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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

De uma condição prévia à outra

Abbé Régis de Cacqueray-Valménier

Superior do Distrito da França
Fraternidade Sacerdotal São Pio X

NOTA

A Montfort, por amor à Fé e à Santa Igreja Católica Apostólica Romana, por amor à justiça para com Dom Lefebvre e a Dom Mayer, esses dois heróicos defensores da fé e da Missa de sempre, por amor à verdade, publica com alegria esse comunicado do Superior da FSSPX na França, rezando e fazendo votos para que o Papa Bento XVI, tirando a conclusão lógica do Motu Proprio Summorum Pontificum, anule as excomunhões inválida e injustamente lançadas contra Dom Lefebvre e Dom Mayer em 1988, o que permitirá a  vitória da Missa de sempre e o debate franco sobre os erros do Vaticano II.

Publicamos esse Comunicado, pouco nos importanto da oposição e até da hostilidade, que muitos da FSSPX fazem à Montfort, mas pensando apenas no bem e na vitória da Igreja. Tanto mais que nos chegam rumores de fontes romanas que indicariam uma possível suspensáo das excomunhões desse dois Bispos, quando o justo seria a declaração da nulidade das excomunhões de 1988.

Os destaques colocados no texto pela Montfort indicam os pontos em que mais concordamos com as palavras do Padre Cacqueray.

Deus dê, o quanto antes, por meio do Papa Bento XVI, a glória e a justice devidas a Dom Lefebvre e a Dom Mayer por seu heroísmo sem mácula, sem compromissos e sem traições.

São Paulo, 11 de Janeiro de 2009.

Orlando Fedeli

Presidente da Associação Cultural Montfort.


De uma condição prévia a outra

Abbé Régis de Cacqueray-Valménier

“Se se toma o termo “secundário” no sentido em que dissemos e que é o sentido primitivo: o segundo é o que segue... o que resulta do outro.” (Romano Amerio)

“Joana D’Arc tem hoje menos céticos do que ela encontrou em seu tempo.” Jacques Bainville

“Você me mostrou o caminho de Ars, eu lhe mostrarei o caminho do Céu.” São João Maria Vianney, o Cura d’Ars

No início do ano de 2001, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X especificou e levou ao conhecimento da Santa Sé “as três etapas” que lhe parecia necessário respeitar para continuar a trabalhar na resolução da crise doutrinal da Igreja e, por via de conseqüência, unicamente, à regularização canônica de sua própria situação.

A exposição, tornada pública, desta linha estratégica foi acolhida com numerosas críticas desfavoráveis, sobretudo pelo motivo de que o princípio de comunicar a Roma, como primeira etapa, condições prévias a toda discussão com ela, pareceu, senão inadmissível, ao menos totalmente inadequado. Essa pretensão, já considerada exorbitante em si mesma, não dissimulava, além disso, uma vontade inconfessada da Fraternidade de ficar no seu canto e de deixar para as calendas gregas a hora de sua reintegração?

A “estratégia” da Fraternidade

Para a decepção de alguns, e a alegria de outros, o itinerário proposto pela Fraternidade para chegar a “acordos” foi portanto considerado impraticável: como Roma teria podido aceitar que lhe ditassem uma linha de conduta, emitida, ainda por cima, sem qualquer conversação, por essa Fraternidade “excluída da Igreja”? Não teria sido dar a essa última uma importância desmesurada e se colocar a reboque de sua marginalidade, para maior irritação de quase todos?

Note-se, entretanto, que a lenta diplomacia romana nem produziu uma contraproposta no lugar daquela da Fraternidade nem exprimiu – ao menos publicamente – sua concordância ou sua discordância com a idéia de ter que passar sob as forcas caudinas, ou seja,  aceitar as condições humilhantes que lhe tinham sido designadas, diga-se de passagem, não sem alguma audácia ou ingenuidade.  Foi, todavia, o silêncio oficial em que Roma se manteve que contribuiu finalmente, por falta de expressão de uma outra proposição ou da recusa daquela que lhe tinha sido indicada, a tornar pouco a pouco a estratégia da Fraternidade, sozinha no terreno diplomático, mestra desse terreno até hoje, ao ponto de se ter imposto, sem combate, como a referência natural em função da qual todos se habituaram a se situar ou se deslocar, nas relações que se seguiram.

Dado que a apresentação dessas duas condições prévias forma apenas a primeira das três etapas do itinerário sugerido pela Fraternidade, nem o sucesso parcial que ela obteve em resposta a seu primeiro pedido, nem o outro sucesso que proviria da obtenção do segundo, não bastariam portanto, por si sós, para acertar a diferença, de essência puramente doutrinária, que a opõe à “Roma conciliar” e cujo tratamento foi fixado na segunda das três etapas.

Do mesmo modo, as duas condições preliminares ao pretendem de modo algum se substituir ao exame das questões doutrinárias. Tal não é sua função. Em virtude de seu próprio estatuto, elas não têm outra função além de preludiá-lo e de criar um clima propício a seu bom desenvolvimento. Elas foram escolhidas e formuladas para serem apresentadas a um interlocutor ainda por vir, o qual se espera que seja capaz de apreciar o interesse que há em atender esses dois pedidos para o bem de toda a Igreja, mas do qual não se conhece, ao menos no momento em que se está agora, a persistência em seguir e em professar os desvios conciliares.

Quer se trate pois da Missa de São Pio V ou das “excomunhões de 1988”, as condições prévias não têm a pretensão de fazer valer junto da Santa Sé tudo o que a Fraternidade quer obter em tais assuntos. Sobre o primeiro ponto, a Fraternidade, com efeito,  nunca fez mistério de sua vontade de chegar à erradicação pura e simples da missa nova. Quanto à segunda, ela considera que Roma terminará por concluir pela nulidade das “excomunhões de 1988”.

Mas ela tem clara consciência de que não se poderá, logicamente, ser-lhe dada inteira satisfação nesses dois pontos, senão após a conclusão feliz da segunda etapa de sua estratégia. Foi por isso que ela considerou, na escolha das duas condições prévias que colocou e em sua formulação precisa, o que poderia, em um primeiro tempo, ser já obtido de um papa, empenhado ainda em defender o Concílio, mas, paradoxalmente, preocupado em procurar os meios de remediar o estado de ruína da Igreja e as injustiças cometidas. Ora, constatou-se que o Papa Bento XVI apresentava esse perfil.

Apesar desse sábio realismo, as duas condições prévias a toda discussão não deixavam de ser, tanto uma quanto outra, inaceitáveis questionamentos. Que se julgue! Enquanto Paulo VI tinha tido simplesmente a vontade de substituir a antiga missa pela nova, a Fraternidade não pedia nada menos que o reconhecimento do direito dos padres de tê-la sempre celebrado e de continuar a celebrá-la.

Quanto às sagrações de 30 de junho de 1988, elas se encontravam ipso facto sancionadas pela excomunhão prevista no novo Código de Direito Canônico. Ora, a Fraternidade se recusa, no entanto, a pedir o “levantamento das sanções”. Ela procura obter a “retirada do decreto de excomunhão” e não escapa a ninguém que os termos que ela empregou para traduzir seu pedido foram escolhidos de propósito. Ela quer que seja bem manifestada sua convicção da nulidade das sanções e, se Roma se decidir a agir, que ela o faça deixando ao menos a porta aberta à essa hipótese canônica.

Todos os ingredientes pareciam portanto reunidos para que esta estratégia permanecesse letra morta, gelasse ainda mais as relações entre Roma e a Fraternidade e, mais grave, causasse mesmo um prejuízo a uma eventual vontade romana de reconhecer o direito dos padres de celebrar a missa de sempre.

Se essa perspectiva não é inexata, a decisão da promulgação do Motu Proprio de 7 de julho de 2007 parece então como ainda mais surpreendente. Como o Papa teria podido se decidir a atravessar um tão temível Rubicão, se a questão dessa missa não tivesse inicialmente se apresentado a ele como uma questão de consciência, se ele não tivesse percebido um estado de necessidade suficientemente grave para se arriscar em um tal terreno, e se ele não tivesse contado tirar vantagens decisivas de seu Motu Proprio? Teria ele enfrentado o episcopado do mundo inteiro, como fez, por um caso que considerasse secundário? E já que ele se decidiu, uma questão não deixa de estar em todos os lábios: se ele ousou conceder a primeira, atenderá também a segunda das duas condições prévias?

De uma espera à outra

Apenas nós tivemos tempo para nos deixar educar às lentidões romanas por esse jogo de paciência que precedeu o atendimento da primeira condição prévia, nós nos encontramos, com efeito, convidados à espera do segundo! Saberemos nós tirar de nossa primeira prova de resistência o melhor proveito? Viver aquela que começou como convém? De fato, não será simplesmente apenas no ritmo de nossos rosários?

Não só! Se a oração é nada menos que a respiração de nossas almas, ela não toma entretanto o lugar de tudo o mais e não nos dispensa do resto. Os instantes que nós vivemos devem igualmente ser utilizados para antecipar uma profunda reflexão a respeito dessa defesa e dessa confissão pública de fé junto a Roma, que será talvez “a hora” por excelência da vida de nossa Fraternidade.

É preciso realmente esperar que esses momentos, que poderão trazer sua pedra decisiva para o reerguimento da vida da Igreja, acabem por acontecer. Nós devemos, em conseqüência, ter essa grande preocupação de compreender, por nós mesmos, sempre mais profundamente, que a restituição parcial da Missa deverá ser seguida de sua restituição total e da restituição da fé. Ai de nós, clero e leigos, se não chegamos a ter uma consciência suficiente dos verdadeiros pontos-chave e da profundidade de nosso combate. Nossa posição de soldados de Deus nos pede que não nos deixemos embalar pela esperança da retirada de um decreto que, se acontecesse, não assinaria nem mesmo um armistício. A espera não é a passividade. Esse momento deve ser imperativamente aproveitado para prosseguir a instrução e a formação de cada um, do aumento de firmeza e de espírito de combate.

Lembremo-nos, pois, das faltas e das imperfeições constatadas durante esse primeiro período de espera para não recair nelas.        A medida que rumores, sempre mais numerosos e insistentes, alguns deles vindos de Roma, nos advertiam que o Papa ia publicar um texto em favor da Missa antiga, os espíritos tiveram tendência a se dividir entre ceticismo e euforia. Passando o tempo, eles se aqueceram, e se espalhou um clima de excitação realmente pouco propício a uma reflexão objetiva sobre a significação exata que teria a concessão da primeira condição prévia.

