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sábado, 13 de junho de 2009

O modernismo e o Verbo que se fez mundo

É certo que se deve amar o mundo por ter sido criado por Deus, como também é certo que devemos amá-lo, com o amor devido ao inimigos. No entanto, com o advento do modernismo, os inimigos foram transmutados em amigos. Esquece-se a inimizade profunda entre Deus e o mundo, para ter por amigo, um inimigo de Deus. Quem transmuta o inimigo em amigo, também transmuta lobo, cães e porcos, em ovelhas e é o que tem acontecido desde a década de 1965, com o encerramento do Concílio Vaticano II que se encerrou propondo o diálogo com o mundo. O otimismo deste diálogo (definido como inculturação), tem por diretriz principal o seguinte lema:

"Aquilo que nos une, é maior do que aquilo que nos separa."

Somos todos humanos e criaturas de Deus, isto nos une e o que nos separa, é que não somos todos filhos de Deus, mas somente aqueles que acreditam em Jesus e professam a fé católica. O lema do diálogo, parte de que o humano nos une e o divino nos separa, ou seja, o homem é elevado ao primeiro e Deus é colocado em um segundo plano. Considerando-se estas coisas, o mandamento de amarmos a Deus sobre todas as coisas, é subvertido e os dialogantes, passam a "amar ao próximo sobre todas as coisas, e a Deus como a si mesmos". É quando a paz de Cristo e a paz do mundo tornam-se uma e a mesma coisa e já não ressoa mais como paz de Cristo, mas como um "namaste" (O deus que esta dentro de mim, saúda o deus que esta dentro de você). Digamos que, este é o principal motivo pelo qual a crença em Deus ameaça desaparecer em diversas sociedades.

Não se poderia esperar outro comportamento da Igreja pós-concíliar, a não ser este pacifimo covarde. O Concílio Vaticano II reconheceu o mundo moderno, como o melhor dos mundos possíveis através da Gaudium Et Spes e da Dignitatis Humanae. Consequentemente a partir de então, a maioria esta na melhor das Igrejas possíveis e tal como o mundo, onde todo mal é necessário para a sua evolução, da mesma maneira na Igreja, toda heresia é necessária, digamos, para a evolução dos dogmas. Esta afinidade entre a Igreja que tem por cabeça Cristo e a humanidade que tem por cabeça o homem corruptível e decaído no pecado, só foi possível pela adoção do modernismo. Desde então o Católico que obrava pela sua salvação, passa a obrar pela inculturação, ecumenismo e diálogos culturais e inter-religiosos que não tem fim. Porque o homem na concepção é tão bom quanto o bom selvagem de JJ Rousseau, ou como o homem Pelaginano (seu ancestral). Logo, se não necessito de salvação, então devemos trabalhar por um mundo melhor, pois sendo o melhor possível, ele é melhor até mesmo que a Nova Jerusalém (que os modernistas viram na modernidade, nem as escrituras eles obedecem).   Cumpre notar que  o ecumenismo nos católicos, produz um efeito bem curioso, eles passam a acreditar que só por ser protestante, uma pessoa não pode ser condenada ao inferno. Vejam só, estes católicos passam a crer com os protestantes, que a Igreja é apenas útil a salvação e não necessária como sempre se acreditou. Neste caso, parece que o dogma “Extra ecclesiam nulla sallus” evoluiu para a extremidade oposta!

O modernismo nada mais é do que a doutrina do Verbo que se fez mundo. Consequentemente todas as suas doutrinas devem se sujeitar ao mundo, tal como a doutrina da evolução do dogma, onde o modernista apostatá da fé no Espírito Santo e passa a crer na ciência e a apresentar o própio Espírito Santo, como a evolução que ele crê. Deste modo, o Espírito Santo que não pode ser conhecido pelo mundo,  é apresentado como se fosse a evolução, que ensina ao homem todas as coisas. E o cristianismo imanentista, se apresenta com toda sua força, fazendo da matéria o Pai, do mundo o Filho e da evolução, o Espírito Santo. Reparem que não se fala mais nos dons do Espírito Santo, agora se fala pura e simples em termos técnicos científicos. Não foi atoa que os modernistas chegaram a afirmar que a humanidade é a Igreja, eles realmente acreditam que Cristo é o verbo que se fez mundo (são anticristos). Querem sempre o progresso da Igreja, mas eles mesmo não progridem para lugar algum, são vázios e dão testemunho perfeito do niilismo. As visões de progresso deles, são as mesmas do mundo, de onde pode se demonstrar que eles realmente acreditam que a Igreja é a noiva do "verbo" que se fez mundo, não do Verbo que se fez Carne. 

É bastante óbvio que se a Igreja progredir para a visão dos modernistas, ela se tornará o própio mundo.Uma religião que tenha o modernismo por doutrina, só pode religar o homem a sociedade para religá-lo ao mundo. Consequemente, a missão da Igreja, torna-se a unidade do gênero humano, não mais "transmitir o que recebeu." Desta maneira, já não podemos estranhar que no episcopado existam comunistas, protestantes, modernistas, indigenistas, homo-simpatizantes, etc, pois o episcopado testemunha vivamente, a unidade do gênero humano, não a unidade na fé. Isto é bastante evidente na CNBB, onde as coisas da terra (sociais), são a principal ocupação do Episcopado.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Carta aberta do Pe. João Batista ao Papa Bento XVI.

 

Carta Aberta ao Santo Padre Bento XVI

Beatíssimo Padre.

Prostrado aos pés de Vossa Santidade, venho, respeitosamente, por meio desta, manifestar-lhe minha fidelidade incondicional na qualidade de sacerdote católico incardinado na Diocese de Anápolis.

Tenho acompanhado com tristeza e indignação todos os ataques dirigidos contra Vossa Santidade, verdadeiros atos de rebeldia, por parte de pessoas que perderam a fé católica ou se deixaram enredar por falsas doutrinas e, assim, são incapazes de avaliar com justeza as medidas prudentes e zelosas de Vossa Santidade com o intuito de promover o bem da Igreja e preservar a integridade da fé católica.

Desejaria dizer a Vossa Santidade que lhe sou particularmente grato pelo motu proprio Summorum Pontificum e pelo decreto de revogação das excomunhões declaradas em 1988 contra Mons. Marcel Lefèbvre, D. Antonio de Castro Mayer e os 4 bispos então consagrados.

Com a liberdade de um filho que confia em seu pai, devo dizer a Vossa Santidade que, tendo nascido em 1962 em uma diocese do interior do Estado São Paulo, assisti à degradação da vida espiritual católica promovida pela teologia da libertação e em nome do Concílio Vaticano II: igrejas destruídas e profanadas, a liturgia completamente dessacralizada, a educação católica, garantia da transmissão dos valores perenes, abolida com o fechamento de antigos colégios, porque se dizia serem apenas  instituições a serviço da  burguesia e contra as classes oprimidas. Um número incalculável de publicações  (cartilhas, panfletos, folhetinhos de missa) espalhou todos esses anos entre os católicos a grosseria, a  imoralidade e a heresia, de modo que se gerou um ambiente insuportável. É inútil e impossível mencionar todas as calamidades que se abateram sobre os católicos, e Vossa Santidade tem pleno conhecimento da realidade.

Digo isto apenas para confessar a Vossa Santidade que, se eu e minha família preservamos a fé católica, foi graças ao combate travado por sua S. Exa. Revma. Mons. Lefèbvre. Com efeito, verificamos que ele tinha razão em convocar os católicos para lutar contra tantos desmandos e abusos.

Em 1988, quando foi assinado um protocolo de “acordo” entre a Fraternidade Sacerdotal São Pio X e a Santa Sé, no qual se previa a conveniência de que fosse sagrado um bispo eleito entre os padres da Fraternidade e, como não se superasse o obstáculo da fixação de uma data para tal sagração, pareceu-nos que Mons. Lefèbvre tinha o direito de proceder ao rito sagrado.

Decorridos tantos anos, estou convencido de que o venerável bispo agiu bem. Os frutos de sua obra são bênçãos e graças para toda a Igreja. Não tivesse ele agido com prudência e fortaleza então, certamente não existiria a Fraternidade Sacerdotal São Pedro e muitos outros institutos ligados a Ecclesia Dei Adflicta. Eu mesmo não teria sido ordenado presbítero no rito tradicional em 1996 pelo cardeal Stickler em atenção às letras dimissórias de meu antigo bispo D. Manoel Pestana Filho. E, certamente, o “progressismo católico” teria avançado muito mais como força devastadora da Vinha do Senhor.

Por isso, expresso hoje minha gratidão a Vossa Santidade e reverencio a memória dos dois bispos que ajudaram tantos católicos a conservar a fé em tempos tão atribulados.

Gostaria ainda de dizer a Vossa Santidade que são numerosíssimos os padres que o apóiam por ter, por exemplo, ordenado a correção da tradução da forma da consagração do cálice na Santa Missa e não se conformam com o descaso da hierarquia em cumprir a ordem emanada de Roma. O zelo de Vossa Santidade pelo decoro da sagrada liturgia nos conforta. Há muitos padres que desejariam seguir o exemplo de Vossa Santidade em suas paróquias, mas temem represálias da parte dos seus ordinários.

Igualmente, quero assegurar a Vossa Santidade que foi enorme a satisfação dos verdadeiros católicos com a atitude digna do arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho OC, por ter recordado que os católicos que cooperaram com a prática do aborto naquela cidade incorreram em excomunhão latae sententiae. São gestos como este que confirmam os católicos em sua fé. Foi, por outro lado, vergonhoso e lamentável ver outros bispos censurarem a atitude coerente do arcebispo D. José Cardoso Sobrinho.

Seja-me permito, finalmente, rogar a Vossa Santidade uma providência especial para proteger o Brasil, o maior país católico do mundo, de uma gravíssima ameaça que paira sobre a Terra de Santa Cruz. Vivemos há quase oito anos sob um governo socialista que tem adotado uma política anticristã na área do direito da família e da vida. O atual governo tem o propósito de introduzir a legalização geral do aborto e da união civil homossexual. Tudo isto está previsto no programa político do Partido dos Trabalhadores, partido do governo. A candidata do governo à presidência da República no próximo ano já fez declarações neste sentido. Apesar da absoluta incompatibilidade de suas propostas políticas, a referida senhora tem exercido nas concentrações carismáticas o ministério de leitora nas missas, em franca campanha política. Com efeito, isto nos desconcerta.

