domingo, 14 de junho de 2009

Outra machadada na missa nova: carta de um ortodoxo à Federação Internacional Una Voce

 

Vamos todos praticar o ecumenismo do Vaticano II? Vamos ser tolerantes e abertos; liberais e modernos; dialogantes e compreensivos? Sim? Então vamos ver o que um ortodoxo pensa da «purificação das liturgias» (que é como quem diz da revolução litúrgica empreendida pelos maçons e os protestantes). Não nos esqueçamos que temos que ser ecuménicos! Precisamos ouvir o que dizem os ortodoxos para podermos empreender um ecumenismo autêntico com eles, não é?


Com a palavra um anónimo ortodoxo, um nosso irmão separado que procuraremos ouvir atentamente, para agir em conformidade com as suas expectativas e aspirações relativamente à Igreja Católica (ah pois, não são só os hereges protestantes que têm o direito a pôr e dispor na nossa doutrina e na nossa liturgia):
Carta de um anónimo ortodoxo à Federação Internacional Una Voce
Fonte:
Foederatio Internationalis Una Voce
Tradução minha – Magdália (Tradição Católica)

 


Caríssimo Sr. Presidente:
Espero que entenda que não é intenção da Igreja Ortodoxa interferir em assuntos que concernem ao Bispo de Roma.
Na medida em que a Sagrada Liturgia é a oração pública da Igreja, na qual e através da qual o Santíssimo Redentor continua a rezar e a oferecer-se ao Pai Eterno em sacrifício, a Igreja Ortodoxa admira o objectivo da Foederatio Internationalis Una Voce.


Não há dúvida de que é o sensus fidelium [nunca melhor dito!!!] que vos impulsiona a promover a forma extraordinária do Rito Romano, com o seu comprovado proveito espiritual para os actuais católicos da Igreja Romana, tal como para inúmeros santos no passado.


Devemos admitir que alguns pontos causam perplexidade e não pouca preocupação a muitos ortodoxos.
Primeiro, e contrariamente à crença popular, as mudanças litúrgicas não são inconcebíveis na Igreja Ortodoxa. Contudo, e dado que todas as mudanças litúrgicas devem sempre permitir a Nosso Senhor rezar na Sua Igreja em espírito e verdade e, por conseguinte, de modo apropriado, hão-de dar-se [essas mudanças litúrgicas] sempre de forma dinâmica e a partir da riqueza e vitalidade espiritual e intelectual (intus-legere) da sede (local ou universal) que realiza tal mudança. Não se pode, então, planear as mudanças litúrgicas; de outro modo, estas [as mudanças litúrgicas] correriam o risco de ser mais a expressão da duvidosa marca do genius temporis do que a vontade do Filho de Deus de rezar na Sua Igreja e através dela, ao Pai Eterno, in spiritu et veritate.


Em segundo lugar, o éthus teológico geral e pastoral particular que subjaz à forma tradicional do Rito Romano, é idêntico ao que informa a Divina Liturgia da Igreja Ortodoxa [muita atenção aqui, ao que vem a seguir, porque é muito importante para o ecumenismo!!! Lol]. Portanto, muitos ortodoxos temem que possam [a Igreja católica e os católicos] considerá-los como extraordinários quando se estabeleça a plena comunhão entre as duas Igrejas. [daqui se depreende que, mais atrás, quando ele fala do rito romano, refere-se à missa tradicional, e não à missa nova! De contrário, não seriam jamais considerados extraordinários. Então é a missa tradicional e não a fabricação litúrgica que é semelhante à Divina Liturgia ortodoxa. Machadada nos simpatizantes orientais que dizem que a missa nova é mais parecida com a liturgia oriental, machadada no ecumenismo vaticanesco!!!]


Não importa como cada um interprete o termo «extraordinário», com o seu significado comum ou canónico; o facto é que a Igreja Ortodoxa não considera que a sua oração pública [a sua liturgia] seja extraordinária. Deste modo, ela [a Igreja ortodoxa] aprecia todos os esforços desinteressados do Papa Bento XVI, dos cardeais Cañizares Llovera e Castrillón Hoyos, do arcebispo Ranjith e de Vossa Excelência, Sr. Presidente, no sentido de promover uma forma de ecumenismo no mais profundo sentido do termo [e agora, inimigos da Missa de sempre e amigos do ecumenismo irenista e relativista?!!!]


Como sabe, nas últimas décadas, o Ocidente, particularmente, padeceu de uma das mais graves crises culturais de todos os tempos. Quando uma crise cultural e a falta de autênticos grandes teólogos, como os padres da Igreja, convergiram num único fenómeno, a Igreja, historicamente, foi sempre renitente em efectuar mudanças que alterem a sua experiência comprovada. Mais ainda, durante estes períodos de crises, o Senhor suscita, na Sua Igreja, grandes santos: papas, bispos locais, clérigos, religiosos e leigos que propõem uma renovada vitalidade através de instituições especiais e estruturas eclesiais para apoiar a Igreja enquanto dura a crise.


A Igreja Ortodoxa tratou satisfatoriamente os seus próprios problemas em matéria litúrgica. Talvez algumas das soluções mais práticas possam ser úteis também para ajudar a Igreja Católica.
(por desejo expresso do remetente, omitiu-se o seu nome, a sua identificação)

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