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domingo, 3 de maio de 2009

A primeira Encíclica de Pio XII: 70 anos depois, sempre atual, Pe. Jean Michel Gomis

Movimento Juventude Católica do Brasil

Livre tradução do artigo "La primera Encíclica de Pío XII: 70 años después, siempre actual" do R.P. Jean Michel Gomis, divulgado na Revista Iesus Christus nº 118 do Distrito da América do Sul da Fraternidade Sacerdotal São Pio X.

Há quarenta anos, os católicos estamos como órfãos. Aquele que teria que ser nosso pai na fé, cujas palavras deveriam ser o farol que nos guia à vida eterna, que desde Roma, sua sede pontifical, teria que levar o barco de São Pedro com o timão da única Verdade que é Nosso Senhor Jesus Cristo, já não o faz. Comprovação terrível! No lugar de iluminar-nos com a luz da fé católica, nosso pai, o Santo Padre, nos quer apartar da Verdade, da doutrina católica, para levar-nos pelos caminhos do liberalismo e dos princípios da Revolução. Prevendo esta situação desde toda a eternidade e para não deixar-nos desamparados nesta crise espantosa que atravessa a Igreja, a Divina Providência nos deu, ao longo do século XX, modelos de pastores. Entre eles, depois de São Pio X, se destaca o Papa Pio XII. Durante os 19 anos que durou seu pontificado, Pio XII foi um verdadeiro pai para os católicos, iluminando-os com sua doutrina. Em sua primeira carta-encíclica, "Summi Pontificatus", de 20 de outubro de 1939, nos deixou como seu plano de batalha. Depois de recordar as prioridades de seu pontificado, o Papa recorda os males de sua época e os meios para recristianizar a sociedade. Como vamos ver, sua doutrina não perdeu nada de sua atualidade.

I. Prioridades de um pastor verdadeiro

1) O fim do pontificado: Restaurá-lo todo em Cristo Nosso Senhor. "Omnia instaurare in Christo" tinha por lema São Pio X. Restaurar todas as coisas em Nosso Senhor Jesus Cristo. O programa de Pio XII não foi outro. No começo de sua encíclica disse: Consagramos "Nossa vontade esperançosa como nosso ensino e atividade pastoral, e, finalmente, o sofrimento dos trabalhos e penas (...) exclusivamente à difusão do reino de Cristo" (par. 2). E mais adiante afirma que "a missão (da Igreja) (...) consiste em realizar na terra o plano divino de restaurar em Cristo todas as coisas dos céus e da terra" (par. 66). Neste reino social de Jesus, Pio XII vê o único meio para a salvação: "a única pedra angular sobre a qual tanto o Estado como o indivíduo podem encontrar salvação segura é Cristo (par. 71). "A reverência à realeza de Cristo, o reconhecimento dos direitos de sua régia potestade e o procurar a volta dos particulares e de toda a sociedade humana à lei de sua verdade e de seu amor, são os únicos meios que podem fazer voltar os homens ao caminho da salvação" (par. 15). Quão distantes estamos do laicismo difundido hoje em dia pelo Vaticano, que reconhece e aprova a neutralidade do estado em matéria religiosa!

2) Dar testemunho da verdade: Para chegar ao reino de Nosso Senhor, o primeiro dever do Vigário de Cristo é pregar a verdade: "Como Vigário de Aquele que, em uma hora decisiva, diante do representante da mais alta autoridade daquele tempo, pronunciou as augustas palavras: 'Eu para isto nasci e para isto vim ao mundo, para dar testemunho da verdade; todo aquele que pertence à verdade, ouve minha voz' (São João, 18, 37), declaramos que o principal dever que Nos impõe nosso ofício e nosso tempo é 'dar testemunho da verdade'" (par. 14). Esta palavras ferem os ouvidos liberais como feriram os ouvidos de Pilatos em seu momento.

Para dar testemunho da verdade exige-se a condenação do erro: "Este dever [dar testemunho da verdade, N.d.l.R.], que devemos cumprir com firmeza apostólica, exige necessariamente a exposição e a refutação dos erros e dos pecados dos homens, para que, vistos e conhecidos a fundo, seja possível o tratamento médico e a cura: Conhecereis a verdade, e a verdade os fará livres" (par. 14). O Papa Pio XII não cai na ilusão de pensar que só a pregação da verdade basta para difundi-la. Há que opor-se com força ao veneno do erro que corrompe as inteligências e as aparta de Nosso Senhor Jesus Cristo, como sempre o fez a Igreja, condenando as heresias.

A condenação do erro, evidentemente, deve realizar-se com o modo devido, praticando a Verdade na caridade: "O zelo que não é caridoso procede de uma caridade que não é verdadeira" dizia Dom Chautard ( "A alma de todo apostolado", ponto IV, capítulo 4). O Papa Pio XII pensava o mesmo: "Nossa conduta estará animada por aquela caridade paterna que enquanto nos ordena trabalhar com suma tristeza por causa dos males que atormentam aos filhos, nos manda também assinalar a estes mesmos filhos os oportunos remédios, imitando assim o divino modelo dos pastores, Cristo, Senhor nosso, que nos dá ao mesmo tempo luz e amor: Praticando a verdade com amor" (par. 14).

À luz destes princípios, o Papa começa a descobrir os erros atuais.

II Os Perigos atuais

1) O laicismo. O laicismo é o mal fundamental de nosso época, o câncer que rói as inteligências. O que é o laicismo? É uma "incredulidade religiosa, cega e demasiada orgulhosa de si mesma, que exclui Cristo da vida moderna, e especialmente da pública e, junto com a fé em Cristo, debilita também a fé em Deus. Daqui se segue que todas as normas e princípios morais segundo os quais eram julgadas em outros tempos as ações da vida privada e da vida pública têm caído em desuso" (par. 24).

A negação de Deus e do mundo sobrenatural que leva à neutralidade do estado em matéria religiosa e moral, tais são as propriedades essenciais do laicismo. O estado se declara incapaz de conhecer a verdade doutrinal ou moral. As conseqüências destas doutrinas são dramáticas:

a) A volta ao paganismo: "De onde o laicismo consegue subtrair o homem, a família e o Estado do influxo benéfico e regenerador de Deus e da Igreja, apareçam sinais cada vez mais evidentes e terríveis da corruptora falsidade do velho paganismo" (par. 24).

b) A desordem social na vida privada e pública, fracasso dos estados. "Assim debilitada e perdida a fé em Deus e no Divino Redentor e apagada das almas a luz que brota dos princípios universais de moralidade, fica imediatamente destruído o único e insubstituível fundamento de estável tranqüilidade em que se apóia a ordem interna e externa da vida privada e pública, que é o único que pode gerar e salvaguardar a prosperidade dos Estados" (par. 25).

Quanta claridade nestes princípios! Sem Deus, sem Nosso Senhor Jesus Cristo, sem a Igreja por Ele fundada, os estados tendem ao caos. A situação atual do mundo de hoje em dia o demonstra com evidência.

Ao par do laicismo, o Papa denuncia outro mal de nossa época.

2) O totalitarismo. Talvez poderíamos pensar que esta advertência perdeu sua atualidade. Claro que já não estamos em 1939, quando o nazismo de Hitler e o comunismo de Stalin ameaçavam o mundo. Mas não nos enganemos. Os totalitarismos seguem existindo, e basta ler a descrição que dele nos dá o Papa Pio XII para ver que, pouco mais ou menos em todas as partes, estamos regidos por um sistema totalitário.

O totalitarismo é "a usurpação pelo poder político daquela absoluta autonomia que é própria exclusivamente do Supremo Feitor, e a elevação do Estado ou da comunidade social, posta no lugar do mesmo Criador, como fim supremo da vida humana e como norma suprema da ordem jurídica e moral" (par. 40). O sistema totalitário coloca-se por encima de toda verdade ou lei moral. Se converte no fim supremo dos cidadãos.

Evidentemente que esta falsa doutrina foi condenada repetidas vezes pela Igreja, como o recorda o Papa Pio XII: "O poder político, como sabiamente ensina na encíclica 'Immortale Dei' nosso predecessor Leão XIII, de piedosa memória, foi estabelecido pelo Supremo Criador para regular a vida pública segundo as descrições daquela ordem imutável que se apóia e é regida por princípios universais; para facilitar à pessoa humana, nesta vida presente, a consecução da perfeição física, intelectual e moral, e para ajudar os cidadãos a conseguir o fim sobrenatural, que constitui seu destino supremo" (par. 44).

O fim do homem não é o estado; é a vida eterna. O estado deve assegurar aos cidadãos as condições de vida que lhe facilitarão a salvação.

A principal aplicação do totalitarismo será o abuso de autoridade do estado sobre a família: "Desta concepção teórica e prática pode surgir um perigo: considerar a família, fonte primeira e necessária da sociedade humana, e seu bem-estar e crescimento, como instituição destinada exclusivamente ao domínio político da nação, e se corre também o perigo de esquecer que o homem e a família são, por sua própria natureza, anteriores ao Estado, e que o Criador deu ao homem e à família peculiares direitos e faculdades e lhes assinalou uma missão, que responde a inequívocas exigências naturais" (par. 48).

Esta falsa doutrina se manifestará principalmente na educação dos filhos. O estado totalitário se atribuirá um direito indevido de vigiar a instrução e formação dos filhos para inocular seus falsos princípios desde o berço.

O vemos claramente, entre outros, na República Argentina (a Revista Iesus Christus é editada neste país, Nota do Tradutor). As leis tirânicas a respeito da educação que obrigam a seguir programas ímpios, que fomentam a "educação" (ou melhor, perversão) sexual, o que impede a criação de escolas verdadeiramente católicas: são uma prova evidente de que estamos vivendo debaixo de um estado totalitário. A escola laica obrigatória é uma das maiores vitórias do demônio no mundo de hoje: ter conseguido que desde a infância se formem a pequenos ateus, livre-pensadores, filhos de Voltaire e da Revolução.

Diante deste perigo, o Papa Pio XII recorda a necessidade absoluta da educação religiosa e da escola católica: "Uma educação da juventude que se despreocupe, com esquecimento voluntário, de orientar o olhar da juventude também à pátria sobrenatural, será totalmente injusta tanto contra a própria juventude como contra os deveres e os direitos totalmente inalienáveis da família cristã (...) que escândalo pode ser mais nocivo, que escândalo pode ter mais criminal e duradouro que uma educação moral da juventude dirigida equivocadamente a uma meta que, totalmente distante de Cristo, caminho, verdade e vida, conduz a uma apostasia oculta ou manifesta do Divino Redentor? (...) um sistema educativo que não respeite o recinto sagrado da família cristã, protegido pela lei de Deus; que deite por terra suas bases e feche à juventude o caminho a Cristo, para impedir-lhe beber a água nas fontes do Salvador, e que, finalmente, proclame a apostasia de Cristo e da Igreja como sinal de fidelidade à nação ou a uma classe determinada, este sistema, sem dúvida alguma ao obrar assim, pronunciará contra si mesmo a sentença de condenação" (par. 52). Meditando estas palavras nunca duvidaremos em apoiar o mais possível as escolas verdadeiramente católicas.

III Remédios aos problemas de nossa época

Para remediar o veneno do laicismo que corrói nossa sociedade existe uma única solução: a vida e a doutrina cristã: "Todo edifício que não tenha como fundamento a doutrina de Cristo, está sendo levantado sobre uma areia movediça, e seu destino é, cedo ou tarde, uma inevitável queda" (par. 72). "A reeducação da humanidade, se quer se efetiva, tem que ficar saturada de um espírito principalmente religioso; tem de partir de Cristo como fundamento indispensável" (par. 60).

O Papa Pio XII condena assim a ilusão dos que querem mudar a sociedade sem apoiar-se principalmente sobre a religião. A religião não é uma ajuda para a ordem da sociedade, é seu fundamento necessário. Para chegar À renovação da sociedade, o Papa nos propõe vários meios concretos:

1) A santificação pessoal. O meio principal e fundamenta da recristianização da sociedade é a própria santificação: "é o primeiro e o essencial" (par. 62). Somente os Santos podem transformar a sociedade, e basta em olhar a influência de um São Bernardo, de um Santo Cura de Ars ou de um São João Bosco para convencer-se disso.