Quando se trata de assuntos de grande relevância moral e para a salvação das almas, não se observa da parte da hierarquia tanto empenho para não dizer que há dolorosa omissão ou cumplicidade. Atitude como a de D. Cardoso é uma gota de água pura no mar morto. Mas quando se trata de assuntos técnicos ou sócio-economicos observa-se uma indiscreta ingerência, que só redunda em descrédito da Igreja. Permito-me recordar a Vossa Santidade o episódio da transposição do rio São Francisco ou mais recentemente a absurda demarcação de território indígena em região rica em minérios (uma ameaça à soberania nacional), com apoio do Conselho Indigenista Missionário, órgão ligado à CNBB.

De maneira que, diante da gravidade da situação atual do Brasil, rogo a Vossa Santidade que, assim como Pio XII (cuja memória Vossa Santidade tem reverenciado) salvou a Itália do perigo comunista arregimentando os católicos, assim também agora ajude a salvar o Brasil da perpetuação de uma tirania socialista e anticristã, que se instaurou entre nós com os préstimos da “esquerda católica”

Rogo a bênção de Vossa Santidade sobre minha pessoa e sobre todos fiéis da Capela Santa Maria das Vitórias em Anápolis, consagrada por Dom Pestana em dezembro do ano passado. Asseguro a Vossa Santidade nossas fervorosas orações ao Imaculado Coração de Maria para que Nossa Senhora o proteja da maldade dos seus inimigos.

Anápolis, 27 de março de 2009

Festa de São João Damasceno

Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa

Associação Civil Santa Maria das Vitórias

domingo, 8 de março de 2009

Quaresma x Campanha da Fraternidade

Se a Igreja não fosse uma instituicao divina, este Concílio(CVII) teria enterrado-a."-Cardeal Giuseppe Siri

Sábias palavras do Cardeal Giuseppe Siri. Em nosso país encontramos algo análogo: Se a quaresma não fosse uma instituição divina, as Campanhas da Fraternidade, teriam enterrado-a... como desejaram seus autores.

Antes de começar a escrever estas linhas, dei uma rápida passada pelo site da CNBB. Primeiramente encontrei um ou dois (não tenho certeza de serem dois) textos sobre a Quaresma. Na Quarta-Feira de cinzas foram publicados inúmeros textos sobre a Campanha da Fraternidade. Nossos Bispos estavam ansiosos por mais esta novidade. Justamente este é o maior atrativo: a novidade.

É inacreditável as coisas que se lêem no site da CNBB. Vejam o que escreveu Dom Aloísio Sinésio Bohn:

“É possível pensar um projeto para todos? Todas as religiões, todos os segmentos sociais e para todos os rincões do país? Ele existe e se chama “Campanha da Fraternidade”. 46ª Campanha da Fraternidade

Claro que é possível pensar em um projeto para todos: Deus Pai, enviou Nosso Senhor porque deseja que todos os homens sejam salvos. Porém todos não serão salvos, para aderir a este projeto, o preço é o assentimento da inteligência e da vontade, a verdade revelada. Este projeto exclui todas as religiões, porque traz a terra a religião que desceu do céu. Também não abarca todos os segmentos sociais ou rincões do país. Por este motivo, a Campanha da Fraternidade, é mais atrativa que a Quaresma, o coração da CNBB e de seus integrantes, esta na terra e não naquele que a criou.

O projeto a que se intitula Campanha da Fraternidade, vai na linha de outro projeto, o do Estado Laico, produzido pelo iluminismo e pela maçonaria que agora são amiguinhos da CNBB. O preço deste projeto é a exclusão da verdade católica na sociedade.

Ora, a Campanha da Fraternidade pela doutrina tradicional da Igreja, é inválida e espúria. Porque trata-se de uma campanha de misericórdia espiritual feita para todas as religiões, segmentos sociais e rincões do país. E portanto é uma misericórdia separada de Cristo, por ser puramente agnóstica e laica, é uma misericórdia sem verdade e sem vergonha. Não é uma campanha para os que acreditam em Cristo e poderiam vir a crer se a doutrina da Igreja fosse ensinada e praticada. O tema da Campanha da Fraternidade promovida pelos apóstolos foi apenas um e nunca mudou. Duvido muito que os Bispos teriam coragem de fazer uma campanha com o tema: “Todos pecaram e estão carentes da glória de Deus”.

O Deus de Bispos como Dom Lucas Moreira Neves, Dom Hélder Câmara, Dom Pedro Casaldaliga, Dom Tomas Balduíno, Dom Demétrio Valentini, etc é a consciência agitada pelo estômago! Em todos a vontade prevalece sobre a inteligência, por este motivo, a preocupação de Dom Lucas não é a salvação das almas dos presos, mas tão somente a de suas vidas biológicas.

O problema tanto nos presídios, como na política e na sociedade como um todo, é que não se tem mais católicos, porque pouquíssimos Bispos dão exemplo de fé e cumprem a suprema lei da Igreja que é a da salvação das almas. Na maioria das vezes, testemunham a adesão prática a filosofia nominalista de Guilherme de Ockham: tem apenas o nome de Bispos, enquanto as palavras e atitudes testemunham algo completamente diferente. Isto acaba por se refletir nos fiéis que passam apenas a possuir o nome de católicos e nada que os defina como tais em termos de palavra e atitude.

A paz é fruto da justiça, concordo que é justo o pedido aos políticos para que sejam políticos. Então que nos dêem exemplos os demais Bispos da CNBB como nos dão Dom Aldo e o Arcebispo de Olinda e Recife. Do contrário o pedido de honestidade e integridade política, será apenas um pedido nominalista: vazio de conteúdo. É justo e necessário que os Bispos, sejam Bispos e comecem a falar da paz de Cristo que definitivamente não é a paz do mundo!

terça-feira, 3 de março de 2009

Dom Tomás Balduíno, um marxista vestido de Bispo

É hora de pensarmos em uma campanha passado limpo a nível també episcopal. Dom Tomás Balduíno pode ser até afetivamente Bispo, mas efetivamente é um marxista. Da mesma maneira que a nível eleitoral as pessoas esperam de seus candidatos que sejam aquilo para o que foram eleitos, nós católicos esperamos que nossos Bispos sejam Bispos.  É anacrônico um pedido de honestidade na política, quando ela não é praticada pela CNBB. Seja pelos posicionamentos heterodoxos e heréticos de seus integrantes ou pelas contínuas desobediências da CNBB ao Santo Padre.


Recentemente Dom Aldo Pagotto exonerou o Deputado Luiz Couto de suas funções sacerdotais. Dom Tomás Balduíno, classificou esta pena como sendo uma punição de vingança, alegando que o diálogo poderia ter a evitado. Definitivamente não queremos nem que nossos Bispos e nem que nossos políticos dialoguem quando devem aplicar as penas da lei. É hora de dar um basta a corrupção, tanto na religião quanto na política. E que a CNBB dê exemplo de honestidade e integridade em suas fileiras não tolerando agentes da corrupção como Dom Tomás Balduíno.

Parabéns a Dom Aldo Pagotto que fez valer a lei da Igreja. Pedimos aos bons Bispos do Brasil que não aceitem mais a corrupção episcopal e de nossa Santa Religião por Bispos como Dom Tomás Balduíno, Dom Clemente Isnard, Dom Demétrio Valentini, Dom Pedro Casaldaliga e outros. Pedimos principalmente que obedeçam ao Santo Padre começando pela correção da fórmula da consagração. Estamos cansados tanto da corrupção política quanto da corrupção religiosa!

Abaixo segue uma entrevista de Dom Tomás Balduíno, não parece a entrevista de um Bispo.