De uma condição prévia a outra


Ainda que imperfeito e insatisfatório sob vários aspectos, é evidente hoje que esse Motu Proprio marcou uma data na história da liberdade para a missa tradicional. Ele merecia ser saudado pela Fraternidade, que não deixou de fazê-lo, ao menos pela confissão pontifical tão esperada de que a missa de São Pio V não havia jamais sido abrrogada e pelo conseqüente reconhecimento de que todo padre tinha tido sempre o direito de celebrá-la e tinha, portanto, presentemente o direito de fazê-lo.


Além disso, ele correspondia e respondia, em sua materialidade, à primeira condição prévia sugerida pela Fraternidade e pelo qual ela havia pedido com fervorosas orações. Se ele não era, certamente, apresentado como uma resposta a seu primeiro pedido, ele o era de facto. Não contente de indicar  certo encontro do pensamento do Papa com o nosso, sobre esse primeiro bem que se esperava do reconhecimento da liberdade da missa, ele se prestava evidentemente demais a ser entendido como um sinal para com a Fraternidade para não ter sido pensado e medido como tal.


Notemos também que não repugnou a Bento XVI inscrever-se visivelmente nessa lógica, que foi, no entanto, emitida e definida unilateralmente pela Fraternidade, sabendo perfeitamente que não deixariam – para louvá-lo ou para criticá-lo – de ressaltar isso. Ainda que ter representado o primeiro ato não o comprometa, é verdade, com aqueles que se seguem, o fato de tê-lo feito não é neutro e ele o sabe bem. Tanto mais que o Papa não ignorava que o efeito secundário da publicação do Motu Proprio seria infalivelmente o aumento do discrédito que afetaria as condenações fulminadas por Roma contra a Fraternidade. Ao afirmar que a missa nunca tinha sido proibida, o discurso pontifical dava razão, infelizmente apenas após sua morte, àquele que o tinha sempre afirmado, quase isoladamente entre todos os bispos: “O venerado Monsenhor Lefebvre”.


Na seqüência de tal reabilitação implícita de seu grande combate pela missa, mesmo que ela permaneça ainda parcial, será possível por muito tempo ao Papa manter a lembrança da “excomunhão” daquele que, quase sozinho, teve a coragem de lutar contra todos, que não se deixou intimidar e cuja recompensa, até o momento, consistiu apenas em ter suja sua memória?


É realmente possível que um combate tão heróico, cuja utilidade para a Igreja não cessa e não vai cessar de se revelar cada vez mais, possa ter sido conduzido por um homem mau, mau de uma malícia que teria sido mais tenebrosa que aquela de Lutero e cuja memória deveria para sempre permanecer maldita? Maldito, aquele sem o qual essa missa não teria sido sempre oferecida à Igreja? Quem ousará ainda dizê-lo? Quem não começa, ao contrário, a perceber a reunião e o germinar de todos esses sinais que deixam pressentir que essas “excomunhões” foram simplesmente uma prevaricação, uma aplicação criminosa da lei e que não se pode por mais tempo deixar crer que elas existiram e que existiriam ainda?

Admitamos – dato, non concesso – que as sagrações episcopais de 1988 não tivessem, ali[as, tido outra finalidade que sua decisiva e incontestável contribuição à salvaguarda e à manutenção da missa. Só essa preocupação, tão grave e sagrada, não teria bastado então e, hoje ainda, não deveria ser suficiente para concordar com a realidade de um estado de necessidade, ao menos litúrgica, no qual Dom Lefebvre se encontrava acuado e que foi invocado por ele para agir?


Ou, se não se pode ou não se quer confessar essa necessidade, embora evidente, a preocupação de que ela existisse não deveria bastar a que se reconheça, pelo menos, a nobreza de sua intenção, e, em vista do eminente serviço assim prestado à Igreja, a impedir que se demore sobre uma “falta” que, na seqüência, se teria revelado tão bem-aventurada que só mereceria como sanção a magnanimidade pontifical? Embora não seja, de modo algum, o nosso, esse raciocínio deveria, por outro lado, encontrar atentos nossos interlocutores, submetidos a um novo Código de Direito Canônico que o favorece
.


Não nos espantaria, na verdade, que o pensamento de Bento XVI caminhe nessa direção. Se ele mesmo não estivesse, de saída, intimamente convencido de uma grave necessidade provocada pelo estado de dissolução litúrgica, teria corrido o risco de enfrentar e de ganhar a inimizade da grande maioria do espicopado? Se ele correu esse risco, é que também ele tinha consciência de um estado de necessidade litúrgica suficientemente grave para dever intervir.


Ainda que nós encontremos – e nós não escondemos – muito a dizer sobre a doutrina e a teologia do Papa, enraizados nos textos do Concílio, essas graves reservas não nos impedem de pensar, ao mesmo tempo, que Bento XVI não carece nem de inteligência nem de uma indiscutível probidade
. Ele sabe perfeitamente que não poderia ter devolvido a missa à Igreja se o apego a essa liturgia e a reinvidicação de sua liberdade não tivessem sido mantidas e transmitidas pelo Fundador da Fraternidade São Pio X. Essas excomunhões incomodam em sua alma de Papa como poeira no olho. Nós imaginamos que elas o fazem chorar e que elas obscurecem seu olhar: quanto tempo ele, que quer ver, as suportará ainda?


A partir disso, toda esperança não se torna possível? Essa primeira piscadela pontifical não nos dá o direito de pensar que o Papa não se deterá mais em tão bom caminho?
Teria ele podido, ao escolher dar o primeiro passo, não se colocar a questão do segundo, não se preocupar com essa lógica que leva irresistivelmente a subir de uma condição prévia a outra, ou seja, de uma ação reconhecida como benfazeja a um ser que não pode, portanto, ser um malfeitor?

Aliás, os dois processos se parecem. Nos dois casos, trata-se apenas de obter a confissão de um não-ser: não-serda interdição da celebração da missa de São Pio V, não-ser das excomunhões e nulidade de um decreto vergonhoso. Se a primeira cruzada do Rosário foi seguida do Motu Proprio sobre a missa, a segunda poderia muito bem terminar com a retirada do decreto das excomunhões.

A segunda condição prévia

Antes da obtenção da primeira condição, pouco numerosos, realmente, eram os que conjecturavam que Roma se arriscaria a concedê-la apesar da agressividade episcopal. Poucos procuraram, consequentemente, tomar a verdadeira medida de tal acontecimento. Após sua obtenção, é ainda possível ou ter tendência a relativizar sua significação e seu alcance por uma justa preocupação de não se arriscar a entusiasmo injustificado em relação ao Papa Bento XVI, ou então ter sido atingido pessoalmente por esse entusiasmo.

É preciso refletir bem e rezar para encontrar o equilíbrio no julgamento e esclarecer as almas como é preciso, não afastar a hipótese da retirada do decreto como improvável, nem anunciá-la,como um astrólogo, como estando para se produzir em breve.

Porque o decreto pode muito bem não ser retirado por muito tempo ainda, é preciso mostrar sua nulidade e injustice, e demonstrar, ao mesmo tempo, que ele é a conclusão lógica da máquina conciliar rejeitando Fé e Tradição. Enquanto subsistir a aparência dessa sanção, nós continuaremos a levá-la como uma Legião de Honra, como o símbolo de um glorioso opróbrio, aquele que valeu a nossos bispos sua fidelidade solitária.

Porque a retirada do decreto pode igualmente se produzir rapidamente, é nosso dever antecipar essa declaração, de maneira que tal ato, se acontecer, seja unicamente julgado conforme sua significação exata. Se se trata realmente da retirada do decreto – e não de um levantamento das excomunhões – será então o começo da reparação da injustiça inaudita que conhecemos e nós poderemos então nos rejubilar.


Com efeito, mesmo que se trate apenas, em definitivo, de um primeiro passo para a reparação de uma indignidade, nós teremos para com o Papa que decidir isso um verdadeiro sentimento de gratidão, que não devemos de modo algum hesitar em exprimir
..Se, por outro lado, se tratar de um “levantamento das excomunhões”, as coisas seriam outras. Isso não corresponderia a nossa segunda condição prévia, e não isentaria nossos bispos do mau processo que lhes tinha sido movido. Deixando crer que as penas pronunciadas não era nulas mas que eram talvez mesmo merecidas, não resultaria disso, em certo sentido, pelo menos, um novo mal mais profundo? Roma teria então retirado, com uma aparência misericordiosa, sanções que se encontrariam, pelo mesmo ato, confirmadas como tendo sido validamente e até mesmo legitimamente aplicadas.


Nós ouvimos dizer que alguns padres dos Institutos Ecclesia Dei tinham se unido a nossa cruzada do Rosário e nós lhes agradecemos
. Nós queríamos simplesmente observar-lhes que nossa cruzada visa obter a retirada de um decreto nulo e aflitivo, não a retirada de uma penalidade que nós sabemos ser inexistente. Esta distinção é importante! A existência dessa Comissão Ecclesia Dei,  trepadasobre a condenação de Dom Lefebvre, assim como a aceitação de pertencer a ela, é um autêntico assunto de escândalo.. Nós nunca entendemos, em particular, como alguns, que lhe devem tudo e estão convencidos da nulidade das excomunhões, tenham se perdido nessa via. Que eles possam protestar contra tal tutela e se emancipar dela. Não seria essa uma maneira de pagar sua dívida de reconhecimento para com Dom Lefebvre?

Se tivemos sucesso, como cremos, nesse esforço de explicar o que anima nossa Fraternidade, as almas não se encontrarão desorientadas. Essas duas condições prévias, por mais importantes que sejam, não são, no final das contas, nada mais do que o começo de um longo processo!


Todas as questões mais sérias, que dizem respeito à própria fé, restam a abordar. Esse é o coração de nosso combate e não podemos fazer concessão de um só iota. Não será, portanto, certamente, uma falta de gratidão, mas um ato de caridade, continuar a exprimir bem nitidamente todos os nossos desacordos com a doutrina envenenada do Concílio
. Tenhamos o trabalho, desde agora, de refutar esse sentimentalismo tão comum que gostaria, como resposta aos avanços do Papa, que nós cessemos nossas críticas a respeito de seu pensamento, o qual está, no entanto, resolutamente inscrito na sua hermenêutica de continuidade do Vaticano II, absolutamente inadmissível.

