sábado, 4 de julho de 2009

Povo de Deus ou Deus e povo?

Nota:  Teoricamente a Igreja atual é o chamado povo de Deus, mas na prática este modelo de Igreja reproduz a fórmula maçônica (Carbonária) de Guiseppe Mazzini (Deus e Povo). É o que poderão constatar no texto, que seguirá após algumas citações de trechos específicos, que aplicados a Igreja, apontam para o sedevacantismo praticado pelos modernistas e pelas conferências episcopais.  Vejam:

“a existência de um rei (Papa) vicia a igualdade dos cidadãos e ameaça a liberdade de um país, enquanto permite que no pico da escala social alguém goze de extraordinários privilégios com grande perigo para todos os outros;

a soberania não reside num indivíduo somente, mesmo que nobre e valoroso, mas em todo o povo, cuja vontade descende diretamente de Deus e é a única capaz de exprimir o desejo divino nos ordenamentos de um Estado (Deus e povo) sagrada é portanto sua indignação, sagradas são as suas revoluções contra aqueles que pretendem sufocar a liberdade;

Em resumo: "Deus e povo" significa exatamente que Deus manifesta-se através do povo; significa que a nação deve considerar-se "uma operária a serviço de Deus", ou seja a serviço da Humanidade. Como cada indivíduo tem um dever a cumprir, assim cada nação tem uma própria missão”.

Os leitores sentem alguma estranheza ao ler estes trechos, ou como eu, já leu algum “católico” escrever o mesmo?