Entrevista com Dom Tomás Balduíno
Por Lucimeire Santos 10/12/2004 às 17:36
Nesta entrevista Dom Tomá Balduíno não esconde as decepções com velhos companheiros. Em Lula e no PT, diz não depositar mais nenhuma confiança. A esperança, agora, reside na rearticulação dos movimentos sociais, ?cooptados? pelo governo. O Bispo também critica as oligarquias remanescentes, a morosidade da reforma agrária e o agronegócio exportador.
Cansado de decepção
Não há nenhuma perspectiva de mudança. Tanto Lula como o partido do qual é presidente de honra tomaram outra feição?
A quarta-feira, 1o, era o único dia da semana em que estaria em Goiânia. Havia reservado a data para ir ao médico e resolver problemas pessoais, antes de viajar para São Paulo e, da capital paulista, para Londrina (PR). O primeiro impulso foi a negativa em nos receber. Mas acessibilidade é uma das inúmeras virtudes desse goiano de Posse, principal defensor da luta camponesa e da reforma agrária no País. Minutos depois, a assessoria confirmava: Dom Tomás Balduíno abriria espaço de 20 minutos na agenda para o jornal. No local combinado, o Convento São Judas Tadeu, no Setor Coimbra, o terço de hora se converteu em longos 70 minutos. Várias vezes, ouvimos o sino do convento o convocar para o almoço. Paciente, Dom Tomás se manteve firme nas respostas. No fundo, ele sabe que sua trajetória o convida a grandes reflexões. Prestes a completar 82 anos, no dia 31 de dezembro, o presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), mestre em teologia e filosofia, com pós-graduação em antropologia e lingüística, mostra quase o mesmo vigor de 40 anos atrás, época em que assumiu a causa dos oprimidos do regime militar, como padre em Conceição do Araguaia (1965 e 1967). Ele, porém, não esconde as decepções com velhos companheiros. Em Lula e no PT, diz não depositar mais nenhuma confiança. A esperança, agora, reside na rearticulação dos movimentos sociais, ?cooptados? pelo governo, e na remota possibilidade do surgimento de outro partido de massa. Nesta entrevista, dom Tomás critica as oligarquias remanescentes, a morosidade da reforma agrária e o agronegócio exportador. Como observador político, sai em defesa do prefeito Pedro Wilson, a quem considera uma ?reserva moral e administrativa?, e critica Iris: ?A classificação dele na política é de cacique. A eleição de Iris é um desafio para abrir os olhos da população goianiense; para evitar a manipulação que possa vir.?
O senhor esperava um diálogo mais efetivo com o governo federal durante a Conferência Nacional Terra e Água, realizada em Brasília?
A conferência foi apoiada pelos ministérios. Diversos deles deram subvenções para que acontecesse. Ela foi apresentada como uma proposta ao ministro Miguel Rosseto (Desenvolvimento Agrário). Depois, Incra, Ministério do Meio Ambiente, Secretaria Nacional da Pesca e Ministério das Minas e Energia foram solicitados. Eles participaram com financiamento e, também, com a palavra, durante o desenrolar do encontro. A conferência foi uma manifestação de muita vitalidade das diversas organizações populares que compõem o Fórum Nacional pela Reforma Agrária. Claro, teve presença mais significativa do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), mas também foi forte a participação do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), das organizações das mulheres e representantes dos povos indígenas e quilombolas. Teve uma atenção muito grande às perguntas e à gestação de propostas. Num gesto simbólico, o documento resultado do encontro foi entregue ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.
Foi intencional a escolha de Henrique Meirelles, tendo em vista que os sociais o consideram a figura mais ortodoxa do governo?
Independentemente do documento, havia uma ida ao Banco Central, como forma de manifestar repúdio à política econômica. Ele (Meirelles) é ortodoxo no sentido do continuísmo com a política anterior. É um reforço à política neoliberal de priorizar o capital, de responder às exigências do Fundo Monetário Internacional (FMI).
A declaração que mais repercutiu durante a conferência foi a do presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart, responsabilizando o agronegócio pelo assassinato de trabalhadores rurais sem-terra em Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Como o sr. avalia o episódio?
A palavra do Rolf estava dentro da programação. O massacre de Felisburgo (em Minas Gerais, onde cinco trabalhadores ligados ao MST foram assassinados) repercutiu muito na conferência. O encontro se deu num momento de reações violentas contra os sem-terra. Houve o episódio do Mato Grosso do Sul, com tiroteio para o lado de acampados; em Pernambuco e no Ceará. Na mesma semana, também ocorreu a queima de três aldeias dos índios Macuxi, em Roraima, e a tentativa de incêndio da catedral para mostrar o repúdio à igreja que apóia a causa indígena. Ainda por cima, teve a impunidade declarada do Tribunal de Justiça para os praças que participaram do massacre de Eldorado dos Carajás. O Rolf se ligou a essa causa. Mas associar a violência ao agronegócio não é palavra dele. Um estudo, que aparece no caderno da CPT, mostra que as regiões de agronegócio são as mais violentas do País. É um dado histórico. O Rolf, assumindo isso, trouxe aquela celeuma por parte da imprensa.
A grande imprensa assumiu da defesa do agronegócio?
Sim. É uma celeuma hipócrita, porque a imprensa é, majoritariamente, burguesa. Ela fala a linguagem da elite.
Não houve também uma tentativa do governo de colocar ?panos quentes?, por ter o maior expoente do agronegócio (Roberto Rodrigues) no Ministério da Agricultura?
Houve uma reação dentro do governo. O ministro, autoridade superior ao presidente do Incra, tomou a palavra para defender o agronegócio, que ele representa. Ele, inclusive, estava ligado à Monsanto (multinacional de biotecnologia), antes de assumir o ministério. Roberto Rodrigues defende o que é dele; não o governo. Essa crise repercutiu numa irritação do presidente Lula, que pensou em demitir o presidente do Incra. Acredito que só não demitiu para não repetir o gesto de degola do antecessor (Marcelo Resende). Talvez o pessoal que se lembra dos fatos tenha recomendado ao presidente não cometer a imprudência de demitir o Rolf por uma declaração que é óbvia. É a leitura técnica-científica dos fatos.
Por outro lado, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto, um trotskista assumido, ficou mudo diante do episódio, assim como a ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, tem perdido a queda-de-braço para o agronegócio. O sr. acha que Lula fracassou na tentativa de criar um governo de coalizão, comportando setores tão antagônicos nos ministérios?
Tempos atrás, eu analisava isso (o governo de coalizão) como algo indesejável. Um governo, que se pretende de mudança, faz alianças em vista de ganhar determinadas causas no Congresso, mas ao preço de aceitar tais e tais ministros... Hoje, acho que é o normal no governo Lula. Uma vez que está decidido a continuar o mesmo modelo econômico, e até aprofundá-lo, o caminho é esse.
O sr. não vê mais nenhuma perspectiva de mudança?
Não há nenhuma...
Quando Lula foi eleito, o sr. disse que não confiava nos partidos, mas depositava toda a esperança nele. Ainda resta confiança no presidente?
Não. A não ser que haja um evento muito significativo. Todas as vezes que é solicitado, Lula reafirma o apoio a esse modelo que está aí. Concordo com o manifesto dos 300 economistas, condenando a política econômica. É uma questão de liberdade pessoal. Não somos governo para ditar normas, mas, como da sociedade civil, a gente tem força para dizer o que está acontecendo. Fico triste (com o presidente), mas, ao mesmo tempo, esperançoso. Agora, nossa esperança se situa nas organizações populares, na rearticulação da sociedade civil, na retomada da consulta e de todos os instrumentos que dispomos para levar a luta adiante. Houve uma perda dessa sociedade com a subida de Lula.
À época da eleição, os movimentos sociais não admitiam que poderiam ser cooptados. Houve, então, cooptação?
Houve cooptação até voluntária. O pessoal começou a apostar, quase que exclusivamente, no Estado. Gente que tinha uma atuação nas diversas organizações populares passou facilmente para os quadros do governo.
José Graziano (assessor da Presidência ) e Frei Betto (coordenador do Programa Fome Zero) são exemplos?
O Betto, talvez, fique como elemento de conselho, embora tenha um trabalho funcional ligado ao Fome Zero. Mas várias pessoas que integram quadros do Incra ou da Funai foram tirados desse pessoal lutador. Nesse ponto, o MST se manteve firme na sua posição. Mas acho que, como conjunto, a sociedade perdeu. Hoje, até se diz que ?não foi o PT ganhou o poder; foi o poder que ganhou o PT? (risos). Tanto Lula como o partido do qual é presidente de honra tomaram uma outra feição, a ponto de haver crise interna. Havia sugestões de dissidência no partido; uma sigla que surgisse dessa cisão, aproveitando toda a história do PT - que é muito importante para a construção da nossa cidadania e nacionalidade, mas que acaba sendo dominado pela cúpula.
Quem é o principal responsável por essa nova direção: os ministros José Dirceu e Antônio Palocci ou o presidente do partido, José Genoino?
Envolve todos eles. José Genoino é o cabeça da nova fase. Já tinha esse posicionamento de aliança antes mesmo da vitória de Lula. Acredito que, pela liderança que ele exerce como pessoa, levou o conjunto do partido. Por exemplo: agora, na votação da Emenda Constitucional que dá status de ministro a Henrique Meirelles, o PT tomou posição, rachado. É quase que meio a meio, mas o direcionamento do partido é a favor dessa medida.
Por não seguir a linha, a senadora Heloisa Helena, junto com outros parlamentares, foi expulsa do partido e fundou o P-Sol. O sr. acha que a nova sigla tem futuro?
Acho que é um esforço. Ele nasce numa história de crise. Resulta, porém, pequeno e insignificante como partido. Pode ser cresça, mas não estou vendo esse crescimento.
Há possibilidade de surgir outro partido de massa no Brasil, como o PT?
É preciso que nasça. Uma vez que não, a comunidade não tem representação no governo. O partido não é tudo, mas não podemos prescindir dele. Seu papel é fazer a mediação entre a sociedade civil e o Estado. A elite é bem servida nesse sentido. A grande maioria dos partidos é obra da elite. Quando ela é afetada em sua propriedade, em seu patrimônio, imediatamente os partidos fazem o trabalho da mediação e conseguem modificar leis, por meio de emendas e flexibilizações. Toda a evolução do capital acontece pela força dos partidos representativos das elites financeiras.
É contraditório para movimentos sociais e antigos militantes do PT o fato de ser o PMDB que está puxando a discussão sobre sua permanência ou não no governo. Chegamos ao extremo de uma ala peemedebista adotar um discurso de ?esquerda?, de oposição ao PT?
O PMDB no governo está na lógica do fisiologismo, de manter, com todos os equilíbrios instáveis, o jogo de alianças, de compras e pressões. O que posso dizer é isso: eu não concordo, mas acho que o governo acertou na mosca. A mosca dele. Para mim, ela é hedionda.
A eleição de Lula, no Brasil, e de Lúcio Gutiérrez, no Equador; a permanência de Chávez, na Venezuela, e, logo em seguida, a vitória de Néstor Kirchner, na Argentina, deu a entender que estávamos criando um eixo de esquerda na América Latina. É possível fazer um paralelo com o rumo que Lula tomou e o adotado pelos vizinhos latino-americanos?