2) A pregação. "A pregação do Evangelho, que lhe confiou seu Divino Fundador, com a qual se inculcam aos homens os preceitos da verdade, da justiça e da caridade, e igualmente o esforço por enraizar sólida e profundamente estes preceitos nas almas, são meios tão idôneos para alcançar a paz, é um trabalho tão nobre e eficaz, que não há quem possa ter outros que se lhes igualem" (par. 62). Não percamos nem uma oportunidade de pregar a verdade à gente que nos rodeia. São muitas as ocasiões que nos proporciona a Providência para falar do céu e da vida eterna. Sobretudo, não nos deixemos silenciar pelo respeito humano.

3) A Ação católica, ou seja a formação e o apostolado dos leigos. Como seu predecessor São Pio X, o Papa Pio XII tinha compreendido que os leigos têm um papel muito importante na recristianização da sociedade. Fortalecidos por uma profunda formação doutrinal e espiritual, por meio de seu exemplo e de sua atividade apostólica os leigos têm que ser instrumentos eficazes do Reino de Deus na sociedade.

4) A santidade da família. Não há segredo: para a reconstrução da Cristandade, a família tem uma importância essencial. Das famílias verdadeiramente católicas sairão os verdadeiros apóstolos e cooperadores do Reino de Cristo na terra:

"Há que advertir aqui que a família tem uma parte muito principal no fomenta desta colaboração dos seculares, tão importante, como temos dito, em nossos tempos, porque o governo equilibrado da família exerce um influxo extraordinário na formação espiritual dos filhos. Enquanto no lar doméstico brilhe a chama sagrada da fé cristã e os pais impregnem com esta fé as almas dos filhos, não há dúvida alguma que nossa juventude estará sempre disposta a reconhecer praticamente a realeza de Jesus Cristo e a opor-se valente e virilmente a todos quantos tentem banir o Redentor da sociedade humana e profanar sacrilegamente seus sagrados direitos. Donde se fecham as igrejas, donde se tira das escolas e do ensino a imagem de Jesus crucificado, fica o lar familiar como o único refúgio impenetrável da vida cristã, preparado providencialmente pela benignidade divina" (par. 64).

5) O grande meio para a recristianização da sociedade: o Culto ao Sagrado Coração. O Papa da encíclica sobre o Sagrado Coração ("Haurietis aquas"), que via no culto ao Sagrado Coração de Jesus "o compêndio de toda a religião, (...) a norma de vida mais perfeita, (...) o meio mais suave de encaminhar as almas ao profundo conhecimento de Cristo Senhor nosso e o meio mais eficaz que as move a amar-lhe com mais ardor e a imitar-lo com maior fidelidade e eficácia" (ibid.), não podia negligenciar em sua primeira encíclica a eficácia incrível desse culto para a renovação da sociedade: "Seja este culto (do Sagrado Coração) o fundamento no qual se apóiam  num momento o propósito que pretendem tanto nossa vontade esperançosa como nosso ensino e pastoral atividade, e, finalmente, o sofrimento dos trabalhos e penas, que consagramos exclusivamente à difusão do reino de Cristo" (par. 2).

Sigamos seu exemplo e façamos do Sagrado Coração o fundamento, a pedra angular de nossa vida pessoal e familiar, para que Nosso Senhor reine de novo na sociedade. Às vezes, ao ver a crise espantosa que atravessa a Igreja, nos podemos desanimar e dar-nos por vencidos. Não percamos nunca a fé no Sagrado Coração de Nosso Senhor, que prometeu à Santa Margarida Maria: "Reinarei a pesar de meus inimigos".

Coração de Jesus, tende misericórdia de nós!, em Vós confio!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O fracasso da CNBB

O maior fracasso da CNBB, consiste em não gerar mais católicos. A vivência dos católicos é o termômetro da graça e do pastoreio dos Bispos. Quando uma entidade que se diz católica vem a público pedir honestidade na política, integridade, paz, justiça, etc é sinal de que algo está errado. Porque normalmente a Igreja em seus filhos oferta tudo isto a sociedade. É bastante gravíssimo que não tenhamos mais luzeiros católicos em meio as trevas do mundo. Diga-se de passagem, que toda esta corrupção tem sua origem na diretriz desta entidade no serviço ao segundo inimigo de nossa alma: o mundo.

Pode se argumentar como no artigo apóstata “Presbítero e crise de identidade” de Pe Edênio Valle, que não há mais necessidade de idealização do modelo e conseqüentemente já não basta o servo ser como o seu Senhor, e o discípulo como seu mestre. Nesta visão míope e tortuosa, já esta implicíta a corrupção e o abandono da fé. Porque bastaria a cada um ser ele mesmo, rejeitando a Cristo que nos pede que rejeitemos a nós mesmos. Uma entidade que não confere a identidade de Cristo em seus presbíteros, não é capaz de conferi-la aos seus fiéis. É complicado falar em fidelidade quando os própios presbíteros não tem nem mesmo identidade, pois como se lê no artigo:

“Participação - A visão funcionalista, isto é, cada padre, bispo, leigo tem sua função pré-determinada na Igreja, ruiu por terra com o Vat. II. Igreja como povo de Deus e servidora do mundo, como um todo sob a ação do Espírito que suscita carismas e ministérios úteis ao anúncio do Evangelho, exige uma revisão da participação que cabe ao presbítero e ao bispo nesta Igreja ministerial. Apesar dos avanços já verificados neste campo, persistem ranços de pessoas e condicionamentos estruturais da organização eclesial que ainda impedem uma participação de todos os batizados na missão da Igreja. Desafio crescente é viver o ministério presbiteral sob o ângulo do protagonismo laical; é saber encontrar o lugar para vivenciar o profetismo numa sociedade que evolui rumo à secularização. O processo acelerado de esvaziamento da função social do presbítero, não se dará sem deixar marcas profundas.” Presbíteros e crise de identidade – Pe Edênio Valle

Como pode se ver, a Igreja povo de DEUS, nasce em sua essência apostáta e só fez promover até o presente momento a apostasia. Os Bispos e os Padres, não tem mais a função de pastores e nem os leigos a de ovelhas. Como também não existe ninguém que sirva, pois não a quem se assente a mesa: todos são iguais, mas igualmente injustos ou igualmente justos?

A vivência do falso profetismo aponta para o serviço do anticristo, que é o serviço do mundo, inimigo irreconciliável de DEUS. Isto a CNBB realiza a anos, através de apoios a movimentos marxistas, como o MST que na cobiça dos bens do próximo, firma sua existência. Como uma entidade que deveria ensinar que não se deve cobiçar os bens e a casa do próximo, apóia um movimento que se move pela cobiça de bens alheios? A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, não tem nenhum direito de abolir o mandamento de DEUS que diz:

“Não cobiçar as coisas alheias”.

Os Bispos, são servos de DEUS, não são deuses e nem servos exclusivos do povo ao ponto de apoiar todos os seus desejos. O apóstolo nos advertiu que qualquer um, fosse (apóstolo ou anjo) que pregasse um Evangelho diferente do que por eles fora pregado, que o considerássemos anátema. Neste sentido, a corrupção começa na própia CNBB, que despreza a autoridade de DEUS para servir o homem do pecado. Em matéria de fé, a CNBB é insípida e entrevada, é uma entidade covarde e apóstata, como sugere este e outros apoios espúrios.

Nosso país esta assolado na corrupção e na violência, porque a CNBB não é sal e luz. Como resultado do diálogo com a Teologia da Libertação, que resultou na fundação do PT que produziu os maiores escândalos de corrupção de nossa história. Contra eles sentencia os apóstolos:

“Acautelai-vos, para que não percais o fruto de nosso trabalho, mas antes possais receber plena recompensa. Todo aquele que caminha sem rumo e não permanece na doutrina de Cristo, não tem Deus. Quem permanece na doutrina, este possui o Pai e o Filho. Se alguém vier a vós sem trazer esta doutrina, não o recebais em vossa casa, nem o saudeis. Porque quem o saúda toma parte em suas obras más.” II Jo 1,8-11

Chego a pensar que os Bispos da CNBB só fazem análises de conjuntura e não lêem a Bíblia. O apoio ao MST, fez com que esta entidade que se diz católica produzisse um fruto ateu, expressa no apoio ao descumprimento do mandamento ou da desconsideração de que seja um mandamento de DEUS. Ao saudar Karl Marx e o permitir nos altares através da Ateologia da Libertação, tomaram parte em sua obra má: negaram DEUS. Então como pode falar em honestidade e integridade se nem ela mesma é honesta e íntegra? Quanta hipocrisia...

Nestes quase cinqüenta anos, a CNBB foi capaz apenas de produzir apenas o partido mais corrupto da história do Brasil: o PT. Não foi capaz de produzir nenhum modelo de integridade e honestidade, até porque não acredita em modelos e exemplos, mas tão somente na consciência individual. É um problema grave a CNBB não produzir luzeiros na política, mas como poderia produzi-los se ela esta do lado daqueles que querem o fim do Estado?

Não existe uma crise de identidade (No Clero e nos leigos), mas a negação da mesma que torna a evangelização completamente non sense. O fim da atividade do Clero, deveria ser a geração de Cristo para serem fiéis a identidade daquele que os salvou. Se não existe mais o modelo e nem o exemplo, Cristo não esta nas autoridades e nem nos fiéis. O que vemos nas autoridades da CNB, são os pobres e o povo a quem estas autoridades colocaram no lugar de Cristo. E o fruto desta substituição só poderia ser a corrupção tanto do Estado quanto da religião católica. Daí a razão do crescimento das seitas protestantes, do agnosticismo e do ateísmo. O que nos oferta a CNBB, é a contemplação prática da grande apostasia predita pelos apóstolos. O fim da CNBB hoje é a geração da revolução e da laicidade nos leigos. Por parte desta entidade, não existe mais oferta de fé, mas a oferta da moda.

Quando ainda se considera que os Bispos não fazem nada para coibir os abusos litúrgicos e fazem de tudo para impedir a aplicação do Motu Próprio Summorum Pontificum. Constata-se a negação das própias raízes católicas e principalmente que a Casa de DEUS, não é mais Casa de Oração onde se adora Cristo. Mas CASA DE PARTICIPAÇÃO onde a comunidade adora a si mesma em uma liturgia narcisista que se tornou um prurido de novidade sem nenhuma identidade ou algum proveito para além da participação. Temos no Brasil uma Igreja onde os Bispos não pedem as orações do povo, mas apenas ações. É mais uma tomada das obras más marxistas, desesperar-se de DEUS para acreditar em si mesmo.

Recomendo aos católicos que prezam a sua fé que se afastem desta entidade. Procurem algum grupo ou Padre tradicionalista, estes os guiarão para a oração e o reino de Cristo, não para a ação e o reino do anticristo. Embora seja proibida a aplicação do Motu Próprio Summorum Pontificum (e personalidades tradicionalistas de darem aulas) é um dever que devemos correr para a salvação de nossas almas. Principalmente quando se comprova a proibição ao certo e o apoio ao erro. Manifestos em proibições aos que ensinam a fé e a liberdade a pessoas do nível de Leonardo Boff que tem livre trânsito em todas as faculdades católicas (apesar de todas as sanções de Roma). Percebe-se nisto que não estão preocupados com a salvação de nossas almas, o suficiente para nos afastarmos.

