quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

De uma condição prévia à outra

Abbé Régis de Cacqueray-Valménier

Superior do Distrito da França
Fraternidade Sacerdotal São Pio X

NOTA

A Montfort, por amor à Fé e à Santa Igreja Católica Apostólica Romana, por amor à justiça para com Dom Lefebvre e a Dom Mayer, esses dois heróicos defensores da fé e da Missa de sempre, por amor à verdade, publica com alegria esse comunicado do Superior da FSSPX na França, rezando e fazendo votos para que o Papa Bento XVI, tirando a conclusão lógica do Motu Proprio Summorum Pontificum, anule as excomunhões inválida e injustamente lançadas contra Dom Lefebvre e Dom Mayer em 1988, o que permitirá a  vitória da Missa de sempre e o debate franco sobre os erros do Vaticano II.

Publicamos esse Comunicado, pouco nos importanto da oposição e até da hostilidade, que muitos da FSSPX fazem à Montfort, mas pensando apenas no bem e na vitória da Igreja. Tanto mais que nos chegam rumores de fontes romanas que indicariam uma possível suspensáo das excomunhões desse dois Bispos, quando o justo seria a declaração da nulidade das excomunhões de 1988.

Os destaques colocados no texto pela Montfort indicam os pontos em que mais concordamos com as palavras do Padre Cacqueray.

Deus dê, o quanto antes, por meio do Papa Bento XVI, a glória e a justice devidas a Dom Lefebvre e a Dom Mayer por seu heroísmo sem mácula, sem compromissos e sem traições.

São Paulo, 11 de Janeiro de 2009.

Orlando Fedeli

Presidente da Associação Cultural Montfort.


De uma condição prévia a outra

Abbé Régis de Cacqueray-Valménier

“Se se toma o termo “secundário” no sentido em que dissemos e que é o sentido primitivo: o segundo é o que segue... o que resulta do outro.” (Romano Amerio)

“Joana D’Arc tem hoje menos céticos do que ela encontrou em seu tempo.” Jacques Bainville

“Você me mostrou o caminho de Ars, eu lhe mostrarei o caminho do Céu.” São João Maria Vianney, o Cura d’Ars

No início do ano de 2001, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X especificou e levou ao conhecimento da Santa Sé “as três etapas” que lhe parecia necessário respeitar para continuar a trabalhar na resolução da crise doutrinal da Igreja e, por via de conseqüência, unicamente, à regularização canônica de sua própria situação.

A exposição, tornada pública, desta linha estratégica foi acolhida com numerosas críticas desfavoráveis, sobretudo pelo motivo de que o princípio de comunicar a Roma, como primeira etapa, condições prévias a toda discussão com ela, pareceu, senão inadmissível, ao menos totalmente inadequado. Essa pretensão, já considerada exorbitante em si mesma, não dissimulava, além disso, uma vontade inconfessada da Fraternidade de ficar no seu canto e de deixar para as calendas gregas a hora de sua reintegração?

A “estratégia” da Fraternidade

Para a decepção de alguns, e a alegria de outros, o itinerário proposto pela Fraternidade para chegar a “acordos” foi portanto considerado impraticável: como Roma teria podido aceitar que lhe ditassem uma linha de conduta, emitida, ainda por cima, sem qualquer conversação, por essa Fraternidade “excluída da Igreja”? Não teria sido dar a essa última uma importância desmesurada e se colocar a reboque de sua marginalidade, para maior irritação de quase todos?

Note-se, entretanto, que a lenta diplomacia romana nem produziu uma contraproposta no lugar daquela da Fraternidade nem exprimiu – ao menos publicamente – sua concordância ou sua discordância com a idéia de ter que passar sob as forcas caudinas, ou seja,  aceitar as condições humilhantes que lhe tinham sido designadas, diga-se de passagem, não sem alguma audácia ou ingenuidade.  Foi, todavia, o silêncio oficial em que Roma se manteve que contribuiu finalmente, por falta de expressão de uma outra proposição ou da recusa daquela que lhe tinha sido indicada, a tornar pouco a pouco a estratégia da Fraternidade, sozinha no terreno diplomático, mestra desse terreno até hoje, ao ponto de se ter imposto, sem combate, como a referência natural em função da qual todos se habituaram a se situar ou se deslocar, nas relações que se seguiram.

Dado que a apresentação dessas duas condições prévias forma apenas a primeira das três etapas do itinerário sugerido pela Fraternidade, nem o sucesso parcial que ela obteve em resposta a seu primeiro pedido, nem o outro sucesso que proviria da obtenção do segundo, não bastariam portanto, por si sós, para acertar a diferença, de essência puramente doutrinária, que a opõe à “Roma conciliar” e cujo tratamento foi fixado na segunda das três etapas.