A comparação mais interessante é com a Venezuela. Os venezuelanos conseguiram a façanha de manter um presidente constitucional no posto dele, apesar do golpe dado com colaboração dos Estados Unidos e apoiado pelas elites. A Venezuela era dominada por 30 fazendeiros. Isso resulta, hoje, numa minoria com uma força econômica extraordinária. Aí surge um governo populista, popular, ou sei lá o quê, com uma fragilidade da massa. No Brasil, a gente tem quase o inverso: uma massa que vai se fortalecendo e se articulando em diversas organizações populares, mas, do ponto de vista do líder, nós perdemos. Não de tudo, porque Lula tem sua trajetória. Se hoje fosse marcada a eleição, ele ganharia, pela força da massa popular. A figura do Lula ainda cativa. A problema para ele é na militância; esse pessoal que o colocou no poder, celebrou e vibrou com isso... Agora, abaixo, tem toda aquela camada que vê só televisão, não teve chance de fazer análise de conjuntura e participar de encontros de formação. Outro dado em relação à figura do Lula é que ele tem uma influência no continente latino-americano. Nesse sentido, soma com esses governos para marcar uma posição que não é de total submissão ao império norte-americano.
Ele assume essa liderança, mas, do ponto de vista da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), por exemplo, o governo até hoje não se posicionou claramente.
Ele evita se posicionar justamente porque é bater de frente com os Estados Unidos. A gente tem um estudo, feito por alguém de dentro do Ministério das Relações Exteriores, mostrando que a Alca não vai cumprir o calendário, previsto para janeiro. Vão empurrando. Enquanto isso, se fortalece a alternativa, que é o Mercosul. Até Chávez entra no Mercosul ? ele é de Centro-norte (risos).
Mas o sr. considera positivo o fortalecimento do Mercosul?
Considero uma alternativa à Alca. Ele pode ter os mesmos pecados, porque é ?merco?. Antes de mercado, o que precisamos na América Latina é uma integração cultural e histórica. É aquilo que Chávez propõe: a mística bolivariana. Lula tem mais força para segurar a Alca por causa do poderio que representa o Brasil. Mas, quando comparo Mercosul e a Alca, faço uma advertência: é um mercado por outro. Pode ser que sejam as mesmas regras somente nas nossas mãos. O Mercosul fica nas mãos de quem; do Paraguai? Eu já estive na Venezuela três vezes. Lá, existe algo além do mercado. Esse espírito bolivariano, de independência em relação à metrópole, é uma espécie de espinho no sapato dos norte-americanos.
O sr. acha que Hugo Chávez resiste a mais um mandato de George W. Bush?
Acho que resiste, porque é uma questão de legalidade, de Constituição. Se fosse um golpe contra outro, ele estaria em desvantagem. A correlação de força seria em favor do norte-americano. Ele é o presidente eleito. Foi confirmado no poder por uma exigência da Constituição. O que querem mais? O que podem fazer é um bloqueio. Mas fazer bloqueio a país rico? A Venezuela é da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).
O que diferencia os programas sociais de Lula e Chávez?
Lula tem uma política popular, que é o Fome Zero. A de Chávez é melhor. Aqui é mais promocional. O Fome Zero é assistencialista.; está claro isso. Na Venezuela, o que a gente nota, do ponto de vista da saúde, é que ela é preventiva. São 12 mil médicos cubanos e mais outros tantos do próprio país convocados para o ?soerguimento? da população. Eles atendem a família como na favela, morando lá.
O modelo brasileiro (Programa Saúde da Família) está longe disso?
Ele é muito pequenininho. Também outros programas, como alfabetização em massa e ?Universidade Para Todos?... O crédito também não funciona. Aqui, a burocracia emperrou. Os bancos não aprovam nada para o camponês. Lá, isso funciona.
Dá para se dizer que todos os programas sociais de Lula fracassaram?
Não generalizaria. Teria de estudar um por um. Conheço mais a linha da reforma agrária, que acaba não cumprindo as metas. Elas já foram reduzidas em 50% e, para este ano, acabou. Não tem mais dinheiro. Nem entrou no orçamento, apesar de os representantes do Fórum Nacional pela Reforma Agrária terem cobrado em tempo para colocar no orçamento de 2004.
Este ano, foram assentadas 69 mil famílias. A última previsão do Incra é de assentar 90 mil até o final do ano. A meta incial era de 115 mil. E, para os quatro anos de governo, 400 mil. É possível chegar pelo menos à metade?
O governo empurra a reforma agrária com a barriga. Vamos ver se entra no orçamento. O certo é orçar.
O presidente regional do Incra, Ailtamar Carlos da Silva, considera que há avanço no processo em Goiás, enaltecendo o diálogo criado com os movimentos sociais, em particular o MST. Há avanço?
A pressão feita em Goiás não é diferente da que é realizada em outras partes do Brasil. Quando ocupam o Incra, é uma pressão até para ajudar o presidente (do órgão), porque ele queria ter mais recurso. O Incra está sucateado. Grande parte (dos funcionários) se aposenta e não há renovação. É que o acontece em Goiás também. Agora, do ponto de vista de opção, Ailtamar Carlos é uma figura dos quadros da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura). Ele vem dessa luta, e o diálogo com os movimentos é constante.
Como o sr. avalia a existência de diversas entidades na luta pela terra? Há diferença ideológica entre MST, MTL, Contag e MLST, por exemplo?
A tensão maior é entre MST e Contag, mas os dois estão dentro do fórum. Houve uma queixa de que a Contag não compareceu em bloco nesta conferência. Eles mandaram uma carta explicando que tinham uma programação própria. Mas, como forma de suprir a carência, o próprio da presidente da confederação foi à abertura. Existe a tensão porque a luta pela terra leva a uma espécie de disputa pelo mesmo espaço.
Essa tensão não está no fato de o MST ter nascido de um movimento de luta e, a Contag, de um movimento sindical, que durante um tempo esteve subordinado aos produtores rurais?
Pode ser, mas acredito que a Contag se oxigenou muito na luta pela terra. Há vários acampamentos e assentamentos dela. Ela não está fora das conseqüências ? até perigosas ? da luta pela terra. Comparando um sindicado com o peso da Contag e um movimento ágil e quase militar, como o MST, posso dizer que são diferentes, mas acho que se complementam. No fórum, a CPT é, muitas vezes, chamada a mediar as tensões entre um e outro. Nunca a gente sugeriu deixar de lado a Contag só porque está mais na política do governo. O governo consegue adular um pouco. Passa um ?zé? (risos), e o outro fica meio de lado. Mas unidade é o trunfo de todos que estão envolvidos na luta. Isso apareceu muito na conferência. Mesmo as organizações pequenas trazem um pluralismo sadio para dentro da luta. Essa tentação de central única é coisa do passado.
Ainda existe uma visão de que os assentamentos no Brasil não produzem e que a agricultura familiar não vai para frente. O que a CPT pensa sobre isso?
Vai pra frente, sim. Temos um levantamento muito interessante sobre o resultado dos assentamentos. Ao contrário do que muito gente diz, não há favelização do campo. Há sofrimento e pobreza, porque muitos assentamentos foram colocados em terras ruins e abandonados. Tanto que uma das metas do Lula ? que ele não está conseguindo cumprir ? é recuperá-los. Recuperar custa caro. Mas o que o governo não investe, como infra-estrutura do agronegócio, nas hidrovias e ferrovias? Isso tudo está nas nossas costas. Depois, eles vão se aproveitar da exportação da soja e ficar com o dinheiro no bolso. Por que não fazemos um investimento, até a fundo perdido, em favor daqueles com os quais o Brasil tem uma dívida histórica? Achar que é dinheiro jogado fora investir em reforma agrária é obtusidade, atraso. É digno dos paulistanos, considerados os mais avançados, mas contrários à reforma.
Como o sr. analisa a derrota de Pedro Wilson em Goiânia e a volta de Iris Rezende Machado ao poder?
Interessante é que Iris é conhecido. A classificação dele na política é de cacique. Não é muito diferente do Amazonino Mendes (ex-governador do Amazonas), do (senador) Antônio Carlos Magalhães e do Orestes Quércia (ex-governador de São Paulo). Essas pessoas se eternizaram no poder, não aceitaram o revezamento e foram se enriquecendo. Goiânia tem dinamismo, mas a direita tem muita força. Aqui é o agronegócio, a UDR (União Democrática Ruralista).
O agronegócio ajudou a eleger Iris?
Acho que está por aí. Mas a vitória de Iris não foi devido à elite que Joaquim Roriz sonhava repor no poder, por mil motivos. Na linha populista, ele investiu na maior carência da administração Pedro Wilson, que era periferia. Houve uma tentativa de trabalho, mas acho que a administração Pedro Wilson ? por ser muito ética, atendendo muito à Lei de Responsabilidade Fiscal ? ficou meio engessada. Ele, talvez, não teve a desenvoltura para poder calçar essas periferias. O Orçamento Participativo, na minha visão, não é culpa do Pedro. Talvez seja do pessoal que o assessora. De fato, estava desguarnecido. Aí entrou o populismo: ?Vou passar o asfalto na sua porta e vou colocar o transporte com uma ou duas semanas...? É a força do elemento popular. Mas há uma análise de que o Pedro Wilson perdeu por causa do feriadão. Os eleitores dele eram de mais recursos, de classe média... Quantos mil migraram?
O sr. acredita mesmo que o feriadão teve peso no resultado da eleição?
Teve. Foi calculado no lápis.
Mas o fato de as pessoas viajarem não seria reflexo de um desânimo? Os eleitores que migraram não teriam ?lavado as mãos?, como forma até de manifestar um descontentamento com os dois candidatos?
Acho que havia um crescimento (de Pedro Wilson). As pessoas precisam de reforço para superar o voto útil. Ninguém gosta de perder o voto. Ver que seu candidato está com uma desvantagem grande, pode levar ao desânimo. Mas a eleição de Iris é um desafio para abrir os olhos da população goianiense; para evitar a manipulação que se possa vir.
O sr. também critica muito o PSDB, mas aqui, apesar de ter havido uma polarização entre petistas e tucanos em nível nacional, o prefeito Pedro Wilson se aproximou governador Marconi Perillo...
Aqui é um caso especial, por causa da tensão entre Iriz e Marconi. Iris foi derrotado por Marconi, e essa retomada da prefeitura pode dar caminho a um certo revanchismo ou, pelo menos, desgastar a figura do Marconi. Daí a possibilidade de aliança. Uma vez que ganha a eleição, tem de discutir outros projetos importantes: governo, Presidência.
A decepção do sr. é maior com Lula do que com Pedro?
Não tenho decepção com Pedro. Eu fiz uma análise sobre as eleições daqui. Não foi culpa do Pedro Wilson, mas acho que ele poderia ter resguardado mais essas bases periféricas de Goiânia e o problema do transporte. Talvez não botou às claras, num processo de diálogo com a sociedade, e acabou perdendo.
Mesmo assim, Pedro é um bom candidato para o governo em 2006?
Sim. É uma das nossas reservas morais e administrativas. É isso que nosso País precisa. É um homem que foi formado numa coerência do bem comum. Depende de como vão se dar essas fraturas partidárias, as alianças.
Hoje (1o de dezembro) é dia Mundial de Luta contra a Aids. O Vaticano soltou uma nota associando a doença a uma deficiência da moral. Como o sr. vê essa linha da atuação, um pouco mais conservadora, do Papa João Paulo II?
O posicionamento geral dos pastores é um pouco diferente daquilo que é declarado em Roma, contra camisinha, inclusive. É mais de defesa da vida do que da moral moralista. A defesa da vida exige trabalhar diante da situação concreta que acontece. Não vamos analisar os deslizes sexuais ou morais das pessoas. A prática é de acreditar no dado da ciência.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O fracasso da CNBB