Segue abaixo o texto…

http://jornalecarbonario.110mb.com/archives/12-01-2006_12-31-2006.html

GUISEPPE MAZZINI

Postado Quinta-feira, Dezembro 21, 2006 as 1:18 PM pelo B:.Pr:. Guiseppe 33

Nascido em Genova no dia 22 de maio de 1805 (filho de Giacomo, professor universitário ex giacobino, e de Maria Drago, mulher de grande sensibilidade moral e religiosa), foi estudante em lei na sua cidade natal, mas desde a sua adolescência mostrou-se mais interessado em assuntos políticos e literários do que em assuntos de jurisprudência. Ele se achava um revolucionário diferente dos outros porque não concebia a revolução como reivindicação dos direitos individuais não reconhecidos, mas sim como um dever religioso a ser atuado em favor do povo.
Por este motivo filiou-se à Carbonária, pela qual exerceu várias tarefas de caráter organizativo em Liguria e na Toscana. Além disso colaborou com o Indicatore Genovese e com o Indicatore Livornese, dois jornais que se definiam literários, mas que cedo foram fechados pela polícia sabauda e toscana, porque a razão literária era somente um disfarce, aliás pouco escondida, da intenção política. De algum interesse é o Ensaio sobre algumas tendências da literatura européia no século XIX, com que ele endereçava o romantismo no álveo democrático e laico.
Em 1830, acusado de atividade conspirativa, foi preso em Savona pela polícia de Carlo Felice, mas não tendo provas contra ele ofereceram-lhe o exílio em qualquer aldeia perdida do reino sob a vigilância da polícia, ou ir para Marselha: ele decidiu pela segunda opção (1831). Graças ao seu espírito profundamente religioso e a sua dedicação aos estudos sobre os acontecimentos históricos, ele entendeu porque somente um Estado do tipo republicano poderia permitir a conquista dos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade próprios da Revolução Francesa. Por este motivo formulou o programa mais radical entre todos aqueles que foram debatidos no decorrer do Renascimento Italiano (não é um erro: muitos diziam renascença ou renascimento no lugar de ressurgimento) e, fiel à suas idéias democráticas, adversou a formação de um Estado monarquista. Um capítulo interessante para ser explorado é constituído pelo relacionamento de Mazzini e da sua Jovem Itália com os movimentos de oposição difundidos naqueles anos.
Apesar de ter sido aceito na I Associação Internacional dos Trabalhadores como representante da Itália (mas eram os anos de exílio em Londres) Mazzini nunca conseguiu entender a luta de classe e a prova está no seu irreduzível anti-marxismo e na sua contínua oposição aos movimentos socialistas. Também problemático foi o relacionamento com as sociedades secretas dirigidas por Filippo Buonarroti, cuja força estava no número e no vínculo com os grupos camponeses que eram atraídos pelo programa coletivista. Mazzini tentou uma aliança com os seguidores de Buonarroti (1832), mas a luta de classe e o apego que eles tinham com o "Oitenta e nove francês" produziram logo a ruptura (1833) tirando dessa forma dos "mazzinianos" qualquer influência sobre as massas operárias e camponesas. Não podendo contar com a ajuda de um soberano, Mazzini necessitou buscar a própria base de ação no povo. Começou assim a fixar as linhas programáticas de uma associação que enfrentasse com espírito e novos meios o problema da independência e da unidade da pátria. Ninguém mais do que ele era convicto de que a Carbonária não podia de modo algum conduzir o povo italiano ao seu resgate por causa de alguns graves defeitos tais como:como:
a falta de uma ação unitária e de visão nacional do problema político italiano;
a excessiva confiança nos soberanos locais e estrangeiros;
a incerteza do programa (republicano? monarquista? federal?);
a não difusão deste fato nas mais diferentes classes sociais inclusive por meio da imprensa;
a conseguinte ausência do povo nos movimentos revolucionários;
a presença de aristocratas, intelectuais, ricos burgueses ou oficiais do exército decididos a construir, também depois da vitória, uma classe privilegiada a quem deveria ser entregue a direção do Estado.
É por tudo isso que, segundo Mazzini, era chegado o momento de dizer e fazer algo novo, dirigindo-se não somente para um restrito número de pessoas, mas para todos os italianos através de programas claramente redigidos e levados ao conhecimento do público. É na base destas convicções que Mazzini, em julho de 1831, criava em Marselha a Jovem Itália: "jovem" porque era destinada a fundar-se, principalmente, sobre o entusiasmo revolucionário dos jovens e não mais sobre os sutis cálculos políticos das velhas gerações; "Itália" porque era a expressão de um movimento unitário em base nacional, intérprete das necessidades e das esperanças de toda a península. A nova associação devia, além disso, inspirar-se em princípios "republicanos" porque:
