quarta-feira, 8 de abril de 2009

Dois amores, duas cidades: Via modernorum II

Gustavo Corção

As teses fundamentais da epistemologia aristotélica-tomista.

2. O que é nominalismo? Será possível em meia dúzia de páginas resumir em que consistiu, e ainda consiste, esse drama do pensamento? É o que tentarremos fazer, tomando como eixos de referência a doutrina do conhecimento ou epistemologia aristotélico-tomista, que apresen­taremos nas suas peças essenciais, justamente aquelas que a corrente nominalista do século XIV alegremente agrediu, sem saber o que fazia. Para isto pedimos ao leitor a paciência de nos acompanhar em considerações inevitavelmente árduas.

Pensamos que são três aquelas pecas principais, colunas ou traves, que sustentam o majestoso edifício, cuja síntese custou muita vigília, oração e até lágrimas de um grande santo.

1.° — O conhecimento é uma união entre cognoscente e conhecido, mais íntima do que todas as uniões conhecidas, e sem produção de um tertius quid. A compreensão da especificidade pró­pria do conhecimento exige a distinção de duas ordens ou de dois modos de existência: a exis­tência entitativa, que a coisa tem em si mesma, na natureza, e a existência intencional da coisa como objeto de conhecimeto.

2.° — O homem conhece as coisas por sua essência, pelo que é, graças a um processo abstrativo que parte da experiência, serve-se dos sentidos, e daí evolui até a elaboração do conceito, no qual a inteligência vê a coisa conhecida. A ideia ou conceito elaborado na mente é universal por convir aos seres de mesma espécie individual­mente diferenciados na realidade extramental. Nos seres individuados existe a mesma essência, mas não em estado de universalidade.

3.° — O conhecimento humano atinge diretamente o objeto mais proporcionado ao seu nível onto­lógico. Esse objeto é a essência ou qüididade do ser sensível obtida por abstração, dita do primeiro grau. Uma abstração mais ampla e mais profunda proporciona à inteligência a no­ção transcendental e analógica de ser, que constitui o objeto próprio da inteligência, e graças ao qual, por sua elasticidade analógica, a inte­ligência ganha o universo das coisas espirituais.

Desdobremos algumas considerações em torno de cada uma deles.

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