Nunca deixemos dizer que “essas discussões teológicas” são um problema de especialistas e não nos dizem respeito. É preciso insistir em demonstrar que é totalmente o contrário: já que se referem à fé, essas questões dizem respeito a todos eminentemente, clero e leigos. Nós devemos ter o trabalho de entender e de fazer entender os pontos chave delas.

O Vaticano II é o “descoroamento” político de Nosso Senhor Jesus Cristo e a negação de Seus direitos sobre as sociedades. O Vaticano II é uma benevolência, infinitamente danosa e escandalosa para as almas, para com essas sociedades, escoltas do erro e do vício e fornecedoras do Inferno, muito impropriamente chamadas “outras religiões”. O Vaticano II é o triunfo do democratismo na Igreja, que torna toda autoridade quimérica e todo mando mais ou menos impossível, que permite a proliferação da heresia e do cisma. O Vaticano II é, na realidade, o maior desastre que jamais se produziu na Igreja.


Para se refazer, ela deve se livrar dele. De modo algum, portanto, a Fraternidade poderá cessar seu imenso combate de confissão da fé, que comporta obrigatoriamente a denúncia do erro
. Ela deve permanecer humilde e respeitosa, mas intrépida, impávida, para continuar a dizer tudo que ela deve dizer, confessar tudo o que ela deve confessar, denunciar tudo o que ela deve denunciar.

De Santa Joana d’Arc a Dom Lefebvre

Não é chegada a hora de se lembrar do processo de Santa Joana, daquela que foi queimada, em 30 de maio de 1431, como feiticeira, herege e relapsa na praça do Velho Mercado de Rouen?

Foi sua admirável mãe, Isabelle Romée, que obteve a instalação de um novo processo da Inquisição. Em 7 de julho (essa não é uma data que nós já conhecemos?) de 1456, na grande sala do palácio arquiepiscopal de Rouen, os comissários pontifícios, sob a presidência de Jean Juvenal de Ursins, arcebispo de Reims, declararam o processo de condenação de Joana e a sentença “manchados de roubo, de calúnia, de iniqüidade, de contradição, de erro manifesto de fato e de direito, inclusive a abjuração, as execuções e todas as suas conseqüências” e, por isso, “nulas, inválidas, sem valor e sem autoridade”.

Hoje, ainda que, certamente, a santa mãe de Dom Lefebvre, do alto do céu,  espere isso com confiança, é a Fraternidade São Pio X, sua filha, que pede justiça por seu pai. Nós estamos certos de que, dele, os católicos confessarão um dia, o que alguns tinham pressentido a respeito de Joana: “Tua morte será tua vida”. E os franceses, do mesmo modo que experimentam um legítimo orgulho de contar entre os seus uma tal filha, terão não menos vivo orgulho do serviço prestado à Igreja por esse arcebispo, outro insigne rebento e honra de sua raça.

Ambos julgaram, no dia seguinte às suas famosas sagrações, das quais eles tinham consciência de que lhes valeriam as mais violentas incompreensões e represálias de seus juízes, terem acabado sua epopéia. Tanto para um como para a outra, a sagração, seja de um rei ou de quatro bispos, é o instante por excelência para o qual convergem suas admiráveis missões. E de suas cavalgadas, seus destinos e sua fidelidade ao plano de Deus, ninguém compreendeu nada e ninguém compreenderá jamais, se não tiver percebido que eles são voltados inteiramente para essas sagrações salvadoras.

O gênio deles ou sua santidade, o selo da inspiração divina como o símbolo de sua indomável determinação, não se manifesta, em toda sua amplitude, senão na hora dessas sagrações vitoriosas. Sua missão se encerra e culmina nessas sagrações, que valeram a uma e valerão um dia ao outro, muito mais que qualquer outro ato de suas vidas, a declaração da heroicidade de suas virtudes e que os tornam, um e outra, tão teologicamente próximos! É encantador ver, aliás, até que ponto as reflexões dos melhores biógrafos e hagiógrafos de Joana esclarecem também a vida de nosso fundador.

Ora, em 1456, a leitura da reabilitação de Joana foi feita em todas as grandes cidades do reino da França. De nossa parte, esperamos pacientemente a hora (e estamos firmemente convencidos de que ela virá) em que cada bispo de nosso país, cada um em sua catedral, será convidado a anunciar que as pretensas sanções levantadas contra nossos bispos, na realidade, jamais existiram. Muito pelo contrário, que Dom Lefebvre, por sua coragem em 30 de junho de 1988, rendeu um notável serviço à Igreja. Antes disso, eles terão, é claro, cada um em seu bispado, estourado um champanhe, ou pela sagração de Reims ou pelas sagrações de Ecône, para festejar essa reparação! Queiram nos perdoar a pequena ironia – que aliás nem é necessariamente uma ironia! – de ter imaginado essa divertida cena.

Como quer que seja, nós gostaríamos de convidar cada um a refletir sobre a luz que fornece a obtenção da primeira condição prévia. A Fraternidade pediu e agora ela obteve. Isso teria sem dúvida sido concedido antes, se ela tivesse sido mais vigorosamente imitada e apoiada em seu pedido e em sua oração. Hoje, ela começou uma segunda oração e um segundo pedido – não para pedir o levantamento das excomunhões! – mas para requerer a retirada do vergonhoso decreto.


Ninguém deve pensar que esse segundo pedido só interessaria desta vez – diferentemente do primeiro – exclusivamente aos membros e aos fiéis da Fraternidade! Em primeiro lugar porque todos e cada um de nós devem estar implicados, quando se trava um combate a serviço da verdade e da justiça. Em seguida e principalmente, porque a obtenção da segunda condição prévia abrirá, enfim, oficialmente, o debate tão esperado dessas questões graves e decisivas que o Concílio coloca à consciência católica.

Possam os católicos contemporâneos não passar a vergonha de ter de confessar, tarde demais, que só entraram na batalha após a vitória alcançada, por falta, certamente, de ter tido a coragem de enfrentar o consenso para levantar a capa do “religiosamente correto”. Será muita pena, tanto mais que se torna fácil, hoje em dia, sentir que o vento está começando a virar e farejar o fim que vai ter esse caso!

O carrasco de Joana, após ter acendido o fogo que devia queimá-la viva, gritou: “Estamos perdidos: queimamos uma santa”.  Nós nos perguntamos se as pessoas mais secretamente confusas não serão, um dia, aquelas que quiseram se obstinar em crer ou fazer de conta que crêem, nessas “excomunhões” e que, com uma voz grave e penalizada, mandam, ainda hoje, rezar pelo seu levantamento e pelo retorno dos cismáticos ao aprisco da Igreja. Quem será o último a dizer que acredita nisso ainda?

Quanto à Fraternidade, ela continua, tão pacificamente quanto é possível avançar pacificamente em meio a uma tempestade, a seguir sua rota. Com ou sem a retirada do decreto das excomunhões, ela se encontra ainda mais resoluta a não baixar os braços e a não assinar com Roma “um acordo entre a água e o fogo”, pelo fato de sua providencial estratégia ter sido reconhecida e escolhida e estar mesmo começando a dar frutos.

Com a graça de Deus, ela passará, neste ano de 2009, a fronteira de quinhentos membros padres. Na França, ela tem a alegria de anunciar-lhes, após a benção da nova igreja construída no coração da cidade de Rouen, a abertura, para este novo ano, de dois novos lugares de culto na região parisiense, um em plena cidade de Paris, o outro perto de Meaux, e tem esperança, na próxima volta às aulas, de abrir um priorado em Rouen e uma nova escola primária em Brest.

Para o progresso de nosso apostolado, nós lhes agradecemos, de todo coração, suas orações e seu apoio. Nós devemos, em toda parte, continuar a construir tudo sozinhos, pois os lugares de culto nos serão sempre recusados. Na medida em que se amontoam cada vez mais os escombros do Concílio, parece, com efeito, que os bispos, ao invés de tentar se livrar deles, preferem se deixar igualmente sepultar com o que subsiste de suas dioceses.

Não nos queixamos de pagar caro nossa liberdade de palavra e de confissão da fé. Mas é um fato, de que se deve ter consciência clara, que enquanto as igrejas vazias permanecem obstinadamente fechadas – como em Amiens – e que nós temos que pagar, até o último centavo, cada metro quadrado de nossas instalações e cada pedra de nossas construções, que o combate da fé só se manteve, miraculosamente, e continua, graças a esse ostracismo e a essa imensa precariedade aos quais nós continuamos confrontados.

Mais do que nunca, a fim de intensificar nossa resistência e a fim de propagar a fé, nós temos necessidade de sua ajuda. Nós lhe agradecemos esse apoio indispensável para que nós possamos sempre mais desenvolver nosso apostolado para a glória de Deus, para a salvação das almas, para que a fé seja transmitida a nossos filhos e que não desapareça de nosso país.  Santa Joana o disse e viveu: “É preciso fazer o que se deve quando Deus quer. Façamos a nossa parte que Deus fará a d’Ele”.

Caros amigos e benfeitores, nesse começo do ano de 2009, cheios de uma invencível certeza de que a hora de Deus e do triunfo de sua justiça está para vir, eu lhes apresento meus votos de que enraizados no combate da fé, nós continuemos a combater, todos juntos e até o fim, no cadinho das virtudes cristãs e no Coração Doloroso e Imaculado da Santíssima Virgem Maria.

Votos de 2009 aos fiéis

Suresnes, 31 de Dezembro de 2008

Abbé Régis de Cacqueray-Valménier, Superior Distrito da  França da FSSPX


Para citar este texto:
Abbé Régis de Cacqueray-Valménier - "De uma condição prévia à outra"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas&subsecao=igreja&artigo=fraternidade-vaticano&lang=bra
Online, 22/01/2009 às 18:40h

domingo, 18 de janeiro de 2009

¿HABRÁ QUE HACERSE PROTESTANTE PARA SER BUEN CATÓLICO?

 

 

"Vae mihi si non evangilzavero"

(I Corintios, IX, 16)

Sin referirnos a las vías inesperadas en las que se vieron los Padres del Concilio al tratarse ciertos esquemas desarraigados del magisterio de la Iglesia pretendemos en las páginas que siguen hacernos eco de aquella palabra que los Padres del Concilio no han podido olvidar: ¡Caveamus" (cuidémonos).

Cuidémonos de que nos influya un espíritu absolutamente inconciliable con el que los Pontífices romanos y los precedentes Concilios se esforzaron incansablemente por difundir entre los cristianos. No se trata de un espíritu de progreso, sino de ruptura y de suicidio.

Las declaraciones de algunos Padres a ese respecto son orientadoras: unos afirman que entre las declaraciones pasadas y las de los autores de determinados esquemas no existe contradicción, porque las circunstancias se han modificado. Cuanto el Magisterio de la Iglesia ha afirmado hace cien años regía para aquellos tiempos, pero no para los nuestros.

Hay otros que se refugian en el misterio de la Iglesia.

Otros consideran que un Concilio tiene por objeto modificar la doctrina de los Concilios anteriores.

Por último, otros sostienen que todo el Concilio está por encima del magisterio ordinario, por lo cual puede prescindir de éste t bastarse por sí solo.

Se oye, además la voz de la prensa liberal afirmando que por fin la Iglesia admite la evolución del dogma.

¿Es posible discernir el motivo, al menos aparente, que permitió a esas tesis revolucionarias instalarse oficialmente en las deliberaciones del concilio? Nos creemos con autoridad para afirmar que ello se produjo a favor de un ecumenismo presentado primero como católico y que, durante el curso de las Sesiones, se transformó en ecumenismo racionalista.

Ese espíritu de ecumenismo no católico ha sido el instrumento del cual manos misteriosas se sirvieron para intentar quebrar y pervertir la doctrina enseñada desde los tiempos envangélicos hasta nuestros días, doctrina por la que ha corrido y sigue corriendo tanta sangre de mártires.

Por inconcebible que parezca, así ha sucedido: de ahora en adelante, en la historia de la Iglesia se hablará siempre de esas tesis contrarias a la doctrina que, so pretexto de ecumenismo, se presentaron a los Padres conciliares del Vaticano II.

De esa manera, se hicieron esfuerzos para elaborar esquemas que atenúen o incluso hagan desaparecer ciertos puntos de doctrina específicamente católica que pudieran desagradar a los ortodoxos y, especialmente, a los protestantes. 70

Quisiéramos abordar algunos ejemplos de las nuevas tesis propuestas. Nos parece útil desarrollar las tesis católicas tradicionales sobre tales puntos, pues se trata de una doctrina conocida por todos, enseñada en nuestros catecismos, que nutre nuestra Liturgia y que ha sido objeto de las más firmes y luminosas enseñanzas de los Papas desde hace un siglo.

Expresar el dolor que experimentaron los Padres firmemente aferrados a la continuidad de la doctrina al escuchar la exposición de las nuevas tesis hecha por los relatores oficiales de las Comisiones, es tarea imposible. Pensábamos en las voces de los Papas cuyos cuerpos yacían sepultados en el preciso lugar donde nos encontrábamos. Pensábamos en el inmenso escándalo que pronto haría la prensa por su manera de transmitir esas exposiciones.

La Primacía de Pedro

Veamos primero la Primacía de Pedro, a la cual se quiere desplazar en beneficio de una colegialidad mal definida y mal comprendida, que culmina en un desafío al sentido común. ¡Cuánto mejor y más provechoso hubiera sido señalar la función del obispo en la Iglesia con relación a su grey particular bajo la vigilancia de Pedro, y mostrar cómo -a través de esa grey particular- se debe por caridad a la Iglesia universal, comenzando por las Iglesias que le son próximas, siguiendo por las de las misiones, y luego por la Iglesia entera, pero en dependencia inmediata de Pedro, ¡qué es el único que se debe en justicia y directamente a todas las Iglesias y a toda la Iglesia!

Pero veamos la tesis nueva y las dos afirmaciones que contiene:

1) Todo, absolutamente todo poder sobre la Iglesia ha sido confiado solamente a Pedro.

2) Todo ese mismo poder ha sido confiado también a Pedro y a los Apóstoles colectiva-mente.

Si verdaderamente todo el poder ha sido confiado sólo a Pedro, lo que los otros puedan tener lo habrán recibido de él. Si los obispos tienen con Pedro una parte en el gobierno universal, parte que Pedro no puede quitarles, ya Pedro no tiene todo el poder él solo.

¡Que no hablen de misterio! La contradicción, es manifiesta. En el segundo caso, Pedro no tiene sino la cuota mayor del poder, lo cual ha sido condenado por el Vaticano I: "Si alguien dijere que el Pontífice romano no tiene sino las potiores partes y no la plenitud del poder supremo, que sea anatema".

Después de Pedro, se ataca a la Curia, que es considerada secretaría del Papa, cuando en realidad es la parte más noble de la Iglesia particular de Roma, Iglesia cuya fe es indefectible y que es Madre y Maestra de todas las Iglesias. Hacia ella deben dirigirse las miradas de los Padres, porque pueden estar ciertos de que allí encontrarán la verdad.

¿Por qué se pretende que la Iglesia de Roma calle? ¿De dónde nos vendría la luz si los Padres conciliares de la Iglesia de Roma enmudecieran?

Por otra parte, intercalar entre el obispo de Roma y la Iglesia el cuerpo episcopal de la Iglesia Universal en forma institucionalizada significaría quitar a la Iglesia de Roma su título de Madre de todas las Iglesias.

Con eso no queremos contradecir la posibilidad de que el Soberano Pontífice consulte más frecuentemente a los obispos y modifique, si lo considera conveniente, algunas modalidades o estructuras de la Curia.

Pero el propósito de quienes aspiran a crear una institución jurídica nueva ceñida a una colegialidad siempre en ejercicio, podría hacer de la nueva institución el cuerpo electoral del Soberano Pontífice. Porque es inconcebible que el Papa no resulte elegido por su clero dado que debe ser Obispo de Roma para ser luego sucesor de Pedro.

La Virgen María

Con imprudencia increíble, a despecho del deseo explícito del Santo Padre, el esquema propuesto suprime el título de María Madre de la Iglesia; los ecumenistas lamentan que la Virgen María sea nombrada Mediadora.

Sin embargo, cabe esperar que la devoción de los Padres a María restablecerá el honor que el Concilio debe a la Virgen, proclamándola solemnemente Madre de la Iglesia y consagrando el mundo a Su Corazón Inmaculado.

La Eucaristía

Se habrá observado que a propósito de la Eucaristía – aunque este tema no ha sido tratado ex professo – existen dos alusiones tendientes a disminuir la estimación de la Presencia Real de Nuestro Señor.

Al final del esquema sobre las Sagradas Escrituras, se pone a la Eucaristía en un mismo pie de igualdad con las Escrituras. ¡Cómo no pensar en todos esos evangelios que desde entonces han reemplazado a la Eucaristía en los altares mayores de nuestras Iglesias!

Se afirma, por otra parte, que los protestantes carecen de "la plena realidad de la Eucaristía". ¿De qué Eucaristía se trata? Ciertamente no puede ser de la Eucaristía católica, pues la presencia real ésta no está...

La Revelación

En todos los esquemas relativos a la Revelación se tiende a minimizar el valor de la Tradición en provecho de la Escritura. Se reprocha exageradamente a los fieles y a los sacerdotes no alentar una mayor devoción a la Sagrada Escritura.

En efecto, las Escrituras han sido destinadas a la Comunidad del pueblo de Dios en sus jefes y no a cada miembro individual aisladamente, como sostiene los protestantes. Por eso la iglesia, como una madre, brinda la leche de la doctrina a sus hijos mediante su feliz presentación en la Liturgia, en el catecismo, en la homilía dominical. Está dentro del orden de la naturaleza que la Escritura nos sea enseñada por personas autorizadas. Así lo ha querido Nuestro Señor. Nada tenemos que tomar de los protestantes, cuya historia ha demostrado suficientemente que por sí sola la Escritura no puede mantener la unidad ni preservar del error.

La Verdad de la Iglesia

La Verdad de la Iglesia tiene, evidentemente, consecuencias que molestan a los protestantes y también a ciertos católicos imbuidos de liberalismo.

En lo sucesivo el nuevo dogma que ocupará el lugar que correspondía a la Verdad de la Iglesia será el de la dignidad de la persona humana junto con el bien supremo de la libertad: dos nociones que se evita definir con claridad.

De ello se sigue, según nuestros novadores, que la libertad de manifestar públicamente la religión de su propia conciencia es un derecho estricto de toda persona humana que ninguna otra persona del mundo puede prohibir. Que sea una religión verdadera o falsa, que promueva virtudes o vicios, poco les importa. ¡El único límite será un bien común que evitan celosamente definir!

Por consiguiente, se haría necesario revisar los acuerdos entre el Vaticano y las naciones que con toda justicia reconocen una situación preferencial a la religión católica.

El Estado debería ser neutro en materia de religión. Habría que revisar muchas constitucio-nes de Estado, no solamente en las naciones de religión católica. ¿Habrán pensado esos nuevos legisladores de la naturaleza humana que el Papa también es jefe de Estado? ¿Se lo invitará a laicizar el Vaticano?

Según ello, los católicos perderían el derecho de obrar para establecer o restablecer un 72

Estado católico. Su deber sería mantener el indiferentismo religioso del Estado.

Recordando a Gregorio XVI, Pío IX calificó esa actitud de "delirio", y, más aún, de "libertad de perdición" (Quanta Cura, 8 de diciembre de 1864).

León XIII trató el tema en su admirable Encíclica Libertas præstantissimum. ¡Pero todo eso era adecuado para su época, no para mil novecientos sesenta y cuatro!

La libertad que desean quienes la consideran un bien absoluto es quimérica. Si se admite que la libertad suele estar restringida en el orden moral, ¡cuánto más no lo estará en el orden de la elección intelectual! Dios ha atendido admirablemente las deficiencias de la naturaleza humana por medio de las familias que nos rodean: aquella en la cual hemos nacido y que debe educarnos, es decir, la patria, cuyos dirigentes deben facilitar el desarrollo normal de las familias hacia la perfección material, moral y espiritual; la Iglesia, mediante sus diócesis cuyo Padre es el Obispo, cuyas parroquias forman células religiosas donde las almas nacen a la vida divina y se alimentan en esta vida con los sacramentos.

