sábado, 4 de outubro de 2008

O modernismo na Litúrgia

São Paulo, ensinou em seu tempo que "Em um só Espírito fomos batizados todos nós, para formar um só corpo, judeus ou gregos, escravos ou livres; e todos fomos impregnados do mesmo Espírito" (1). A Igreja primitiva cresceu tendo este preceito como um santo mandamento. E já na Idade Média aparece na história com a forma de um único corpo; Santo, Católico, Apostólico e Romano. Veremos neste artigo parte da problemática surgida no Século passado, que tem sua causa no abandono deste simples e fundamental preceito da Igreja.

No inicío Século passado entusiasmados pelos progressos técnicos, um grupo de estudiosos fundou um movimento para reinterpretar o cristianismo, a partir dos progressos de então. Não é nosso objetivo apresentar este movimento, que ficou conhecido como modernismo em sua totalidade. Queremos destacar um de seus princíos que triunfou no Concílio Ecumênico Vaticano II; o da distinção entre substância e forma. Condenado naquele mesmo tempo por São Pio X, na Carta Encíclica Pascendi Dominici Gregis (2).

A distinção entre forma e substância, é tirada da teoria da evolução. Os modernistas entenderam a substância como a matéria e a forma como o seu revestimento. Deste modo, eles entendem que os homens darwinistas tem a mesma substância, mudaram apenas em sua forma. Isto explica porque defenderam que a experiência sentimental é capaz de vencer qualquer experiência racional. São Pio X na Pascendi, condenou este princío:

"Há ainda outra face, além da que já vimos, nesta doutrina da experiência, de todo contrária à verdade católica. Pois, ela se estende e se aplica à tradição que a Igreja tem sustentado até hoje, e a destrói. E com efeito, os modernistas concebem a tradição como uma comunicação da experiência original, feita a outrem pela pregação, mediante a fórmula intelectual."(3)

Diante da condenação, o modernismo foi abafado, mas permaneceu secretamente atuante. Ressurgiu das cinzas no período do pontificado de Pio XII, como diz Dom Aloísio Lorscheider, (um dos Bispos desta nova teologia em sua versão marxista, a Teologia da libertação); "... a Théologie Nouvelle (4) afirmara que a verdade revelada, sendo católica, deveria poder encarnar-se nas categorias de pensamento de qualquer Filosofia e qualquer cultura. (5) No mesmo texto, diz o Bispo, que Pio XII, condenou a Théologie Nouvelle através da Humani Generis, afirmando:

"Que não se pode, sem mais, aceitar tal princípio, pois há sistemas que não servem para encarnar a verdade revelada como o imanentismo, o idealismo, o materialismo, seja histórico, seja dialético, o próprio existencialismo, enquanto professa o ateísmo ou enquanto nega o valor do raciocínio no campo da metafísica.

Para que uma verdade revelada se possa encarnar em determinada Filosofia, requer-se que essa Filosofia aceite o genuíno valor do conhecimento humano, os princípios indestrutíveis da razão suficiente, da causalidade, da finalidade e aceite também a capacidade da inteligência de atingir a verdade certa e imutável."
(6)

Passados oito anos da publicação da Humani Generis, morre Pio XII e lhe sucede João XXIII. Ao terceiro ano de seu pontificado, convoca um Concílio Ecumênico, onde já no discurso de abertura, faz da distinção entre substância e forma, o preceito mestre do Concílio:

" Uma coisa é a substância do « depositum fidei », isto é, as verdades contidas na nossa doutrina, e outra é a formulação com que são enunciadas, conservando-lhes, contudo, o mesmo sentido e o mesmo alcance. Será preciso atribuir muita importância a esta forma e, se necessário, insistir com paciência, na sua elaboração; e dever-se-á usar a maneira de apresentar as coisas que mais corresponda ao magistério, cujo caráter é prevalentemente pastoral. "(7)

O Concílio durará apenas 3 anos (1962-1965), sua aplicação colocará a Igreja em uma crise jamais vista em toda sua história. Hoje passados quase 43 anos de seu término, podemos avaliar este Concílio como algo no mínimo estranho a tradição da Igreja. Porque triunfaram todos os princípios modernistas até então condenados pela Igreja. O que é fácilmente demonstrado pela litúrgia, onde afirmou e reafirmou-se o direito da Théologie Nouvelle:

"Mantendo-se substancialmente a unidade do rito romano, dê-se possibilidade às legítimas diversidades e adaptações aos vários grupos étnicos, regiões e povos, sobretudo nas Missões, de se afirmarem, até na revisão dos livros litúrgicos; tenha-se isto oportunamente diante dos olhos ao estruturar os ritos e ao preparar as rubricas. " (8)

No inicío do artigo referimo nos ao preceito batismal (fundamental) pelo qual fomos batizados, o de formar um só corpo. Caros leitores, pergunto a vocês:

Aplicado a distinção modernista na Igreja, qual seria sua substância e qual seria sua forma?

Como judeus ou gregos, escravos ou livres, formarão um só corpo, se lhes é dado o direito de formar sua própia litúrgia?

Podemos dizer sem sombra de dúvidas que passados quase dois mil anos, foi necessário um Concílio Ecumênico para detectar um grave problema no cristianismo; ele não tem uma forma universal e própia, sua forma é empréstimo de todas as culturas humanas. O cristianismo em si mesmo, não dispõem de uma cultura, uma filosofia e uma teologia própia, ele evoluí e juntamente com ele tudo que o compõe.

A litúrgia caríssimos, encarnou-se em todas as culturas e filosofias humanas. Provando nos o resultado prático da adoção do método moderno que foi condenado pelo Magistério pré-conciliar, por ser a geratriz do preceito modernista exposto.

Ora, ao aplicar-se a misericórdia ao erro, pressupõe-se a tentativa de encarnação da doutrina católica no erro e dá se a este a liberdade para encarnar-se na doutrina católica. Tal aplicação e liberdade, só é possível pelo método moderno, que pressupõe condenações após a experiência. Assim, reduz-se o catolicismo ao natural e humano, pois as condenações são avisos de DEUS para os fiéis não fazerem a experiência do erro. Condenando-se após a experiência, DEUS não fala, mas é o homem quem fala, através da juízos meramente humanos. Digamos, que dariam ouvidos a um São João Bosco, apenas após o cumprimento de cada profecia que fizesse, pois necessitam apenas da prova de que a profecia é profecia, não de seu conteúdo.


(1) São Paulo; Primeira Carta aos Coríntios; Cap. 12, Vers. 13
(2) São Pio X; Pascendi Dominici Gregis; O modernista crente
(3) Ibidem
(4)
(5)Uma Criteriosa teológica; Cardeal Dom Aloisio Lorscheider
(6) Ibid.
(7) João XXIII; Discurso de abertura do Concílio Vaticano II, VI. Como deve ser promovida a doutrina, 5.
(8) Sacrosanctum Concilium 38

Nenhum comentário: