quinta-feira, 9 de abril de 2009

A CONVERSÃO DE SÃO BERNARDO

 

- Resenha dos primeiros capítulos da obra
"Life and Teaching of St. Bernard",
de Ailbe Luddy -
I
01. Poucos homens de distinção possuíram tantos biógrafos como o insigne São Bernardo, Abade de Claraval. A longa lista principia entre os seus contemporâneos e discípulos, quatro dos quais se propuseram sucessivamente registrar para a posteridade os principais fatos de sua maravilhosa carreira. Estas primeiras Vidas latinas foram reimpressas vezes sem conta e traduzidas em muitas línguas. Outras Vidas baseadas naquelas apareceram também em número elevado.
02. Existem algumas dúvidas no que respeita à data de seu nascimento. A maioria dos escritores atribui-lhe o ano de 1091; o abade Vancard, porém, após cuidadoso estudo, pronunciou-se a favor de 1090.
03. Nasceu Bernardo na vila de Fontaines, a pouco mais de uma milha de distância a noroeste de Dijon.
Fontaines é uma encantadora localidade com uma população de cerca de meio milhar de almas. As casas, semi ocultas entre as árvores, estão construídas ao longo do declive de uma agradável elevação no cimo da qual se ergue uma igreja. Esta igreja ocupa hoje parte do terreno de um imenso castelo feudal que outrora coroava a colina e dominava a planície. O tempo fêz com que o resistente castelo, com todas as suas pertenças, desaparecesse da vista dos homens; teria, também, desaparecido da memória se não tivesse sido ali o local do nascimento de São Bernardo, um dos mais brilhantes luminares do firmamento da Igreja.
04. Nas veias de Bernardo corria reunido o sangue de duas das melhores famílias borgonhesas. Diz-se que seu pai, Tescelin, estava ligado à casa real de França. De qualquer modo, gozava de uma posição distinta entre a nobreza de Borgonha. O nobre Tescelin encontrou na senhora Aleth uma companheira digna dele sob todos os aspectos. O pai dela possuía laços familiares com os duques de Borgonha e, através deles, podia alegar parentesco com vários soberanos europeus.
05. Aleth era uma senhora de qualidades e virtudes raras. No começo da adolescência tomara a resolução de consagrar a sua virgindade a Deus, mas quando aos quinze anos foi pedida em casamento pelo senhor de Fontaines e, incitada a aceitar por seu pai, atribuíu o fato à vontade de Deus e sacrificou generosamente o projeto que acarinhara.
06. Esta união foi abençoada com sete filhos: Guido, Gerardo, Bernardo, Umbelina, André, Bartolomeu e Nivard.
Antes do nascimento de Bernardo, sua piedosa mãe teve um sonho que a intrigou e perturbou bastante. Afigurou-se- lhe que gerava no seu ventre um cão branco ligeiramente avermelhado, que ladrava sem cessar. Alarmada, consultou um santo religioso que acalmou-lhe os receios com estas palavras:
"Tranqüilize-se,
tudo vai bem.
O cão de sua visão guardará
a casa de Deus
e ladrará fortemente em sua defesa
contra os inimigos da fé.
Por outras palavras,
a sua criança,
que está prestes a surgir no mundo,
tornar-se-á um pregador ilustre, o qual,
com a virtude de uma língua lenitiva,
como um cão bondoso,
curará as feridas do pecado
em muitas almas".
07. Aleth tomou cuidados especiais para informar as jovens mentes de seus filhos com o hábito do auto domínio. Ensinou seus filhos, mais pelo exemplo do que por palavras, a contentarem-se com a simplicidade em questões de comida e vestuário, sendo o luxo sob todas as formas banido de sua casa. Tão pouco deixou de vincar-lhes os deveres para com os pobres e doentes. Ela costumava visitar os lares dos necessitados e dos enfermos; chegava mesmo a varrer-lhes os quartos, a preparar-lhes e servir- lhes as refeições e a lavar-lhes a louça.
08. Estas lições não ficavam perdidas em Bernardo o qual, sem dúvida, devia acompanhar sua mãe naquelas visitas piedosas. Nisto, como em outras coisas, tomava-a por modelo.
09. Por muita ternura que sentisse pelos seus pequenos, Aleth não permitia que o seu afeto os mimasse com indulgências supérfluas. Desde os primeiros anos procurou incutir-lhes um amor profundo por Deus e por tudo quanto se lhe relaciona, e sentimentos de estima mútua e caridade. Não possuímos meios seguros der confirmar qual era o alcance da educação ministrada aos filhos de Tescelin sob o teto paterno, todavia poucas dúvidas poderão existir de que eram instruídos profundamente na religião.
10. Era desejo de Tescelin que todos os seus filhos seguissem, como ele, a carreira de armas. À parte a Igreja, esta era considerada a única vocação digna de um fidalgo. Porém Aleth achou de seu dever interferir no caso de Bernardo. Este era demasiadamente fraco e delicado para a dureza da vida militar, ao passo que os seus hábitos estudiosos e espantosos dotes pessoais pareciam elegê-lo para uma carreira algo de mais intelectual. Ficou decidido que Bernardo ingressaria numa das escolas mais famosas da época para aperfeiçoar-se em todas as formas de erudição.
Fonte: Cristianismo.org

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