Definir la libertad como ausencia de coacción significa destruir todas las autoridades colocadas por Dios en el seno de esas familias para facilitar el buen uso de la libertad que nos ha sido dada para buscar espontáneamente el Bien y eventualmente para proporcionarlo, como ocurre con los niños y asimilados.

La verdad de la Iglesia es la razón de ser de su celo evangelizador, de su proselitismo, y -por ende- la razón profunda de las vocaciones misioneras, sacerdotales y religiosas que exigen generosidad, sacrificio, perseverancia en las aflicciones y en las cruces.

Ese celo, ese fuego que quiere abrazar al mundo molesta a los protestantes. Se trazará, pues, un esquema sobre la Iglesia en el mundo que evitará celosamente hablar de evangelización. ¡Toda la ciudad terrestre podrá construirse sin que se dé en ella intervención a los sacerdotes, religiosos o religiosas, sacramentos, Sacrificio de la Misa, instituciones católicas, como escuelas, obras espirituales y materiales de caridad!...

En semejante espíritu un esquema sobre las Misiones se hace muy difícil. ¿Pensarán los novadores llenar así los seminarios y noviciados?

La Verdad de la Iglesia es también razón de ser de las escuelas católicas. Con el nuevo dogma se insinúa que sería preferible fusionarlas con las demás escuelas en tanto éstas observen el derecho natural (sic).

Evidentemente, no queda lugar para Hermanos ni Hermana docentes... ¡La admirable Encíclica de Pío XI sobre la educación de la juventud era para mil novecientos veintinueve, no para mil novecientos sesenta y cuatro!...

La doctrina social de la Iglesia

También la doctrina social de la Iglesia molesta al ecumenismo.

Por ello se nos dirá "que la distribución de la propiedad está librada a la prudencia de los hombres y a las instituciones de los pueblos, dado que ninguna parte de la tierra ni ningún bien ha sido conferido por Dios a ningún hombre en particular". ¡Así la doctrina también afirmada por Juan XXIII de la propiedad privada como derecho esencial de la naturaleza humana no tendría fundamen-to sino en el derecho positivo!.

La lucha de clases y de naciones sería necesaria para el progreso y para la evolución continua de las estructuras sociales.

El bien común sería una noción en continua evolución y "puesto que nadie es universal, nadie tendría una visión completa del bien común", del cual, sin embargo, se da una nueva definición: "La libertad y la plenitud de la vida humana".

¿Qué queda de las enseñanzas de los Papas acerca de a doctrina social de la Iglesia: Rerum 73

Novarum, Quadragesimo Anno, Pacem in Terris

? Estamos en mil novecientos setenta y cuatro. Que nos digan, entonces que pasará mañana con las enseñanzas de mil novecientos sesenta y cuatro en mil novecientos setenta y cuatro...

Estos ejemplos bastan para demostrar que en las comisiones prevalece una mayoría de miembros ganados por un ecumenismo que no sólo es ajeno a lo católico sino que, según propia confesión, se parece extrañamente al modernismo condenado por San Pío X y del cual el Papa Pablo VI nos dice en su Encíclica Ecclesiam Suam que ha comprobado su resurgimiento.

La prensa liberal se ha adueñado de esas tesis antes de que las mismas hayan sido propuestas no bien se las presentó en los esquemas y, particularmente, cuando obtuvieron mayoría importante en la sala conciliar.

Una vez obtenida la victoria, quedó abierta la vía a todos los diálogos, esto es, a todas las transacciones. Por fin concluían la "papolatría" y el régimen monárquico de la Iglesia, el Santo Oficio y el Index, las conciencias quedaban liberadas, etcétera.

¿Qué corresponde que hagamos ante ese desenfreno, ante esa tempestad?

1) Guardar indefectiblemente nuestra fe, nuestra adhesión a todo lo que la Iglesia nos ha enseñado siempre, sin turbarnos ni descorazonarnos. Nuestro Señor pone a prueba nuestra fe, como lo hizo con los apóstoles, como lo hizo con Abraham. Para ello es preciso que nos domine realmente la sensación de que vamos a perecer. De ese modo, la Victoria de la Verdad será auténticamente la victoria de Dios y no la nuestra.

2) Ser objetivo. Reconocer los aspectos positivos que se manifiestan en los deseos de los Padres conciliares, deseos que desgraciadamente y como a su pesar han sido utilizados para establecer textos jurídicos que sirven a tesis que la mayoría de los mismos Padres ni habían imaginado.

Intentemos definir esos deseos del siguiente modo:

Deseo profundo de colaboración mayor en pro de una más intensa eficacia del apostolado: colaboración entre pastores y con el Pastor Supremo. ¿Quién podría condenar semejante deseo?

Deseo de manifestar a los hermanos separados y al mundo entero su gran caridad a fin de que todos acudan a Nuestro Señor y a Su Iglesia.

Deseo de dar a la Iglesia mayor sencillez, en su Liturgia, en el comportamiento habitual de los pastores y, en particular, de sus obispos, en la formación de los clérigos que los preparen más directamente para su ministerio pastoral. Tendencia esta motivada por el temor de ya no ser escuchados ni comprendidos por el conjunto del pueblo fiel.

Estos deseos tan legítimos y oportunos podrían manifestarse perfectamente en textos admirables y orientaciones adaptadas a nuestro tiempo sin la colegialidad, mal fundada y mal definida; sin la libertad religiosa, falsa; sin la declaración sobre los judíos, inoportuna; sin indicios de demolición de la autoridad del Papa, sin negar el título de Madre de la Iglesia a la Virgen María, y sin calumniar a la Curia romana.

No son, en conjunto, los Padres del Concilio quienes alentaron esos textos con semejante redacción que expresa una doctrina nueva, sino un grupo de Padres y de periti que aprovecharon los muy legítimos deseos de los Padres para introducir sus doctrinas.

Los esquemas, gracias a Dios, no tiene todavía redacción definitiva. El papa aún no los ha aprobado en sesión pública. Por lo demás, el Concilio ha afirmado su voluntad de no definir ningún dogma nuevo, sino de ser un Concilio pastoral y ecuménico. La iglesia de Roma, única indefectible entre todas las Iglesias particulares, permanece firmemente en la fe; la mayoría de los cardenales no aprueba las nuevas tesis. Los Padres conciliares que desempeñan tareas importantes en la iglesia romana, así como la mayoría, sin la casi totalidad de los teólogos romanos, no se colocan junto a los novadores. Eso es fundamental, pues los fieles del mundo entero deben unirse en torno de esa Iglesia de Roma, Maestra de Verdad; ya lo afirmó así San Ireneo. 74

3) Afirmar nuestra fe públicamente sin desfallecimientos: en la prensa, en nuestras conversaciones, en nuestra correspondencia; y estar dispuestos a obedecer al Papa y permanecer indefectiblemente unidos a él.

4) Orar y hacer penitencia. Orar a la Virgen María, Madre de la Iglesia, pues Ella está en el centro de todos los debates y ha vencido siempre todas las herejías. En Ella encontrarán los Padres conciliares unanimidad, como los hijos alrededor de su Madre. Ella vela sobre el Sucesor de Pedro y actuará de manera que Pedro confirme siempre a sus hermanos en la fe, en la fe que fue la de los Apóstoles y de Pedro en particular y de todos sus sucesores.

Hay que hacer penitencia para merecer los auxilios de la gracia de Nuestro Señor; penitencia en el cumplimiento de nuestros deberes de estado sin desfallecimientos, sin abandono, sin desánimo, a pesar del ambiente infernal de libertinaje, de impudicia, de desprecio por la autoridad, de atropello a uno mismo y al prójimo.

Tengamos confianza: Dios es todopoderoso y ha dado a Nuestro Señor todo poder en el cielo y en la tierra. Esos poderes, ¿serán menores en 1964 que en 1870, menores en el último Concilio que en todos los anteriores? Nuestro Señor no abandonará las promesas de asistir perpetuamente a la Santa Iglesia Católica y Romana.

"Confidite, ewgo sum, nolite timere" (Mc. 6, 50).

¡Oh, María, Madre de la Iglesia, mostrad que sois nuestra Madre!

11 de octubre de 1964, en la

Fiesta de la Maternidad de la Virgen

[Nota Complementaria]

No hemos modificado en nada este texto, y creemos que hoy corresponde reflexionar particularmente sobre la realidad expresada por el título: en efecto, no se puede negar que en todos los dominios de la iglesia se ha producido un peligroso deslizamiento hacia el protestantismo.

El más grave es el que concierne a la fe a causa de la redacción de los nuevos catecismos, a partir del de Holanda hasta llegar al italiano pasando por los de Francia, Alemania y en particular el inverosímil catecismo de Canadá. Todos están impregnados de la doctrina expuesta en el primer esquema de "la Iglesia en el mundo", el cual, se impone decirlo, no es católico. La fe, la Palabra de Dios, el Espíritu, el Pueblo de Dios son explicados a la manera modernista y protestante, esto es, racionalista. A la Revelación se la reemplaza por la conciencia, que bajo el soplo del Espíritu se expresa mediante el profetismo. Ese profetismo que corresponde a todo el pueblo de Dios se manifiesta particularmente en la Liturgia de la Palabra. El bautismo y los sacramentos son más expresiones de la Fe que causas de la gracia y de las virtudes. No acabaríamos de señalar todos los peligros involucrados en esos catecismos, todos referidos al Vaticano II. Y no hay duda que en el Concilio, especialmente en el documento Gaudium et Spes, pueden encontrarse frases equívocas y un espíritu surgido del primer esquema.

Según el magisterio, también el ministerio sacerdotal se atribuye a todo el Pueblo de Dios, que en virtud del mismo, constituye la Asamblea Eucarística y cumple el culto comunitario, cuyo sacerdote es el presidente, que pronto será su delegado electo. Su carácter sacerdotal y su celibato ya no tienen razón de ser. No puede negarse que las reformas litúrgicas concurren a esa orientación. Los comentarios correspondientes se expresan según la modalidad protestante, minimizando la función del sacerdote, la realidad del sacrificio y la presencia real y permanente de Nuestro Señor en la Eucaristía.