todos os homens de uma nação são chamados, pela lei de Deus e da humanidade, a serem iguais e irmãos;
a instituição republicana é a única que assegura este futuro;
a existência de um rei vicia a igualdade dos cidadãos e ameaça a liberdade de um país, enquanto permite que no pico da escala social alguém goze de extraordinários privilégios com grande perigo para todos os outros;
a soberania não reside num indivíduo somente, mesmo que nobre e valoroso, mas em todo o povo, cuja vontade descende diretamente de Deus e é a única capaz de exprimir o desejo divino nos ordenamentos de um Estado (Deus e povo) sagrada é portanto sua indignação, sagradas são as suas revoluções contra aqueles que pretendem sufocar a liberdade;
Eis o programa político-espiritual, que Mazzini através da nova associação desejava realizar e que se pode assim sintetizar:
Providenciar a educação e formação de uma nova consciência popular como indispensável premissa de qualquer ação. A Jovem Itália se definia "associação tendente antes de tudo a um propósito de insurreição, mas essencialmente educadora até aquele dia e depois daquele dia", e portanto era necessário que seu programa fosse difundido o mais amplamente possível, que fosse "gritado pelos telhados", a fim de que resultasse claro em todos seus pontos. A clandestinidade, da qual as seitas anteriores se compraziam, permanecia obviamente necessária pelos aspectos organizativos da associação (para esconder os nomes dos filiados), mas devia cessar completamente em relação aos propósitos e fins da Jovem Itália. A importância atribuída à educação não deve fazer pensar a uma atitude acadêmica e livresca, porque, ao contrario, a fórmula de Mazzini "pensamento e ação" visa exatamente a sublinhar o vinculo entre o amadurecimento moral e o empenho na luta, condenando ao mesmo tempo qualquer cultura puramente intelectualista.
Fazer da Itália, com uma "revolução do povo", uma nação firmemente unida, independente do estrangeiro, livre em seus ordenamentos e soberana, ou seja dona de si mesma e do seu destino.
Fundar uma república democrática baseada no sufrágio universal, enquanto somente o Povo, sem distinção de classe, riqueza ou religião, é soberano e tem portanto o direito de auto governar-se.
Lutar por um sistema social melhor baseado em uma distribuição das riquezas mais justa.
Renegar o predomínio de uma nação sobre a outra e contribuir para o pacífico progresso de toda a humanidade Se a ação anterior era falida, era devido, segundo Mazzini, a falta de uma profunda inspiração religiosa, a falta de confiança que ainda se tinha em relação aos príncipes, e por ter acreditado no valor das constituições e não na ação criativa do povo, a única capaz de construir um edifício duradouro.
Religiosidade, democracia e nação são para Mazzini uma coisa só: sem a fé num princípio superior, num Deus de verdade e justiça (que para Mazzini não se identifica com aquele da tradicional religião), os italianos teriam continuado a ocupar-se do próprio interesse particular e não teriam sentido nascer em si mesmo aquele sentimento de solidariedade e dignidade que é necessário para um renascimento; sem um regime de plena democracia republicana, eles teriam ficado como simplórios objetos da história, escravos dos estrangeiros ou dos tiranos e príncipes locais; enfim, sem religião e sem democracia não pode existir uma nação, também quando se conseguiu a independência territorial, porque a nação não se identifica com a unidade étnica ou com as tradições comuns, mas funda-se, ao contrário, na unidade dos propósitos que podem manifestar-se em cheio somente graças a conquista de um regime de completa liberdade.
Em resumo: "Deus e povo" significa exatamente que Deus manifesta-se através do povo; significa que a nação deve considerar-se "uma operária a serviço de Deus", ou seja a serviço da Humanidade. Como cada indivíduo tem um dever a cumprir, assim cada nação tem uma própria missão.
Mazzini atribuiu à Itália a missão de fazer-se inspiradora do movimento de liberação de todos os povos europeus: não um primado de potência político-militar, mas uma vocação de solidariedade e de liberdade. Neste sentido ele podia dizer de amar a própria pátria enquanto amava todas as pátrias, e fundou em 1834 a" JOVEM EUROPA", (dividida em quatro organizações locais: a "Jovem Alemanha", a "Jovem Polônia",a "Jovem Itália", e a "Jovem Suíça") a fim de conduzir todos os povos à insurreição libertadora, depois da qual, derrubados os governos, reconhecerem-se como irmãos.
