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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Apoio ao Papa Bento XVI

 

Apoio ao Papa Bento XVI

No dia 21 de janeiro de 2009, vossa Santidade decidiu por fim à excomunhão que pesava sobre os bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Por este gesto corajoso, V.S. agiu como Pastor do rebanho que vos foi confiado por Deus. V.S. reconheceu a catolicidade de uma obra da Igreja.

Homens e mulheres engajados na vida de nossas cidades, pais e mães de família ou solteiros, depois de tempos agitados onde a Barca parece invadida pela água por todos os lados, nós desejamos com Vossa Santidade levantar a Igreja de amanhã sobre a Tradição. Este projeto passa necessariamente pela transmissão da Fé às gerações futuras pelo amor à liturgia católica e pela defesa da vida humana.

Por meio desta carta, nós desejamos antes de tudo de expressar-vos nossa viva gratidão. Se este gesto histórico pode vos atrair a desaprovação de alguns setores da imprensa hostil que recorrem a amalgamas, ele suscita em nós uma alegria imensa e nos enche de esperança. Nós rezamos por vossa intenção, seguindo o pedido que VS formulou no início de vosso pontificado: “Rezai por mim, para que eu não fuja, por medo, diante dos lobos”[1]

Nós queremos, pondo nossa assinatura nesta carta, informar-vos de nossa idade e do número de nossos filhos para expressar que convosco, nós queremos construir a Cristandade para as gerações que virão, e que será, nós o esperamos de todo coração, livre de todo complexo e proclamará diante de todo o mundo o Credo.

É, pois num espírito de respeito filial que nós apresentamos nosso apoio e nossas orações quotidianas pelo vosso pontificado para a Igreja de Deus saia favorecida.


[1]  Bento XVI, 24 de abril de 2005

Tract | Formulaire

http://www.soutienabenoitxvi.org/index.php?lang=pt

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

De uma condição prévia à outra

Abbé Régis de Cacqueray-Valménier

Superior do Distrito da França
Fraternidade Sacerdotal São Pio X

NOTA

A Montfort, por amor à Fé e à Santa Igreja Católica Apostólica Romana, por amor à justiça para com Dom Lefebvre e a Dom Mayer, esses dois heróicos defensores da fé e da Missa de sempre, por amor à verdade, publica com alegria esse comunicado do Superior da FSSPX na França, rezando e fazendo votos para que o Papa Bento XVI, tirando a conclusão lógica do Motu Proprio Summorum Pontificum, anule as excomunhões inválida e injustamente lançadas contra Dom Lefebvre e Dom Mayer em 1988, o que permitirá a  vitória da Missa de sempre e o debate franco sobre os erros do Vaticano II.

Publicamos esse Comunicado, pouco nos importanto da oposição e até da hostilidade, que muitos da FSSPX fazem à Montfort, mas pensando apenas no bem e na vitória da Igreja. Tanto mais que nos chegam rumores de fontes romanas que indicariam uma possível suspensáo das excomunhões desse dois Bispos, quando o justo seria a declaração da nulidade das excomunhões de 1988.

Os destaques colocados no texto pela Montfort indicam os pontos em que mais concordamos com as palavras do Padre Cacqueray.

Deus dê, o quanto antes, por meio do Papa Bento XVI, a glória e a justice devidas a Dom Lefebvre e a Dom Mayer por seu heroísmo sem mácula, sem compromissos e sem traições.

São Paulo, 11 de Janeiro de 2009.

Orlando Fedeli

Presidente da Associação Cultural Montfort.


De uma condição prévia a outra

Abbé Régis de Cacqueray-Valménier

“Se se toma o termo “secundário” no sentido em que dissemos e que é o sentido primitivo: o segundo é o que segue... o que resulta do outro.” (Romano Amerio)

“Joana D’Arc tem hoje menos céticos do que ela encontrou em seu tempo.” Jacques Bainville

“Você me mostrou o caminho de Ars, eu lhe mostrarei o caminho do Céu.” São João Maria Vianney, o Cura d’Ars

No início do ano de 2001, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X especificou e levou ao conhecimento da Santa Sé “as três etapas” que lhe parecia necessário respeitar para continuar a trabalhar na resolução da crise doutrinal da Igreja e, por via de conseqüência, unicamente, à regularização canônica de sua própria situação.

A exposição, tornada pública, desta linha estratégica foi acolhida com numerosas críticas desfavoráveis, sobretudo pelo motivo de que o princípio de comunicar a Roma, como primeira etapa, condições prévias a toda discussão com ela, pareceu, senão inadmissível, ao menos totalmente inadequado. Essa pretensão, já considerada exorbitante em si mesma, não dissimulava, além disso, uma vontade inconfessada da Fraternidade de ficar no seu canto e de deixar para as calendas gregas a hora de sua reintegração?

A “estratégia” da Fraternidade

Para a decepção de alguns, e a alegria de outros, o itinerário proposto pela Fraternidade para chegar a “acordos” foi portanto considerado impraticável: como Roma teria podido aceitar que lhe ditassem uma linha de conduta, emitida, ainda por cima, sem qualquer conversação, por essa Fraternidade “excluída da Igreja”? Não teria sido dar a essa última uma importância desmesurada e se colocar a reboque de sua marginalidade, para maior irritação de quase todos?

Note-se, entretanto, que a lenta diplomacia romana nem produziu uma contraproposta no lugar daquela da Fraternidade nem exprimiu – ao menos publicamente – sua concordância ou sua discordância com a idéia de ter que passar sob as forcas caudinas, ou seja,  aceitar as condições humilhantes que lhe tinham sido designadas, diga-se de passagem, não sem alguma audácia ou ingenuidade.  Foi, todavia, o silêncio oficial em que Roma se manteve que contribuiu finalmente, por falta de expressão de uma outra proposição ou da recusa daquela que lhe tinha sido indicada, a tornar pouco a pouco a estratégia da Fraternidade, sozinha no terreno diplomático, mestra desse terreno até hoje, ao ponto de se ter imposto, sem combate, como a referência natural em função da qual todos se habituaram a se situar ou se deslocar, nas relações que se seguiram.

Dado que a apresentação dessas duas condições prévias forma apenas a primeira das três etapas do itinerário sugerido pela Fraternidade, nem o sucesso parcial que ela obteve em resposta a seu primeiro pedido, nem o outro sucesso que proviria da obtenção do segundo, não bastariam portanto, por si sós, para acertar a diferença, de essência puramente doutrinária, que a opõe à “Roma conciliar” e cujo tratamento foi fixado na segunda das três etapas.

Do mesmo modo, as duas condições preliminares ao pretendem de modo algum se substituir ao exame das questões doutrinárias. Tal não é sua função. Em virtude de seu próprio estatuto, elas não têm outra função além de preludiá-lo e de criar um clima propício a seu bom desenvolvimento. Elas foram escolhidas e formuladas para serem apresentadas a um interlocutor ainda por vir, o qual se espera que seja capaz de apreciar o interesse que há em atender esses dois pedidos para o bem de toda a Igreja, mas do qual não se conhece, ao menos no momento em que se está agora, a persistência em seguir e em professar os desvios conciliares.

Quer se trate pois da Missa de São Pio V ou das “excomunhões de 1988”, as condições prévias não têm a pretensão de fazer valer junto da Santa Sé tudo o que a Fraternidade quer obter em tais assuntos. Sobre o primeiro ponto, a Fraternidade, com efeito,  nunca fez mistério de sua vontade de chegar à erradicação pura e simples da missa nova. Quanto à segunda, ela considera que Roma terminará por concluir pela nulidade das “excomunhões de 1988”.

Mas ela tem clara consciência de que não se poderá, logicamente, ser-lhe dada inteira satisfação nesses dois pontos, senão após a conclusão feliz da segunda etapa de sua estratégia. Foi por isso que ela considerou, na escolha das duas condições prévias que colocou e em sua formulação precisa, o que poderia, em um primeiro tempo, ser já obtido de um papa, empenhado ainda em defender o Concílio, mas, paradoxalmente, preocupado em procurar os meios de remediar o estado de ruína da Igreja e as injustiças cometidas. Ora, constatou-se que o Papa Bento XVI apresentava esse perfil.

Apesar desse sábio realismo, as duas condições prévias a toda discussão não deixavam de ser, tanto uma quanto outra, inaceitáveis questionamentos. Que se julgue! Enquanto Paulo VI tinha tido simplesmente a vontade de substituir a antiga missa pela nova, a Fraternidade não pedia nada menos que o reconhecimento do direito dos padres de tê-la sempre celebrado e de continuar a celebrá-la.

Quanto às sagrações de 30 de junho de 1988, elas se encontravam ipso facto sancionadas pela excomunhão prevista no novo Código de Direito Canônico. Ora, a Fraternidade se recusa, no entanto, a pedir o “levantamento das sanções”. Ela procura obter a “retirada do decreto de excomunhão” e não escapa a ninguém que os termos que ela empregou para traduzir seu pedido foram escolhidos de propósito. Ela quer que seja bem manifestada sua convicção da nulidade das sanções e, se Roma se decidir a agir, que ela o faça deixando ao menos a porta aberta à essa hipótese canônica.

Todos os ingredientes pareciam portanto reunidos para que esta estratégia permanecesse letra morta, gelasse ainda mais as relações entre Roma e a Fraternidade e, mais grave, causasse mesmo um prejuízo a uma eventual vontade romana de reconhecer o direito dos padres de celebrar a missa de sempre.

Se essa perspectiva não é inexata, a decisão da promulgação do Motu Proprio de 7 de julho de 2007 parece então como ainda mais surpreendente. Como o Papa teria podido se decidir a atravessar um tão temível Rubicão, se a questão dessa missa não tivesse inicialmente se apresentado a ele como uma questão de consciência, se ele não tivesse percebido um estado de necessidade suficientemente grave para se arriscar em um tal terreno, e se ele não tivesse contado tirar vantagens decisivas de seu Motu Proprio? Teria ele enfrentado o episcopado do mundo inteiro, como fez, por um caso que considerasse secundário? E já que ele se decidiu, uma questão não deixa de estar em todos os lábios: se ele ousou conceder a primeira, atenderá também a segunda das duas condições prévias?

De uma espera à outra

Apenas nós tivemos tempo para nos deixar educar às lentidões romanas por esse jogo de paciência que precedeu o atendimento da primeira condição prévia, nós nos encontramos, com efeito, convidados à espera do segundo! Saberemos nós tirar de nossa primeira prova de resistência o melhor proveito? Viver aquela que começou como convém? De fato, não será simplesmente apenas no ritmo de nossos rosários?

Não só! Se a oração é nada menos que a respiração de nossas almas, ela não toma entretanto o lugar de tudo o mais e não nos dispensa do resto. Os instantes que nós vivemos devem igualmente ser utilizados para antecipar uma profunda reflexão a respeito dessa defesa e dessa confissão pública de fé junto a Roma, que será talvez “a hora” por excelência da vida de nossa Fraternidade.

É preciso realmente esperar que esses momentos, que poderão trazer sua pedra decisiva para o reerguimento da vida da Igreja, acabem por acontecer. Nós devemos, em conseqüência, ter essa grande preocupação de compreender, por nós mesmos, sempre mais profundamente, que a restituição parcial da Missa deverá ser seguida de sua restituição total e da restituição da fé. Ai de nós, clero e leigos, se não chegamos a ter uma consciência suficiente dos verdadeiros pontos-chave e da profundidade de nosso combate. Nossa posição de soldados de Deus nos pede que não nos deixemos embalar pela esperança da retirada de um decreto que, se acontecesse, não assinaria nem mesmo um armistício. A espera não é a passividade. Esse momento deve ser imperativamente aproveitado para prosseguir a instrução e a formação de cada um, do aumento de firmeza e de espírito de combate.

Lembremo-nos, pois, das faltas e das imperfeições constatadas durante esse primeiro período de espera para não recair nelas.        A medida que rumores, sempre mais numerosos e insistentes, alguns deles vindos de Roma, nos advertiam que o Papa ia publicar um texto em favor da Missa antiga, os espíritos tiveram tendência a se dividir entre ceticismo e euforia. Passando o tempo, eles se aqueceram, e se espalhou um clima de excitação realmente pouco propício a uma reflexão objetiva sobre a significação exata que teria a concessão da primeira condição prévia.