Enfim, enquanto entidade católica, a CNBB não produz católicos, é um fracasso. Mas considerando-se o que esta por trás da cortina, ela é um sucesso na propagação da apostasia. Serve muito bem ao mundo e ao anticristo trabalhando contra Cristo e o Santo Padre Bento XVI

sábado, 7 de fevereiro de 2009

RITO MODERNO - UM POUCO DE SUA HISTÓRIA

Nota: Caro leitor, como poderão ler neste texto, as coincidências entre a Reforma Institucional Conciliar de 1965 e a Reforma Institucional Maçônica de 1877, não são meras coincidências. Ambas sepultaram o dogmatismo combatido por Rousseau e implantanram a tolerância ideológica pregada por Voltaire. Esta é a essência da verdadeir personificação do Concílio:

A Igreja sempre se opôs a estes erros; muitas vezes até os condenou com a maior severidade. Agora, porém, a esposa de Cristo prefere usar mais o remédio da misericórdia do que o da severidade. Julga satisfazer melhor às necessidades de hoje mostrando a validez da sua doutrina do que renovando condenações. Discurso de abertura do Concílio Vaticano II – Papa João XXIII

 

O início da Maçonaria na França

    François Marie Arouet, Voltaire, o demolidor de mitos, desapareceria logo depois de iniciado na Loja "Neuf Soeurs", em 1778, no mesmo ano em que, coincidentemente, desaparecia Jean Jacques Rousseau, sendo, ambos, os intelectuais que mais influenciaram o pensamento da sociedade francesa --- e da mundial --- nas épocas posteriores. Eles mostravam, todavia, grandes diferenças de pensamento. Voltaire tinha, por base de sua obra, o racionalismo, como, no dizer de Diderot, um verdadeiro filósofo setecentista, que se conduz pela razão, juntando, ao espírito de reflexão e de justeza, os costumes e as qualidades sociais. Isso o coloca em oposição à inteligência mística de Rousseau, filósofo e moralista, nascido em família calvinista e convertido, ainda adolescente, ao catolicismo. Voltaire tem o melhor do seu pensamento exprimido no "Dictionnaire Philosophique", de 1764, no "Lettres Anglaises", de 1734, e nos diversos contos, entre os quais "Cândido", de 1754, é sua obra prima. Rousseau tem, como sua obra fundamental, "Du Contrat Social", onde formula a teoria do Estado baseado na convenção entre os homens, defendendo o princípio da soberania do povo. Publicada em 1762, essa obra, junto com o restante da produção literária de Rousseau, teve grande influência revolucionária, por exprimir as injustiças sociais da época, numa crítica violenta ao cristianismo dogmático e ao ceticismo filosófico.

    Assim, a obra de Rousseau foi muito mais importante, no ideário da Revolução Francesa, do que a de Voltaire, que, dentro da atitude racional da inteligência, desejava não a revolução, mas a reforma das instituições monárquicas, pregando a tolerância ideológica e defendendo os direitos civis. Ambos, entretanto, influenciariam, um século depois, a grande reforma institucional de 1877, no Grande Oriente da França, que sepultou o dogmatismo, combatido por Rousseau, e implantou a tolerância ideológica, pregada por Voltaire.

    Em 1778, ano da morte de ambos, havia 554 Lojas no território francês, surgidas da primeira Loja genuinamente francesa, criada, em Paris, a 3 de abril de 1732, já que, antes, as existentes eram mais britânicas, surgidas na esteira do séquito dos Stuarts, refugiados na França, após a revolta de 1649. Depois dessa primeira Loja, outras foram sendo criadas, ocorrendo, no caso, um fato importante, em setembro de 1734 : no dia 7 desse mês, um jornal de Londres relata  que, no castelo da duquesa de Portsmouth, em Paris, Charles Lennox, duque de Richmond, junto ao qual se encontrava Montesquieu, procedeu à recepção de muitos neófitos da mais alta nobreza francesa. A 20 de setembro de 1735, nova reunião, com a presença de Théophille Désagulliers --- um dos fundadores da Premier Grand Lodge, em Londres, em 1717 --- e lord Waldegrave, embaixador de Sua Majestade britânica, ao lado de Montesquieu. A Maçonaria, assim, espalhou-se pelo território francês, no século XVIII, sob a égide de Montesquieu, o grande filósofo e autor de "´L´Esprit des Lois" (O Espírito das Leis), obra de fundamental importância no desenvolvimento da Ciência Política.

    Em 1737, cinco Lojas existiam em Paris. Em 1741, já eram vinte e duas, quando a propaganda maçônica já atingia a província, tendo sido fundada uma Loja em Lions, em 1740, além de outras em Rouen, Caen, Nantes, Bordeaux, Montepellier e Avignon. Em 1738, o duque d´Antin é nomeado Grão-Mestre vitalício dos maçons franceses, embora ainda não houvesse, oficialmente, uma Obediência francesa, o que só aconteceria em 1765. Em 1743, Henri de Bourbon, conde de Clermont, o sucede, apesar dos muitos votos dados ao príncipe de Conti e ao marechal de Saxe. Um outro nobre sucede ao conde de Clermont, em 1771 : o duque de Chartres, que, com a morte de seu pai, tomou o título de duque de Órleans, cuja cadeira de Grão-Mestre é conservada no museu do Grande Oriente da França  e cujo retrato, com todas as insígnias da Ordem, acha-se no castelo de Chantilly.

O Grande Oriente e o Rito Moderno

    A Maçonaria francesa passaria, porém, por grandes vicissitudes. A federação denominada Grande Loja da França, oficialmente existente a partir de 1765, para reunir as Lojas esparsas, não chegara a uma boa gestão, o que fez com que, em 1771, ocorressem reuniões destinadas a preparar uma nova organização, culminando, a 24 de dezembro daquele ano, com a assembléia das Lojas, que, depois de declarar extinta a antiga Grande Loja, anunciava que ela era substituída por uma Grande Loja Nacional, que seria denominada, dali em diante, Grande Oriente da França. A 17 de junho de 1773, a Grande Loja protesta, declarando o Grande Oriente cismático, degradando o título de maçom de todos os componentes deste. Sem se preocupar com esses ataques, o Grande Oriente persiste, sendo solenemente instalado a 24 de junho de 1773. 

    E foi tão grande o desenvolvimento do Grande Oriente, que, das 547 Lojas francesas existentes em 1778, 300 estavam sob a sua jurisdição e ele mantinha correspondência com 1.200 Lojas estrangeiras. Nessa altura já existia o Rito Francês, ou Moderno, que havia sido criado em 1761, constituído a 24 de dezembro de 1772 e proclamado pelo Grande Oriente, a 9 de março de 1773, chegando, já na época da Revolução Francesa, à maior importância, dentro do Grande Oriente da França. E desde essa época, começava a rivalidade entre o Grande Oriente e a Grande Loja inglesa, que exigia ser reconhecida como Grande Loja Mãe, embora isso não fosse mais do que uma satisfação moral, não criando laço de subordinação. O Grande Oriente desejava tratar de igual para igual, sob todos os pontos de vista e solicitava que as Lojas anteriormente fundadas, sob patente inglesa, lhe fossem repassadas, com o que Londres não concordava. Embora a Grande Loja inglesa reconhecesse o Past-Master e o Royal Arch, como "complementos do mestrado", considerava irregulares os Altos Graus escoceses, que haviam, anarquicamente, proliferado na França, causando desordem. E o Rito Moderno nasceu, exatamente, do desejo do Grande Oriente de remediar a situação, perseguindo uma política de unidade, aceitando os diferentes ritos, à qual Londres fez oposição.

    O rito, embora criado sob moldes racionais, seguia a orientação dos demais, em matéria doutrinária e filosófica, baseada, entretanto, na primitiva Constituição de Anderson, com tinturas deístas, mas largamente tolerante, no que concerne à religião, como se pode ver na primeira de suas Antigas Leis Fundamentais (Old Charges): "O maçom está obrigado, por vocação, a praticar a moral; e, se bem compreender os seus deveres, jamais se converterá num estúpido ateu nem em irreligioso libertino. Apesar de, nos tempos antigos, os maçons estarem obrigados a praticar a religião que se observava nos países que habitavam, hoje crê-se mais conveniente não lhes impor outra religião senão aquela que todos os homens aceitam e dar-lhes completa liberdade  com referência às suas opiniões particulares. Essa religião consiste em serem homens bons e leais, ou seja, honrados e justos, seja qual for a diferença de nome ou de convicções".

    A Revolução Francesa --- da qual a Maçonaria, nas palavras de Henri Martin, foi o laboratório --- não interrompeu totalmente  os trabalhos do Grande Oriente. a Loja "La Bonne Amitié", de Marmande, recebeu sua constituição a 20 de dezembro de 1792; mesmo no auge do Terror, três Lojas da capital, "Le Centre des Amis", "Les Amis de la Liberté" e "la Martinique des Frères Réunis", não deixaram de promover reuniões. Mas houve uma grande diminuição da atividade maçônica, prejudicando as relações com a Grande Loja inglesa.  Passado o auge do movimento, Roettiers de Montalau --- cujo retrato orna a sala do Conselho da Ordem, em Paris, acima da cadeira do Presidente --- empenha-se, a partir de 1795, na reconstituirão do Grande Oriente, tentando conciliá-lo com a Grande Loja. Graças aos seus esforços, a 21 de maio de 1799, as duas Obediências redigem um tratado de união, completando a união maçônica na França, a qual pouco iria durar, já que, em 1804, ela seria comprometida pela introdução do Rito Escocês Antigo e Aceito, de 33 graus, com a fundação do  Supremo Conselho do conde de Grasse-Tilly (o primeiro Supremo Conselho foi fundado em Charleston, Carolina do Sul, EUA, em 1801).

    A regressão dogmática

    Em 1815, ocorreria a regressão dogmática, que tanto influiria nos destinos da Maçonaria francesa: a Grande Loja Unida da Inglaterra, que surgira em 1813, da fusão da Grande Loja dos "Modernos" (de 1717) e a dos auto-denominados "Antigos", de 1751, alterava a primitiva Constituição de Anderson, tornando-a absolutamente dogmática e impositiva, como se pode ver no texto da primeira das Antigas Leis (que, aí, deixou de ser antiga lei):

    "Um maçom é obrigado, por seu título, a obedecer à lei moral e, se compreender bem a Arte, nunca será ateu estúpido, nem libertino irreligioso. De todos os homens, deve ser o que melhor compreende que Deus enxerga de maneira diferente do homem, pois o homem vê a aparência externa, ao passo que Deus vê o coração. Seja qual for a religião de um homem, ou sua forma de adorar, ele não será excluído da Ordem, se acreditar no glorioso Arquiteto do Céu e da Terra e se praticar os sagrados deveres da moral...."

    Ou seja: ao liberalismo e à tolerância da original compilação de Anderson, foram sobrepostos os teísmo pessoal, o dogmatismo e a imposição, incompatíveis com a liberdade de pensamento e de consciência.

    Apesar disso, quando o Grande Oriente promulgou, em 1839, seus primeiros "Estatutos e Regulamentos Gerais da Ordem", estes conservavam o melhor da tradição da Maçonaria dos Aceitos, dentro do espírito da original Constituição de Anderson, de 1723, como se pode ver em seus três primeiros artigos, sem qualquer dogmatismo:

    "Art. 1º - A Ordem Maçônica tem por objeto o exercício da solidariedade, o estudo da moral universal, das ciências, das artes e a prática de todas as virtudes.

    Art. 2º - Ela é composta de homens livres, que, submissos às leis, reúnem-se em Sociedade constituída de acordo com estatutos gerais.

    Art. 3º - Não pode alguém ser maçom e gozar os direitos inerentes a esse título:

            1. se não tiver 18 anos completos, se não for livre e de bons costumes e se não obteve o consentimento de seu pai, ou de seu tutor; essa última condição só será exigida até à idade de 21 anos;

            2. se não for livre e honrado;

            3. se não for domiciliado há pelo menos seis meses no local em que se encontra a Loja à qual se apresenta;

            4. se não tiver grau de instrução necessário para cultivar sua razão;

            5. se não for admitido nas formas determinadas pelos Regulamentos e Estatutos Gerais".

    Todavia, em 1849, por obra e graça dos partidários de uma reaproximação, que degelasse As relações com a Grande Loja Unida da Inglaterra, eram reformados esses estatutos ---e transformados em Constituição --- sendo incluídos, neles, as cláusulas inspiradas pela revisão de 1815, das Constituições de Anderson, como se pode ver no texto aprovado:

    "Art. 1º - A Francomaçonaria, instituição essencialmente filantrópica, filosófica e progressista, tem por base a existência de Deus e a imortalidade da alma..."

    ........................................................................................................................