A presença de Mazzini (que considerando os fatos foi, de certo modo, o grande derrotado do ressurgimento), foi essencial e determinante para a realidade italiana, de fato ele não soube somente criar uma consciência de "povo" e de "pátria" em todas as classes sociais, mas soube também ser, nos países europeus, o símbolo do nosso "Risorgimento" e da absoluta necessidade de dar aos problemas italianos uma solução adequada. A propaganda "mazziniana" teve ampla difusão em Toscana, Abruzzi e Sicilia, mas sobretudo em Piemonte e Liguria, onde recebeu muitas adesões, especialmente no âmbito militar (oficiais e sub-oficiais).
Exatamente nestas últimas regiões, que ele conhecia melhor, Mazzini iniciou em 1833 a sua primeira tentativa insurrecional, que deveria encontrar seus centros de iniciativa em Chambèry, Turim, Alessandria e Genova. A mesma amplitude da conjura e os métodos muito mais abertos da "Jovem Itália" fizeram com que o governo sabaudo tomasse conhecimento da conjura antes dela começar, e sendo que Carlo Alberto sentiu-se ameaçado justamente pela lealdade do exército, que segundo tradição devia ser instrumento fiel da política regia, a repressão foi desumana e feroz: vinte e sete condenações a morte, das quais doze foram realizadas; uma centena de condenações a penas carcerárias de diferentes entidades; numerosos exilados voluntários ou obrigatórios.
O mais querido amigo de Mazzini, Jacopo Ruffini, chefe da "Jovem Itália" de Genova, onde foi preso, para evitar a violência dos interrogatórios, aos quais nem todos conseguiam resistir, preferiu suicidar-se. Estas vítimas, e especialmente a lembrança de Ruffini, pesaram por muito tempo no coração de Mazzini, que, alguns anos depois, se verá acometido pela dúvida de tê-las sacrificado inutilmente por uma idéia orgulhosa e arbitrária. Mas o "tormento da dúvida" (que foi superado em consideração ao sentido religioso ou da missão em que ele se empenhou) não interromperam a atividade de Mazzini. Em 1834 a insurreição recomeçou: um grupo de italianos deveria entrar em Savoia passando pela Suíça, e acender o fogo da rebelião; em Genova o sinal da revolta deveria ser dado por Giuseppe Garibaldi, ardente filiado da "Jovem Itália", que alistou-se na marinha sarda exatamente com o objetivo de difundir as novas idéias republicanas e patrióticas.
Para chefiar as colunas provenientes da Suíça foi escolhido um veterano da insurreição polonesa de 1830-31,Girolamo Ramorino, que nesta ocasião deu péssima prova, guiando a expedição sem entusiasmo, depois de ter desperdiçado os fundos de que dispunha. Um grupo foi barrado pelas tropas suíças antes de atravessar a fronteira com o Reino de Sardegna e outras duas tropas, não apoiadas pelas populações, foram facilmente derrotadas pelas patrulhas de Carlo Alberto. Outras tantas negativas foram as tentativas de insurreição da "Jovem Itália" em Sicília, Abruzzi, Toscana e Lombardo-Veneto.
Evidentemente Mazzini pedia ao povo italiano muito mais do que ele estava preparado para dar e isto o colocou num estado de profunda amargura e desconforto, que perdurou de 1835 até 1840. A mãe foi sempre espiritualmente do seu lado, estimulando-o a prosseguir até o fim, tanto que o infatigável Mazzini fundou a "Jovem Europa" (o projeto era todavia ambicioso demais para dar resultados concretos) e organizou em Bologna (1843) um outro movimento que chamou a atenção sobre dois jovens oficiais da marinha austríaca recentemente convertidos às idéias de Mazzini: Attilio e Emilio Bandiera. Infelizmente, este movimento também teve hesito negativo. Único momento exaltante, depois de tantos insucessos, foi para Mazzini a experiência da República Romana de 1849, porém logo seguida de novos tristes insucessos, como aqueles sofridos no ano de 1852 em Mantova, que redundou em nove condenações à morte, e em 1853 em Milão, que ofereceu ao governo austríaco a ocasião para seqüestrar os bens dos patriotas lombardos emigrados em Piemonte.
A situação precipitou-se na fracassada tentativa de Carlo Pisacane em 1857. Depois da unificação da península sob a direção dos Savoia, a personalidade de Mazzini teve sempre menos importância e ele viveu cercado somente por poucos amigos até o ano de sua morte em 1872.
A este ponto nos perguntamos o motivo de todos estes insucessos apesar de tanta atividade. A resposta deve ser procurada no programa de Mazzini. Todo inflamado pelo ideal de nação, ele não entendeu bastante o próprio povo que era formado pela grande massa de camponeses e pela emergente burguesia. Ao primeiro não apresentou uma solução do problema agrário fundamentada sobre uma distribuição de terras mais justa, enquanto ao segundo não soube oferecer aquelas garantias de progresso e estabilidade que a ação de Casa Savoia parecia poder assegurar especialmente depois da eliminação das classes feudais.

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