De uma condição prévia a outra


Ainda que imperfeito e insatisfatório sob vários aspectos, é evidente hoje que esse Motu Proprio marcou uma data na história da liberdade para a missa tradicional. Ele merecia ser saudado pela Fraternidade, que não deixou de fazê-lo, ao menos pela confissão pontifical tão esperada de que a missa de São Pio V não havia jamais sido abrrogada e pelo conseqüente reconhecimento de que todo padre tinha tido sempre o direito de celebrá-la e tinha, portanto, presentemente o direito de fazê-lo.


Além disso, ele correspondia e respondia, em sua materialidade, à primeira condição prévia sugerida pela Fraternidade e pelo qual ela havia pedido com fervorosas orações. Se ele não era, certamente, apresentado como uma resposta a seu primeiro pedido, ele o era de facto. Não contente de indicar  certo encontro do pensamento do Papa com o nosso, sobre esse primeiro bem que se esperava do reconhecimento da liberdade da missa, ele se prestava evidentemente demais a ser entendido como um sinal para com a Fraternidade para não ter sido pensado e medido como tal.


Notemos também que não repugnou a Bento XVI inscrever-se visivelmente nessa lógica, que foi, no entanto, emitida e definida unilateralmente pela Fraternidade, sabendo perfeitamente que não deixariam – para louvá-lo ou para criticá-lo – de ressaltar isso. Ainda que ter representado o primeiro ato não o comprometa, é verdade, com aqueles que se seguem, o fato de tê-lo feito não é neutro e ele o sabe bem. Tanto mais que o Papa não ignorava que o efeito secundário da publicação do Motu Proprio seria infalivelmente o aumento do discrédito que afetaria as condenações fulminadas por Roma contra a Fraternidade. Ao afirmar que a missa nunca tinha sido proibida, o discurso pontifical dava razão, infelizmente apenas após sua morte, àquele que o tinha sempre afirmado, quase isoladamente entre todos os bispos: “O venerado Monsenhor Lefebvre”.


Na seqüência de tal reabilitação implícita de seu grande combate pela missa, mesmo que ela permaneça ainda parcial, será possível por muito tempo ao Papa manter a lembrança da “excomunhão” daquele que, quase sozinho, teve a coragem de lutar contra todos, que não se deixou intimidar e cuja recompensa, até o momento, consistiu apenas em ter suja sua memória?


É realmente possível que um combate tão heróico, cuja utilidade para a Igreja não cessa e não vai cessar de se revelar cada vez mais, possa ter sido conduzido por um homem mau, mau de uma malícia que teria sido mais tenebrosa que aquela de Lutero e cuja memória deveria para sempre permanecer maldita? Maldito, aquele sem o qual essa missa não teria sido sempre oferecida à Igreja? Quem ousará ainda dizê-lo? Quem não começa, ao contrário, a perceber a reunião e o germinar de todos esses sinais que deixam pressentir que essas “excomunhões” foram simplesmente uma prevaricação, uma aplicação criminosa da lei e que não se pode por mais tempo deixar crer que elas existiram e que existiriam ainda?

Admitamos – dato, non concesso – que as sagrações episcopais de 1988 não tivessem, ali[as, tido outra finalidade que sua decisiva e incontestável contribuição à salvaguarda e à manutenção da missa. Só essa preocupação, tão grave e sagrada, não teria bastado então e, hoje ainda, não deveria ser suficiente para concordar com a realidade de um estado de necessidade, ao menos litúrgica, no qual Dom Lefebvre se encontrava acuado e que foi invocado por ele para agir?


Ou, se não se pode ou não se quer confessar essa necessidade, embora evidente, a preocupação de que ela existisse não deveria bastar a que se reconheça, pelo menos, a nobreza de sua intenção, e, em vista do eminente serviço assim prestado à Igreja, a impedir que se demore sobre uma “falta” que, na seqüência, se teria revelado tão bem-aventurada que só mereceria como sanção a magnanimidade pontifical? Embora não seja, de modo algum, o nosso, esse raciocínio deveria, por outro lado, encontrar atentos nossos interlocutores, submetidos a um novo Código de Direito Canônico que o favorece
.


Não nos espantaria, na verdade, que o pensamento de Bento XVI caminhe nessa direção. Se ele mesmo não estivesse, de saída, intimamente convencido de uma grave necessidade provocada pelo estado de dissolução litúrgica, teria corrido o risco de enfrentar e de ganhar a inimizade da grande maioria do espicopado? Se ele correu esse risco, é que também ele tinha consciência de um estado de necessidade litúrgica suficientemente grave para dever intervir.


Ainda que nós encontremos – e nós não escondemos – muito a dizer sobre a doutrina e a teologia do Papa, enraizados nos textos do Concílio, essas graves reservas não nos impedem de pensar, ao mesmo tempo, que Bento XVI não carece nem de inteligência nem de uma indiscutível probidade
. Ele sabe perfeitamente que não poderia ter devolvido a missa à Igreja se o apego a essa liturgia e a reinvidicação de sua liberdade não tivessem sido mantidas e transmitidas pelo Fundador da Fraternidade São Pio X. Essas excomunhões incomodam em sua alma de Papa como poeira no olho. Nós imaginamos que elas o fazem chorar e que elas obscurecem seu olhar: quanto tempo ele, que quer ver, as suportará ainda?


A partir disso, toda esperança não se torna possível? Essa primeira piscadela pontifical não nos dá o direito de pensar que o Papa não se deterá mais em tão bom caminho?
Teria ele podido, ao escolher dar o primeiro passo, não se colocar a questão do segundo, não se preocupar com essa lógica que leva irresistivelmente a subir de uma condição prévia a outra, ou seja, de uma ação reconhecida como benfazeja a um ser que não pode, portanto, ser um malfeitor?

Aliás, os dois processos se parecem. Nos dois casos, trata-se apenas de obter a confissão de um não-ser: não-serda interdição da celebração da missa de São Pio V, não-ser das excomunhões e nulidade de um decreto vergonhoso. Se a primeira cruzada do Rosário foi seguida do Motu Proprio sobre a missa, a segunda poderia muito bem terminar com a retirada do decreto das excomunhões.

A segunda condição prévia

Antes da obtenção da primeira condição, pouco numerosos, realmente, eram os que conjecturavam que Roma se arriscaria a concedê-la apesar da agressividade episcopal. Poucos procuraram, consequentemente, tomar a verdadeira medida de tal acontecimento. Após sua obtenção, é ainda possível ou ter tendência a relativizar sua significação e seu alcance por uma justa preocupação de não se arriscar a entusiasmo injustificado em relação ao Papa Bento XVI, ou então ter sido atingido pessoalmente por esse entusiasmo.

É preciso refletir bem e rezar para encontrar o equilíbrio no julgamento e esclarecer as almas como é preciso, não afastar a hipótese da retirada do decreto como improvável, nem anunciá-la,como um astrólogo, como estando para se produzir em breve.

Porque o decreto pode muito bem não ser retirado por muito tempo ainda, é preciso mostrar sua nulidade e injustice, e demonstrar, ao mesmo tempo, que ele é a conclusão lógica da máquina conciliar rejeitando Fé e Tradição. Enquanto subsistir a aparência dessa sanção, nós continuaremos a levá-la como uma Legião de Honra, como o símbolo de um glorioso opróbrio, aquele que valeu a nossos bispos sua fidelidade solitária.

Porque a retirada do decreto pode igualmente se produzir rapidamente, é nosso dever antecipar essa declaração, de maneira que tal ato, se acontecer, seja unicamente julgado conforme sua significação exata. Se se trata realmente da retirada do decreto – e não de um levantamento das excomunhões – será então o começo da reparação da injustiça inaudita que conhecemos e nós poderemos então nos rejubilar.


Com efeito, mesmo que se trate apenas, em definitivo, de um primeiro passo para a reparação de uma indignidade, nós teremos para com o Papa que decidir isso um verdadeiro sentimento de gratidão, que não devemos de modo algum hesitar em exprimir
..Se, por outro lado, se tratar de um “levantamento das excomunhões”, as coisas seriam outras. Isso não corresponderia a nossa segunda condição prévia, e não isentaria nossos bispos do mau processo que lhes tinha sido movido. Deixando crer que as penas pronunciadas não era nulas mas que eram talvez mesmo merecidas, não resultaria disso, em certo sentido, pelo menos, um novo mal mais profundo? Roma teria então retirado, com uma aparência misericordiosa, sanções que se encontrariam, pelo mesmo ato, confirmadas como tendo sido validamente e até mesmo legitimamente aplicadas.


Nós ouvimos dizer que alguns padres dos Institutos Ecclesia Dei tinham se unido a nossa cruzada do Rosário e nós lhes agradecemos
. Nós queríamos simplesmente observar-lhes que nossa cruzada visa obter a retirada de um decreto nulo e aflitivo, não a retirada de uma penalidade que nós sabemos ser inexistente. Esta distinção é importante! A existência dessa Comissão Ecclesia Dei,  trepadasobre a condenação de Dom Lefebvre, assim como a aceitação de pertencer a ela, é um autêntico assunto de escândalo.. Nós nunca entendemos, em particular, como alguns, que lhe devem tudo e estão convencidos da nulidade das excomunhões, tenham se perdido nessa via. Que eles possam protestar contra tal tutela e se emancipar dela. Não seria essa uma maneira de pagar sua dívida de reconhecimento para com Dom Lefebvre?

Se tivemos sucesso, como cremos, nesse esforço de explicar o que anima nossa Fraternidade, as almas não se encontrarão desorientadas. Essas duas condições prévias, por mais importantes que sejam, não são, no final das contas, nada mais do que o começo de um longo processo!


Todas as questões mais sérias, que dizem respeito à própria fé, restam a abordar. Esse é o coração de nosso combate e não podemos fazer concessão de um só iota. Não será, portanto, certamente, uma falta de gratidão, mas um ato de caridade, continuar a exprimir bem nitidamente todos os nossos desacordos com a doutrina envenenada do Concílio
. Tenhamos o trabalho, desde agora, de refutar esse sentimentalismo tão comum que gostaria, como resposta aos avanços do Papa, que nós cessemos nossas críticas a respeito de seu pensamento, o qual está, no entanto, resolutamente inscrito na sua hermenêutica de continuidade do Vaticano II, absolutamente inadmissível.

Nunca deixemos dizer que “essas discussões teológicas” são um problema de especialistas e não nos dizem respeito. É preciso insistir em demonstrar que é totalmente o contrário: já que se referem à fé, essas questões dizem respeito a todos eminentemente, clero e leigos. Nós devemos ter o trabalho de entender e de fazer entender os pontos chave delas.

O Vaticano II é o “descoroamento” político de Nosso Senhor Jesus Cristo e a negação de Seus direitos sobre as sociedades. O Vaticano II é uma benevolência, infinitamente danosa e escandalosa para as almas, para com essas sociedades, escoltas do erro e do vício e fornecedoras do Inferno, muito impropriamente chamadas “outras religiões”. O Vaticano II é o triunfo do democratismo na Igreja, que torna toda autoridade quimérica e todo mando mais ou menos impossível, que permite a proliferação da heresia e do cisma. O Vaticano II é, na realidade, o maior desastre que jamais se produziu na Igreja.


Para se refazer, ela deve se livrar dele. De modo algum, portanto, a Fraternidade poderá cessar seu imenso combate de confissão da fé, que comporta obrigatoriamente a denúncia do erro
. Ela deve permanecer humilde e respeitosa, mas intrépida, impávida, para continuar a dizer tudo que ela deve dizer, confessar tudo o que ela deve confessar, denunciar tudo o que ela deve denunciar.

De Santa Joana d’Arc a Dom Lefebvre

Não é chegada a hora de se lembrar do processo de Santa Joana, daquela que foi queimada, em 30 de maio de 1431, como feiticeira, herege e relapsa na praça do Velho Mercado de Rouen?