O maior fracasso da CNBB, consiste em não gerar mais católicos. A vivência dos católicos é o termômetro da graça e do pastoreio dos Bispos. Quando uma entidade que se diz católica vem a público pedir honestidade na política, integridade, paz, justiça, etc é sinal de que algo está errado. Porque normalmente a Igreja em seus filhos oferta tudo isto a sociedade. É bastante gravíssimo que não tenhamos mais luzeiros católicos em meio as trevas do mundo. Diga-se de passagem, que toda esta corrupção tem sua origem na diretriz desta entidade no serviço ao segundo inimigo de nossa alma: o mundo.

Pode se argumentar como no artigo apóstata “Presbítero e crise de identidade” de Pe Edênio Valle, que não há mais necessidade de idealização do modelo e conseqüentemente já não basta o servo ser como o seu Senhor, e o discípulo como seu mestre. Nesta visão míope e tortuosa, já esta implicíta a corrupção e o abandono da fé. Porque bastaria a cada um ser ele mesmo, rejeitando a Cristo que nos pede que rejeitemos a nós mesmos. Uma entidade que não confere a identidade de Cristo em seus presbíteros, não é capaz de conferi-la aos seus fiéis. É complicado falar em fidelidade quando os própios presbíteros não tem nem mesmo identidade, pois como se lê no artigo:

“Participação - A visão funcionalista, isto é, cada padre, bispo, leigo tem sua função pré-determinada na Igreja, ruiu por terra com o Vat. II. Igreja como povo de Deus e servidora do mundo, como um todo sob a ação do Espírito que suscita carismas e ministérios úteis ao anúncio do Evangelho, exige uma revisão da participação que cabe ao presbítero e ao bispo nesta Igreja ministerial. Apesar dos avanços já verificados neste campo, persistem ranços de pessoas e condicionamentos estruturais da organização eclesial que ainda impedem uma participação de todos os batizados na missão da Igreja. Desafio crescente é viver o ministério presbiteral sob o ângulo do protagonismo laical; é saber encontrar o lugar para vivenciar o profetismo numa sociedade que evolui rumo à secularização. O processo acelerado de esvaziamento da função social do presbítero, não se dará sem deixar marcas profundas.” Presbíteros e crise de identidade – Pe Edênio Valle

Como pode se ver, a Igreja povo de DEUS, nasce em sua essência apostáta e só fez promover até o presente momento a apostasia. Os Bispos e os Padres, não tem mais a função de pastores e nem os leigos a de ovelhas. Como também não existe ninguém que sirva, pois não a quem se assente a mesa: todos são iguais, mas igualmente injustos ou igualmente justos?

A vivência do falso profetismo aponta para o serviço do anticristo, que é o serviço do mundo, inimigo irreconciliável de DEUS. Isto a CNBB realiza a anos, através de apoios a movimentos marxistas, como o MST que na cobiça dos bens do próximo, firma sua existência. Como uma entidade que deveria ensinar que não se deve cobiçar os bens e a casa do próximo, apóia um movimento que se move pela cobiça de bens alheios? A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, não tem nenhum direito de abolir o mandamento de DEUS que diz:

“Não cobiçar as coisas alheias”.

Os Bispos, são servos de DEUS, não são deuses e nem servos exclusivos do povo ao ponto de apoiar todos os seus desejos. O apóstolo nos advertiu que qualquer um, fosse (apóstolo ou anjo) que pregasse um Evangelho diferente do que por eles fora pregado, que o considerássemos anátema. Neste sentido, a corrupção começa na própia CNBB, que despreza a autoridade de DEUS para servir o homem do pecado. Em matéria de fé, a CNBB é insípida e entrevada, é uma entidade covarde e apóstata, como sugere este e outros apoios espúrios.

Nosso país esta assolado na corrupção e na violência, porque a CNBB não é sal e luz. Como resultado do diálogo com a Teologia da Libertação, que resultou na fundação do PT que produziu os maiores escândalos de corrupção de nossa história. Contra eles sentencia os apóstolos:

“Acautelai-vos, para que não percais o fruto de nosso trabalho, mas antes possais receber plena recompensa. Todo aquele que caminha sem rumo e não permanece na doutrina de Cristo, não tem Deus. Quem permanece na doutrina, este possui o Pai e o Filho. Se alguém vier a vós sem trazer esta doutrina, não o recebais em vossa casa, nem o saudeis. Porque quem o saúda toma parte em suas obras más.” II Jo 1,8-11

Chego a pensar que os Bispos da CNBB só fazem análises de conjuntura e não lêem a Bíblia. O apoio ao MST, fez com que esta entidade que se diz católica produzisse um fruto ateu, expressa no apoio ao descumprimento do mandamento ou da desconsideração de que seja um mandamento de DEUS. Ao saudar Karl Marx e o permitir nos altares através da Ateologia da Libertação, tomaram parte em sua obra má: negaram DEUS. Então como pode falar em honestidade e integridade se nem ela mesma é honesta e íntegra? Quanta hipocrisia...

Nestes quase cinqüenta anos, a CNBB foi capaz apenas de produzir apenas o partido mais corrupto da história do Brasil: o PT. Não foi capaz de produzir nenhum modelo de integridade e honestidade, até porque não acredita em modelos e exemplos, mas tão somente na consciência individual. É um problema grave a CNBB não produzir luzeiros na política, mas como poderia produzi-los se ela esta do lado daqueles que querem o fim do Estado?

Não existe uma crise de identidade (No Clero e nos leigos), mas a negação da mesma que torna a evangelização completamente non sense. O fim da atividade do Clero, deveria ser a geração de Cristo para serem fiéis a identidade daquele que os salvou. Se não existe mais o modelo e nem o exemplo, Cristo não esta nas autoridades e nem nos fiéis. O que vemos nas autoridades da CNB, são os pobres e o povo a quem estas autoridades colocaram no lugar de Cristo. E o fruto desta substituição só poderia ser a corrupção tanto do Estado quanto da religião católica. Daí a razão do crescimento das seitas protestantes, do agnosticismo e do ateísmo. O que nos oferta a CNBB, é a contemplação prática da grande apostasia predita pelos apóstolos. O fim da CNBB hoje é a geração da revolução e da laicidade nos leigos. Por parte desta entidade, não existe mais oferta de fé, mas a oferta da moda.

Quando ainda se considera que os Bispos não fazem nada para coibir os abusos litúrgicos e fazem de tudo para impedir a aplicação do Motu Próprio Summorum Pontificum. Constata-se a negação das própias raízes católicas e principalmente que a Casa de DEUS, não é mais Casa de Oração onde se adora Cristo. Mas CASA DE PARTICIPAÇÃO onde a comunidade adora a si mesma em uma liturgia narcisista que se tornou um prurido de novidade sem nenhuma identidade ou algum proveito para além da participação. Temos no Brasil uma Igreja onde os Bispos não pedem as orações do povo, mas apenas ações. É mais uma tomada das obras más marxistas, desesperar-se de DEUS para acreditar em si mesmo.

Recomendo aos católicos que prezam a sua fé que se afastem desta entidade. Procurem algum grupo ou Padre tradicionalista, estes os guiarão para a oração e o reino de Cristo, não para a ação e o reino do anticristo. Embora seja proibida a aplicação do Motu Próprio Summorum Pontificum (e personalidades tradicionalistas de darem aulas) é um dever que devemos correr para a salvação de nossas almas. Principalmente quando se comprova a proibição ao certo e o apoio ao erro. Manifestos em proibições aos que ensinam a fé e a liberdade a pessoas do nível de Leonardo Boff que tem livre trânsito em todas as faculdades católicas (apesar de todas as sanções de Roma). Percebe-se nisto que não estão preocupados com a salvação de nossas almas, o suficiente para nos afastarmos.

Enfim, enquanto entidade católica, a CNBB não produz católicos, é um fracasso. Mas considerando-se o que esta por trás da cortina, ela é um sucesso na propagação da apostasia. Serve muito bem ao mundo e ao anticristo trabalhando contra Cristo e o Santo Padre Bento XVI

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Da esterilidade do “apostolado” da CNBB

É com forçoso pesar que temos o dever de anunciar que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil é uma apostasia da fé. A prova contumaz desta apostasia esta nos textos dos próprios Bispos. Neles nota-se uma única e notável preocupação temporal, notadamente de tendências marxistas, ainda que forma heterodoxa. Resulta desta idolatria socialista um enorme vazio espiritual que se manifesta exatamente pelas mais variadas formas de corrupção na sociedade brasileira.

Não é preciso muito trabalho para constatar que colocando-se Karl Marx ou qualquer outro filósofo ou idealista no lugar de Cristo e a modernidade no lugar da eternidade a Igreja deixa de ser fecunda. É com constrangimento e lástima que se verifica que hoje a esmagadora maioria dos católicos não praticam a doutrina católica, que é eterna, mas praticam doutrinas modernas que são perecíveis. Desta forma, não é de se estranhar o incessante e vicioso pedido por honestidade e integridade na política. Pois se existem católicos na política, nenhum deles é exemplo de integridade, sendo este um sinal de que a atividade da CNBB é um fracasso. Porque ela não ensina a doutrina católica, mas antes faz dialética da corrupção como médico que usa doença como se fosse remédio. Nosso Senhor ensinou que nada se pode fazer sem Ele, logo o apostolado da CNBB é estéril e não gera católicos, mas é fértil na geração de homens mundanos. Se fosse luz, clamaria por luz?

Com efeito, a CNBB não consegue instruir sequer um católico para ser sal e luz no meio das trevas e pior ainda é a sua capacidade para a conversão e a evangelização dos homens e mulheres do Brasil! Suas relações escusas com o partido que mais produziu escândalos de corrupção na história do país e o seu adultério com a Teologia da Libertação são os maiores propagadores de heresias a ser combatidas. A CNBB, é lamentável, constitui-se em uma entidade sem lei e sem graça. Tudo é só política na CNBB!

A Igreja sempre ofertou honestidade e integridade através de seus filhos, ela nunca pediu isto a todos, porque nem todos vivem o julgo leve e o fardo suave de Cristo. Quando se passa a pedir isto é um sinal de que não se está em sintonia com a Santíssima Trindade. Não se cuida de dizer inexistentes os pecados entre os filhos da Igreja, mas sim de saber que na CNBB não existem e não se produzem exemplos a ser seguidos. Portanto, se ela já não produz luzeiros entre as trevas, algo está errado e necessita ser corrigido. Porém no que diz respeito a CNBB, é muitíssimo difícil imaginar uma reorientação ao sagrado. Com efeito, o próprio fato de se existir uma CNBB é algo que afronta a própria doutrina da Igreja. O nível de corrupção a que chegou esta entidade é tão profundo que eles são até capazes das mais descabidas e não fundamentadas desobediências ao Papa. 