    Art. 3º - Para atingir esse objetivo, eles (os maçons, referidos no Art. 2º) devem, respeitando a consciência individual, empregar todos os meios de propaganda pacífica, dos quais os principais são o exame e a discussão de diversas questões que podem esclarecer os espíritos e, sobretudo, conciliar os corações".

    A incoerência salta aos olhos, pois, à exigência dogmática do Artigo 1º, era aposto, no Artigo 3º, o respeito à consciência individual. Diante disso, foi feita, em 1865, uma pequena alteração, sem mudar o texto dogmático, na parte referente à liberdade de consciência, assim redigida:

    "Ela (a Maçonaria) vê a liberdade de consciência como um direito próprio de cada homem e não exclui a ninguém por suas crenças".

    A contradição continuava, pois o texto, depois de exigir uma determinada crença, dizia que ninguém seria excluído por suas crenças. E, além de tudo, o esforço dos adeptos de uma reaproximação com GLUI foi infrutífero, pois esta não "degelou", mantendo uma olímpica indiferença diante das reformas estatutárias francesas, que, diga-se a bem da verdade, não agradaram a gregos e nem a troianos.

   A Reforma Institucional de 1977

    Em 1872, depois de estudos iniciados em 1867, o Grande Oriente da Bélgica suprimia, de seus rituais, a invocação do G.:A.:D.:U.:, sem provocar qualquer reação por parte da G.L. da Inglaterra. Diante disso, de um golpe, a campanha pela revisão, na França, aumenta de intensidade e, a cada ano, a Convenção é tomada por votos pela revisão, repelidos pelo Conselho da Ordem, até que, em 1876, um voto da Loja "La Fraternité Progressive", de Villefranche, solicitando a supressão das cláusulas dogmáticas, foi tomada em consideração, sendo regulamentarmente enviada às Lojas, para estudo, e retornando à Convenção, em 1877. Nessa ocasião, duzentas e dez Lojas enviaram representantes e dois terços delas manifestaram-se a favor da adoção do voto. O relator geral foi um pastor protestante, Desmons, que apresentou um estudo memorável, o qual, aprovado, resultou na supressão do segundo parágrafo do artigo 1º da Constituição de 1865, que dizia: "Ela tem por princípio a existência de Deus e a imortalidade da alma".

    Viénot, o Orador da Convenção, situou, muito bem, o que representou essa atitude:

    "Essa redação, meus Irmãos, não é, portanto, nem uma reforma, nem uma revolução; ela é um chamamento e um retorno aos princípios primordiais da Francomaçonaria, porque a Francomaçonaria, respeitando todos os dogmas e todas as consciências, não é, não quer ser e não pode ser uma instituição dogmática ou teológica". (os grifos são meus).

    Essa resolução aboliu a invocação, mas não a fórmula do G.:A.:D.:U.:, como freqüentemente se afirma. Era a tolerância, elevada ao máximo, que motivava o Grande Oriente a rejeitar qualquer afirmação dogmática, na concretização do respeito à liberdade de consciência e ao livre arbítrio de todos os maçons. A síntese dos debates da Assembléia, que conduziram à resolução, mostra bem essa preocupação:

    "A Francomaçonaria não é deísta, nem ateísta, nem sequer positivista. Instituição que afirma e pratica a solidariedade humana, é estranha a todo dogma e a todo credo religioso. Tem por princípio único o respeito absoluto da liberdade de consciência. Nenhum homem inteligente e honesto poderá dizer, seriamente, que o Grande Oriente da França quis banir de suas Lojas a crença em Deus e na imortalidade da alma, quando, ao contrário, em nome da liberdade absoluta de consciência, declara, solenemente, respeitar as convicções, as doutrinas e as crenças de seus membros".

    Mas as Obediências da Comunidade Britânica não entenderam assim. Embora o Grande Oriente não tenha feito mais do que voltar à situação anterior (a dos estatutos de 1839), que elas haviam admitido, totalmente, elas reagiram imediatamente; é o caso da Grande Loja da Irlanda, da Grande Loja da Escócia e do Supremo Conselho da Inglaterra. A G.L. Unida da Inglaterra, não mantendo relações com o Grande Oriente da França, não pôde romper, mas sua desaprovação se fez manifesta, ao incitar outras Obediências estrangeiras a seguir o movimento deflagrado. O Conselho da Ordem tentou justificar o Grande Oriente, demonstrando que o sentido da decisão fora deturpado pelos ingleses: em 1884, Cousin, presidente do Conselho, pleiteia a causa, através de carta, de 28 de novembro, enviada a Sua Alteza Real Edward Albert, príncipe de Gales  futuro Eduardo VII, Grão-Mestre da G.L. Unida da Inglaterra. A Grande Loja admitiu que não havia nenhum intuito ateísta na resolução, mas não voltou atrás, encerrando o assunto, como se pode ver num trecho da resposta de seu Grande Secretário, coronel Shadwell Clerke:

    "A G.L. da Inglaterra jamais supôs que o G.O. da França tenha pretendido fazer profissão de fé do ateísmo e do materialismo; mas a G.L. da Inglaterra sustenta e sempre sustentou que a crença em Deus é a primeira grande marca de toda a verdadeira e autêntica Maçonaria e que, na falta dessa crença, professada como o princípio essencial de sua existência, nenhuma associação tem o direito de reclamar a herança das tradições e práticas da antiga e pura Maçonaria".

    É interessante notar que quem desfigurou as originais Constituições de Anderson, que continham os antigos usos e costumes maçônicos, é exatamente quem e arvora em defensor das "tradições e práticas da antiga e pura Maçonaria".

    Tudo isso leva à conclusão de que toda a questão é eminentemente política, dadas as rivalidades não só entre as duas Obediências, mas também entre os dois países: a evolução divergente, em dois meios sociais diferentes, em dois países rivais na paz e confrontados no curso de longas e sangrentas guerras, só poderia levar à hostilidade recíproca. Além dos motivos políticos, existiram também os filosóficos e sociais: políticos, porque a escalada das aspirações democráticas, na França e no Grande Oriente, inquietavam o conservadorismo inglês; filosóficos, porque a tendência racionalista, que prevalecia no G.O. da França, opunha-se ao dogmatismo da G.L. Unida da Inglaterra; e sociais, porque as Lojas do Grande Oriente abriram as suas portas aos homens de todas as condições, enquanto, na Inglaterra, a Maçonaria era transformada num clube aristocrático.

    Em 1921, continuando o Grande Oriente o seu trabalho, era fundada a AMI, Association Maçonnique Intrenationale", oriunda do Bureau d´Information Maçonnique, criado em 1901, na Suiça pelos membro da Grande Loja Alpina. Participaram da criação da AMI, doze Obediências: G.L. de Nova York, G.O. da Bélgica, G.L. de Viena, G.L. da Bulgária, G.L. da Espanha, G.O. da França, G.L. da França, G.O. da Itália, G.O. dos Países Baixos, G.O. de Portugal, G.L. Suisse-Alpina e G.O. da Turquia. Na ocasião, a AMI lançou uma declaração largamente inspirada na Constituição do Grande Oriente de França. Com idéias de grande alcance social, a AMI logo atraiu as atenções do mundo maçônico, a ponto de, em 1923, ela já agrupar 38 Obediências.

    Os Princípios de Regularidade da G.L.da Inglaterra

A Grande Loja-Mãe, todavia, ciosa de seu matriarcado, não tardou a reagir e, por sua pressão direta, ou indireta, a Grande Loja de Nova York e o Grande Oriente dos Países Baixos retiraram, rapidamente, sua adesão. Além disso, a Grande Loja inglesa, em 1929, publicava um documento com seus oito princípios de regularidade, ou seja, com as suas imposições para reconhecer outras Obediências, sob o título "Princípios Fundamentais para o Reconhecimento de Grandes Lojas":

    "1º - Uma Grande Loja deverá ser regularmente fundada por uma Grande Loja devidamente reconhecida, ou por pelo menos três Lojas regularmente constituídas;

     2º - A crença do G.A.D.U.  e em sua vontade revelada são condições essenciais para a admissão de novos membros;

    3º - Todos os iniciados devem prestar sua Obrigação sobre o Livro da Lei Sagrada;

    4º - A Grande Loja e as Lojas, particularmente, serão compostas apenas por homens; também  não poderão manter relações  com Lojas mistas ou femininas;

    5º - A Grande Loja exercerá o seu poder soberano sobre as Lojas de sua jurisdição, possuindo autoridade incontestável sobre os três graus simbólicos, sem qualquer subordinação a um Supremo Conselho;

    6º - As Três Grandes Luzes --- Livro da Lei, Esquadro e Compasso --- serão sempre expostas nos trabalhos da Grande Loja e das Lojas de sua jurisdição; a principal Luz é o Livro da Lei Sagrada;

    7º - As discussões de ordem religiosa e política são interditadas nas Lojas;

    8º - Os Antigos Landmarks, costumes e usos da Maçonaria,serão estritamente observados"

O que se deve lamentar, no caso, é que a mesma G.L. Unida postergue os seus Princípios de Reconhecimento, quando isso lhe interessa, politicamente. Isso já aconteceu, inclusive na França: em 1911, foi fundada a Grande Loja Nacional Francesa --- que se auto-intitulou "independente e regular" --- por apenas duas Lojas, ou seja: a "Le Centre des Amis", de Paris, dissidente do Grande Oriente, e a "L´Anglaise", de Bordeaux. Apesar disso ela foi rapidamente reconhecida pela Grande Loja inglesa, pois lhe convinha ter uma Obediência que rezasse pela sua cartilha, para combater o Grande Oriente. E, pelos padrões ingleses, essa Grande Loja Nacional, embora muito menor do que as outras duas, é a única regular na França, segundo a G.L. Unida da Inglaterra.

    Fidelidade aos antigos usos e costumes da fraternidade

    O Grande Oriente e a Grande Loja da França, porém, doutrinariamente, continuam a manter a fidelidade àqueles antigos usos, relativos ao respeito à liberdade absoluta de consciência. E os usos introduzidos pelo Grande Oriente --- como, por exemplo, Tronco da Viúva e Palavra Semestral (esta, introduzida em 1777) --- são seguidos por quase todas as Obediências. O uso de espadas, por todos os obreiros, em Loja --- embora em desuso, lamentavelmente --- surgiu nos anos que antecederam a revolução, quando, em público, só nobres, ou membros do alto clero (que também eram recrutados no seio da nobreza) portavam espadas, não como arma de ataque e defesa, mas como símbolo de sua alta posição social. A Maçonaria francesa, tendo muitos aristocratas em seus quadros, embora seu maior contingente fosse da burguesia, que faria a revolta, ao implantar o uso de espadas em Loja, pretendia mostrar que ali todos eram iguais, não havendo nobres ou plebeus, ricos ou pobres, ficando, as ainda inevitáveis diferenças sociais e econômicas para lá do limite dos templos.

    Sem dúvida é, o Rito Moderno, hoje, o único fiel ao texto original das Constituições de Anderson (1723), que enfeixavam os antigos usos e costumes da Maçonaria e que se tornaram o instrumento jurídico básico da moderna Maçonaria.

                                                                        José Castellani

http://www.lojasmaconicas.com.br/jc_sinopses/sinopse/sip53.htm

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Uma Litúrgia sem Cristo

Caríssimos,
abaixo segue mais um texto que demonstra na prática a apostasia da Igreja no Brasil. Nele os músicos são orientados a dar primazia a assembléia em detrimento de Cristo, se eles são orientados a isto, os Padres também não recebem idêntica orientação?

Lamentável... a CNBB ensina a todos como não ter fé pelo própio mau exemplo dos Bispos que não a defendem. Coforme se lê em outra instrução, a Missa não é mais a repetição do sacrificío do calvário, é apenas um ato simbólico:

"Nossas celebrações são acontecimentos simbólicos".

"Nossas celebrações são Memorial e Mistério. Recordando, em palavras e gestos, os fatos
salvíficos do passado, a assembléia celebrante goza da certeza de que o Deus de ontem, o Deus de hoje e de sempre, aí está presente." A natureza sacramental da música litúrgica http://www.cnbb.org.br/ns/modules/mastop_publish/files/files_48d24f20640a7.pdf

A CNBB engana os católicos, os pobres e toda sociedade ao rejeitar sua própia identidade. Estamos diante de algo completamente diferente do Evangelho de Cristo pregado pelos apóstolos, para ser bem claro, diante de um anátema. Nosso Senhor Jesus Cristo fez opção preferencial pelos pecadores, não pelos pobres, a finalidade era uma ascenção espiritual e não social. Todos os Apóstolos de bom grado se desligaram das sociedades para se integrarem e integrar as pessoas na cidade de DEUS.