Foi sua admirável mãe, Isabelle Romée, que obteve a instalação de um novo processo da Inquisição. Em 7 de julho (essa não é uma data que nós já conhecemos?) de 1456, na grande sala do palácio arquiepiscopal de Rouen, os comissários pontifícios, sob a presidência de Jean Juvenal de Ursins, arcebispo de Reims, declararam o processo de condenação de Joana e a sentença “manchados de roubo, de calúnia, de iniqüidade, de contradição, de erro manifesto de fato e de direito, inclusive a abjuração, as execuções e todas as suas conseqüências” e, por isso, “nulas, inválidas, sem valor e sem autoridade”.

Hoje, ainda que, certamente, a santa mãe de Dom Lefebvre, do alto do céu,  espere isso com confiança, é a Fraternidade São Pio X, sua filha, que pede justiça por seu pai. Nós estamos certos de que, dele, os católicos confessarão um dia, o que alguns tinham pressentido a respeito de Joana: “Tua morte será tua vida”. E os franceses, do mesmo modo que experimentam um legítimo orgulho de contar entre os seus uma tal filha, terão não menos vivo orgulho do serviço prestado à Igreja por esse arcebispo, outro insigne rebento e honra de sua raça.

Ambos julgaram, no dia seguinte às suas famosas sagrações, das quais eles tinham consciência de que lhes valeriam as mais violentas incompreensões e represálias de seus juízes, terem acabado sua epopéia. Tanto para um como para a outra, a sagração, seja de um rei ou de quatro bispos, é o instante por excelência para o qual convergem suas admiráveis missões. E de suas cavalgadas, seus destinos e sua fidelidade ao plano de Deus, ninguém compreendeu nada e ninguém compreenderá jamais, se não tiver percebido que eles são voltados inteiramente para essas sagrações salvadoras.

O gênio deles ou sua santidade, o selo da inspiração divina como o símbolo de sua indomável determinação, não se manifesta, em toda sua amplitude, senão na hora dessas sagrações vitoriosas. Sua missão se encerra e culmina nessas sagrações, que valeram a uma e valerão um dia ao outro, muito mais que qualquer outro ato de suas vidas, a declaração da heroicidade de suas virtudes e que os tornam, um e outra, tão teologicamente próximos! É encantador ver, aliás, até que ponto as reflexões dos melhores biógrafos e hagiógrafos de Joana esclarecem também a vida de nosso fundador.

Ora, em 1456, a leitura da reabilitação de Joana foi feita em todas as grandes cidades do reino da França. De nossa parte, esperamos pacientemente a hora (e estamos firmemente convencidos de que ela virá) em que cada bispo de nosso país, cada um em sua catedral, será convidado a anunciar que as pretensas sanções levantadas contra nossos bispos, na realidade, jamais existiram. Muito pelo contrário, que Dom Lefebvre, por sua coragem em 30 de junho de 1988, rendeu um notável serviço à Igreja. Antes disso, eles terão, é claro, cada um em seu bispado, estourado um champanhe, ou pela sagração de Reims ou pelas sagrações de Ecône, para festejar essa reparação! Queiram nos perdoar a pequena ironia – que aliás nem é necessariamente uma ironia! – de ter imaginado essa divertida cena.

Como quer que seja, nós gostaríamos de convidar cada um a refletir sobre a luz que fornece a obtenção da primeira condição prévia. A Fraternidade pediu e agora ela obteve. Isso teria sem dúvida sido concedido antes, se ela tivesse sido mais vigorosamente imitada e apoiada em seu pedido e em sua oração. Hoje, ela começou uma segunda oração e um segundo pedido – não para pedir o levantamento das excomunhões! – mas para requerer a retirada do vergonhoso decreto.


Ninguém deve pensar que esse segundo pedido só interessaria desta vez – diferentemente do primeiro – exclusivamente aos membros e aos fiéis da Fraternidade! Em primeiro lugar porque todos e cada um de nós devem estar implicados, quando se trava um combate a serviço da verdade e da justiça. Em seguida e principalmente, porque a obtenção da segunda condição prévia abrirá, enfim, oficialmente, o debate tão esperado dessas questões graves e decisivas que o Concílio coloca à consciência católica.

Possam os católicos contemporâneos não passar a vergonha de ter de confessar, tarde demais, que só entraram na batalha após a vitória alcançada, por falta, certamente, de ter tido a coragem de enfrentar o consenso para levantar a capa do “religiosamente correto”. Será muita pena, tanto mais que se torna fácil, hoje em dia, sentir que o vento está começando a virar e farejar o fim que vai ter esse caso!

O carrasco de Joana, após ter acendido o fogo que devia queimá-la viva, gritou: “Estamos perdidos: queimamos uma santa”.  Nós nos perguntamos se as pessoas mais secretamente confusas não serão, um dia, aquelas que quiseram se obstinar em crer ou fazer de conta que crêem, nessas “excomunhões” e que, com uma voz grave e penalizada, mandam, ainda hoje, rezar pelo seu levantamento e pelo retorno dos cismáticos ao aprisco da Igreja. Quem será o último a dizer que acredita nisso ainda?

Quanto à Fraternidade, ela continua, tão pacificamente quanto é possível avançar pacificamente em meio a uma tempestade, a seguir sua rota. Com ou sem a retirada do decreto das excomunhões, ela se encontra ainda mais resoluta a não baixar os braços e a não assinar com Roma “um acordo entre a água e o fogo”, pelo fato de sua providencial estratégia ter sido reconhecida e escolhida e estar mesmo começando a dar frutos.

Com a graça de Deus, ela passará, neste ano de 2009, a fronteira de quinhentos membros padres. Na França, ela tem a alegria de anunciar-lhes, após a benção da nova igreja construída no coração da cidade de Rouen, a abertura, para este novo ano, de dois novos lugares de culto na região parisiense, um em plena cidade de Paris, o outro perto de Meaux, e tem esperança, na próxima volta às aulas, de abrir um priorado em Rouen e uma nova escola primária em Brest.

Para o progresso de nosso apostolado, nós lhes agradecemos, de todo coração, suas orações e seu apoio. Nós devemos, em toda parte, continuar a construir tudo sozinhos, pois os lugares de culto nos serão sempre recusados. Na medida em que se amontoam cada vez mais os escombros do Concílio, parece, com efeito, que os bispos, ao invés de tentar se livrar deles, preferem se deixar igualmente sepultar com o que subsiste de suas dioceses.

Não nos queixamos de pagar caro nossa liberdade de palavra e de confissão da fé. Mas é um fato, de que se deve ter consciência clara, que enquanto as igrejas vazias permanecem obstinadamente fechadas – como em Amiens – e que nós temos que pagar, até o último centavo, cada metro quadrado de nossas instalações e cada pedra de nossas construções, que o combate da fé só se manteve, miraculosamente, e continua, graças a esse ostracismo e a essa imensa precariedade aos quais nós continuamos confrontados.

Mais do que nunca, a fim de intensificar nossa resistência e a fim de propagar a fé, nós temos necessidade de sua ajuda. Nós lhe agradecemos esse apoio indispensável para que nós possamos sempre mais desenvolver nosso apostolado para a glória de Deus, para a salvação das almas, para que a fé seja transmitida a nossos filhos e que não desapareça de nosso país.  Santa Joana o disse e viveu: “É preciso fazer o que se deve quando Deus quer. Façamos a nossa parte que Deus fará a d’Ele”.

Caros amigos e benfeitores, nesse começo do ano de 2009, cheios de uma invencível certeza de que a hora de Deus e do triunfo de sua justiça está para vir, eu lhes apresento meus votos de que enraizados no combate da fé, nós continuemos a combater, todos juntos e até o fim, no cadinho das virtudes cristãs e no Coração Doloroso e Imaculado da Santíssima Virgem Maria.

Votos de 2009 aos fiéis

Suresnes, 31 de Dezembro de 2008

Abbé Régis de Cacqueray-Valménier, Superior Distrito da  França da FSSPX


Para citar este texto:
Abbé Régis de Cacqueray-Valménier - "De uma condição prévia à outra"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas&subsecao=igreja&artigo=fraternidade-vaticano&lang=bra
Online, 22/01/2009 às 18:40h

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Da esterilidade do “apostolado” da CNBB

É com forçoso pesar que temos o dever de anunciar que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil é uma apostasia da fé. A prova contumaz desta apostasia esta nos textos dos próprios Bispos. Neles nota-se uma única e notável preocupação temporal, notadamente de tendências marxistas, ainda que forma heterodoxa. Resulta desta idolatria socialista um enorme vazio espiritual que se manifesta exatamente pelas mais variadas formas de corrupção na sociedade brasileira.

Não é preciso muito trabalho para constatar que colocando-se Karl Marx ou qualquer outro filósofo ou idealista no lugar de Cristo e a modernidade no lugar da eternidade a Igreja deixa de ser fecunda. É com constrangimento e lástima que se verifica que hoje a esmagadora maioria dos católicos não praticam a doutrina católica, que é eterna, mas praticam doutrinas modernas que são perecíveis. Desta forma, não é de se estranhar o incessante e vicioso pedido por honestidade e integridade na política. Pois se existem católicos na política, nenhum deles é exemplo de integridade, sendo este um sinal de que a atividade da CNBB é um fracasso. Porque ela não ensina a doutrina católica, mas antes faz dialética da corrupção como médico que usa doença como se fosse remédio. Nosso Senhor ensinou que nada se pode fazer sem Ele, logo o apostolado da CNBB é estéril e não gera católicos, mas é fértil na geração de homens mundanos. Se fosse luz, clamaria por luz?

Com efeito, a CNBB não consegue instruir sequer um católico para ser sal e luz no meio das trevas e pior ainda é a sua capacidade para a conversão e a evangelização dos homens e mulheres do Brasil! Suas relações escusas com o partido que mais produziu escândalos de corrupção na história do país e o seu adultério com a Teologia da Libertação são os maiores propagadores de heresias a ser combatidas. A CNBB, é lamentável, constitui-se em uma entidade sem lei e sem graça. Tudo é só política na CNBB!

A Igreja sempre ofertou honestidade e integridade através de seus filhos, ela nunca pediu isto a todos, porque nem todos vivem o julgo leve e o fardo suave de Cristo. Quando se passa a pedir isto é um sinal de que não se está em sintonia com a Santíssima Trindade. Não se cuida de dizer inexistentes os pecados entre os filhos da Igreja, mas sim de saber que na CNBB não existem e não se produzem exemplos a ser seguidos. Portanto, se ela já não produz luzeiros entre as trevas, algo está errado e necessita ser corrigido. Porém no que diz respeito a CNBB, é muitíssimo difícil imaginar uma reorientação ao sagrado. Com efeito, o próprio fato de se existir uma CNBB é algo que afronta a própria doutrina da Igreja. O nível de corrupção a que chegou esta entidade é tão profundo que eles são até capazes das mais descabidas e não fundamentadas desobediências ao Papa. 

Na desobediência ao Papa, merece principal destaque o Motu Próprio Summorum Pontificum e a orientação para a correção da forma da consagração do vinho. No primeiro caso, a maioria dos Bispos desta entidade impediu ou aplicou parcialmente o Motu Próprio. Já no caso da fórmula da consagração, venceu em outubro último o prazo para a correção e até o presente momento nada foi feito. Haverá testemunho maior de infidelidade do que a contemplação da hermenêutica da descontinuidade promovida por esta entidade?

Tudo isto faz lembrar que o maçon republicano Rui Barbosa disse com ares de profecia que um dia o homem sentiria vergonha de ser honesto. Em uma versão católica, aqueles que não conhecem a verdadeira tradição da Santa Igreja, pela atividade da CNBB, certamente sofrem um forte ímpeto de reformular tal sentença que por eles muitas vezes acaba se dizendo:

“De tanto ver triunfar as heresias, de tanto ver prosperar o erro, de tanto ver crescer a apostasia, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, chego a desanimar da obediência e da fé; a ter vergonha de ser católico." Não é difícil saber porque as seitas proliferam tanto no Brasil!

O apoio e o serviço ao mundo, a desobediência ao Papa e o descumprimento das leis de Deus, não qualificam a CNBB como obra verdadeiramente católica. Quando se apóia grupos como o MST, despreza-se a lei de DEUS que nos manda não cobiçar as coisas alheias.

Agrademos a DEUS por haver permitido o apostolado de Dom Lefebvre e Dom Mayer. Depois do Concílio Vaticano II, apenas estes dois Bispos e mais poucos outros defenderam a fé. Onde se tem dialética, não é possível haver defesa, pois não existe mais fé, não existem mais lobos, porcos ou cães, mas somente o homem orgulhoso idolatrado por este clero modernista que destrói a religião e a crença em Deus. Através de um sentimentalismo romântico barato e de uma negação da racionalidade testemunham os rebeldes que a verdade de Cristo não mais liberta.

Nosso Senhor se compadeça de nós e nos envie Bispos que se preocupem com as nossas almas e nos guiem pelo caminho da fé.  Já passou da hora da Igreja no Brasil deixar de ser Igreja da CNBB e voltar a ser Igreja Católica. O modelo nascido do exemplo apóstata de Dom Hélder foi o responsável por toda corrupção eclesiástica em nosso país e pela pífia frutificação de autênticos católicos.

Frederico de Castro

Gederson Falcometa Zagnoli Pinheiro de Faria

sábado, 10 de janeiro de 2009

A Posição do Altar nos Tempos Modernos

Uma análise do Livro do Padre Klaus Gamber por Mons. Richard J. Schuler

Liturgia

Padre Klaus Gamber, que faleceu recentemente, escreveu por muitos anos sobre a reforma litúrgica que se seguiu após o Concílio Vaticano II. “A Reforma da iturgia Romana” foi recentemente traduzida do Alemão para o Francês e Inglês e provocou um considerável comentário na imprensa européia.

Um dos pontos considerado por Pe. Gamber é a posição do altar com referência à congregação. Uma das mais evidentes reformas após o concílio é a prática de se ter o sacerdote voltado para a congregação. A maior parte da propaganda sobre a mudança de posição dos padres alega que é apenas um retorno a um costume da igreja antiga. História e arqueologia foram citadas (mas sem fatos verdadeiros) como evidências. Sem muito estudo ou questionamento, padres e paróquias pelo país (Alemanha, nt) aceitaram essas histórias e arrancaram seus altares, colocando mesas de madeira ou blocos de pedra que permitiam ao sacerdote contemplar a congregação. O design dos arquitetos originais, as linhas e o foco da igreja foram deixados de lado e abolidos. Na maioria dos casos o resultado artístico foi ruim e no melhor dos casos o novo arranjo ficou igual a um vestido conjunto reformado.

A destruição da Igreja e do santuário foi infeliz e custosa. Em algumas partes do país, o dano causado às igrejas pelos reformadores de altar foi maior do que os Vândalos causaram à Espanha ou ao Norte da África. Mas o mal maior foi o dano causado à ação e presença litúrgica do sacerdote. Foi dito ao sacerdote para manter o contato visual com as pessoas, para dirigir suas palavras à elas, para se tornar um "presidente" na assembléia, um "facilitador" da participação ativa da congregação. A noção de Missa enquanto sacrifício foi desencorajada, enquanto a idéia de refeição comunitária foi promovida. O altar tornou-se a mesa, bem semelhante aos dias do Arcebispo Cranmer na Inglaterra.

Entre aqueles solicitados para comentar o livro do Pe. Gamber estava o Cardeal Ratzinger, que foi entrevistado no jornal italiano "Il Sabato" (24 de Abril de 1993). Ele explicou que não há dado histórico, nem na história escrita ou na arqueológica, que estabeleça a posição do altar nos primeiros séculos como sendo voltada para as pessoas. Olhar para as pessoas não era uma questão na igreja primitiva, mas voltar-se para o leste onde Cristo iria surgir em Sua segunda vinda, a "parousia", era mais importante. Os prédios das Igrejas e os altares eram "orientais" (voltados para o leste) para que o sacerdote de forma especial pudesse vê-Lo na Sua chegada. Se devido ao contorno do terreno ou algum outro obstáculo a igreja não pudesse ter essa direção, o sacerdote, sempre olhando para o leste, teria que se posicionar atrás do altar e voltado para o povo. Contemplar a congregação era um fato acidental e ele toma a Basílica de São Pedro como um exemplo desse fato, uma vez que a igreja não poderia ter a entrada voltada para o Oeste (posição oposta ao altar) devido a colina do Vaticano.

O cardeal explica que a mudança quase que universal dos altares para contemplar as pessoas não é um decreto do Vaticano II. Não era impossível antes do Concílio oferecer a Missa voltado para as pessoas. Uma tradição de quinze séculos onde o sacerdote era a cabeça da sua congregação foi eliminada em poucos anos. Aquela tradição admitia exceções. Eu mesmo provavelmente detenho um recorde de Missas em latim celebradas voltado para as pessoas, mais do que qualquer outro padre no país antes do concilio. A igreja onde eu tinha um serviço semanal tinha um altar na cripta e eu oferecia a Missa duas vezes a cada domingo, por aproximadamente dez anos, tudo antes de 1963.

O cardeal foi perguntado se a Igreja voltaria para a tradição ancestral, praticada antes do concílio. Ele retrucou dizendo que não haveria uma mudança "neste momento". Ele disse que as pessoas já estão tão confusas com tantas mudanças e tão rapidamente introduzidas. Mas ele não disse que não iria acontecer numa data futura. Certamente, o retorno daria uma grande ajuda em restaurar a reverência na celebração da Missa. Pe. Jungmann, cujo trabalho na história da liturgia (Missarum solemnia) foi em grande parte responsável pela introdução das mudanças, tem uma segunda opinião sobre o valor das mudanças.

O aspecto interessante da discussão levantada pelo livro do Pe. Gamber é que pouco a pouco a propaganda e afirmações falsas invocadas para realizar a reforma litúrgica estão sendo expostas e se encontram sem veracidade ou bases, históricas, arqueológicas ou litúrgicas. Os erros perpetrados por clérigos e leigos igualmente na década de 60 incluem mentiras como a eliminação do latim, a proibição dos coros, a remoção de imagens, tabernáculos e vestimentas, tudo em nome do concílio ou talvez do "espírito do concílio". Graças a Deus a verdade está começando a reaparecer.

Revista Mater Ecclesiae - http://igrejauna.blogspot.com/

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Uma Litúrgia sem Cristo

Caríssimos,
abaixo segue mais um texto que demonstra na prática a apostasia da Igreja no Brasil. Nele os músicos são orientados a dar primazia a assembléia em detrimento de Cristo, se eles são orientados a isto, os Padres também não recebem idêntica orientação?

Lamentável... a CNBB ensina a todos como não ter fé pelo própio mau exemplo dos Bispos que não a defendem. Coforme se lê em outra instrução, a Missa não é mais a repetição do sacrificío do calvário, é apenas um ato simbólico:

"Nossas celebrações são acontecimentos simbólicos".

"Nossas celebrações são Memorial e Mistério. Recordando, em palavras e gestos, os fatos
salvíficos do passado, a assembléia celebrante goza da certeza de que o Deus de ontem, o Deus de hoje e de sempre, aí está presente." A natureza sacramental da música litúrgica http://www.cnbb.org.br/ns/modules/mastop_publish/files/files_48d24f20640a7.pdf

A CNBB engana os católicos, os pobres e toda sociedade ao rejeitar sua própia identidade. Estamos diante de algo completamente diferente do Evangelho de Cristo pregado pelos apóstolos, para ser bem claro, diante de um anátema. Nosso Senhor Jesus Cristo fez opção preferencial pelos pecadores, não pelos pobres, a finalidade era uma ascenção espiritual e não social. Todos os Apóstolos de bom grado se desligaram das sociedades para se integrarem e integrar as pessoas na cidade de DEUS.

Na Idade Média os efeitos desta opção, foi a conversão de centenas de nobres que venderam todos os seus bens partilhando-os com os pobres e a Igreja. Hoje faz a CNBB faz exatamente o contrário e não produz os mesmos resultados nos áureos tempos do cristianismo. Nosso Senhor não aboliu a lei, mas a CNBB em seu apoio ao MST, demonstra que "não cobiçar os bens do teu próximo", não é mais algo válido. Deve ter evoluído para a inexistência de propriedade privada... caíram em todas as tentações que nosso Senhor venceu e não existe sequer um Bispo fiel que faça oposição a apostasia que infelizmente contemplamos.

Ainda temos uma analogia bem interessante a do grito dos excluídos. Pressupõe-se que na rejeição a exclusão eles também não aceitem a pena do inferno. Logo, pode se dizer que a revolução de satanás é também um "grito dos excluídos.' Justamente por isso não se prega mais a doutrina da Igreja, não se combatem doutrinas heréticas como a teologia da libertação e afasta-se os dogmas, como o da transubstanciação substituído pelo simbolismo, o ato sacrifical substituído pelo memorial e o altar pela mesa eucaristica.* Tudo que foi excluído ao longo dos séculos, foi incluído pela CNBB ao longo de poucas décadas para agradar os homens, ou seja, as heresias que são pregadas, não a sã doutrina.

Os Bispos pela sua amizade e serviço ao mundo, testemunham inimizade para com DEUS, não acreditam naquilo que pregam, negam o oficío epsicopal por não combaterem os erros e vivem em função do povo, não de Cristo. A entidade CNBB, é pior que todas as entidades heréticas que surgiram no seio da Igreja, ela é a síntese de todas as heresias. Todo católico no Brasil deveria afastar-se disto para não participarem da apostasia e cisma infudidos por esta entidade no meio católico.

Não a morte pior para a alma que a liberdade do erro, dizia Santo Agostinho. Aqui no Brasil tudo é licíto, porque tudo convém aos ideários "ocultistas" da CNBB. Em matéria religiosa, ela nada tem a dizer aos que tem fé. É como disse o Pe Paulo, "a Igreja no Brasil sofre de AIDS espiritual" e isto tem começo na adoção da Teologia da Libertação. Lamentável...





A PRIMAZIA DA ASSEMBLÉIA
http://www.cnbb.org.br/ns/modules/mastop_publish/files/files_48d24f3c1dc0a.pdf

Aos recém-batizados das comunidades primitivas, o Apóstolo Pedro escrevia: “...vocês também, como pedras vivas vão entrando na construção do templo espiritual, e formando umsacerdócio santo, destinado a oferecer sacrifícios espirituais que Deus aceita por meio de Jesus Cristo... Vocês são raça eleita, sacerdócio régio, nação santa, povo adquirido por Deus, para proclamar as obras maravilhosas daquele que chamou vocês das trevas para a sua luz maravilhosa” (1 Pd 2,5.9).

Reunidos em nome de Jesus, os fiéis gozam da certeza maior de sua presença (Mt 18,20) e dele recebem o mandato de repetir seus gestos e palavras em sua memória (1 Co 11,23-25), dando graças ao Pai, de quem procede qualquer dom precioso e qualquer dádiva perfeita (Tg 1,17);

Esta assembléia sacerdotal, manifestação privilegiada do Corpo de Cristo (Rm 12,3-13; 1 Co 12,12-13), deve ser a referência mais importante dos autores, compositores e demais agentes litúrgico-musicais.

Foram estas convicções elementares que levaram a renovação da música litúrgica católica a compreender e a insistir no primado da assembléia!

. “Servir à assembléia é a base de toda liturgia verdadeiramente pastoral. Servir não quer dizer que se satisfaçam não importa quaisquer desejos manifestados na comunidade. Trata-se de introduzi-la sempre mais, pela fé, no mistério de Jesus Cristo. Mas como fazê-lo sem conhecer a comunidade, sem levá-la em conta, para que ela, toda ela, se ponha em marcha?”
“Levar em consideração a assembléia celebrante, com suas possibilidades, sua riqueza e seus limites, é a primeira preocupação de uma liturgia verdadeiramente pastoral. É o caminho mais seguro para se chegar a uma celebração cheia de vida, significativa e personalizada, sobretudo quando se trata de música e canto”
( GELINEAU, Canto e Música no culto cristão. Cfr. também SC 27).

E este primado da assembléia se torna, assim um princípio fecundo e rico de múltiplas conseqüências ou implicações para a música na liturgia:

Servir à assembléia, não a indivíduos ou tendências

A assembléia litúrgica não é apenas a soma dos indivíduos que a compõem. Ela é a Igreja inteira a se manifestar naqueles que estão reunidos aqui e agora. Aí está o Cristo presente e agindo. Claro que se trata de pessoas, mas em comunhão, e não, uma ao lado da outra. O que se quer é servir a essa comunhão entre as pessoas. E essa compreensão mística determina a prática do agente litúrgico-musical:

Não tem sentido, por exemplo, escolher os cantos de uma celebração em função de alguns, que se apegam a um repertório tradicional, ou ainda de outros que cantam somente as músicas próprias de seu grupo ou movimento, nem de outros que querem cantar exclusivamente cantos ligados à realidade sócio-política, se isto vai provocar rejeição de parte da assembléia.

Pois todos têm o direito de compreender e participar, com gosto, sobretudo os mais desprovidos.

É preciso que se pense em todos, e em cada um na comunhão com os demais;
Não é coisa fácil conhecer as necessidades verdadeiras, as capacidades reais e os gostos especiais de uma assembléia. O pior que pode acontecer é achar que tudo se resolve entre quem preside e o regente ou animador do canto. E o melhor será uma prática comunitária e democrática, onde as pessoas recebem as informações e a formação necessárias em matéria de liturgia e música, trocam seus pontos de vista, e com critérios e bom senso fazem seu discernimento, avaliam permanentemente sua prática e vão encontrando a feição musical e litúrgica da assembléia. E é bom estar atento para o fato de que nem sempre o que se pensa e o que se diz, coincide com o que se sente e se vive. Nossa escuta tem que ser mais profunda do que simplesmente perguntar às pessoas o que elas acham, sobretudo porque há toda uma massa de silenciosos.

2
Integrar a todos

Celebrar com uma assembléia homogênea não é algo que aconteçe sempre, nem parece ser o mais significativo. É bem mais fácil escolher cantos, música ou coreografia com ou para uma comunidade monástica, um grupo de jovens, um encontro da Pastoral Operária ou um retiro de catequistas... Mas não é esse tipo de celebração o que melhor revela a feição católica, isto é, universal, da Igreja, onde ninguém é mais do que ninguém, onde todos cabem e são acolhidos com suas diferenças, seus valores e seus dons, para formarem o único Corpo de Cristo.

Normalmente, nossas assembléias litúrgicas são heterogêneas, misturadas. Aí estão, não apenas indivíduos diferentes, mas segmentos ou grupos diferentes de pessoas, que têm algo de comum entre si e formam minorias específicas dentro da grande assembléia:

• numa assembléia em ambiente urbano de centro: gente de classe média, gente da periferia, gente de etnia, cultura, idade e sexo diferentes...
• numa Comunidade de Base da periferia urbana ou de meio rural: crianças da catequese, adolescentes que se preparam para a Confirmação, grupos diversos (de jovens, de casais, da pastoral dos enfermos, de idosos, etc).

Sob o pretexto de não se fazer acepção de pessoas, não se pode ignorar essas diferenças de ordem sócio-psicológica. Optar por uma neutralidade indiferente a tudo isso, com o propósito de atender a todos por igual, correria o risco de não atingir a ninguém. Pelo contrário, seria melhor empenhar-se em ir ao encontro de cada situação, tornando-se “servo de todos , a fim de ganhar o maior número possível” (1 Co 9,19):

⇒ Imaginemos uma assembléia de adultos, na qual há uma presença importante de adolescentes, a quem os cantos litúrgicos do gosto de seus pais, parecem “cafonas” e
enfadonhos... Sem privar os mais velhos de seus cantos tradicionais, por que não introduzir, em momentos estratégicos da celebração, cantos litúrgicos de um outro estilo, com os quais os mais jovens se identifiquem e através dos quais se expressem mais a gosto? Em momentos assim, eles vão entrar de cheio e toda a celebração, de repente, vai tomar um outro aspecto para eles e, quem sabe, vai mudar o clima geral da mesma para todos.
⇒ Imaginemos uma igreja freqüentada pela classe média, freqüentada também por gente de um bairro pobre vizinho, mas onde comparece um grupo de pessoas de cultura erudita em matéria de música... Seria oportuno incluir na celebração, sem prejuízo do canto da assembléia, algum momento especial, onde um coral, um órgão ou outros instrumentos poderão proporcionar um instante de poesia e contemplação, e uma oportunidade de enlevo espiritual para todos os demais.

⇒ Imaginemos ainda uma comunidade eclesial de base na periferia da cidade, ou mesmo alguma igreja de centro, onde sempre costuma haver uma presença significativa de negros ou mestiços: seria bom inserir em toda celebração alguns cantos, alguma música, alguma coreografia do recente, mas já rico e significativo repertório afro-brasileiro.

Ao garantir-se que as riquezas de cada um, de cada grupo ou minoria sejam colocadas à serviço de todos, leva-se a sério a assembléia concreta e real. Todo mundo vai se sentir levado em conta, pelo menos num ou noutro momento com o qual se identifica mais. Cada um vai se acostumando a reconhecer na assembléia a presença dos demais, a respeitar as diferenças e prestigiar os valores de cada grupo ou expressão cultural.
Uma outra possibilidade seria, por exemplo, confiar cada celebração à animação de algum grupo especial:

• às crianças com seus/suas catequistas ou acompanhantes;
• Aos adolescentes, que se preparam para a Confirmação ou participam de grupos, com
seus/suas catequistas ou acompanhantes;
3
• Aos jovens que participam de grupos na comunidade;
• Aos adultos, dos Grupos da Comunidade;
• Ou a algum grupo ligado a uma pastoral ou movimento. Em todo caso, não faz sentido a celebração dominical a cargo de um determinado grupo: enfraquece a dimensão comunitária na vida do grupo e empobrece a vida da comunidade.

Em princípio, a celebração será sempre de toda a comunidade. Isto porém, não exclui a oportunidade de, cada vez, um grupo se manifestar com seu jeito, suas riquezas, seus valores e se fazer acolher pelos demais. Ao longo da caminhada, todos vão se sentindo contemplados e valorizados. Todo mundo vai aprendendo a respeitar e valorizar todo mundo. Nada mais católico, nada mais parecido com a experiência da comunidade cristã primitiva, onde “todos os que abraçaram a fé eram unidos e colocavam em comum todas as coisas... Louvavam a Deus e eram estimados por todo o povo” (At 2,44.47).

Contar com os agentes disponíveis
Uma assembléia litúrgica supõe necessariamente tarefas e papéis formais, a serem desempenhados por agentes previstos de antemão e preparados devidamente para tais papéis ou tarefas. Deles é que vai depender o desenrolar harmonioso da celebração. E isso é particularmente evidente quando se trata de canto, música, dança ou coreografia. É do animador do canto, do coral, dos instrumentistas, do grupo de dança, da capacidade vocal e musical dos que presidem ou coordenam a celebração, que depende todo o desempenho musical de uma assembléia. Tem que se levar em conta as possibilidades concretas de cada assembléia, de cada comunidade e seus agentes ou ministros.
Ter em vista a experiência de fé
A função própria do rito é ser sinal da fé. A celebração cristã da vida é essencialmente uma celebração da fé. Para que um rito cantado funcione como tal, não basta que a obra seja executável, que todo mundo cante, que a música seja bonita. É preciso, sobretudo, que o canto, a música, propicie uma experiência de Jesus Cristo, presente e atuante no meio dos seus, que sua Palavra seja anunciada e acolhida, que se realize uma comunhão no seu Espírito.

A questão principal e decisiva será sempre: que significa para esta assembléia o fato de se cantar tal canto, e de cantá-lo desta maneira? Questão particularmente difícil de ser respondida, cuja resposta sempre nos escapará em parte. Mas de todo imprescindível, pois dela depende o sentido mesmo do que fazemos, ao nos reunirmos em assembléia para celebrar nossa vida à luz da fé. Não basta contentar-se com uma bela cerimônia, com haver executado belas músicas, com haver realizado um encontro agradável. Trata-se mais de haver acolhido em profundidade a Palavra que liberta e transforma, que faz morrer e reviver, que nos abre para o Outro e para os outros, segundo o espírito das Bem-Aventuranças!

Tocar, cantar e dançar muita ou pouca música... escolher entre este ou aquele repertório... não vale igualmente para todo tipo de assembléia. O critério decisivo não será jamais a própria música, mas a assembléia que se reúne para cantar, tocar e dançar, ao celebrar sua fé.

.O canto litúrgico enraizado na assembléia
Nada mais sem graça e enfadonho do que uma celebração-robô, um “enlatado” litúrgico, sem o rosto da comunidade que celebra, sem raiz nos acontecimentos que marcam a sua vida, sem atualidade, fora do tempo e do espaço. Ao pretender agradar a todos, termina sendo de ninguém. Pelo contrário, onde se tem experiência de uma celebração significativa e interessante, há sempre por trás uma equipe de celebração, capaz de encontrar, com a assembléia por ela animada, o seu próprio estilo. Mas para chegar-se a este ponto não basta a personalidade de quem preside, a qualidade do coral, a competência dos instrumentistas, a riqueza de um repertório ou a escolha acertada dos cantos... É preciso que haja uma certa coerência entre as pessoas e as ações; um ajustamento percebível entre a arquitetura e o jeito de celebrar, entre as mensagens e a música, entre a cultura e a fé dos participantes. É preciso, sobretudo, uma profunda harmonia entre aquele que preside, os demais ministros, o (a) regente ou animador(a) do canto, o coral, os instrumentistas e o povo.

É justamente por isso que as assembléias que se exprimem com cantos criados dentro delas e para elas - para um tal público, tais intérpretes, tais instrumentos, tal espaço, tal
arrumação - parecem muito mais autênticas e cheias de vida. E não é por nada que das composições recentes, as melhores, são quase sempre as que surgem de uma assembléia particular ou de uma circunstância especial. Elas se enraízam num tempo ou num espaço determinados... elas têm húmus. A tradição do “Cantor”, que compõe para as celebrações de sua comunidade, é ,sem dúvida, a hipótese mais interessante. Da mesma forma, o instrumentista, capaz de improvisar em certos momentos de uma determinada celebração... ou o salmista, encontrando, em determinada circunstância, o jeito melhor de salmodiar ou cantilar.

Se essa for, então, a nossa compreensão do afazer litúrgico, consequentemente teremos que admitir como positiva e desejável a mais ampla e rica diversidade em matéria de desempenho musical de nossas assembléias. É necessário e suficiente garantir os elementos essenciais da celebração cristã e alguns cantos comuns, especialmente no âmbito de uma mesma região cultural, de modo a permitir que os que aí chegam de passagem, consigam se situar na celebração local. Nada a temer, nada a perder, se cada assembléia tem sua personalidade musical, como cada pessoa tem seu rosto, seu semblante, desde que se possa reconhecer sob traços tão diferentes, o único semblante da Esposa de Cristo, a sua Igreja.

• O primado da Assembléia, com todas estas implicações, questionam sob algum aspecto sua prática como autor, compositor ou agente litúrgico-musical?
• Ao prestar o seu serviço musical, sua preocupação maior é servir ao conjunto, levando em conta os gostos e o jeito de ser de cada uma das das minorias aí presentes?
• Você utiliza toda a riqueza de seus talentos, tendo bem presente as reais possibilidades da Assembléia para quem você compõe ou presta algum outro tipo de serviço litúrgicomusical?
• Você se preocupa em aprofundar sua experiência de fé, de tal maneira que sua arte e seu serviço musical, ao brotarem de uma tal experiência, possa alimentar a fé de sua comunidade?
• Você é dos que se alegram com a variedade da vida, ou parte para uma uniformidade, que empobrece e sufoca?
• Ficou clara para você a resposta à pergunta “Quem canta, toca e dança na celebração litúrgica?”
(Extraído do Doc. 7 - CNBB : PASTORAL DA MÚSICA LITÚRGICA NO BRASIL. Texto de estudo)

sábado, 18 de outubro de 2008

O modernista Henrici de Lubac




HENRI DE LUBAC S.J., UM "MESTRE" QUE NUNCA FOI DISCÍPULO



I - Inclinações "liberais" e deformação teológica
II - "Mestres" Que Nunca Foram Discípulos
III - Desprezo por Roma e Falsa Obediência
IV -A "Simbiose intelectual de Blondel"
V - O Desprezo pelo Magistério Infalível
VI - Os "reformadores"
VII - A Arma do Desprezo e da Difamação
VIII - A Crise Pós-Conciliar e o "Exame de Consciência" de De Lubac


Inclinações "liberais" e deformação teológica



Chegamos ao jesuíta Henri de Lubac, pai da "nova teologia".
Partiremos de sua formação filosófico-teológica, porque ela mostra o clima de desprezo pela autoridade e pela orientação da Roma católica em que amadureceu a crise atual da Igreja. Para lutar contra a agressão dos modernistas, São Pio X tinha mandado que se afastassem dos seminários e das casas de formação de religiosos os professores suspeitos e que fossem excluídos das ordenações os "jovens que demonstrassem o menor sinal de apego às doutrinas condenadas e às novidades perniciosas"1.
De acordo com essas diretivas, o jovem De Lubac nunca deveria ter sido ordenado. Foi ele mesmo que, em sua obra Memória em Torno de Minhas Obras2, reconheceu suas simpatias pelo liberalismo católico, condenado de modo repetido pelos Pontífices Romanos, simpatias que o predispuseram a "correr atrás dos sistemas e das tendências turbulentas do pensamento moderno"3.
De Lubac escreveu, por exemplo, do Cardeal Couillé:
"por mim aureolado, desde minha adolescência, por causa da lembrança de Mons. Dupanloup, de quem ele foi colaborador". Mons. Dupanloup, o "herói", ou antes o "santo", de De Lubac adolescente, foi uma figura marcante da corrente liberal no Concílio Vaticano I, e deixou este Concílio antes de sua conclusão, para não assistir à proclamação da infalibilidade pontifical, a que ele se opunha. Ao contrário de Mons. Lavallée, reitor das Faculdades Católicas de Lyon, de quem De Lubac escreveu: "O que me preocupou sempre um pouquinho nele foi... sua reputação de tradicionalista extremo."4
Esse horror ao "integrismo" e aos "integristas" não deixou nunca De Lubac até o fim de seus dias, como veremos. Contra a agressão do modernismo, São Pio X e todos os seus sucessores, até Pio XII, tinham confirmado a obrigação de "seguir religiosamente (sancte) a doutrina, o método, os princípios de Santo Tomás"5. Mas dessa orientação romana faziam pouco caso ou até não se davam conta nas casas de formação dos jesuítas freqüentadas por De Lubac. Assim, durante seus estudos de filosofia, em Jersey (1920-1923), o jovem De Lubac pôde ler "apaixonadamente" L’Action, La Lettre (sobre Apologética) e diversos outros estudos de Maurice Blondel.
"Por uma louvável exceção, alguns de nossos mestres de então, apesar das interdições serem severas, permitiam, sem nos encorajar, que seguíssemos o pensamento do filósofo de Aix."6
E ainda, na página 192:
"Entre os autores de mais fraca envergadura, éramos loucos por Lachelier [que se mete, como Blondel, no domínio do kantismo], recomendado pelo Pe. Auguste Valensin mais pelo seu estilo do que por suas idéias [ainda que isto seja verdade, as idéias penetravam também com o estilo]. É preciso lembrar que, nesse tempo, para os escolásticos de filosofia tais leituras eram, para a maioria, um fruto semiproibido. Graças a mestres e conselheiros indulgentes, nunca foram leituras clandestinas."
E assim o jovem De Lubac, em vez de receber uma séria e sã formação filosófica, base indispensável de uma séria formação teológica, deformou-se, "graças a mestres e conselheiros indulgentes , com a leitura apaixonante de filósofos viciados de imanentismo e de subjetivismo.



"Mestres" Que Nunca Foram Discípulos



O prejuízo de tal "formação" é enorme e irreparável:
"Porque a doutrina tradicional de Santo Tomás é a mais forte, a mais luminosa e a mais segura nos seus princípios — é preciso crer na Igreja — é dever munir-se dessa força e dessa luz, para afastar as teorias arriscadas ou falsas. Não se faz sempre o contrário? Estuda-se aos trancos uma filosofia ou uma teologia diminuída e sem coesão; em seguida, tem-se contato com Santo Tomás e com a Tradição, mas episodicamente. Esse contato não é uma formação: pior, ele falsifica a realização do pensamento escolástico e tradicional. Ora, a Igreja pede uma formação tomista tradicional. Se realmente Santo Tomás é um guia, é a ele que é preciso recorrer, antes e sobretudo; é sua doutrina, pura, que é preciso ensinar na formação teológica; sua leitura, para ser realmente formadora, não deve vir como um estudo secundário e acessório."7
Essa carência de uma sólida formação filosófica e teológica é o "defeito de fábrica" que se constata em todos os "novos teólogos".
Henri Bouillard, veterano da "turma" de De Lubac, por ocasião da inauguração do Centro de Arquivos Maurice Blondel8 ofereceu "o testemunho" seguinte:
"Faço parte desses jovens estudantes de teologia que, em meados de 1930, arrumavam um exemplar fotocopiado de L’Action [principal obra de Blondel], livro que não se achava, na época, em livrarias. A obra era suspeita, e sua leitura, sem guia competente, era difícil. Mas, profundamente decepcionados com a filosofia escolástica e com a apologética ensinada nos Seminários [mal ou sem convicção por professores fascinados, também eles, pela ‘filosofia moderna’], procurávamos aí uma iniciação, entre outras, ao pensamento moderno e, mais ainda, o modo, que não achávamos em outro lugar, de compreender e
justificar nossa fé."
Continua Bouillard:
"Mesmo como professor, o conjunto de minhas lições se inspirava largamente no pensamento blondeliano. Outros teólogos [entre os quais seu amigo De Lubac] haviam se engajado, fazia muito tempo, neste caminho, e outros dele se aproximavam. Devo testemunhar não somente o que Blondel me ensinou mas a influência que ele exerceu sobre numerosos teólogos e, através deles, sobre o conjunto da teologia."9
Com razão, então, o Pe. Garrigou-Lagrange escreveu de De Lubac, de Bouillard e de seus companheiros:
"Não achamos que eles abandonam a doutrina de Santo Tomás; eles nunca aderiram a ela e nunca a compreenderam bem. É doloroso e inquietante."10
Como sempre, os "inovadores", para falar como Santo Afonso, "querem ser tidos por mestres, sem nunca terem sido discípulos"11.




Desprezo por Roma e Falsa Obediência




Junto com as "novidades", o jovem De Lubac absorveu, inevitavelmente, o desprezo pela orientação "romana":
"Entre os contemporâneos que eu segui na época de minha formação, tive uma dívida particular para com Blondel, Maréchal, Rousselot."12
Entretanto, nenhum desses três era visto como ortodoxo, nem pelo Santo Ofício nem pela sede romana da Companhia de Jesus.13 E De Lubac escreve sobre o jesuíta Pierre Charles:
"seu prestígio cresceu [sic] a nossos olhos, por causa da semidesgraça em que ele caiu [diante das autoridades romanas], como o padre Huby depois do caso de Les yeux de la Foi", obra de Rousselot que os jesuítas Charles e Huby tentaram muitas vezes publicar,
contra a oposição de Roma14.
Mais tarde, De Lubac aprendeu a praticar uma real desobediência sob a aparência da mais formal obediência. O padre Podechard, "o mais submisso dos filhos da Igreja", conta De Lubac, acabava de terminar um curso sobre o servo de Jahvé, na Faculdade de Teologia de Lyon.
"Disse-lhe que ele deveria escrever um livro e publicá-lo. ‘É impossível’, replicou-me. ‘E por quê?’ ‘Há na base posições críticas que hoje não são admitidas. Sobre essas questões bíblicas, Padre, a Igreja e eu, realmente, não nos entendemos; é preciso então que um dos dois se cale, e é normal que seja eu’."15
Mas isso não impedia o "mais submisso dos filhos da Igreja" de falar sem tais precauções nos seus cursos, propondo aos jovens eclesiásticos teses que ele sabia desaprovadas pela Igreja.
De Lubac aprenderá a lição e, no seu devido tempo, saberá esconder, ele também, sua real desobediência sob uma submissão formal. Com conhecimento de causa, Pio XII, na Humani Generis, escreverá que os "novos teólogos" ensinam o erro "de modo prudente e encoberto": "Se nos livros impressos falam com prudência, nos escritos transmitidos em particular, nas lições e conferências, se exprimem mais livremente." Constataremos a mesma coisa, mais adiante, para von Balthasar. E isso explica como o mundo católico, com o Vaticano II, pôde "acordar" modernista sem nem sequer gemer16.



A "Simbiose Intelectual" de Blondel



O primeiro passo da "nova teologia", para abandonar a tradição dogmática da Igreja, é o abandono da filosofia escolástica. E esse passo, vimos no capítulo precedente, foi dado por Blondel. O segundo passo é o abandono da teologia católica tradicional, e é Henri de Lubac que dele se encarregará.
O "teólogo modernista" — escreveu São Pio X — critica "a Igreja porque, com grande obstinação, ela se recusa a submeter-se e acomodar seus dogmas às opiniões da filosofia [moderna]"; de seu lado, "tendo posto de lado a antiga teologia", ele se esforça "para pôr em voga uma novidade, fiel em tudo aos delírios dos filósofos"17. Toda teologia, de fato, pressupõe uma filosofia, e a "nova teologia" de De Lubac pressupõe a "nova filosofia" de Blondel.
Em 8 de abril de 1932, Henri de Lubac S.J. escrevia a Blondel que agora era possível "a elaboração de uma [nova] teologia do sobrenatural [...] porque sua obra filosófica [de Blondel] lhe havia preparado os caminhos"18.
Recentemente, em março de 1991, o Osservatore Romano consagrou uma página inteira à apresentação (naturalmente elogiosa) da obra Henri de Lubac: Théologie et dogme dans l’Histoire. L’influence de Blondel19. O autor, A. Russo, aluno italiano do alemão Walter Kasper (ele também da turma "dos que pensam que venceram"), escreve que a correspondência De Lubac/Blondel "oferece um exemplo de simbiose intelectual que raramente se encontra na história do pensamento"20. É, na realidade, uma velha história: os semelhantes se atraem. Inúmeros pontos uniam Blondel e De Lubac: a mesma falta de confiança no valor da razão (antiintelectualismo ou, ainda, gnosticismo ou cepticismo); a mesma falta de vigor intelectual já assinalada pelo Pe. de Tonquedec S.J. em Blondel e que não é difícil mostrar nos escritos de De Lubac; o mesmo complexo de inferioridade em face do "homem moderno" (identificado com o filósofo moderno, doente de cepticismo e de subjetivismo); o mesmo medo de intelectuais, escondido sob a ansiedade apologética de um "apostolado pacificante" (Blondel), "de ficar ou ser expulso" (A. Russo21) por uma cultura que recusa o Cristo e sua Igreja, e a miragem correlativa de conciliar a pseudofilosofia moderna com a fé, como São Tomás tinha conciliado com a fé a filosofia de sua época. Blondel e De Lubac não notaram que São Tomás havia saneado uma filosofia fundamentalmente sã, mas que até um pensador da têmpera de São Tomás (Blondel é como um ratinho diante de uma montanha, em relação a ele) não poderia sanar os sofismas dos filósofos modernos. Não há conflito entre a fé e a razão reta22, mas há conflito entre a fé e a filosofia moderna, porque esta última anda muito longe da sã razão. Querer "reler" a Fé segundo os critérios da filosofia moderna é dissolver a fé nos erros da filosofia moderna, sem libertar para tanto o "pensamento cristão" (e a nós) do ostracismo a que a cultura moderna o relegou.
Isso toca o erro, que não é suscetível de conversão.Quanto aos que erram, é preciso lembrar que é difícil reconduzir à verdade aqueles que, como os filósofos modernos, se enganam nos princípios23 e que, em todo caso, aqueles que se enganam nos princípios devem ser corrigidos nos princípios. Supor, ao contrário, esses princípios errados (gnosticismo, subjetivismo etc.) como ponto de partida para uma "nova filosofia cristã" ou então para uma "nova teologia" conduz inevitavelmente a conclusões erradas, uma vez que é impossível tirar conclusões verdadeiras de princípios falsos.
E então a "simbiose intelectual" que houve entre De Lubac e Blondel só poderia conduzir a resultados muito infelizes, e não somente para os dois personagens diretamente interessados.



O Desprezo pelo Magistério Infalível



De Lubac e Blondel compartilhavam, sobretudo, o mesmo desprezo pelo Magistério infalível. E este desprezo aparece evidente quando se pensa que eles deviam sustentar (ou, mais exatamente, insinuar e difundir mais ou menos clandestinamente, porque não as sustentavam nunca de cara descoberta) suas "novidades" não contra uma escola teológica diferente, numa matéria controversa, mas contra o Magistério da Igreja, numa matéria sobre a qual existiam ensinamentos constantes e condenações repetidas dos Pontífices Romanos.
Quando Blondel e, no rastro de sua "filosofia" De Lubac consideraram o sobrenatural como uma exigência, um aperfeiçoamento necessário da natureza, que sem ele se acharia frustrada nas suas aspirações essenciais e, por isso, num estado anormal, e, em conseqüência, negavam que se pudesse admitir, ainda que por mera hipótese, um estado de "natureza pura", eles vinham opor-se à doutrina universal e constante da Igreja sobre a gratuidade do sobrenatural: se o sobrenatural é necessário à natureza, já não é gratuito, mas sim devido, e, se é devido à natureza, já não é sobrenatural, mas... natural, e com efeito o naturalismo é o fundo real do modernismo, como
também da "nova teologia".
A gratuidade do sobrenatural foi constantemente ensinada pela Igreja e defendida por ela contra os erros de Baius e de Lutero, que, como Blondel e De Lubac, diziam seguir a Santo Agostinho. Contra o modernismo, São Pio X tinha assim confirmado a doutrina constante da Igreja:
"Não Nos podemos impedir de deplorar mais uma vez, e com firmeza, que se encontrem católicos [e aqui o Pe. de Tonquedec não podia deixar de pensar em Blondel] que, repudiando a imanência como doutrina, a empregam, contudo, como método de apologética; que o fazem, digamos Nós, com tão pouca discrição, que parecem admitir na natureza humana, em relação à ordem sobrenatural, não somente uma capacidade e uma conveniência — coisas que, em todos os tempos, os apologetas católicos tiveram o cuidado de pôr em relevo — mas uma verdadeira e rigorosa exigência." Assim, na natureza humana, o filósofo, o apologeta, o teólogo católico não podem admitir mais que "uma capacidade ou uma conveniência" (poder de obediência) de receber o sobrenatural. Ultrapassar esses limites é abalar uma pedra fundamental da teologia católica, acarretando em seguida a ruína de todo o resto, como o vemos hoje, no curto caminho que vai do "sobrenatural",
que já não é aquele de Blondel e de De Lubac, à "visão antropológica" e aos "cristãos anônimos" de Karl Rahner, ao indiferentismo religioso ou "ecumenismo", à importância secundária da Igreja como meio de salvação24.
A encíclica Pascendi data de 1907. Em 1932, Blondel, com um desprezo evidente pelo Magistério infalível da Igreja, estava ainda chocado ou, como ele diz, "amadurecendo"
sua concepção heterodoxa do sobrenatural. Por sua vez, De Lubac, exaltado como modelo de "obediência" e de "fidelidade" à Igreja por ocasião de sua morte25, com igual desprezo pelo Magistério, encoraja-o e faz do sobrenatural naturalizado de Blondel o fundamento de sua "nova teologia".
Do mesmo modo, quando Blondel e De Lubac apresentam e difundem uma "nova" noção de "verdade", vitalista e evolucionista, eles sabem que essa noção fora condenada por São Pio X na Pascendi26 e em seguida pelo Santo Ofício, em 1º de dezembro de 1924, mas continuam imperturbáveis no seu caminho do erro.



Os "Reformadores"



Na realidade, o que espanta em Blondel e De Lubac é, justamente, sua maneira de se apresentar como critérios indiscutíveis de verdade, contra o Magistério secular da Igreja: sua causa é a causa do "cristianismo autêntico"27; eles são os artistas do retorno à "tradição mais autêntica"28, aqueles que restituíram a vida à "antiga doutrina"29, da qual, segundo eles, o "pensamento cristão" e, necessariamente, o Magistério da Igreja se teriam desviado no curso dos séculos, o que é "uma coisa absurda e a mais ultrajante
para a própria Igreja"30.
São Pio X, na Pascendi, bem descreveu a consciência falsificada dos modernistas, que tiravam do santo Papa toda a esperança em suas possibilidades de arrependimento:
"O que se lhes reprova como uma falta é o que eles vêem, ao contrário, como um dever sagrado... Que a autoridade os repreenda tanto quanto queira, eles têm para si suas consciências... E eles seguem seus caminhos; repreendidos e condenados, vão sempre dissimulando, sob mentiras de submissão exterior, uma audácia sem limites. Curvam hipocritamente a cabeça, enquanto com todos os seus pensamentos, com todas as suas energias perseguem, mais audaciosamente que nunca, o plano traçado. Isto é neles uma vontade e uma tática: porque acham que é preciso estimular a autoridade, não destruí-la; e porque lhes importa ficar no seio da Igreja para aí trabalhar e aí modificar pouco a pouco a consciência comum."
E ainda:
"Essa gente faz maravilhas, porque nós não os contamos no número dos inimigos da Igreja [...]; mas deixemos de lado as intenções, de que somente Deus é juiz, e examinemos suas doutrinas [é o critério objetivo para julgar] e suas maneiras de falar e de agir. Na verdade, aqueles que os consideram como os mais nocivos inimigos da Igreja não se afastam da verdade."31




A Arma do Desprezo e da Difamação



De Lubac, como Blondel (ver o capítulo anterior), utiliza o sistema dos modernistas para não se revelar excessivamente, a fim de, como disse São Pio X na Pascendi, "ficar no seio da Igreja para aí trabalhar e aí modificar pouco a pouco a consciência comum".
Apesar disto, os grandes teólogos tomistas viram imediatamente o termo aonde iriam conduzir as "novidades" propostas por ele, precavidamente encobertas; e imediatamente o futuro Cardeal Journet, fortalecido por sua formação tomista, assinala que "o Pe. De Lubac já não consegue distinguir a filosofia da teologia"32 ou, ainda, o natural do sobrenatural, e, adiante, percebe nele um "fideísta"33.
Não foi difícil para De Lubac convencer "o excelente" Charles Journet34, mas não foi assim com os outros teólogos tomistas. Às suas argumentações De Lubac oporá, então, a arma do desprezo e da difamação.
Em 1946 o Pe. Garrigou-Lagrange lança sua grave advertência: "Para onde vai a nova teologia? Ela retorna ao modernismo"; "a verdade já não é o que é, mas o em que se torna, e muda sempre", e isto "conduz ao relativismo completo"35. Além disso, numa carta pessoal, o grande teólogo dominicano lembra a Blondel, agora avançado em idade, sua responsabilidade diante de Deus. Em vão. De Lubac "utiliza" a carta para desacreditar o autor"36 e intervém prontamente para sossegar o inquieto Blondel: "A carta que ele Garrigou-Lagrange] acaba de nos enviar explica-se, ao menos em parte, pelo despeito que sente por ter visto recusado um artigo seu para a própria Revue Thomiste. Ele já não é somente o homem limitado que nós sabíamos, mas se torna num verdadeiro maníaco; daqui a alguns meses estará fabricando um espectro de heresia, para se dar a satisfação de salvar a ortodoxia. Recorre ao senso comum, mas é ele que já não tem o senso comum. O que se poderia responder é que o fato de pertencer a uma Ordem que tem por divisa ‘Veritas’ não lhe confere nenhum privilégio de infalibilidade [...]. O senhor não é responsável por nenhum dos desvios teológicos que ele imagina.
Neste momento existe um forte impulso integrista, denúncias e tagarelices de todo o gênero confluem ao quarto do Padre Garrigou-Lagrange."37 E, em 28 de julho de 1948, ele voltará a falar de "suas [de Garrigou-Lagrange] idéias simplistas sobre o absoluto da verdade"38.
Mas em 17 de setembro de 1946 Pio XII, interferindo pessoalmente na questão, exprimiu "idéias simplistas" idênticas às do Pe. Garrigou-Lagrange, idéias que foram sempre as da Igreja sobre o absoluto da verdade. Aos padres da Companhia de Jesus, numa alocução que teve grande repercussão, ele exprimira seu ponto de vista sobre a "nova teologia", "que deve evoluir como todas as coisas evoluem, estar em progresso sem se fixar nunca (...) Se fosse necessário abraçar tal opinião [advertiu o Santo Padre], que seria dos dogmas imutáveis da Igreja Católica? Que seria da unidade e da estabilidade da fé?"39
A advertência caíra no vazio. E igualmente cairá, para De Lubac (nesse tempo Blondel já estava morto), a encíclica Humani Generis (1950), que repete a imutabilidade da verdade e condena a "nova teologia do sobrenatural", de De Lubac:
"Ela me parece — escreve este sobre a grande Encíclica — como muitos outros documentos eclesiásticos, muito unilateral; o que não me espantou: é um pouco a lei do gênero. Mas nada vi que me tenha atingido."40
E às críticas vigorosas e luminosas de seus grandes adversários (Garrigou-Lagrange, Labourdette, Cordovan, Boyer etc.) ele continuará a responder com o desprezo e a difamação. Escreve ele a seu provincial em 1 de julho de 1950: "Fui atacado por alguns teólogos, é verdade, em geral pouco estimados [sic] por causa de sua ignorância notória [sic] da tradição católica ou por qualquer outro motivo."41 Adiante fala de "críticos obstinados de um grupo enfurecido" (é o sistema sempre utilizado pelos "que pensam que venceram"; ver a caricatura, tão injuriosa quanto injusta, do Pe. Garrigou- Lagrange apresentada pelo Pe. Martini S.J. — que reserva um tratamento parecido para Pio IX em Vaticano II — Balanço e Perspectivas).
De Lubac pratica um sistema "transversal" idêntico para defender seus companheiros:
Teilhard de Chardin S.J., que fazia teologia através da ciência, como De Lubac fez teologia através da história, é criticado por seus erros teológicos? De Lubac adverte que a culpa vem da "ignorância de seus críticos quanto ao estado atual da ciência [sic] e aos problemas que daí derivam"42!




A Crise Pós-Conciliar e o "Exame de Consciência" de De
Lubac




Nem as advertências e condenações dos Pontífices Romanos nem as condenações de seus adversários arranharam, em De Lubac, a segurança de "reformador". Para conter tal segurança, era preciso o horrível desastre do pós-concílio.
Do estado de alma de De Lubac (e de von Balthasar), Paulo VI se fará eco fiel — falaremos nisso depois — no seu famoso discurso de 30 de junho de 1972 sobre "as fumaças de Satanás no templo de Deus", que é também a confissão de uma ilusão longamente cultivada e obstinadamente perseguida:
"Acreditava-se que, depois do Concílio, viria um dia de sol para a história de Igreja. E, pelo contrário, veio um dia de nuvens, de tempestade, de obscuridade."
A impossibilidade de cavalgar o tigre das contestações desencadeadas e o desastre que desmentiu as róseas ilusões dos "reformadores" obrigaram De Lubac a um "exame de consciência", que ele registra na já citada Mémoire autour de mes oeuvres. Entretanto, estamos muito longe de uma conversão. Ele admite, no máximo, que "essa época não é menos [sic] sujeita aos desvios, aos passos em falso, às ilusões, aos assaltos do espírito do mal".
E continua:
"O que eu percebo hoje desses assaltos não me faz maldizer minha época, mas me leva a perguntar: não teria sido melhor considerar mais seriamente, desde o começo, meu caráter de fiel, meu papel de padre e de membro de uma Ordem apostólica, em suma, minha vocação, e principalmente concentrar com maior decisão meu trabalho intelectual precisamente no centro da fé e da vida cristã, em vez de o desperdiçar em domínios mais ou menos periféricos, segundo meus gostos ou segundo a atualidade? [...]
Não estaria eu preparado, dessa maneira, para interferir, com um pouco mais de competência e, sobretudo, de autoridade moral, no grande debate espiritual de nossa geração? Não estaria eu, agora, um pouco menos desprovido para esclarecer a uns e encorajar a outros?"
E ainda:
"Há sete ou oito anos estou paralisado pelo medo de afrontar de cara, de maneira concreta, os problemas essenciais, na sua atualidade viva. Isto foi sabedoria ou fraqueza? Tive eu razão ou não? [...]. Não teria eu aparentemente acabado, contra a minha vontade, no clã
integrista que me causa horror?"43
Entre tantas dúvidas, uma única parece não ter jamais aflorado à consciência de De Lubac, a saber, que este "integrismo", com o "horror" que o paralisava, não era nada menos que a fidelidade à ortodoxia católica, fiel e infalivelmente guardada pela Igreja, e que ele desprezava, para se dispersar em "domínios mais ou menos periféricos",
43 Pp. 389 ss. 77 segundo seus "gostos ou segundo a atualidade", pretendendo em seguida — o que é pior — ser um "mestre" na Igreja, sem jamais ter sido um discípulo:
"Cegos e condutores de cegos, que, inflamados de uma ciência orgulhosa, chegaram a essa loucura de perverter a eterna noção da verdade e, ao mesmo tempo, a verdadeira natureza do sentimento religioso; inventores de um sistema onde, sob o império de um amor cego e desenfreado por novidades, não se preocupam de maneira nenhuma em achar um ponto de apoio sólido para a verdade, mas, desprezando as santas e apostólicas tradições, abraçam outras doutrinas, vãs, fúteis, incertas, condenadas pela Igreja, nas quais homens muito vaidosos pretendem apoiar e assentar a verdade."44










Notas: 1 Motu Proprio de 18 de novembro de 1907.
2 Milão, Jaca Book.
3 Pe. Parente, La Théologie, ed. Studium.
4 P. 5.
5 São Pio X, Motu Próprio, cit.; Pio XII, Humani Generis; Direito Canônico
(1917), Cânon 1366 nº2.
6 Memória, p. 10.
7 Lavaud, La Vie spirituelle, pp. 174 ss, citado por J. B. Aubry, L’Étude de
la Tradition, p. 100.
8 Louvaina, 30-31 de março de 1973.
9 Centre d’Archives Maurice Blondel — Journée d’inauguration, 30-31 de
março de 1973; textos das intervenções, p. 41.
10 "La nouvelle théologie où va-t-elle?", Angelicum 23, 1946.
11 A. M. Tannoia, Vita, L.II, c. LV.
12 Op. cit.
13 Ibid., pp.13 ss.
14 Ibid., p. 14.
15 P. 17.
16 Cf. São Jerônimo: "O mundo acordou ariano e gemeu."
17 Pascendi.
18 Op. cit., p. 26.
19 Roma, ed. Studium.
20 P. 307.
21 Op. cit.
22 Dz. 1799.
23 Santo Tomás, II-II, q. 156, a. 3, ad 2m.
24 Sì Sì No No, ed. francesa, nº 131, pp. 2-7, "O Elogio do Padre Henri de
Lubac, um dos Padres do Vaticano II".
25 Ver Sì Sì No No, ed. francesa, cit.
26 Dz. 2058 e 2080.
27 Blondel a De Lubac, 15 de abril de 1945 e 16 de março de 1946, in A.
Russo, op. cit., pp. 307 e 309.
28 De Lubac in A.Russo, op. cit., p. 373.
29 Ibid.
30 Gregório XVI, Mirari vos.
31 Ibid.
32 Mémoire, cit., p. 7.
33 Ibid. p. 20.
34 Ibid., pp. 7-20.
35 "La Nouvelle Théologie...", op. cit.
36 A. Russo, op. cit.
37 Citado por A. Russo, op. cit., pp. 354 ss.
38 Ibid., p. 356.
39 Acta Apostolicae Sedis, 38, S., 2, 13, 1946, p. 385.
40 Mémoire, cit. p. 240.
41 Mémoire, cit., p. 219.
42 Nota pró-memória a seus superiores, de 6 de março de 1947, in
Mémoire, cit., p. 178.
43 Pp. 389 ss.
44 São Pio X, Pascendi, citação da Encíclica Singulari Nos, de Gregório
XVI..

Motu Propio Ecclesia Dei contradiz a Constituição Dogmática Pastor Aeternus?

"...o Espírito Santo não foi prometido aos sucessores de S. Pedro para que estes, sob a revelação do mesmo, pregassem uma nova doutrina, mas para que, com a sua assistência, conservassem santamente e expusessem fielmente o depósito da fé, ou seja, a revelação herdada dos Apóstolos. " Constituição Dogmática Pastor Aeternus - Concílio Vaticano I

b) Quereria, alem disso, chamar a atenção dos teólogos e dos outros peritos nas ciéncias eclesiásticas, para que tambem eles se sintam interpelados pelas circunstáncias presentes. Com efeito, a amplitude e a profundidade dos ensinamentos do Concilio Vaticano II requerem um renovado empenho de aprofundamento, no qual se ponha em relevo a continuidade do Concilio com a Tradição, do modo especial nos pontos de doutrina que, talvez pela sua novidade, ainda não foram bem compreendidos por alguns sectores da Igreja. Motu Propio Ecclesia Dei

sábado, 4 de outubro de 2008

O modernismo na Litúrgia

São Paulo, ensinou em seu tempo que "Em um só Espírito fomos batizados todos nós, para formar um só corpo, judeus ou gregos, escravos ou livres; e todos fomos impregnados do mesmo Espírito" (1). A Igreja primitiva cresceu tendo este preceito como um santo mandamento. E já na Idade Média aparece na história com a forma de um único corpo; Santo, Católico, Apostólico e Romano. Veremos neste artigo parte da problemática surgida no Século passado, que tem sua causa no abandono deste simples e fundamental preceito da Igreja.

No inicío Século passado entusiasmados pelos progressos técnicos, um grupo de estudiosos fundou um movimento para reinterpretar o cristianismo, a partir dos progressos de então. Não é nosso objetivo apresentar este movimento, que ficou conhecido como modernismo em sua totalidade. Queremos destacar um de seus princíos que triunfou no Concílio Ecumênico Vaticano II; o da distinção entre substância e forma. Condenado naquele mesmo tempo por São Pio X, na Carta Encíclica Pascendi Dominici Gregis (2).

A distinção entre forma e substância, é tirada da teoria da evolução. Os modernistas entenderam a substância como a matéria e a forma como o seu revestimento. Deste modo, eles entendem que os homens darwinistas tem a mesma substância, mudaram apenas em sua forma. Isto explica porque defenderam que a experiência sentimental é capaz de vencer qualquer experiência racional. São Pio X na Pascendi, condenou este princío:

"Há ainda outra face, além da que já vimos, nesta doutrina da experiência, de todo contrária à verdade católica. Pois, ela se estende e se aplica à tradição que a Igreja tem sustentado até hoje, e a destrói. E com efeito, os modernistas concebem a tradição como uma comunicação da experiência original, feita a outrem pela pregação, mediante a fórmula intelectual."(3)

Diante da condenação, o modernismo foi abafado, mas permaneceu secretamente atuante. Ressurgiu das cinzas no período do pontificado de Pio XII, como diz Dom Aloísio Lorscheider, (um dos Bispos desta nova teologia em sua versão marxista, a Teologia da libertação); "... a Théologie Nouvelle (4) afirmara que a verdade revelada, sendo católica, deveria poder encarnar-se nas categorias de pensamento de qualquer Filosofia e qualquer cultura. (5) No mesmo texto, diz o Bispo, que Pio XII, condenou a Théologie Nouvelle através da Humani Generis, afirmando:

"Que não se pode, sem mais, aceitar tal princípio, pois há sistemas que não servem para encarnar a verdade revelada como o imanentismo, o idealismo, o materialismo, seja histórico, seja dialético, o próprio existencialismo, enquanto professa o ateísmo ou enquanto nega o valor do raciocínio no campo da metafísica.

Para que uma verdade revelada se possa encarnar em determinada Filosofia, requer-se que essa Filosofia aceite o genuíno valor do conhecimento humano, os princípios indestrutíveis da razão suficiente, da causalidade, da finalidade e aceite também a capacidade da inteligência de atingir a verdade certa e imutável."
(6)

Passados oito anos da publicação da Humani Generis, morre Pio XII e lhe sucede João XXIII. Ao terceiro ano de seu pontificado, convoca um Concílio Ecumênico, onde já no discurso de abertura, faz da distinção entre substância e forma, o preceito mestre do Concílio:

" Uma coisa é a substância do « depositum fidei », isto é, as verdades contidas na nossa doutrina, e outra é a formulação com que são enunciadas, conservando-lhes, contudo, o mesmo sentido e o mesmo alcance. Será preciso atribuir muita importância a esta forma e, se necessário, insistir com paciência, na sua elaboração; e dever-se-á usar a maneira de apresentar as coisas que mais corresponda ao magistério, cujo caráter é prevalentemente pastoral. "(7)

O Concílio durará apenas 3 anos (1962-1965), sua aplicação colocará a Igreja em uma crise jamais vista em toda sua história. Hoje passados quase 43 anos de seu término, podemos avaliar este Concílio como algo no mínimo estranho a tradição da Igreja. Porque triunfaram todos os princípios modernistas até então condenados pela Igreja. O que é fácilmente demonstrado pela litúrgia, onde afirmou e reafirmou-se o direito da Théologie Nouvelle:

"Mantendo-se substancialmente a unidade do rito romano, dê-se possibilidade às legítimas diversidades e adaptações aos vários grupos étnicos, regiões e povos, sobretudo nas Missões, de se afirmarem, até na revisão dos livros litúrgicos; tenha-se isto oportunamente diante dos olhos ao estruturar os ritos e ao preparar as rubricas. " (8)

No inicío do artigo referimo nos ao preceito batismal (fundamental) pelo qual fomos batizados, o de formar um só corpo. Caros leitores, pergunto a vocês:

Aplicado a distinção modernista na Igreja, qual seria sua substância e qual seria sua forma?

Como judeus ou gregos, escravos ou livres, formarão um só corpo, se lhes é dado o direito de formar sua própia litúrgia?

Podemos dizer sem sombra de dúvidas que passados quase dois mil anos, foi necessário um Concílio Ecumênico para detectar um grave problema no cristianismo; ele não tem uma forma universal e própia, sua forma é empréstimo de todas as culturas humanas. O cristianismo em si mesmo, não dispõem de uma cultura, uma filosofia e uma teologia própia, ele evoluí e juntamente com ele tudo que o compõe.

A litúrgia caríssimos, encarnou-se em todas as culturas e filosofias humanas. Provando nos o resultado prático da adoção do método moderno que foi condenado pelo Magistério pré-conciliar, por ser a geratriz do preceito modernista exposto.

Ora, ao aplicar-se a misericórdia ao erro, pressupõe-se a tentativa de encarnação da doutrina católica no erro e dá se a este a liberdade para encarnar-se na doutrina católica. Tal aplicação e liberdade, só é possível pelo método moderno, que pressupõe condenações após a experiência. Assim, reduz-se o catolicismo ao natural e humano, pois as condenações são avisos de DEUS para os fiéis não fazerem a experiência do erro. Condenando-se após a experiência, DEUS não fala, mas é o homem quem fala, através da juízos meramente humanos. Digamos, que dariam ouvidos a um São João Bosco, apenas após o cumprimento de cada profecia que fizesse, pois necessitam apenas da prova de que a profecia é profecia, não de seu conteúdo.


(1) São Paulo; Primeira Carta aos Coríntios; Cap. 12, Vers. 13
(2) São Pio X; Pascendi Dominici Gregis; O modernista crente
(3) Ibidem
(4)
(5)Uma Criteriosa teológica; Cardeal Dom Aloisio Lorscheider
(6) Ibid.
(7) João XXIII; Discurso de abertura do Concílio Vaticano II, VI. Como deve ser promovida a doutrina, 5.
(8) Sacrosanctum Concilium 38