Na desobediência ao Papa, merece principal destaque o Motu Próprio Summorum Pontificum e a orientação para a correção da forma da consagração do vinho. No primeiro caso, a maioria dos Bispos desta entidade impediu ou aplicou parcialmente o Motu Próprio. Já no caso da fórmula da consagração, venceu em outubro último o prazo para a correção e até o presente momento nada foi feito. Haverá testemunho maior de infidelidade do que a contemplação da hermenêutica da descontinuidade promovida por esta entidade?

Tudo isto faz lembrar que o maçon republicano Rui Barbosa disse com ares de profecia que um dia o homem sentiria vergonha de ser honesto. Em uma versão católica, aqueles que não conhecem a verdadeira tradição da Santa Igreja, pela atividade da CNBB, certamente sofrem um forte ímpeto de reformular tal sentença que por eles muitas vezes acaba se dizendo:

“De tanto ver triunfar as heresias, de tanto ver prosperar o erro, de tanto ver crescer a apostasia, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, chego a desanimar da obediência e da fé; a ter vergonha de ser católico." Não é difícil saber porque as seitas proliferam tanto no Brasil!

O apoio e o serviço ao mundo, a desobediência ao Papa e o descumprimento das leis de Deus, não qualificam a CNBB como obra verdadeiramente católica. Quando se apóia grupos como o MST, despreza-se a lei de DEUS que nos manda não cobiçar as coisas alheias.

Agrademos a DEUS por haver permitido o apostolado de Dom Lefebvre e Dom Mayer. Depois do Concílio Vaticano II, apenas estes dois Bispos e mais poucos outros defenderam a fé. Onde se tem dialética, não é possível haver defesa, pois não existe mais fé, não existem mais lobos, porcos ou cães, mas somente o homem orgulhoso idolatrado por este clero modernista que destrói a religião e a crença em Deus. Através de um sentimentalismo romântico barato e de uma negação da racionalidade testemunham os rebeldes que a verdade de Cristo não mais liberta.

Nosso Senhor se compadeça de nós e nos envie Bispos que se preocupem com as nossas almas e nos guiem pelo caminho da fé.  Já passou da hora da Igreja no Brasil deixar de ser Igreja da CNBB e voltar a ser Igreja Católica. O modelo nascido do exemplo apóstata de Dom Hélder foi o responsável por toda corrupção eclesiástica em nosso país e pela pífia frutificação de autênticos católicos.

Frederico de Castro

Gederson Falcometa Zagnoli Pinheiro de Faria

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

R E S P O N D E O nº 1

 

http://www.permanencia.org.br/Respondeo/missanova1.htm

1. Os tradicionalistas extrapolam ao afirmar que a Missa Nova é protestantizada. Na verdade queriam chamá-la herética e inválida!

Resposta: O Novus Ordo é um rito protestantizado. São vários os motivos que nos obrigam dizê-lo:

  • a intenção dos reformistas.

  • A acolhida dos protestantes.

  • O escandaloso convite feito aos protestantes.

  • O parecer de eminentes teólogos.

  • A comparação com as reformas litúrgicas de Lutero e Zwinglio.

  • O problema da tradução do Missal.

  • A adoção de novas linguagens e práticas.

a) A INTENÇÃO DOS REFORMISTAS

O escritor francês Jean Guitton, amigo próximo de Paulo VI, escreveu: “O Papa Paulo VI me confiou que era sua intenção assemelhar o mais possível a nova liturgia ao culto protestante” [3]. Também possuímos a declaração do pde. Anibal Bugnini, talvez o principal nome por trás do Novus Ordo Missae: “A oração da Igreja não deve ser um motivo de constrangimento para ninguém", logo "[é preciso] arredar toda a pedra que poderia constituir qualquer sombra de risco de tropeço ou de desprazer para os nossos irmãos separados" (L´Osservatore Romano, 19 de março de 1965). Grifos nossos.

b) A ACOLHIDA DOS PROTESTANTES

Lutero dizia: "Eu afirmo que todos os lupanares, os homicídios, os roubos, os adultérios, são menos maus que esta abominável Missa!"

Após o Novus Ordo, entretanto, os protestantes abandonaram a costumeira hostilidade e encheram-se de simpatia pelo rito da Igreja. Por que não se entusiasmavam com o antigo missal e sim com este? Por que recusavam firmemente rezar pela Missa de Sempre, mas não têm escrúpulos em utilizar a Missa Nova? A razão, acreditamos, não pode ser outra senão a de que a "reforma litúrgica deu um passo notável para a frente e houve uma aproximação das formas da Igreja luterana" (L´Osservatore Romano, 13/10/1967).

Vejamos algumas declarações públicas de protestantes, declarações essas que constituem sinal evidentíssimo de que há algo errado com a nova missa: [4]

- Max Thurian, da Comunidade protestante de Taizé: “Um dos frutos do novo Ordo será talvez que as comunidades não católicas poderão celebrar a santa ceia com as mesmas orações da Igreja católica. Teologicamente é possível” (“La Croix”, 30-5-69).

- “Agora, na Missa renovada, não há nada que possa verdadeiramente perturbar o cristão evangélico” (Siegevalt, Prof. de Dogmática na Faculdade protestante de Strasbourg, “Le Monde”, 22-11-69).

- “As novas orações eucarísticas católicas abandonaram a falsa perspectiva de um sacrifício oferecido a Deus” (“La Croix”, 10-12-69, palavras que Jean Guitton diz ter lido em revista protestantes muito apreciada).

- “Se toma em consideração a evolução decisiva da liturgia eucarística católica, a possibilidade de substituir o cânon da Missa por outras orações litúrgicas, o afastamento da idéia segundo a qual a Missa constituiria um sacrifício, a possibilidade de comungar sob as duas espécies, não há mais razão para as igrejas da Reforma" (Roger Mehl, protestante, em “Le Monde”, 10-9-70).

- “Nós nos atemos à utilização das novas preces eucarísticas nas quais nós nos encontramos e que têm a vantagem de matizar a teologia do sacrifício que tínhamos o hábito de atribuir ao catolicismo. Estas preces nos convidam a encontrar uma teologia evangélica do sacrifício” (Trecho de um documento emanado do Consistório superior da Confissão  de Augsbourg e da Lorena, datado  de 8-12-73, publicado em “L’Église en Alsace”, número de janeiro de 1974).

- “A maior parte das reformas que Lutero desejava. Existem doravante no interior mesmo da Igreja Católica” – (...) “Por que não se reunir?” (Seppo A. Teonen, teólogo luterano, professor de Dogmática na Universidade de Helsiqui, jornal “La Croix” de 15-5-72).

Acrescente-se ainda as declarações feitas em 1983 pela Comissão Mista católico-luterana, oficialmente reconhecida por Roma:

"Outras exigências que Lutero tinha formulado em seu tempo podem ser consideradas como sendo satisfeitas na teologia e na prática da Igreja de hoje", tais como: "o emprego da língua vulgar na liturgia, a possibilidade da comunhão sob as duas espécies e a RENOVAÇÃO DA TEOLOGIA E DA CELEBRAÇÃO DA EUCARISTIA"[5] . (grifos nossos)

c) O ESCANDALOSO CONVITE FEITOS AOS PROTESTANTES

Seis pastores protestantes foram convidados para a Comissão da Reforma Litúrgica e dela participaram como adidos qualificados. Paulo VI deixou-se fotografar com os mesmos na cerimônia de encerramento do CONSILIUM, em 10/4/70 e a foto foi reproduzida em La Documentation Catholique. Ora, estes pastores não se limitaram a assistir, mas tiveram participação ativa.

A intervenção ativa destes ‘observadores’ é corroborada por declarações de Mons. W.W.Baum, “diretor executivo” dos assuntos ecumênicos da conferência episcopal americana”: “Eles não lá estiveram como simples observadores, mas como consultores, e participaram plenamente das discussões sobre a renovação litúrgica católica. Não faria muito sentido caso se contentassem em ouvir, mas eles puderam contribuir” (Detroit News, 27 de junho de 1967).”[6]

Ademais, como afirmou Mons. Lefebvre, por que os protestantes teriam sido convidados para a Comissão da Reforma Litúrgica senão para que dissessem “se estavam satisfeitos ou não, ou se havia alguma coisa que lhes não agradava, se eles podiam rezar conosco?”[7]

Essa escandalosa participação dos protestantes teve um precedente notório: o Concílio Vaticano II:

Os protestantes, integrando um grupo que foi chamado de "OBSERVADORES NÃO-CATÓLICOS", já estavam presentes na Aula Conciliar desde o primeiro dia da Primeira Sessão do Concílio Vaticano II, e a importância de sua participação foi logo enfatizada, pois no programático discurso de abertura do Concílio (11/10/62), o Santo Padre João XXIII anunciou formalmente que uma das grandes finalidades do encontro seria a união dos cristãos.

“Esses "OBSERVADORES NÃO-CATÓLICOS" participaram do início ao fim do Concílio e no final deste, ou seja, no dia 4 de dezembro de 1965, estavam presentes em uma cerimônia ecumênica, na qual o Papa Paulo VI, "com evidente satisfação" e dirigindo-se a tais "observadores", disse:

"... Sabeis, Irmãos, que de muitas maneiras o nosso próprio Concílio Ecumênico pôs-se em movimento em direção a vós: da consideração que os Padres Conciliares não deixaram de manifestar pela vossa presença, que tão cara lhes era, até o esforço unânime para evitar toda expressão que não fosse cheia de deferências para convosco; da alegria espiritual de vermos vosso grupo de escol associado às cerimônias religiosas do Concílio, até a formulação de expressões doutrinais e disciplinares aptas a arredar os obstáculos e a abrir sendas tão largas e aplainadas quanto possível para uma melhor valorização do patrimônio religioso que conservais e desenvolveis: a Igreja Romana, como vedes, testemunhou a sua boa vontade de vos compreender e de se fazer compreender; não pronunciou anátemas, senão invitações; não traçou limites à sua espera, como tampouco os traça ao seu oferecimento fraterno de continuar um diálogo que a empenha."[8] (grifos nossos)

d) O PARECER DE EMINENTES TEÓLOGOS E AUTORIDADES DA IGREJA

Cardeal Ottaviani, outrora Prefeito da Congregação da Doutrina e da Fé, oficialmente encarregado pela defesa da Fé e da moral: “A nova forma da missa foi substancialmente rejeitada pelo Sínodo Episcopal, nunca foi submetida ao júri das Conferências Episcopais e nunca foi reivindicada pelo povo. Além do mais possui todas as possibilidades de satisfazer aos mais modernistas dos Protestantes.”[9] (grifos nossos).