Por último, el gobierno conferido por Nuestro Señor al Sacerdocio se transforma en el poder real del Pueblo de Dios, esto es, la "democratización" de la autoridad en la Iglesia por la Colegiali-75

dad entendida a la manera del Cardenal Suenens, por los Sínodos nacionales en los cuales todas las instituciones de la Iglesia se someten a los votos del Pueblo de Dios, profeta, sacerdote y rey.

De este modo, en los tres poderes confiados al Sacerdocio por Nuestro Señor se introduce el virus protestante, racionalista, naturalista y liberal. Esos poderes destinados a humanizar las personas recreadas por Nuestro Señor a la imagen de Dios, minadas por el virus del racionalismo, deshumani-zan y lanzan a personas y sociedades a todos los vicios de la humanidad caída.

Debemos luchar por la salvaguarda del sacerdocio tal como Nuestro Señor lo ha instituido, en la integridad de su magisterio, de su ministerio y de su gobierno.

Debemos enseñar la fe de siempre, adorar la Eucaristía y venerar el Santo Sacrificio de la Misa como lo enseñan la Escritura y la Tradición, respetar las personas de nuestros sacerdotes, de nuestros obispos y del Vicario de Jesucristo porque llevan en ellos el Sacerdocio y la Misión de Nuestro Señor Jesucristo y no porque sean delegados del Pueblo de Dios.

Se preparan Sínodos nacionales después de los de Holanda y Copenhagen. Si tiene los mismos efectos, pronto habrá otras tantas sectas protestantes. Eso es de esperar, dada la oposición entre las conclusiones de esos Sínodos y las directivas de la Santa Sede. El momento es muy grave. Corremos el riesgo de que la elección impuesta a los fieles holandeses y a los daneses se no imponga mañana a nosotros. Ya se impone en los catecismos y en ciertas formas de culto litúrgico, en las orientaciones de algunos obispos o asociaciones de obispos contrarias a las dictadas por el Sucesor de Pedro, por ejemplo en materia de moral familiar y de celibato sacerdotal.

Recordemos que Pedro vela por todos los Pastores y por todas las ovejas, y que en caso de contradicción entre la fe de nuestro Pastor y la de Pedro, Pedro no ha advertido contra el catecismo holandés y por consiguiente contra todos los nuevos catecismos de él derivados. Pedro nos ha dictado la moral familiar. Pedro nos ha afirmado en el Credo. Pedro nos ha prescripto el manteni-miento del celibato sacerdotal. Nuestros Pastores no tiene derecho a minimizar esas enseñanzas del Pastor de los Pastores.

Recordemos también que las autorizaciones concedidas en el terreno de la Liturgia no son obligatorias; eso vale para la Misa de cara al pueblo, la concelebración, la comunión bajo las dos especies, la comunión de pie, la recepción de la Santa Eucaristía en la mano.

La actitud de vigilancia se ha tornado necesaria a causa de los escándalos de que somos testigos, acontecidos dentro de la misma Iglesia. No podemos desconocer los hechos, los escritos, los discursos, que tienden al sometimiento de la Iglesia de Roma y a su aniquilación como Madre y Maestra de todas las Iglesias, y que buscan transformarnos en protestantes. Resistir a esos escánda-los significa vivir la fe, conservarla pura de todo contagio, mantener la gracia en nuestras almas. No resistir significa dejarnos intoxicar lenta pero seguramente y volvernos protestantes sin saberlo.

En la Fiesta del Sagrado Corazón de Jesús,

Roma, 5 de junio de 1970.

Fonte: Stat Veritas – Cartas Pastorales e outros escritos – Dom Lefebvre

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

R E S P O N D E O nº 1

 

http://www.permanencia.org.br/Respondeo/missanova1.htm

1. Os tradicionalistas extrapolam ao afirmar que a Missa Nova é protestantizada. Na verdade queriam chamá-la herética e inválida!

Resposta: O Novus Ordo é um rito protestantizado. São vários os motivos que nos obrigam dizê-lo:

  • a intenção dos reformistas.

  • A acolhida dos protestantes.

  • O escandaloso convite feito aos protestantes.

  • O parecer de eminentes teólogos.

  • A comparação com as reformas litúrgicas de Lutero e Zwinglio.

  • O problema da tradução do Missal.

  • A adoção de novas linguagens e práticas.

a) A INTENÇÃO DOS REFORMISTAS

O escritor francês Jean Guitton, amigo próximo de Paulo VI, escreveu: “O Papa Paulo VI me confiou que era sua intenção assemelhar o mais possível a nova liturgia ao culto protestante” [3]. Também possuímos a declaração do pde. Anibal Bugnini, talvez o principal nome por trás do Novus Ordo Missae: “A oração da Igreja não deve ser um motivo de constrangimento para ninguém", logo "[é preciso] arredar toda a pedra que poderia constituir qualquer sombra de risco de tropeço ou de desprazer para os nossos irmãos separados" (L´Osservatore Romano, 19 de março de 1965). Grifos nossos.

b) A ACOLHIDA DOS PROTESTANTES

Lutero dizia: "Eu afirmo que todos os lupanares, os homicídios, os roubos, os adultérios, são menos maus que esta abominável Missa!"

Após o Novus Ordo, entretanto, os protestantes abandonaram a costumeira hostilidade e encheram-se de simpatia pelo rito da Igreja. Por que não se entusiasmavam com o antigo missal e sim com este? Por que recusavam firmemente rezar pela Missa de Sempre, mas não têm escrúpulos em utilizar a Missa Nova? A razão, acreditamos, não pode ser outra senão a de que a "reforma litúrgica deu um passo notável para a frente e houve uma aproximação das formas da Igreja luterana" (L´Osservatore Romano, 13/10/1967).

Vejamos algumas declarações públicas de protestantes, declarações essas que constituem sinal evidentíssimo de que há algo errado com a nova missa: [4]

- Max Thurian, da Comunidade protestante de Taizé: “Um dos frutos do novo Ordo será talvez que as comunidades não católicas poderão celebrar a santa ceia com as mesmas orações da Igreja católica. Teologicamente é possível” (“La Croix”, 30-5-69).

- “Agora, na Missa renovada, não há nada que possa verdadeiramente perturbar o cristão evangélico” (Siegevalt, Prof. de Dogmática na Faculdade protestante de Strasbourg, “Le Monde”, 22-11-69).

- “As novas orações eucarísticas católicas abandonaram a falsa perspectiva de um sacrifício oferecido a Deus” (“La Croix”, 10-12-69, palavras que Jean Guitton diz ter lido em revista protestantes muito apreciada).

- “Se toma em consideração a evolução decisiva da liturgia eucarística católica, a possibilidade de substituir o cânon da Missa por outras orações litúrgicas, o afastamento da idéia segundo a qual a Missa constituiria um sacrifício, a possibilidade de comungar sob as duas espécies, não há mais razão para as igrejas da Reforma" (Roger Mehl, protestante, em “Le Monde”, 10-9-70).

- “Nós nos atemos à utilização das novas preces eucarísticas nas quais nós nos encontramos e que têm a vantagem de matizar a teologia do sacrifício que tínhamos o hábito de atribuir ao catolicismo. Estas preces nos convidam a encontrar uma teologia evangélica do sacrifício” (Trecho de um documento emanado do Consistório superior da Confissão  de Augsbourg e da Lorena, datado  de 8-12-73, publicado em “L’Église en Alsace”, número de janeiro de 1974).

- “A maior parte das reformas que Lutero desejava. Existem doravante no interior mesmo da Igreja Católica” – (...) “Por que não se reunir?” (Seppo A. Teonen, teólogo luterano, professor de Dogmática na Universidade de Helsiqui, jornal “La Croix” de 15-5-72).

Acrescente-se ainda as declarações feitas em 1983 pela Comissão Mista católico-luterana, oficialmente reconhecida por Roma:

"Outras exigências que Lutero tinha formulado em seu tempo podem ser consideradas como sendo satisfeitas na teologia e na prática da Igreja de hoje", tais como: "o emprego da língua vulgar na liturgia, a possibilidade da comunhão sob as duas espécies e a RENOVAÇÃO DA TEOLOGIA E DA CELEBRAÇÃO DA EUCARISTIA"[5] . (grifos nossos)

c) O ESCANDALOSO CONVITE FEITOS AOS PROTESTANTES

Seis pastores protestantes foram convidados para a Comissão da Reforma Litúrgica e dela participaram como adidos qualificados. Paulo VI deixou-se fotografar com os mesmos na cerimônia de encerramento do CONSILIUM, em 10/4/70 e a foto foi reproduzida em La Documentation Catholique. Ora, estes pastores não se limitaram a assistir, mas tiveram participação ativa.

A intervenção ativa destes ‘observadores’ é corroborada por declarações de Mons. W.W.Baum, “diretor executivo” dos assuntos ecumênicos da conferência episcopal americana”: “Eles não lá estiveram como simples observadores, mas como consultores, e participaram plenamente das discussões sobre a renovação litúrgica católica. Não faria muito sentido caso se contentassem em ouvir, mas eles puderam contribuir” (Detroit News, 27 de junho de 1967).”[6]

Ademais, como afirmou Mons. Lefebvre, por que os protestantes teriam sido convidados para a Comissão da Reforma Litúrgica senão para que dissessem “se estavam satisfeitos ou não, ou se havia alguma coisa que lhes não agradava, se eles podiam rezar conosco?”[7]

Essa escandalosa participação dos protestantes teve um precedente notório: o Concílio Vaticano II:

Os protestantes, integrando um grupo que foi chamado de "OBSERVADORES NÃO-CATÓLICOS", já estavam presentes na Aula Conciliar desde o primeiro dia da Primeira Sessão do Concílio Vaticano II, e a importância de sua participação foi logo enfatizada, pois no programático discurso de abertura do Concílio (11/10/62), o Santo Padre João XXIII anunciou formalmente que uma das grandes finalidades do encontro seria a união dos cristãos.

“Esses "OBSERVADORES NÃO-CATÓLICOS" participaram do início ao fim do Concílio e no final deste, ou seja, no dia 4 de dezembro de 1965, estavam presentes em uma cerimônia ecumênica, na qual o Papa Paulo VI, "com evidente satisfação" e dirigindo-se a tais "observadores", disse:

"... Sabeis, Irmãos, que de muitas maneiras o nosso próprio Concílio Ecumênico pôs-se em movimento em direção a vós: da consideração que os Padres Conciliares não deixaram de manifestar pela vossa presença, que tão cara lhes era, até o esforço unânime para evitar toda expressão que não fosse cheia de deferências para convosco; da alegria espiritual de vermos vosso grupo de escol associado às cerimônias religiosas do Concílio, até a formulação de expressões doutrinais e disciplinares aptas a arredar os obstáculos e a abrir sendas tão largas e aplainadas quanto possível para uma melhor valorização do patrimônio religioso que conservais e desenvolveis: a Igreja Romana, como vedes, testemunhou a sua boa vontade de vos compreender e de se fazer compreender; não pronunciou anátemas, senão invitações; não traçou limites à sua espera, como tampouco os traça ao seu oferecimento fraterno de continuar um diálogo que a empenha."[8] (grifos nossos)

d) O PARECER DE EMINENTES TEÓLOGOS E AUTORIDADES DA IGREJA

Cardeal Ottaviani, outrora Prefeito da Congregação da Doutrina e da Fé, oficialmente encarregado pela defesa da Fé e da moral: “A nova forma da missa foi substancialmente rejeitada pelo Sínodo Episcopal, nunca foi submetida ao júri das Conferências Episcopais e nunca foi reivindicada pelo povo. Além do mais possui todas as possibilidades de satisfazer aos mais modernistas dos Protestantes.”[9] (grifos nossos).

Cardeal Sticker: “O lugar importante dado às leituras e à pregação na nova missa, a possibilidade mesma deixada ao padre de acrescentar explicações e palavras pessoais é uma reflexão a mais sobre o que é legítimo chamar de uma adaptação à idéia protestante de culto..." (grifos nossos)

Cardeal Silvio Oddi: “Quando o Cânon II foi publicado, os protestantes da famosa comunidade de Taizé, que têm uma liturgia muito diferente da liturgia católica, disseram: “Este nós também podemos usar”. Isto quer dizer que pode ser interpretado sem a presença real de Cristo na Eucaristia. Portanto, alguma coisa não era clara (...) Tenho a impressão de que as pessoas escolhidas para efetuar todas essas reformas litúrgicas não estavam muito preocupadas com a pureza do dogma e da doutrina. Tentaram apresentar as coisas para agradar alguém, por uma concepção ecumênica errônea”.[10] (grifos nossos)
Cardeal Fernando Antonelli
, membro do Consilium, organismo encarregado da reforma litúrgica: "Tenho a impressão de que se concedeu muito, sobretudo em matéria de sacramentos, à mentalidade protestante" (grifos nossos)

Mons. Klaus Gamber, bispo de Ratisbona e perito em Liturgia: “A reforma litúrgica de Paulo VI foi mais radical que a de Lutero”.

Pde. Raymond Dullac: “Este rito possui um PECADO ORIGINAL que circuncisão alguma será capaz de suprimir: o pecado de se ter querido fabricar uma “missa” passe-partout, apta a  ser celebrada tanto por um católico como por um protestante”

Um grupo de teológicos publicou em 1969 um artigo na conceituada revista Pensée Catholique: “O Ordo Missae tenderia a instaurar na Igreja católica romana um ofício por demais semelhante à ceia das igrejas protestantes. Sinal característico? É a Ceia e não a Cruz que figura no frontispício do livro vermelho, na página 2”[11].

Outro interessante testemunho nos foi dado pelo escritor Julien  Green, convertido do anglicanismo: “A primeira vez que ouvi a Missa em francês, tive dificuldade em crer que se tratava de uma Missa Católica. Apenas a Consagração me tranqüilizou, embora ela fosse, palavra por palavra, semelhante à consagração anglicana”.

No mesmo livro, o autor conta a impressão que ele e sua irmã tiveram diante de uma Missa televisionada: Pareceu-lhes uma imitação grotesca do ofício anglicano. No fim ele perguntou à sua irmã: “por que é que nos convertemos?” (op. cit., p. 138)[12].

e) A COMPARAÇÃO COM A REFORMA LITÚRGICA DE LUTERO

― É espantosa a comparação entre o culto dos reformadores e o Novus Ordo. A citação seguinte foi tirada do livro de Arnaldo Xavier da Silveira, “Considerações sobre o Ordo Missae de Paulo VI”. Os negritos são nossos:

“Na quinta-feira santa, 13 de abril de 1525, bem como na sexta-feira santa e no domingo de Páscoa seguintes, sob as abóbadas estarrecidas do “Grand Muenster”, o culto se processou de maneira absolutamente nova. A língua alemã expulsava totalmente o latim da liturgia. Os coros não cantavam mais (...) A ceia substituía a missa.

“As espécies da refeição sagrada encontravam-se sobre uma mesa de tipo comum. Zwinglio oficiava voltado para a assembléia, em vez de permanecer, como na liturgia romana, de frente para o altar. A seu tempo, acólitos distribuíam o pão ao longo dos bancos dos fiéis, que com suas próprias mãos tomavam um pedaço e o levavam à boca. O cálice, trazido da mesma maneira, circulava em seguida, passando de um comungante a outro. Zwinglio fizera questão de que o vinho fosse pôsto em cálices de madeira, a fim de repudiar abertamente todo o fausto. (...)”[13].

― “...a primeira medida de Lutero contra o caráter sacrifical da Missa, foi a supressão do ofertório, que mais explicitamente o expressa. Depois fez as outras mudanças. Foi igualmente o que fez Paulo VI na nova missa, transformando o ofertório em uma simples apresentação de dons conforme prática judaica na suas sinagogas.

“Em seguida, Lutero alterou as palavras da instituição, fazendo da parte consacratória e da narrativa, que são bem distintas, uma só, e mandando pronunciar tudo em tom narrativo e em voz alta. Tudo para suprimir qualquer idéia de ação pessoal do celebrante e pois, toda a idéia de sacrifício, e assim inculcar nos assistentes a idéia protestante de simples ceia-memorial.

“Também a reforma de Paulo VI, do rito da Missa, alterou a forma da Consagração, transpondo para fora dela as palavras “Mysterium fidei”, e suprimindo o ponto gráfico que separava bem a parte narrativa, da parte consecratória, de modo que o celebrante é levado a pronunciar tudo em tom narrativo como quem apenas conta um fato acontecido no passado, e não como quem faz uma ação pessoal, que torna de novo presente a mesma realidade operada por Jesus Cristo, e por Ele ordenada que fosse renovada perpetuamente mediante o ministério do sacerdote (Lc. 22,19).

“Vê-se pois, por essa pequena amostra – e há muitos outros pontos nos quais a missa nova não é mais a pura expressão da Fé Católica – como é de suma importância a nossa fé nesse aspecto da Missa como sacrifício. Aí está a prova. Os protestantes tomam ares de festa com a sua supressão, através da Missa nova.”[14]

― “Lutero suprimiu qualquer referência aos Santos. Também na Missa Nova, dos seus quatro Cânones, somente o chamado Romano menciona alguns Santos, e mesmo assim, é livre a sua menção pelo celebrante. Mais um motivo por que vários pastores protestantes afirmam poder celebrar a sua ceia-memorial usando o texto da Missa Nova”.[15]

― “Para Lutero, a Missa é somente um banquete de comemoração da última Ceia. Daí ser celebrado em uma mesa, e com o celebrante voltado para o povo, na postura dos comensais de refeição comum, como se faz na Missa Nova”[16].

f) O PROBLEMA DA TRADUÇÃO

Outro aspecto que deve ser estudado é o da tradução do Novus Ordo para o vernáculo. Problema que ocorreu em maior ou menor grau por todo o mundo. No Brasil, os "erros" de tradução foram motivo de polêmica pública, envolvendo sacerdotes e diversos intelectuais católicos. [17] Ora, analisando os “erros” diversos de tradução para o português (o padre D´Elboux listou na época nada menos que 150 e, segundo narrou o mesmo, Dom Fernandes, de Londrina, relacionou número ainda maior de "erros"), verifica-se que vão freqüentemente numa direção muito agradável aos protestantes. Ora, o fortuito não pode ser repetitivo. Vejamos alguns exemplos:

1. Nas referências à Nossa Senhora, todas as vezes em que se lia beata Virgo Maria no original latino do Novus Ordo, traduziu-se simplesmente por "Virgem Maria", omitindo o bem-aventurada que pedia o latim. Isto ocorre nos parágrafos 3, 45, 54, 78, 85 e 94. Notamos que, no parágrafo 85, lia-se: in primis cum beatissima Virgine, Dei Genitrice, Maria. Eliminados o superlativo beatissima e o in primis ("antes de tudo"), ficou a tradução abreviada para: "Virgem Maria, mãe de Deus".

Ainda neste ponto, encontramos as omissões seguintes:  

— no parágrafo 30: "Virgo Mater inefabili dilectione sustinuit", torna-se: "a Virgem esperou com amor de Mãe". Enquanto no latim, estava amor inefável e não, de Mãe;

— no parágrafo 45 e no 53, "virginitatis gloria permanente" e "in primis gloriosae semper Virginis Mariae", respectivamente no latim. Não aparece na tradução o gloria da primeira frase, nem o gloriosae, da segunda;  

— no parágrafo 46: "Deiparae Virgini Sponsus" fica traduzido como "esposo à Virgem Mãe", enquanto Deiparae pedia "à Virgem Mãe de Deus".

2. Com relação aos Apóstolos, Santos e Mártires ocorre fenômeno parecido com o que se viu acima. No parágrafo 47, "beatos Apostolos", no texto latino, traduz-se simplesmente "dos Apóstolos"; no parágrafo 69 traduz-se "tuis sanctis Apostolis" por "apóstolos"; mais grave, no parágrafo 78 simplesmente omite-se a menção aos santos ("et omnibus Sanctis qui tibi a saeculo placuerunt", torna-se "e todos os que neste mundo vos serviram" — sem mencionar a tradução de "placuerunt" por "serviram"). Ainda no parágrafo 85 vê-se novas omissões: "cum beatis Apostolis tuis et gloriosis Martyribus" é transformado em "os vossos apóstolos e mártires".

3. Com relação à Igreja: Por duas vezes suprime-se o adjetivo "católica" ao referir-se à Igreja e, em uma vez, omite-se o adjetivo "santa". "Quae tibi offerimus pro Ecclesia tua sancta catholica" passou a ser "Nós as oferecemos (omitiu-se in primis) pela vossa Igreja (omitiu-se sancta e catholica) dispersa pelo mundo".

4. A tradução de "pro multis", na formula mesma da Consagração, por "por todos" (mais gravemente, na tradução oficial de 1969, publicada sob a aprovação da CNBB, "por todos os homens"), cuja correção apenas recentemente foi ordenada.

5. No início da agora chamada "Oração Eucarística I" [...] vê-se traduzido haec dona, haec munera, haec sancta sacrificia illibata por "estas oferendas", simplificação excessiva e mutiladora, exatamente porque aquelas ofertas são matéria do "sacrifício ilibado", da Vítima Perfeita, Cristo. A missa é essencialmente sacrifício: não assembléia, nem memorial.

Poder-se-ia arrolar ainda muitos outros exemplos de infelizes omissões, como a do parágrafo 63, onde "et hunc praeclarum calicem" é traduzido, tão pobremente, por "o cálice"; ou a igualmente infeliz omissão em dois lugares de adjetivos que indicam perpetuidade quando se refere a danação ou vida eterna (parágrafos 43 e 60); ou as diversas passagens em que se eliminou ou se atenuou expressões referentes aos Anjos e à hierarquia angélica; ou a tradução do “Orate frates”, ou do “Et cum spiritu tuo”.

É de espantar a franqueza com que D. Clemente Isnard OSB, Secretário Nacional de Liturgia no tempo em que foram feitas as traduções, narra como conseguiu a aprovação de Roma ao texto traduzido (grifos nossos):

"Resolvi então proceder por própria conta" - coisa de admirar mas não de imitar - e que tanto irritou Dom Geraldo Fernandes, que chegou a ser Vice-Presidente da CNBB. "Apresentei em Roma, e a Congregação para o Culto Divino aprovou nossa versão. Nossa sorte é que no momento não havia na Congregação perito em língua portuguesa. Desta forma obtivemos aprovação da simplificação do Cânon Romano, que tinha sido apresentada pelos franceses e negada... Nós simplesmente havíamos copiado a proposta francesa."[18]

g) NOVA LINGUAGEM, NOVAS PRÁTICAS

- “É sabido que a Eucaristia tem dois aspectos, um de Sacramento, outro de Sacrifício. O 1º é chamado “Eucaristia”; o 2º é a Santa Missa. É de fé que a Missa é Sacrifício; o próprio termo “Missa” já indica o seu caráter sacrifical, pois é o particípio do verbo latino “mittere”: enviar. Significa que, ao fim da Missa, a oblação sacrifical já foi enviada (Sto. Tomás)

“Por isso, Lutero suprimiu a palavra “Missa”, em sua reforma litúrgica; queria apagar da mente dos fiéis até a idéia de Sacrifício que lhe é conexa. “Chamemo-la, dizia ele, Benção, Eucaristia, Ceia do Senhor”. E hoje, seguindo a preferência da “Institutio generalis”, que promulgou a Missa Nova, está sendo chamada, de preferência, Eucaristia.

- “Para Lutero, todo homem, só pelo batismo, já é sacerdote, porque, para ele, não há qualquer diferença entre ser cristão e ser sacerdote. Por isso, os seus pastores são meros presidentes das assembléias reunidas para celebrar a sua ceia meramente memorial. É muito sintomático que, na Missa Nova, o “Confiteor” não seja mais rezado, primeiro, pelo celebrante sozinho e só depois pelos fiéis juntos. Esta mudança insinua igualdade entre os padres e os leigos. E o próprio Institutio Generalis (no. 7) chama o celebrante de presidente da “assembléia do povo de Deus”, na qual o povo reunido sob sua presidência é que celebra o “Memorial do Senhor”. Só diante da reclamação dos fiéis por causa desse grave erro é que Roma fez um arremedo de correção, pois o celebrante continuou a ser presidente da Assembléia e o povo não deixou de ser quem celebra, ou con-celebra (com o presidente)...”[19]

Podemos citar ainda aqui:

- O grave problema da definição da Missa como Ceia no “Institutio Generalis”;

- As concelebrações;

- A substituição do latim pelo vernáculo;

- A comunhão dada na mão;

- A substituição do gregoriano por músicas populares, o emprego de instrumentos de percussão e cordas nas Igrejas;

- As missas-show, carismáticas etc.

CONCLUSÃO

"O Novus Ordo foi concebido com o propósito de favorecer um falso ecumenismo, esmaecendo a fé", "a Nova Missa pode ser lícita e válida, mas a intenção que presidiu a sua elaboração a torna intrinsecamente perversa e perigosa". A essas objeções, Dom Guy Oury, do célebre mosteiro de Solesmes, comentou: "Se fosse realmente assim, compreender-se-ia que os católicos fiéis estivessem justamente alarmados em sua fé; a resistência tornar-se-ia mesmo um dever"

Ora, como nota Louis Salleron, ainda que estas duas objeções devessem ser formuladas um pouco diferentemente, é realmente assim. Por isso, a resistência é um dever. [20]

* * *

Encerramos deixando ao leitor a tarefa de julgar. As evidências são copiosas. Como negar, sem má-fé, que é protestantizante o novo rito, não apenas em sua intenção, não apenas no entender dos protestantes, mas naquilo mesmo que o constitui?

O leitor desejoso de se aprofundar no assunto poderá ler alguns dos trabalhos que foram publicados nesse sentido:

- A Missa de Lutero, por Mons. Lefebvre;

- Protestantização Litúrgica (Sim Sim Não Não, no. 69);

- Carta Aberta aos Católicos Perplexos, cap. IV, de Mons. Lefebvre.

- “A Teologia do Sacrifício da Missa”, por D. Licínio Rangel (Sim Sim Não Não, Julho/2001);

- "Solesmes et la Messe" (Itinéraires, no. 195), "En quoi la Nouvelle Messe est un échec " (no. 194), Louis Salleron.

- La Nouvelle Messe de Paul VI: Qu´en penser?”, Ia parte, cap. 5. de Arnaldo Xavier da Silveira “

- “A Missa Nova, uma caso de Consciência” e “Católicos, Apostólicos, Romanos”, padres de Campos.

Sobre a Missa tradicional, oferecemos ainda vários textos no nosso índice Missa de São Pio V

* * *

Finalmente, jamais alegamos que a Nova Missa fosse herética ou inválida. A esse respeito, citamos palavras do próprio Mons. Lefebvre: “Evidente que a reforma litúrgica atual se inspira na reforma de Lutero. Eu disse isso, em Roma, a muitos Cardeais: Vossa nova Missa é a Missa de Lutero!” A isso me foi respondido: Mas então ela é herética!” E eu respondi: Não, ela não é herética, mas é ambígua, equívoca, pois um pode celebrá-la com a católica integral do Sacrifício, da Presença Real, da Transubstanciação e outro pode celebrá-la sem ter essa intenção e, nesse caso, a Missa não será mais válida. As palavras que ele pronuncia e os gestos que ele faz não o contradizem. Ela é equívoca, sim, equívoca. E certamente Lutero, durante muitos anos, a celebrou validamente, quando ele ainda não estava contra o Sacrifício, quando ele era ainda mais ou menos católico. Porém, mais tarde, quando ele recusou o Sacrifício, o Sacerdócio, a Presença Real, então sua Missa passou a não ter mais validade[21].

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Notas:

[3] Emission de Radio-Courtoisie, 19/12/1993. “A intenção de Paulo VI, a respeito da liturgia católica, foi reformá-la de modo a quase coincidir com a liturgia protestante (...) Repito, Paulo VI fez tudo quanto estava em seu poder para aproximar a missa católica – afastando-se do Concílio de Trento – da Ceia protestante (...) Há em Paulo VI uma intenção ecumênica de apagar, ou ao menos de corrigir, ou de abrandar, o que na Missa há de demasiadamente católico, no sentido tradicional, e de aproximar a Missa católica da missa calvinista”.

[4] “A missa nova, um problema de consciência”, padres de Campos

[5] - Como consta de “La Documentation Catholique”, de 3 julho de 1983, n.1085, páginas 696 e 697. Citado em “A Renovação da Celebração da Missa”, Francisco Lafayette.

[6] “La nouvelle messe est d´esprit protestant”, Mons. Lefebre, “La Libre Belgique”, 25/9/76. Reproduzido de “Le mouvement Liturgique”, Abbé Didier Bonneterrre, ed. Fideliter.

[7] A Missa de Lutero, conferência de Mons. Lefebvre.

[8] A “Renovação” da celebração da Missa, Francisco Lafayette.

[9] A Intervenção Ottaviani (http://www.permanencia.org.br/revista/atualidades/ottaviani.htm)

[10] Em entrevista para a revista “30 dias”, julho de 1991.

[11] Publicado em La Pensée Catholique, no. 122.

[12] “A missa nova, um problema de consciência”, padres de Campos.

[13] Jean Rilliet, “Zwingle, le Troisième Homme de la Réforme”, 1959 – citado por “La Contre-Réforme Catholique au XX Siècle”, no. 26, novembro de 1969, p. 1.

[14] “A Teologia do Sacrifício da Missa”, D. Licínio Rangel.

[15] A Missa da Tradição e a Missa Nova, nov/2001, Sim Sim Não Não.

[16] Ibidem.

[17] Além do Padre d'Elboux, escreveram Gustavo Corção, Gladstone Chaves de Melo ("A Tradução da Nova Missa" e "Ainda a Nova Missa", respectivamente 2/01 e 3/01/70; "Ainda a Missa", Mar/70; "Erros e Heresias Acobertados pela Tradução Brasileira da Missa", Jun/70), o Cônego Ludovico Rosano ("Traduttore, Traditore" em 17/02;"Carta de Uma Padre Católico" em 7/03/70). Como relata ainda o mesmo Pe. D'Elboux ("Ainda a tradução do Novo Missal", Set/73), Dom Fernandes, de Londrina, chegara a preparar uma lista de "erros" de tradução ainda maior que a sua.

[18]  Conferência pronunciada no Encontro dos Liturgistas do Brasil. in A Sagrada Liturgia — 40 anos depois", estudos da CNBB no. 87. Editora Paulus, São Paulo, 2003.

[19] “A Missa da Tradição e a Missa Nova”, nov/01, Sim Sim Não Não.

[20] "Solesmes et la Messe", Louis Salleron, Itinéraires, 195.

[21] “A Missa de Lutero”, Mons. Lefebvre.