Na Idade Média os efeitos desta opção, foi a conversão de centenas de nobres que venderam todos os seus bens partilhando-os com os pobres e a Igreja. Hoje faz a CNBB faz exatamente o contrário e não produz os mesmos resultados nos áureos tempos do cristianismo. Nosso Senhor não aboliu a lei, mas a CNBB em seu apoio ao MST, demonstra que "não cobiçar os bens do teu próximo", não é mais algo válido. Deve ter evoluído para a inexistência de propriedade privada... caíram em todas as tentações que nosso Senhor venceu e não existe sequer um Bispo fiel que faça oposição a apostasia que infelizmente contemplamos.

Ainda temos uma analogia bem interessante a do grito dos excluídos. Pressupõe-se que na rejeição a exclusão eles também não aceitem a pena do inferno. Logo, pode se dizer que a revolução de satanás é também um "grito dos excluídos.' Justamente por isso não se prega mais a doutrina da Igreja, não se combatem doutrinas heréticas como a teologia da libertação e afasta-se os dogmas, como o da transubstanciação substituído pelo simbolismo, o ato sacrifical substituído pelo memorial e o altar pela mesa eucaristica.* Tudo que foi excluído ao longo dos séculos, foi incluído pela CNBB ao longo de poucas décadas para agradar os homens, ou seja, as heresias que são pregadas, não a sã doutrina.

Os Bispos pela sua amizade e serviço ao mundo, testemunham inimizade para com DEUS, não acreditam naquilo que pregam, negam o oficío epsicopal por não combaterem os erros e vivem em função do povo, não de Cristo. A entidade CNBB, é pior que todas as entidades heréticas que surgiram no seio da Igreja, ela é a síntese de todas as heresias. Todo católico no Brasil deveria afastar-se disto para não participarem da apostasia e cisma infudidos por esta entidade no meio católico.

Não a morte pior para a alma que a liberdade do erro, dizia Santo Agostinho. Aqui no Brasil tudo é licíto, porque tudo convém aos ideários "ocultistas" da CNBB. Em matéria religiosa, ela nada tem a dizer aos que tem fé. É como disse o Pe Paulo, "a Igreja no Brasil sofre de AIDS espiritual" e isto tem começo na adoção da Teologia da Libertação. Lamentável...





A PRIMAZIA DA ASSEMBLÉIA
http://www.cnbb.org.br/ns/modules/mastop_publish/files/files_48d24f3c1dc0a.pdf

Aos recém-batizados das comunidades primitivas, o Apóstolo Pedro escrevia: “...vocês também, como pedras vivas vão entrando na construção do templo espiritual, e formando umsacerdócio santo, destinado a oferecer sacrifícios espirituais que Deus aceita por meio de Jesus Cristo... Vocês são raça eleita, sacerdócio régio, nação santa, povo adquirido por Deus, para proclamar as obras maravilhosas daquele que chamou vocês das trevas para a sua luz maravilhosa” (1 Pd 2,5.9).

Reunidos em nome de Jesus, os fiéis gozam da certeza maior de sua presença (Mt 18,20) e dele recebem o mandato de repetir seus gestos e palavras em sua memória (1 Co 11,23-25), dando graças ao Pai, de quem procede qualquer dom precioso e qualquer dádiva perfeita (Tg 1,17);

Esta assembléia sacerdotal, manifestação privilegiada do Corpo de Cristo (Rm 12,3-13; 1 Co 12,12-13), deve ser a referência mais importante dos autores, compositores e demais agentes litúrgico-musicais.

Foram estas convicções elementares que levaram a renovação da música litúrgica católica a compreender e a insistir no primado da assembléia!

. “Servir à assembléia é a base de toda liturgia verdadeiramente pastoral. Servir não quer dizer que se satisfaçam não importa quaisquer desejos manifestados na comunidade. Trata-se de introduzi-la sempre mais, pela fé, no mistério de Jesus Cristo. Mas como fazê-lo sem conhecer a comunidade, sem levá-la em conta, para que ela, toda ela, se ponha em marcha?”
“Levar em consideração a assembléia celebrante, com suas possibilidades, sua riqueza e seus limites, é a primeira preocupação de uma liturgia verdadeiramente pastoral. É o caminho mais seguro para se chegar a uma celebração cheia de vida, significativa e personalizada, sobretudo quando se trata de música e canto”
( GELINEAU, Canto e Música no culto cristão. Cfr. também SC 27).

E este primado da assembléia se torna, assim um princípio fecundo e rico de múltiplas conseqüências ou implicações para a música na liturgia:

Servir à assembléia, não a indivíduos ou tendências

A assembléia litúrgica não é apenas a soma dos indivíduos que a compõem. Ela é a Igreja inteira a se manifestar naqueles que estão reunidos aqui e agora. Aí está o Cristo presente e agindo. Claro que se trata de pessoas, mas em comunhão, e não, uma ao lado da outra. O que se quer é servir a essa comunhão entre as pessoas. E essa compreensão mística determina a prática do agente litúrgico-musical:

Não tem sentido, por exemplo, escolher os cantos de uma celebração em função de alguns, que se apegam a um repertório tradicional, ou ainda de outros que cantam somente as músicas próprias de seu grupo ou movimento, nem de outros que querem cantar exclusivamente cantos ligados à realidade sócio-política, se isto vai provocar rejeição de parte da assembléia.

Pois todos têm o direito de compreender e participar, com gosto, sobretudo os mais desprovidos.

É preciso que se pense em todos, e em cada um na comunhão com os demais;
Não é coisa fácil conhecer as necessidades verdadeiras, as capacidades reais e os gostos especiais de uma assembléia. O pior que pode acontecer é achar que tudo se resolve entre quem preside e o regente ou animador do canto. E o melhor será uma prática comunitária e democrática, onde as pessoas recebem as informações e a formação necessárias em matéria de liturgia e música, trocam seus pontos de vista, e com critérios e bom senso fazem seu discernimento, avaliam permanentemente sua prática e vão encontrando a feição musical e litúrgica da assembléia. E é bom estar atento para o fato de que nem sempre o que se pensa e o que se diz, coincide com o que se sente e se vive. Nossa escuta tem que ser mais profunda do que simplesmente perguntar às pessoas o que elas acham, sobretudo porque há toda uma massa de silenciosos.

2
Integrar a todos

Celebrar com uma assembléia homogênea não é algo que aconteçe sempre, nem parece ser o mais significativo. É bem mais fácil escolher cantos, música ou coreografia com ou para uma comunidade monástica, um grupo de jovens, um encontro da Pastoral Operária ou um retiro de catequistas... Mas não é esse tipo de celebração o que melhor revela a feição católica, isto é, universal, da Igreja, onde ninguém é mais do que ninguém, onde todos cabem e são acolhidos com suas diferenças, seus valores e seus dons, para formarem o único Corpo de Cristo.

Normalmente, nossas assembléias litúrgicas são heterogêneas, misturadas. Aí estão, não apenas indivíduos diferentes, mas segmentos ou grupos diferentes de pessoas, que têm algo de comum entre si e formam minorias específicas dentro da grande assembléia:

• numa assembléia em ambiente urbano de centro: gente de classe média, gente da periferia, gente de etnia, cultura, idade e sexo diferentes...
• numa Comunidade de Base da periferia urbana ou de meio rural: crianças da catequese, adolescentes que se preparam para a Confirmação, grupos diversos (de jovens, de casais, da pastoral dos enfermos, de idosos, etc).

Sob o pretexto de não se fazer acepção de pessoas, não se pode ignorar essas diferenças de ordem sócio-psicológica. Optar por uma neutralidade indiferente a tudo isso, com o propósito de atender a todos por igual, correria o risco de não atingir a ninguém. Pelo contrário, seria melhor empenhar-se em ir ao encontro de cada situação, tornando-se “servo de todos , a fim de ganhar o maior número possível” (1 Co 9,19):

⇒ Imaginemos uma assembléia de adultos, na qual há uma presença importante de adolescentes, a quem os cantos litúrgicos do gosto de seus pais, parecem “cafonas” e
enfadonhos... Sem privar os mais velhos de seus cantos tradicionais, por que não introduzir, em momentos estratégicos da celebração, cantos litúrgicos de um outro estilo, com os quais os mais jovens se identifiquem e através dos quais se expressem mais a gosto? Em momentos assim, eles vão entrar de cheio e toda a celebração, de repente, vai tomar um outro aspecto para eles e, quem sabe, vai mudar o clima geral da mesma para todos.
⇒ Imaginemos uma igreja freqüentada pela classe média, freqüentada também por gente de um bairro pobre vizinho, mas onde comparece um grupo de pessoas de cultura erudita em matéria de música... Seria oportuno incluir na celebração, sem prejuízo do canto da assembléia, algum momento especial, onde um coral, um órgão ou outros instrumentos poderão proporcionar um instante de poesia e contemplação, e uma oportunidade de enlevo espiritual para todos os demais.

⇒ Imaginemos ainda uma comunidade eclesial de base na periferia da cidade, ou mesmo alguma igreja de centro, onde sempre costuma haver uma presença significativa de negros ou mestiços: seria bom inserir em toda celebração alguns cantos, alguma música, alguma coreografia do recente, mas já rico e significativo repertório afro-brasileiro.

Ao garantir-se que as riquezas de cada um, de cada grupo ou minoria sejam colocadas à serviço de todos, leva-se a sério a assembléia concreta e real. Todo mundo vai se sentir levado em conta, pelo menos num ou noutro momento com o qual se identifica mais. Cada um vai se acostumando a reconhecer na assembléia a presença dos demais, a respeitar as diferenças e prestigiar os valores de cada grupo ou expressão cultural.
Uma outra possibilidade seria, por exemplo, confiar cada celebração à animação de algum grupo especial:

• às crianças com seus/suas catequistas ou acompanhantes;
• Aos adolescentes, que se preparam para a Confirmação ou participam de grupos, com
seus/suas catequistas ou acompanhantes;
3
• Aos jovens que participam de grupos na comunidade;
• Aos adultos, dos Grupos da Comunidade;
• Ou a algum grupo ligado a uma pastoral ou movimento. Em todo caso, não faz sentido a celebração dominical a cargo de um determinado grupo: enfraquece a dimensão comunitária na vida do grupo e empobrece a vida da comunidade.

Em princípio, a celebração será sempre de toda a comunidade. Isto porém, não exclui a oportunidade de, cada vez, um grupo se manifestar com seu jeito, suas riquezas, seus valores e se fazer acolher pelos demais. Ao longo da caminhada, todos vão se sentindo contemplados e valorizados. Todo mundo vai aprendendo a respeitar e valorizar todo mundo. Nada mais católico, nada mais parecido com a experiência da comunidade cristã primitiva, onde “todos os que abraçaram a fé eram unidos e colocavam em comum todas as coisas... Louvavam a Deus e eram estimados por todo o povo” (At 2,44.47).

Contar com os agentes disponíveis
Uma assembléia litúrgica supõe necessariamente tarefas e papéis formais, a serem desempenhados por agentes previstos de antemão e preparados devidamente para tais papéis ou tarefas. Deles é que vai depender o desenrolar harmonioso da celebração. E isso é particularmente evidente quando se trata de canto, música, dança ou coreografia. É do animador do canto, do coral, dos instrumentistas, do grupo de dança, da capacidade vocal e musical dos que presidem ou coordenam a celebração, que depende todo o desempenho musical de uma assembléia. Tem que se levar em conta as possibilidades concretas de cada assembléia, de cada comunidade e seus agentes ou ministros.
Ter em vista a experiência de fé
A função própria do rito é ser sinal da fé. A celebração cristã da vida é essencialmente uma celebração da fé. Para que um rito cantado funcione como tal, não basta que a obra seja executável, que todo mundo cante, que a música seja bonita. É preciso, sobretudo, que o canto, a música, propicie uma experiência de Jesus Cristo, presente e atuante no meio dos seus, que sua Palavra seja anunciada e acolhida, que se realize uma comunhão no seu Espírito.

A questão principal e decisiva será sempre: que significa para esta assembléia o fato de se cantar tal canto, e de cantá-lo desta maneira? Questão particularmente difícil de ser respondida, cuja resposta sempre nos escapará em parte. Mas de todo imprescindível, pois dela depende o sentido mesmo do que fazemos, ao nos reunirmos em assembléia para celebrar nossa vida à luz da fé. Não basta contentar-se com uma bela cerimônia, com haver executado belas músicas, com haver realizado um encontro agradável. Trata-se mais de haver acolhido em profundidade a Palavra que liberta e transforma, que faz morrer e reviver, que nos abre para o Outro e para os outros, segundo o espírito das Bem-Aventuranças!

Tocar, cantar e dançar muita ou pouca música... escolher entre este ou aquele repertório... não vale igualmente para todo tipo de assembléia. O critério decisivo não será jamais a própria música, mas a assembléia que se reúne para cantar, tocar e dançar, ao celebrar sua fé.

.O canto litúrgico enraizado na assembléia
Nada mais sem graça e enfadonho do que uma celebração-robô, um “enlatado” litúrgico, sem o rosto da comunidade que celebra, sem raiz nos acontecimentos que marcam a sua vida, sem atualidade, fora do tempo e do espaço. Ao pretender agradar a todos, termina sendo de ninguém. Pelo contrário, onde se tem experiência de uma celebração significativa e interessante, há sempre por trás uma equipe de celebração, capaz de encontrar, com a assembléia por ela animada, o seu próprio estilo. Mas para chegar-se a este ponto não basta a personalidade de quem preside, a qualidade do coral, a competência dos instrumentistas, a riqueza de um repertório ou a escolha acertada dos cantos... É preciso que haja uma certa coerência entre as pessoas e as ações; um ajustamento percebível entre a arquitetura e o jeito de celebrar, entre as mensagens e a música, entre a cultura e a fé dos participantes. É preciso, sobretudo, uma profunda harmonia entre aquele que preside, os demais ministros, o (a) regente ou animador(a) do canto, o coral, os instrumentistas e o povo.

É justamente por isso que as assembléias que se exprimem com cantos criados dentro delas e para elas - para um tal público, tais intérpretes, tais instrumentos, tal espaço, tal
arrumação - parecem muito mais autênticas e cheias de vida. E não é por nada que das composições recentes, as melhores, são quase sempre as que surgem de uma assembléia particular ou de uma circunstância especial. Elas se enraízam num tempo ou num espaço determinados... elas têm húmus. A tradição do “Cantor”, que compõe para as celebrações de sua comunidade, é ,sem dúvida, a hipótese mais interessante. Da mesma forma, o instrumentista, capaz de improvisar em certos momentos de uma determinada celebração... ou o salmista, encontrando, em determinada circunstância, o jeito melhor de salmodiar ou cantilar.

Se essa for, então, a nossa compreensão do afazer litúrgico, consequentemente teremos que admitir como positiva e desejável a mais ampla e rica diversidade em matéria de desempenho musical de nossas assembléias. É necessário e suficiente garantir os elementos essenciais da celebração cristã e alguns cantos comuns, especialmente no âmbito de uma mesma região cultural, de modo a permitir que os que aí chegam de passagem, consigam se situar na celebração local. Nada a temer, nada a perder, se cada assembléia tem sua personalidade musical, como cada pessoa tem seu rosto, seu semblante, desde que se possa reconhecer sob traços tão diferentes, o único semblante da Esposa de Cristo, a sua Igreja.

• O primado da Assembléia, com todas estas implicações, questionam sob algum aspecto sua prática como autor, compositor ou agente litúrgico-musical?
• Ao prestar o seu serviço musical, sua preocupação maior é servir ao conjunto, levando em conta os gostos e o jeito de ser de cada uma das das minorias aí presentes?
• Você utiliza toda a riqueza de seus talentos, tendo bem presente as reais possibilidades da Assembléia para quem você compõe ou presta algum outro tipo de serviço litúrgicomusical?
• Você se preocupa em aprofundar sua experiência de fé, de tal maneira que sua arte e seu serviço musical, ao brotarem de uma tal experiência, possa alimentar a fé de sua comunidade?
• Você é dos que se alegram com a variedade da vida, ou parte para uma uniformidade, que empobrece e sufoca?
• Ficou clara para você a resposta à pergunta “Quem canta, toca e dança na celebração litúrgica?”
(Extraído do Doc. 7 - CNBB : PASTORAL DA MÚSICA LITÚRGICA NO BRASIL. Texto de estudo)

domingo, 12 de outubro de 2008

O catolicismo social no século XIX


Parece-me necessário completar nossa constelação de sinais com outro aspecto da luta da Igreja, que também tem sido objeto da mais divulgada das calúnias. Refiro-me à "questão social" e ao papel que o povo de Deus (agora os membros da Igreja) tiveram na tentativa de defender, contra a avidez de toda uma nova civilização, a causa dos pobres, e principalmente na tentativa de subtrair esse pretexto aos socialistas que, movidos por paixão de poder ou por avidez do vazio, quiseram fazer das chagas dos pobres degraus de sua dominação do mundo. Sem esquecer as condenações vindas do Magistério Extraordinário, é com apoio nas obras dos leigos que a Igreja combate o socialismo com seu magistério ordinário. Referime atrás aos movimentos em favor dos pobres no século passado, e agora creio estar ouvindo um clamor de vozes indignadas de nosso bravo século:

— Assistencialismo! Paternalismo! Obras de misericórdia! Caridade!
Respondeo dicendum:

—• Exatameate, minhas senhoras e meus senhores: assístencialismo, paternalismo, obras de misericórdia e de caridade, mesmo porque acho matematicamente impossível, fisicamente impossível, metafisicamente impossível e moralmente impossível melhorar um pouco as asperezas do mundo sem muito assistencialismo, muito
paternalismo, muitas obras de misericórdia e muitíssimas obras de santa caridade. Os socialistas apregoam que só será possível construir um mundo melhor com mudanças radicais de "estruturas" sociais, a começar, todavia, por um arrasamento total. Nós outros, católicos, acreditamos modestamente no "mundo melhor"; mas só
acreditamos nesse digno e preceptivo ideal a partir de um aperfeiçoamento interior do homem, isto é, a partir do melhor aproveitamento dos dons de Deus transformados em virtudes morais e teologais, para uma vida humana mais dignamente vivida com vistas à vida eterna, pela qual e por nós Nosso Senhor Jesus Cristo padeceu.
Não ignoramos que o problema do aperfeiçoamento humano, tanto na ordem de pedagogia como na das reformas sociais, deve sempre contar com a primordial autonomia do educando ou dos pobres. Sabemos que a "atividade imanente do educando" é o principal fator no dinamismo da ascensão humana. Sabemos que o melhor modo de ajudar o pobre é o de nele ativar essa atividade, ou de nele despertar o gosto de se ajudar a si mesmo, sem o qual será dificílimo ajudá-lo. Há um abismo entre essas noções e a filosofia que só vê possibilidade de ascensão humana pelo processo de "conscientização" em que a autonomia é despertada para o ódio e para a luta de classes.
Karl Marx, o messias do Século do Nada, conclamou a união de todos os proletários para a luta de classes no seu manifesto de 1848 que terminava com este grito: "Operários do mundo inteiro, uni-vos!"
Seria mais didático ter dito: "Operários do mundo inteiro, desunivos da humanidade comum". E é ainda Augustin Cochin, no termo da Introdução da obra atrás citada, quem nos dirá uma palavra lúcida sobre a união na revolução:

As três formas de opressão que correspondem aos três estados das "sociétés de pensée" — a socialização do pensamento, a socialização da vida pública e a socialização da vida privada — não são um efeito do temperamento do indivíduo nem um acaso, mas a condição da própria existência das sociedades que armam o princípio da liberdade absoluta na ordem intelectual, moral e sensível.

Toda sociedade de pensamento é opressão intelectual pelo simples fato de denunciar todo dogma como opressão. Porque ela não pode, sem_ cessar de ser, renunciar a toda unidade de opinião. Ora, uma disciplina intelectual sem objeto que lhe responde, sem ideia, é a própria definição de opressão intelectual. Toda sociedade de iguais é privilégio pelo simples fato de renunciar em princípio a qualquer direção pessoal, porque ela não pode existir sem unidade de direção. Ora, uma direção sem responsabilidade, o poder sem autoridade, isto é, a obediência sem o respeito, eis a própria definição da opressão moral.

Toda sociedade de irmãos é luta e ódio pelo fato de denunciar, como egoísta, qualquer independência pessoal: porque ela não pode deixar de ligar seus membros uns aos outros, e não pode deixar de manter uma coesão social. Ora, a união sem o amor é a própria definição de ódio.

E aí está como o liberalismo se transmuda em socialismo, e a mística da liberdade produz, como produziu, a opressão.
O "catolicismo social" só se manterá católico enquanto mantiver, paralelo ao seu atendimento dos pobres, uma vigilante luta contra os que exploram os pobres em nome da justiça, e portanto contra os pregadores da união no ódio.
O Século do Nada, Cap. III A revolução se avoluma; O Catolicismo social no Século XIX, pag 145-146, Gustavo Corção.

sábado, 16 de agosto de 2008

Liberalismo e comunismo – rebentos da mesma raiz (I)

Carlos Nougué

O liberalismo e o comunismo brotam de um mesmo non serviam, de uma mesma revolta contra Deus, e ambos carecem de uma correta compreensão do que é o homem, seus produtos e seus fins. Mostremo-lo ao longo da série de breves artigos que começa aqui.
I) O homem
O homem, em meio embora à grande complexidade de tendências a que está submetido, mantém una inequívoca e rigorosa unidade hierárquica.Antes de tudo, tem ele um corpo, e dão-se nesse corpo operações físico-químicas que ele tem em comum com todos os outros entes visíveis, animados como inanimados. Mas também há no homem:
1) operações, como as de assimilação e crescimento, de caráter vegetativo, as quais ele tem em comum com as plantas;
2) operações, como o ver, o ouvir etc., de caráter sensitivo ou sensível, as quais, de certa forma, ele tem em comum com os animais;
3) e, por fim, as operações que lhe são próprias e distintivas no mundo visível, o inteligir e o querer, as quais, porém, mutatis mutandis, ele tem em comum com as substâncias espirituais a que chamamos anjos (e com Deus mesmo).
É o homem, portanto, um microcosmo, um epítome da criação, e por isso, pelo fato de que in homine quodam modo sunt omina (“no homem, de certo modo, se encontram todas as coisas”), dizia Santo Tomás de Aquino que merece ele nossa especial atenção (Suma Teológica, I, q. 96, a. 2, corpus)
E, apesar da complexidade de suas tendências e operações naturais, é o homem uma perfeita unidade (ao contrário do que sempre disseram, por um lado, as correntes de pensamento ultra-espiritualistas, como o platonismo, os diversos neoplatonismos e o cartesianismo, e, por outro lado, as correntes materialistas, como o marxismo e o darwinismo).
1) Ele é uno com unidade de natureza, ainda que sua natureza seja composta de dois princípios aparentemente tão incompatíveis, o corpo e a alma.
2) Ele também é uno com unidade de “pessoa”, porque todos os seus atos se atribuem a um mesmo “eu”, que se mantém idêntico a si mesmo ao longo das múltiplas mudanças e alterações da vida.
3) E ele é uno com unidade de orientação e de fim, porque tudo o que faz se destina a uma única e suma meta, a verdade e o bem plenos (e não aceitar isso é incorrer, ipso facto, de alguma maneira, no desespero niilista, que é propriamente o suicídio da vida espiritual).
Mas essa tão complexa unidade da criatura espiritual que é o homem (espiritual porque sua natureza dupla tem por princípio constitutivo e formal [ou atual] a alma espiritual) se torna ainda mais complexa porque o homem, conquanto se destine à verdade e ao bem plenos, vem ao mundo — como dizia o Padre Julio Meinvielle em De Lamennais a Maritain — em estado de “maior indigência. Ele é feito, sim, para toda a Verdade e Bem e a eles tende com toda a força de seu ser, mas vem ao mundo em total privação de toda Verdade e de todo Bem. Numa árdua e progressiva conquista, deve primeiro adquirir perfeições puramente materiais, para por meio delas alcançar as de sua vida afetiva e sensitiva, e depois, através destas, também as da vida intelectiva, e por fim culminar [...] na plena contemplação da Verdade”.
II) O homem e a pólis
Ora, é precisamente por tal indigência, por nascer como uma tabula rasa, que o homem é um “animal político”: ele depende não só da família, mas, a princípio, da pólis, da cidade, da sociedade, da civilização (chame-se como se queira), para viver e para atingir seus fins. Portanto, justamente pelo fato de ser composta de entes que, por um lado, nascem tão indigentes, tão absolutamente carentes de toda e qualquer perfeição, mas, por outro, anseiam a plena felicidade que é a posse da verdade e do bem supremos, é que a pólis ou civilização deve não só reunir em si toda a complexa variedade de bens naturais apetecidos pelo homem, ordenados naquela mesma unidade hierárquica segundo a qual ele os apetece, mas também propiciar condições para a consecução de seus bens e fins “transpolíticos”, como propriamente os chama Jorge Martínez Barrera em A Política em Aristóteles e Santo Tomás.
Daí a importância de assinalar não só quais são esses bens e condições, mas também a medida ou proporção em que devem e podem ser fornecidos pela pólis.
Em tempo: Para fazermos alguma ligação entre o tema da série de artigos que começa aqui e o da série de artigos sobre a arte que venho postando no blog, saiba-se que com a revolução francesa, a parteira de todas as formas de liberalismo, se desata uma arte em que o mundo do infernal se torna como que imanente ao próprio homem. Ele próprio passa a ser demoníaco, e não só na aparência; ele e todo o seu mundo estão entregues às forças diabólicas. Exemplos? Eis dois, concomitantes à mesma revolução: a obra do pintor, escultor e gravurista inglês John Flaxman (amigo do poeta e, também, ilustrador William Blake, que escreveu o terrível "Matrimônio do Céu e do Inferno" e era seguidor do não menos daninho Emmanuel Swedenborg) e a fase “escura” da pintura do espanhol Goya, em que o satanismo é explícito. Retenha-se, porém, que o que antes fora esporádico (com, por exemplo, Hieronymus Bosch ou o Paraíso Perdido de Milton), a partir de agora será uma das tônicas. Voltaremos ao assunto.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Considerações acerca das "Considérations sur la France" de Joseph de Maistre




Paulo Miranda



Se porventura indagarmos quem foi Joseph de Maistre a certos católicos conservadores, ouviremos extenso laudatório. De Maistre teria sido, talvez, um dos maiores católicos ultramontanos, ardoroso inimigo da Revolução Francesa, vibrante defensor da Igreja e do Papado.

Eis o rótulo.

Se, não nos contentando com isso, desejarmos passar ao conteúdo, certamente ficaremos perplexos. A leitura das obras do conde saboiano surpreende pela flagrante incongruência entre seu renome de contra-revolucionário e a diametral oposição de muitas de suas teses aos interesses e à doutrina da Igreja.

Mas não é só. Perplexidade talvez ainda mais aguda nos causará a verificação da ingenuidade daqueles que, encantados pelo brilho do invólucro, aceitam cegamente o que ele reveste. Ainda que desse modo se lhes esteja inoculando o pior dos venenos.

Tal é o pensamento que vem à mente de quem estuda as obras de De Maistre, particularmente Considérations sur la France (1795), sobre a qual Veritas oferece hoje a seus leitores um comentário.

Para tanto, valemo-nos da edição da Librairie Catholique Emmanuel Vite, Lyon, 1924.



A honra ou a vida?

Uma pequena introdução de caráter histórico se impõe.

Em 1795, quando foram publicadas pela primeira vez as Considérations sur la France, o movimento católico chouan, que se rebelara contra a Revolução Francesa, sofria terrível derrota na batalha de Quiberon.

Apesar disso, não estava ainda definitivamente vencido. Dois anos mais tarde, Sotin, o terrível ministro da polícia revolucionária, escreveria: "Mantenhai-vos firmes, sobretudo, para que a chouanerie não reerga a cabeça. Se ela reaparecesse hoje, ela mataria a República" (G. de Cadoudal, Georges de Cadoudal et la Chouannerie, Éditions Saint Michel, 1971, pág. 181).

O que faltou para que o pujante movimento contra-revolucionário camponês obtivesse vitória? Não há dúvida de que a história poderia ter tomado rumo diverso se ele tivesse recebido apoio decidido da nobreza francesa, e se não tivesse sido traído por certos elementos do Clero.

No ano de 1797, Georges de Cadoudal, o último dos grandes líderes chouans, viajou à Inglaterra na tentativa de convencer o Conde d’Artois, irmão de Luís XVI, a retornar à França e comandar pessoalmente, com grandes chances de sucesso, uma ofensiva contra-revolucionária.

A gestão de Cadoudal redundaria em total fracasso. Era mais cômodo, para a nobreza, continuar a gozar dos confortos oferecidos pelo exílio e deixar a França à própria sorte.

Indagado por um nobre se ele poderia garantir a vida do Conde d’Artois caso este aceitasse sua proposta, o general chouan foi sincero: "A vida não, mas a honra".

De fato, tal era a opção que se apresentava aos nobres. Cabia arriscar suas vidas lutando pelo restabelecimento da monarquia, ou nada fazer, sacrificando sua honra.

Poucos seguiram o primeiro caminho. Alguns, pelo contrário, chegaram a aderir aos princípios da Revolução que lhes confiscara os bens e forçara o exílio ou condenara à morte: "Eu te asseguro que já sou quase democrata, e estou farta até as orelhas de reis e de imperadores", não temia escrever a princesa Louise de Condé a seu pai (Ghislain de Diesbach, Histoire de l’Émigration, B. Grasset, Paris, 1975, pág. 25).

A maioria dos nobres permaneceu inativa. "Coisa estranha", observa Louis Madelin, "os que se mostravam menos perturbados eram aqueles que, aparentemente, a Revolução atingia com mais crueldade: os nobres. Havia nessas amáveis pessoas um fundo de despreocupação (...). O que mais surpreende, é o fatalismo sereno com o qual as próprias vítimas aceitavam ser aprisionadas" (Louis Madelin, La Révolution, Hachette, Paris, 1933, págs. 114/115).

Contudo, a consciência provavelmente pesava a muitos. Afinal, saber que pobres camponeses davam suas vidas pela causa da Igreja e do Trono, e, diante disso, cruzar os braços, não era atitude que se pudesse suportar por muito tempo. A Revolução corria o risco, portanto, de que tais nobres, despertos de seu torpor, se dispusessem a lutar.

Portanto, a República tinha dois inimigos a combater: os chouans e a consciência dos nobres.

Quanto aos primeiros, era preciso "metralhar sem escrúpulo, prender à primeira suspeita concebida e fazê-los desaparecer", como recomendava Sotin a seus comandados.

Em relação aos nobres emigrados, o método podia ser mais suave. Bastava encontrar uma fórmula que lhes apaziguasse as consciências, mantendo-os na doce inatividade. Encontrar uma saída pretensamente católica que os fizesse crer na legitimidade de seu ócio. Que lhes permitisse, enfim, conciliar vida e honra.

Dos chouans daria conta o exército revolucionário. A segunda tarefa, mais sutil e talvez ainda mais nefasta, seria em grande parte cumprida por um insuspeito contra-revolucionário: o conde Joseph de Maistre.



A "Divindade" conduz a revolução satânica

"Há na revolução francesa um caráter satânico que a distingue de tudo o que já foi visto e talvez de tudo o que se verá" (Cons., pág. 55).

A frase tornou-se célebre, e bastou para consagrar as Considérations sur la France como obra contra-revolucionária.

Se a revolução francesa era satânica, qual a atitude normal do católico diante dela? O combate, naturalmente.

Engano. A lógica de De Maistre não condiz com a lógica comum. Segundo ele, combater a revolução era contrariar os planos da Providência, conforme veremos adiante.

Para o conde, havia na revolução "uma força avassaladora que faz curvarem todos os obstáculos"; ela "conduz os homens, mais do que os homens a conduzem" (Cons., pág. 4).

Eis como ele desenvolve sua tese: "Os próprios celerados que pareciam conduzir a revolução dela tomaram parte apenas como simples instrumentos". Robespierre, Collot ou Barrère "não pensaram em estabelecer o governo revolucionário e o regime do terror; eles foram conduzidos a isso insensivelmente pelas circunstâncias, e jamais se tornará a ver algo semelhante" (Cons., pág. 5). Tudo deu certo para eles, "porque eles eram apenas os instrumentos de uma força que conhecia mais do que eles" (Cons., pág. 6).

Mas o que seria essa "força avassaladora", da qual os líderes da revolução eram simples instrumentos? Certamente - pensará o leitor - a força satânica a que se refere De Maistre.

Novo engano. "Diz-se muito bem, quando se afirma que ela (a revolução) caminha sozinha: essa frase significa que jamais a Divindade se mostrou de uma maneira tão clara em nenhum acontecimento humano. Se ela emprega os instrumentos mais vis, é porque ela pune para regenerar" (Cons., pág. 7 - grifo nosso).

Portanto é essa "Divindade" que conduz essa revolução de caráter satânico, empregando instrumentos vis - os próceres revolucionários.

Esse é apenas o primeiro de uma série de paradoxos que infestam a obra.



O jacobinismo, "único meio de salvar a França"

Se a revolução era o meio de atuação da "Divindade", combatê-la seria contrariar o próprio Deus. Tal é a conclusão que se impõe, e De Maistre não hesita em confirmá-la: foi a Providência quem impediu o triunfo das forças contra-revolucionárias, cuja vitória teria conseqüências funestas.

Com ele a palavra:

"Se apenas a força tivesse operado aquilo que se chama a contra-revolução e recolocado o rei sobre o trono, não teria havido meio de fazer justiça" (Cons., pág. 13).

Para argumentar, o autor arquiteta uma hipótese:

"Transportemo-nos à época mais terrível da revolução; suponhamos que, sob o governo do comitê infernal, o exército, por uma súbita metamorfose, se tornasse de repente realista; suponhamos que ele convocasse suas assembléias primárias e que nomeasse livremente os homens mais esclarecidos e estimáveis para lhe traçar a rota a ser seguida nessa situação difícil; suponhamos, enfim, que um desses eleitos do exército se erguesse e dissesse: ‘Bravos e fiéis guerreiros, há circunstâncias em que toda a sabedoria humana se reduz a escolher entre diferentes males. É duro, sem dúvida, combater em favor do comitê de salvação pública, mas haveria algo ainda mais fatal: seria voltar nossas armas contra ele. No instante em que o exército se imiscuir na política, o Estado será dissolvido, e os inimigos da França, aproveitando esse momento de dissolução, a penetrarão e dividirão. Não é para o momento atual que nós devemos agir, mas para a continuação dos tempos: trata-se sobretudo de manter a integridade da França, e nós somente podemos fazê-lo combatendo em favor do governo, qualquer que seja ele" (Cons., págs. 16 e 17).

Como - perguntamos - deveria ser recebida tal proposta pelos católicos contra-revolucionários? Poderiam tais sofismas encontrar guarida? Afinal, já não estava dividida a França pela revolução, se não em seu território, em seu povo e em sua Fé? Poderiam os católicos, a pretexto de manter aquela artificial integridade territorial, juntar suas forças às do governo assassino, que derrubara Igreja e trono, inundando de sangue o solo francês?

Não. Sem dúvida, o autor de tal discurso seria repelido pelos católicos não acovardados como vil traidor.

Não é o que pensava De Maistre: "Esse homem", diz ele, "teria falado como grande filósofo" (Cons., pág. 17). E ele continua: "Se pensarmos bem, veremos que, uma vez estabelecido o movimento revolucionário, a França e a monarquia somente poderiam ser salvas pelo jacobinismo" (Cons., pág. 17). O poder revolucionário, em sua visão, "era ao mesmo tempo um castigo terrível para os franceses e o único meio de salvar a França" (Cons.,pág. 18).

A História, como já era previsível, negou-lhe razão. Tragicamente.

De Maistre, a pretexto de patriotismo, não poupa os contra-revolucionários:

"O que pediam os realistas, quando pediam uma contra-revolução tal como eles a imaginavam, quer dizer, feita bruscamente e pela força? Eles pediam a conquista da França, e portanto sua divisão, o aniquilamento de sua influência e o aviltamento de seu rei, ou seja, massacres talvez de três séculos, como conseqüência infalível de uma tal ruptura de equilíbrio" (Cons., pág. 18).

Linhas escritas por um falso contra-revolucionário, não apenas contra nobres, mas também contra camponeses católicos que, nada possuindo além de sua Fé, tomaram rudes armas para, desordenadamente, defender a Igreja e o Trono. Linhas que, a pretexto de falso patriotismo, apaziguavam consciências de omissos. Linhas assassinas, responsáveis pelo massacre de milhares de católicos franceses.



Bons frutos da má árvore

O otimismo de De Maistre não conhece limites. Profeticamente, o conde vislumbra resultados maravilhosos da revolução satânica. Para demonstrá-las, ele não hesita lançar mão de paradoxos, por mais irrazoáveis que sejam.

Aliás, ele não deixa de advertir quanto a isso: "Povo francês, não escute os raciocinadores; raciocina-se demais na França, e o raciocínio está banindo dela a razão. Entrega-te sem temor e sem reservas ao instinto infalível de tua consciência" (Cons., pág. 111).

Vê-se bem que De Maistre seguia à risca seu próprio conselho, entregando-se a esse estranho "instinto infalível".

Entre os excelentes resultados da revolução, o ultramontano conde vislumbra o ecumenismo:

"Era necessário, provavelmente, que os padres franceses fossem mostrados às nações estrangeiras; eles viveram entre nações protestantes, e essa aproximação diminuiu muito os ódios e preconceitos. A emigração considerável do clero, e particularmente dos bispos franceses, para a Inglaterra, me parece sobretudo uma época notável. Seguramente, ter-se-ão pronunciado palavras de paz! Seguramente, ter-se-ão formado projetos de aproximação durante essa reunião extraordinária! Ainda que não se tenha senão desejado em conjunto, isso já seria muito" (Cons., págs. 22/23).

Comovente, sem dúvida. Com essa demagogia, nosso tradicionalista poderia ser, hoje, presidente do Conselho Mundial das Igrejas.

Mas o ecumenismo é apenas uma das conseqüências benéficas da revolução descobertas por De Maistre:

"Todos os monstros que a revolução concebeu trabalharam apenas, segundo as aparências, em favor da realeza. Através deles, o brilho das vitórias forçou a admiração do universo, e envolveu o nome francês de uma glória da qual os crimes da revolução não puderam despojar inteiramente; por eles, o rei voltará ao trono com todo seu brilho e todo o seu poder, talvez mesmo com um acréscimo de poder" (Cons.,pág. 19).

"Qui habitat in coelis irridebit eos". A história demonstra o ridículo dessas palavras.

Entusiasmado, De Maistre prodigaliza sua estranha lógica:

"Se desejarmos conhecer o resultado provável da revolução francesa, basta examinar em que todas (as facções revolucionárias) desejaram o aviltamento, a própria destruição do cristianismo universal e da monarquia; de onde se deduz que todos os seus esforços redundarão apenas na exaltação do cristianismo e da monarquia" (Cons., pág. 117, o estranho destaque é do original).

Eis a árvore má a produzir bons frutos!



Que fazer? Nada fazer.

Ante tão belas perspectivas, que atitude tomar?

De Maistre responde: "Essa mesma idéia, que tudo se faz em vantagem da monarquia francesa, me convence de que qualquer revolução realista é impossível antes da paz; pois o restabelecimento da realeza deteria subitamente todos os recursos do Estado" ( p. 19). "Entretanto, parece sempre mais vantajoso para a França e para a monarquia que a paz, e uma paz gloriosa para os franceses, se faça pela república" (p.20).

Assim, De Maistre aconselha a nobreza a esperar a "paz gloriosa pela república". Enquanto isso, devia ela, segundo suas palavras, "curvar a cabeça e resignar-se. Um dia ela deverá abraçar de bom grado filhos que ela não carregou em seu seio; esperando, ela não deve mais fazer esforços exteriores; talvez mesmo fosse desejável que jamais a tivessem visto em uma atitude ameaçadora" (p. 151).

Nada mais cômodo.

***

Assim pensava Joseph de Maistre. Surpreende que, passados dois séculos, continue ele a gozar do renome de grande católico contra-revolucionário.

À sua revelia, é preciso reconhecer, pois ele se afirma "estranho a todos os sistemas, a todos os partidos, a todos os ódios, por caráter, por reflexão, por posição" (p. 183).

Essa derradeira mentira talvez seja a maior contida na obra. Pois por detrás da falsa neutralidade de De Maistre, ou de seu falso prestígio de católico contra-revolucionário, existia, sim, um sistema e um partido. E existia, sim, muito ódio.

O mesmo sistema, o mesmo partido e o mesmo ódio que levaram, mais tarde, o mundo a assistir impassível à gradual descristianização dos povos. Que não permitiu houvesse uma forte reação contra-revolucionária entre os católicos, a pretexto de não dividi-los. Que tem auxiliado a caminhada revolucionária até nossos dias, acalentando a inanição e a pusilanimidade de muitos daqueles que deveriam ser seus maiores opositores.



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Para citar este texto:
Paulo Miranda - "Considerações acerca das "Considérations sur la France" de Joseph de Maistre"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas&subsecao=igreja&artigo=consideracoes&lang=bra
Online, 22/07/2008 às 20:02h

domingo, 29 de junho de 2008

Pelos Pobres contra a estreiteza da porta

Genésio Boff é um daqueles que entraram pela porta larga e trilha o caminho espaçoso que conduz à perdição. É o que se constata ao ler o artigo que escreveu recentemente "Pelos pobres contra a estreiteza do método" em resposta a seu irmão, Clodovis Boff. Nosso Senhor Jesus Cristo ensinou que o meio (método) que nos conduz a salvação é estreito. Para ilustrar este ensinamento ele usou a analogia em relação a porta, como se nos Evangelhos:

"Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduzem à perdição e numerosos são os que por aí entram. Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho da vida e raros são os que o encontram." Mt 7, 13-14

Considerando-se as palavras de Nosso Senhor, o artigo de Genésio, refuta o própio Genésio sem muito trabalho para Clodovis. Porque a prevalecência dos pobres sobre o método (porta) demonstra justamente o desvio essencial da teologia da libertação, que é o culto aos pobres ou ao povo (pobrelatria e povolatria) e a ditadura dos pobres ou do povo (pobremonismo ou povomonismo) ocupando assim o lugar de Cristo. Deste modo, para a Teologia da Libertação, a Igreja é uma Hydra, encabeçada pelos pobres.

A razão da adesão a porta larga e o abandono da porta estreita, é bem expressa por Genésio no pensamento de Barth:

"Pelo fato de que Deus se fez homem, o homem se tornou a medida de todas as coisas".

Partindo-se da premissa da igualdade revolucionária, isto quer dizer que pelo fato de Cristo ter se feito homem, o homem se fez Cristo. É bastante óbvio e elementar que considerando-se assim, toda e qualquer palavra humana, torna-se "Evangelho." Genésio eleva o nível da revolução ao Sagrado, o que ele faz é apenas pregar a igualdade entre Cristo e o homem, sendo que o homem se torna Filho de DEUS pela crença em Cristo e não simplesmente porque o verbo se faz carne. O que ele deseja é que se adore o que seria a "Santíssima humanidade", onde todos os seres humanos estariam em condições de igualdade com o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Uma teologia que tem em seus teólogos a medida de todas as coisas, é uma teologia onde a verdade é produto da consciência humana, não fruto de uma revelação. Portanto não é uma teologia do Espírito Santo, mas sim uma teologia do anticristo, uma teologia do mundo, da matéria e da evolução. Trata-se de uma teologia onde a igualdade, a liberdade e a fraternidade são absolutas e a verdade relativa ao homem. Não se trata de uma teologia de salvação, mas de uma teologia de perdição. Partindo-se da premissa Barth, todos estão salvos, por que então necessitarão de salvação?

Ora, se a salvação esta na encarnação e não na crucificação e ressurreição, não existe a necessidade da crença, do batismo e da evangelização. Os Apóstolos pregaram Cristo crucificado, os Tdls o Encarnado ou apenas o Ressucistado, nunca o crucificado. Nesta óptica, a cruz torna-se escandâlo e loucura, não mais para judeus e gentios, mas sim para aqueles que ainda se dizem Cristãos, mas na verdade são pagãos, como disse a bastante tempo um jovem que se chamava Ratzinger. Deste modo, anula-se o sacríficio perfeito e eficaz colocando-se a salvação no inicío da vida humana de Nosso Senhor e não naquilo que ele é e representa, toma-se uma parte para construir-se um novo todo. E o cristianismo por se amoldar a medida de todas as coisas partindo-se do juízo de cada um, torna-se a grande meretriz babilônia. Há consequência disto é o pluralismo católico, que se dá em sínteses, como algumas que podemos contemplar:

Catolicismo e Iluminismo = Concílio Vaticano II
Catolicismo e marxismo = Teologia da Libertação
Catolicismo e protestantismo = Renovação Carismática Católica
Catolicismo e Maçonaria = Cavaleiros de Colombo

O fim da pregação da TL é a prostituição cultual, intelectual e religiosa. Nela não existe fidelidade nenhuma a Jesus Cristo, mas sim ao homem, pois quando se considera que ele é a medida de todas as coisas, ele se torna hoje o que Cristo foi na Idade Média. Para Genésio, nós somos Cristomonistas, mas para nós Genésio é humanomonista, um pregador da ditadura do humanismo, que é a ditadura do nihilismo. Em termos de salvação, Genésio não tem nada a oferecer, por isso não respondeu Joelmir Betting, quando este lhe questionou sobre o papel da Igreja ser o de reformar o homem.

Cristo avisou nos que viriam falsos profetas, em nosso tempo, eles acreditam que a evolução é o Espírito Santo. Se a evolução diz tudo, gostaria que alguém me provasse que Genésio não esta evoluindo, por exemplo, para um Marcião. Para eles isto não é o suficiente, por isso ele diz no artigo:

"O pressuposto é que a graça e o Ressuscitado estão em ação no mundo e seria blasfemar o Espírito Santo admitir que os modernos só pensaram erros e equívocos."

Blasfêmia contra o Espírito Santo, é chamar nosso Senhor de mentiroso, isto deduz-se das própias palavras do Senhor:

"É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós." Jo 14, 7

Ora, se o pressuposto é que a graça e o Senhor estão em ação no mundo (Não na Igreja), isto quer dizer que o mundo o vê e que o conhece. Deduz-se pela afirmação de Genésio e pelas suas palavras não só neste artigo, que para ele o Espírito Santo é a Evolução, como o Pai é o mundo e o Filho é a matéria. Talvez seja por esta razão que ele tenha três árvores com os nomes da Santíssima Trindade. Sabemos pela afirmação de Nosso Senhor, que isto não é verdade, então em quem acreditam os Tdls, em Cristo ou em Genésio?

Enfim, a Teologia da Libertação, é a teologia do roubo, da mentira e da destruição, um reflexo espiritual do que representou materialmente o marxismo nas nações onde foi adotado e ainda é adotado. Há Igreja não é dos pobres, a Igreja é de Cristo e sua opção preferencial não é por classes econômicas, pois ela não adora Mamom, mas Jesus Cristo. A opção preferencial da Igreja Católica, sempre foi e será pela classe espiritual dos pecadores, porque são classes enfermas e necessitam de médico, as classes sãs não. Nosso Senhor Jesus Cristo, nos livre dos falsos profetas e nos guarde de todo mal.