirmando que a Sé esta vacante, eles consideram que Cristo abandonou a Igreja na mão de seus piores inimigos. Negando indiretamente a divindade de Nosso Senhor e o carácter divino da Igreja, reduzem na ao humano, como fazem os modernistas.Então o que temos é que aquilo que os modernistas negam informalmente pela sua postura frente ao magistério, os sede-vacantistas, o negam formalmente. Não considerando e nem podendo considerar a gravidade da situação em que se encontra a Igreja; a hora e o poder das trevas, confundiram até mesmo os apóstolos, então seriam os modernistas ou os sede-vacantistas a enxergarem a luz neste momento dificílimo?

O Papa é o doce Cristo na terra e diante de tudo que tenho visto, cheguei a conclusão de que para onde ele vai, nós não podemos ir(7). Assim, negar formalmente ou informalmente que a Sé esta ocupada pelo sucessor de São Pedro, é aderir a tese judaíca. Portanto, até que um legítimo sucessor de São Pedro, não se pronúncie contra algum de seus predecessores, ela esteve, esta e estará ocupada por seus legítimos sucessores. Não se deve cair na sedução de sede-vacantistas e modernistas, ambos são os dois lados de uma mesma moeda, pelo menos neste caso.

(1) Mt 27,40
(2) Jo 10,34-35
(3)II Ts 2,4
(4)Tg, 1,6
(5) Lc 22,53
(6) Jo 15,20
(7) Jo 13,33

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