Cardeal Sticker: “O lugar importante dado às leituras e à pregação na nova missa, a possibilidade mesma deixada ao padre de acrescentar explicações e palavras pessoais é uma reflexão a mais sobre o que é legítimo chamar de uma adaptação à idéia protestante de culto..." (grifos nossos)

Cardeal Silvio Oddi: “Quando o Cânon II foi publicado, os protestantes da famosa comunidade de Taizé, que têm uma liturgia muito diferente da liturgia católica, disseram: “Este nós também podemos usar”. Isto quer dizer que pode ser interpretado sem a presença real de Cristo na Eucaristia. Portanto, alguma coisa não era clara (...) Tenho a impressão de que as pessoas escolhidas para efetuar todas essas reformas litúrgicas não estavam muito preocupadas com a pureza do dogma e da doutrina. Tentaram apresentar as coisas para agradar alguém, por uma concepção ecumênica errônea”.[10] (grifos nossos)
Cardeal Fernando Antonelli
, membro do Consilium, organismo encarregado da reforma litúrgica: "Tenho a impressão de que se concedeu muito, sobretudo em matéria de sacramentos, à mentalidade protestante" (grifos nossos)

Mons. Klaus Gamber, bispo de Ratisbona e perito em Liturgia: “A reforma litúrgica de Paulo VI foi mais radical que a de Lutero”.

Pde. Raymond Dullac: “Este rito possui um PECADO ORIGINAL que circuncisão alguma será capaz de suprimir: o pecado de se ter querido fabricar uma “missa” passe-partout, apta a  ser celebrada tanto por um católico como por um protestante”

Um grupo de teológicos publicou em 1969 um artigo na conceituada revista Pensée Catholique: “O Ordo Missae tenderia a instaurar na Igreja católica romana um ofício por demais semelhante à ceia das igrejas protestantes. Sinal característico? É a Ceia e não a Cruz que figura no frontispício do livro vermelho, na página 2”[11].

Outro interessante testemunho nos foi dado pelo escritor Julien  Green, convertido do anglicanismo: “A primeira vez que ouvi a Missa em francês, tive dificuldade em crer que se tratava de uma Missa Católica. Apenas a Consagração me tranqüilizou, embora ela fosse, palavra por palavra, semelhante à consagração anglicana”.

No mesmo livro, o autor conta a impressão que ele e sua irmã tiveram diante de uma Missa televisionada: Pareceu-lhes uma imitação grotesca do ofício anglicano. No fim ele perguntou à sua irmã: “por que é que nos convertemos?” (op. cit., p. 138)[12].

e) A COMPARAÇÃO COM A REFORMA LITÚRGICA DE LUTERO

― É espantosa a comparação entre o culto dos reformadores e o Novus Ordo. A citação seguinte foi tirada do livro de Arnaldo Xavier da Silveira, “Considerações sobre o Ordo Missae de Paulo VI”. Os negritos são nossos:

“Na quinta-feira santa, 13 de abril de 1525, bem como na sexta-feira santa e no domingo de Páscoa seguintes, sob as abóbadas estarrecidas do “Grand Muenster”, o culto se processou de maneira absolutamente nova. A língua alemã expulsava totalmente o latim da liturgia. Os coros não cantavam mais (...) A ceia substituía a missa.

“As espécies da refeição sagrada encontravam-se sobre uma mesa de tipo comum. Zwinglio oficiava voltado para a assembléia, em vez de permanecer, como na liturgia romana, de frente para o altar. A seu tempo, acólitos distribuíam o pão ao longo dos bancos dos fiéis, que com suas próprias mãos tomavam um pedaço e o levavam à boca. O cálice, trazido da mesma maneira, circulava em seguida, passando de um comungante a outro. Zwinglio fizera questão de que o vinho fosse pôsto em cálices de madeira, a fim de repudiar abertamente todo o fausto. (...)”[13].

― “...a primeira medida de Lutero contra o caráter sacrifical da Missa, foi a supressão do ofertório, que mais explicitamente o expressa. Depois fez as outras mudanças. Foi igualmente o que fez Paulo VI na nova missa, transformando o ofertório em uma simples apresentação de dons conforme prática judaica na suas sinagogas.

“Em seguida, Lutero alterou as palavras da instituição, fazendo da parte consacratória e da narrativa, que são bem distintas, uma só, e mandando pronunciar tudo em tom narrativo e em voz alta. Tudo para suprimir qualquer idéia de ação pessoal do celebrante e pois, toda a idéia de sacrifício, e assim inculcar nos assistentes a idéia protestante de simples ceia-memorial.

“Também a reforma de Paulo VI, do rito da Missa, alterou a forma da Consagração, transpondo para fora dela as palavras “Mysterium fidei”, e suprimindo o ponto gráfico que separava bem a parte narrativa, da parte consecratória, de modo que o celebrante é levado a pronunciar tudo em tom narrativo como quem apenas conta um fato acontecido no passado, e não como quem faz uma ação pessoal, que torna de novo presente a mesma realidade operada por Jesus Cristo, e por Ele ordenada que fosse renovada perpetuamente mediante o ministério do sacerdote (Lc. 22,19).

“Vê-se pois, por essa pequena amostra – e há muitos outros pontos nos quais a missa nova não é mais a pura expressão da Fé Católica – como é de suma importância a nossa fé nesse aspecto da Missa como sacrifício. Aí está a prova. Os protestantes tomam ares de festa com a sua supressão, através da Missa nova.”[14]

― “Lutero suprimiu qualquer referência aos Santos. Também na Missa Nova, dos seus quatro Cânones, somente o chamado Romano menciona alguns Santos, e mesmo assim, é livre a sua menção pelo celebrante. Mais um motivo por que vários pastores protestantes afirmam poder celebrar a sua ceia-memorial usando o texto da Missa Nova”.[15]

― “Para Lutero, a Missa é somente um banquete de comemoração da última Ceia. Daí ser celebrado em uma mesa, e com o celebrante voltado para o povo, na postura dos comensais de refeição comum, como se faz na Missa Nova”[16].

f) O PROBLEMA DA TRADUÇÃO

Outro aspecto que deve ser estudado é o da tradução do Novus Ordo para o vernáculo. Problema que ocorreu em maior ou menor grau por todo o mundo. No Brasil, os "erros" de tradução foram motivo de polêmica pública, envolvendo sacerdotes e diversos intelectuais católicos. [17] Ora, analisando os “erros” diversos de tradução para o português (o padre D´Elboux listou na época nada menos que 150 e, segundo narrou o mesmo, Dom Fernandes, de Londrina, relacionou número ainda maior de "erros"), verifica-se que vão freqüentemente numa direção muito agradável aos protestantes. Ora, o fortuito não pode ser repetitivo. Vejamos alguns exemplos:

1. Nas referências à Nossa Senhora, todas as vezes em que se lia beata Virgo Maria no original latino do Novus Ordo, traduziu-se simplesmente por "Virgem Maria", omitindo o bem-aventurada que pedia o latim. Isto ocorre nos parágrafos 3, 45, 54, 78, 85 e 94. Notamos que, no parágrafo 85, lia-se: in primis cum beatissima Virgine, Dei Genitrice, Maria. Eliminados o superlativo beatissima e o in primis ("antes de tudo"), ficou a tradução abreviada para: "Virgem Maria, mãe de Deus".

Ainda neste ponto, encontramos as omissões seguintes:  

— no parágrafo 30: "Virgo Mater inefabili dilectione sustinuit", torna-se: "a Virgem esperou com amor de Mãe". Enquanto no latim, estava amor inefável e não, de Mãe;

— no parágrafo 45 e no 53, "virginitatis gloria permanente" e "in primis gloriosae semper Virginis Mariae", respectivamente no latim. Não aparece na tradução o gloria da primeira frase, nem o gloriosae, da segunda;  

— no parágrafo 46: "Deiparae Virgini Sponsus" fica traduzido como "esposo à Virgem Mãe", enquanto Deiparae pedia "à Virgem Mãe de Deus".

2. Com relação aos Apóstolos, Santos e Mártires ocorre fenômeno parecido com o que se viu acima. No parágrafo 47, "beatos Apostolos", no texto latino, traduz-se simplesmente "dos Apóstolos"; no parágrafo 69 traduz-se "tuis sanctis Apostolis" por "apóstolos"; mais grave, no parágrafo 78 simplesmente omite-se a menção aos santos ("et omnibus Sanctis qui tibi a saeculo placuerunt", torna-se "e todos os que neste mundo vos serviram" — sem mencionar a tradução de "placuerunt" por "serviram"). Ainda no parágrafo 85 vê-se novas omissões: "cum beatis Apostolis tuis et gloriosis Martyribus" é transformado em "os vossos apóstolos e mártires".

3. Com relação à Igreja: Por duas vezes suprime-se o adjetivo "católica" ao referir-se à Igreja e, em uma vez, omite-se o adjetivo "santa". "Quae tibi offerimus pro Ecclesia tua sancta catholica" passou a ser "Nós as oferecemos (omitiu-se in primis) pela vossa Igreja (omitiu-se sancta e catholica) dispersa pelo mundo".

4. A tradução de "pro multis", na formula mesma da Consagração, por "por todos" (mais gravemente, na tradução oficial de 1969, publicada sob a aprovação da CNBB, "por todos os homens"), cuja correção apenas recentemente foi ordenada.

5. No início da agora chamada "Oração Eucarística I" [...] vê-se traduzido haec dona, haec munera, haec sancta sacrificia illibata por "estas oferendas", simplificação excessiva e mutiladora, exatamente porque aquelas ofertas são matéria do "sacrifício ilibado", da Vítima Perfeita, Cristo. A missa é essencialmente sacrifício: não assembléia, nem memorial.

Poder-se-ia arrolar ainda muitos outros exemplos de infelizes omissões, como a do parágrafo 63, onde "et hunc praeclarum calicem" é traduzido, tão pobremente, por "o cálice"; ou a igualmente infeliz omissão em dois lugares de adjetivos que indicam perpetuidade quando se refere a danação ou vida eterna (parágrafos 43 e 60); ou as diversas passagens em que se eliminou ou se atenuou expressões referentes aos Anjos e à hierarquia angélica; ou a tradução do “Orate frates”, ou do “Et cum spiritu tuo”.

É de espantar a franqueza com que D. Clemente Isnard OSB, Secretário Nacional de Liturgia no tempo em que foram feitas as traduções, narra como conseguiu a aprovação de Roma ao texto traduzido (grifos nossos):

"Resolvi então proceder por própria conta" - coisa de admirar mas não de imitar - e que tanto irritou Dom Geraldo Fernandes, que chegou a ser Vice-Presidente da CNBB. "Apresentei em Roma, e a Congregação para o Culto Divino aprovou nossa versão. Nossa sorte é que no momento não havia na Congregação perito em língua portuguesa. Desta forma obtivemos aprovação da simplificação do Cânon Romano, que tinha sido apresentada pelos franceses e negada... Nós simplesmente havíamos copiado a proposta francesa."[18]

g) NOVA LINGUAGEM, NOVAS PRÁTICAS

- “É sabido que a Eucaristia tem dois aspectos, um de Sacramento, outro de Sacrifício. O 1º é chamado “Eucaristia”; o 2º é a Santa Missa. É de fé que a Missa é Sacrifício; o próprio termo “Missa” já indica o seu caráter sacrifical, pois é o particípio do verbo latino “mittere”: enviar. Significa que, ao fim da Missa, a oblação sacrifical já foi enviada (Sto. Tomás)

“Por isso, Lutero suprimiu a palavra “Missa”, em sua reforma litúrgica; queria apagar da mente dos fiéis até a idéia de Sacrifício que lhe é conexa. “Chamemo-la, dizia ele, Benção, Eucaristia, Ceia do Senhor”. E hoje, seguindo a preferência da “Institutio generalis”, que promulgou a Missa Nova, está sendo chamada, de preferência, Eucaristia.

- “Para Lutero, todo homem, só pelo batismo, já é sacerdote, porque, para ele, não há qualquer diferença entre ser cristão e ser sacerdote. Por isso, os seus pastores são meros presidentes das assembléias reunidas para celebrar a sua ceia meramente memorial. É muito sintomático que, na Missa Nova, o “Confiteor” não seja mais rezado, primeiro, pelo celebrante sozinho e só depois pelos fiéis juntos. Esta mudança insinua igualdade entre os padres e os leigos. E o próprio Institutio Generalis (no. 7) chama o celebrante de presidente da “assembléia do povo de Deus”, na qual o povo reunido sob sua presidência é que celebra o “Memorial do Senhor”. Só diante da reclamação dos fiéis por causa desse grave erro é que Roma fez um arremedo de correção, pois o celebrante continuou a ser presidente da Assembléia e o povo não deixou de ser quem celebra, ou con-celebra (com o presidente)...”[19]

Podemos citar ainda aqui:

- O grave problema da definição da Missa como Ceia no “Institutio Generalis”;

- As concelebrações;

- A substituição do latim pelo vernáculo;

- A comunhão dada na mão;

- A substituição do gregoriano por músicas populares, o emprego de instrumentos de percussão e cordas nas Igrejas;

- As missas-show, carismáticas etc.

CONCLUSÃO

"O Novus Ordo foi concebido com o propósito de favorecer um falso ecumenismo, esmaecendo a fé", "a Nova Missa pode ser lícita e válida, mas a intenção que presidiu a sua elaboração a torna intrinsecamente perversa e perigosa". A essas objeções, Dom Guy Oury, do célebre mosteiro de Solesmes, comentou: "Se fosse realmente assim, compreender-se-ia que os católicos fiéis estivessem justamente alarmados em sua fé; a resistência tornar-se-ia mesmo um dever"

Ora, como nota Louis Salleron, ainda que estas duas objeções devessem ser formuladas um pouco diferentemente, é realmente assim. Por isso, a resistência é um dever. [20]

* * *

Encerramos deixando ao leitor a tarefa de julgar. As evidências são copiosas. Como negar, sem má-fé, que é protestantizante o novo rito, não apenas em sua intenção, não apenas no entender dos protestantes, mas naquilo mesmo que o constitui?

O leitor desejoso de se aprofundar no assunto poderá ler alguns dos trabalhos que foram publicados nesse sentido:

- A Missa de Lutero, por Mons. Lefebvre;

- Protestantização Litúrgica (Sim Sim Não Não, no. 69);

- Carta Aberta aos Católicos Perplexos, cap. IV, de Mons. Lefebvre.

- “A Teologia do Sacrifício da Missa”, por D. Licínio Rangel (Sim Sim Não Não, Julho/2001);

- "Solesmes et la Messe" (Itinéraires, no. 195), "En quoi la Nouvelle Messe est un échec " (no. 194), Louis Salleron.

- La Nouvelle Messe de Paul VI: Qu´en penser?”, Ia parte, cap. 5. de Arnaldo Xavier da Silveira “

- “A Missa Nova, uma caso de Consciência” e “Católicos, Apostólicos, Romanos”, padres de Campos.

Sobre a Missa tradicional, oferecemos ainda vários textos no nosso índice Missa de São Pio V

* * *

Finalmente, jamais alegamos que a Nova Missa fosse herética ou inválida. A esse respeito, citamos palavras do próprio Mons. Lefebvre: “Evidente que a reforma litúrgica atual se inspira na reforma de Lutero. Eu disse isso, em Roma, a muitos Cardeais: Vossa nova Missa é a Missa de Lutero!” A isso me foi respondido: Mas então ela é herética!” E eu respondi: Não, ela não é herética, mas é ambígua, equívoca, pois um pode celebrá-la com a católica integral do Sacrifício, da Presença Real, da Transubstanciação e outro pode celebrá-la sem ter essa intenção e, nesse caso, a Missa não será mais válida. As palavras que ele pronuncia e os gestos que ele faz não o contradizem. Ela é equívoca, sim, equívoca. E certamente Lutero, durante muitos anos, a celebrou validamente, quando ele ainda não estava contra o Sacrifício, quando ele era ainda mais ou menos católico. Porém, mais tarde, quando ele recusou o Sacrifício, o Sacerdócio, a Presença Real, então sua Missa passou a não ter mais validade[21].

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Notas:

[3] Emission de Radio-Courtoisie, 19/12/1993. “A intenção de Paulo VI, a respeito da liturgia católica, foi reformá-la de modo a quase coincidir com a liturgia protestante (...) Repito, Paulo VI fez tudo quanto estava em seu poder para aproximar a missa católica – afastando-se do Concílio de Trento – da Ceia protestante (...) Há em Paulo VI uma intenção ecumênica de apagar, ou ao menos de corrigir, ou de abrandar, o que na Missa há de demasiadamente católico, no sentido tradicional, e de aproximar a Missa católica da missa calvinista”.

[4] “A missa nova, um problema de consciência”, padres de Campos

[5] - Como consta de “La Documentation Catholique”, de 3 julho de 1983, n.1085, páginas 696 e 697. Citado em “A Renovação da Celebração da Missa”, Francisco Lafayette.

[6] “La nouvelle messe est d´esprit protestant”, Mons. Lefebre, “La Libre Belgique”, 25/9/76. Reproduzido de “Le mouvement Liturgique”, Abbé Didier Bonneterrre, ed. Fideliter.

[7] A Missa de Lutero, conferência de Mons. Lefebvre.

[8] A “Renovação” da celebração da Missa, Francisco Lafayette.

[9] A Intervenção Ottaviani (http://www.permanencia.org.br/revista/atualidades/ottaviani.htm)

[10] Em entrevista para a revista “30 dias”, julho de 1991.

[11] Publicado em La Pensée Catholique, no. 122.

[12] “A missa nova, um problema de consciência”, padres de Campos.

[13] Jean Rilliet, “Zwingle, le Troisième Homme de la Réforme”, 1959 – citado por “La Contre-Réforme Catholique au XX Siècle”, no. 26, novembro de 1969, p. 1.

[14] “A Teologia do Sacrifício da Missa”, D. Licínio Rangel.

[15] A Missa da Tradição e a Missa Nova, nov/2001, Sim Sim Não Não.

[16] Ibidem.

[17] Além do Padre d'Elboux, escreveram Gustavo Corção, Gladstone Chaves de Melo ("A Tradução da Nova Missa" e "Ainda a Nova Missa", respectivamente 2/01 e 3/01/70; "Ainda a Missa", Mar/70; "Erros e Heresias Acobertados pela Tradução Brasileira da Missa", Jun/70), o Cônego Ludovico Rosano ("Traduttore, Traditore" em 17/02;"Carta de Uma Padre Católico" em 7/03/70). Como relata ainda o mesmo Pe. D'Elboux ("Ainda a tradução do Novo Missal", Set/73), Dom Fernandes, de Londrina, chegara a preparar uma lista de "erros" de tradução ainda maior que a sua.

[18]  Conferência pronunciada no Encontro dos Liturgistas do Brasil. in A Sagrada Liturgia — 40 anos depois", estudos da CNBB no. 87. Editora Paulus, São Paulo, 2003.

[19] “A Missa da Tradição e a Missa Nova”, nov/01, Sim Sim Não Não.

[20] "Solesmes et la Messe", Louis Salleron, Itinéraires, 195.

[21] “A Missa de Lutero”, Mons. Lefebvre.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Descrição da comissão pastoral da terra

Caríssimos, eis a descrição da Pastoral da Terra no site da CNNB. Não há muito o que comentar, o conteúdo é podre. Pergunto me: Qual será a função de um Bispo na CNBB ?

A CNBB esta para o Brasil, como a Rainha Elizabeth II esta para a Inglaterra, é apenas uma presença figurativa. Fé, eles nem sabem mais o que é!Não é atoa que os católicos estão procurando seitas, seita por seita qualquer uma é melhor que a CNBB. DEUS salve as nossas almas, porque a CNBB só pensa em terra!

É intolerável e inaceitável que se intitule subversão a memória do evangelho. Estamos cansados da omissão dos Bispos e de não termos mais doutrina católica na Igreja. Será que vão fazer alguma coisa?


Pastoral da Terra
Missão e Objetivo
A CPT, convocada pela memória subversiva do Evangelho, e buscando ser fiel ao Deus dos pobres, à terra de Deus e aos pobres da terra, ouvindo o clamor que vem dos campos e florestas, quer ser presença solidária, profética, ecumênica, fraternas e afetiva junto aos trabalhadores e trabalhadoras da terra e das águas, para que os mesmos assumam o protagonismo de suas lutas e de sua história.
Atividades
A CPT desenvolve sua ação em três eixos principais: Terra, Água e Direitos. Uma das atividades que marcam a CPT em muitos estados e dioceses do País, todo o ano, são as Romarias da Terra e da Água nas quais fé e vida se mesclam e a espiritualidade é alimentada.

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