Do mesmo modo, as duas condições preliminares ao pretendem de modo algum se substituir ao exame das questões doutrinárias. Tal não é sua função. Em virtude de seu próprio estatuto, elas não têm outra função além de preludiá-lo e de criar um clima propício a seu bom desenvolvimento. Elas foram escolhidas e formuladas para serem apresentadas a um interlocutor ainda por vir, o qual se espera que seja capaz de apreciar o interesse que há em atender esses dois pedidos para o bem de toda a Igreja, mas do qual não se conhece, ao menos no momento em que se está agora, a persistência em seguir e em professar os desvios conciliares.

Quer se trate pois da Missa de São Pio V ou das “excomunhões de 1988”, as condições prévias não têm a pretensão de fazer valer junto da Santa Sé tudo o que a Fraternidade quer obter em tais assuntos. Sobre o primeiro ponto, a Fraternidade, com efeito,  nunca fez mistério de sua vontade de chegar à erradicação pura e simples da missa nova. Quanto à segunda, ela considera que Roma terminará por concluir pela nulidade das “excomunhões de 1988”.

Mas ela tem clara consciência de que não se poderá, logicamente, ser-lhe dada inteira satisfação nesses dois pontos, senão após a conclusão feliz da segunda etapa de sua estratégia. Foi por isso que ela considerou, na escolha das duas condições prévias que colocou e em sua formulação precisa, o que poderia, em um primeiro tempo, ser já obtido de um papa, empenhado ainda em defender o Concílio, mas, paradoxalmente, preocupado em procurar os meios de remediar o estado de ruína da Igreja e as injustiças cometidas. Ora, constatou-se que o Papa Bento XVI apresentava esse perfil.

Apesar desse sábio realismo, as duas condições prévias a toda discussão não deixavam de ser, tanto uma quanto outra, inaceitáveis questionamentos. Que se julgue! Enquanto Paulo VI tinha tido simplesmente a vontade de substituir a antiga missa pela nova, a Fraternidade não pedia nada menos que o reconhecimento do direito dos padres de tê-la sempre celebrado e de continuar a celebrá-la.

Quanto às sagrações de 30 de junho de 1988, elas se encontravam ipso facto sancionadas pela excomunhão prevista no novo Código de Direito Canônico. Ora, a Fraternidade se recusa, no entanto, a pedir o “levantamento das sanções”. Ela procura obter a “retirada do decreto de excomunhão” e não escapa a ninguém que os termos que ela empregou para traduzir seu pedido foram escolhidos de propósito. Ela quer que seja bem manifestada sua convicção da nulidade das sanções e, se Roma se decidir a agir, que ela o faça deixando ao menos a porta aberta à essa hipótese canônica.

Todos os ingredientes pareciam portanto reunidos para que esta estratégia permanecesse letra morta, gelasse ainda mais as relações entre Roma e a Fraternidade e, mais grave, causasse mesmo um prejuízo a uma eventual vontade romana de reconhecer o direito dos padres de celebrar a missa de sempre.

Se essa perspectiva não é inexata, a decisão da promulgação do Motu Proprio de 7 de julho de 2007 parece então como ainda mais surpreendente. Como o Papa teria podido se decidir a atravessar um tão temível Rubicão, se a questão dessa missa não tivesse inicialmente se apresentado a ele como uma questão de consciência, se ele não tivesse percebido um estado de necessidade suficientemente grave para se arriscar em um tal terreno, e se ele não tivesse contado tirar vantagens decisivas de seu Motu Proprio? Teria ele enfrentado o episcopado do mundo inteiro, como fez, por um caso que considerasse secundário? E já que ele se decidiu, uma questão não deixa de estar em todos os lábios: se ele ousou conceder a primeira, atenderá também a segunda das duas condições prévias?

De uma espera à outra

Apenas nós tivemos tempo para nos deixar educar às lentidões romanas por esse jogo de paciência que precedeu o atendimento da primeira condição prévia, nós nos encontramos, com efeito, convidados à espera do segundo! Saberemos nós tirar de nossa primeira prova de resistência o melhor proveito? Viver aquela que começou como convém? De fato, não será simplesmente apenas no ritmo de nossos rosários?

Não só! Se a oração é nada menos que a respiração de nossas almas, ela não toma entretanto o lugar de tudo o mais e não nos dispensa do resto. Os instantes que nós vivemos devem igualmente ser utilizados para antecipar uma profunda reflexão a respeito dessa defesa e dessa confissão pública de fé junto a Roma, que será talvez “a hora” por excelência da vida de nossa Fraternidade.

É preciso realmente esperar que esses momentos, que poderão trazer sua pedra decisiva para o reerguimento da vida da Igreja, acabem por acontecer. Nós devemos, em conseqüência, ter essa grande preocupação de compreender, por nós mesmos, sempre mais profundamente, que a restituição parcial da Missa deverá ser seguida de sua restituição total e da restituição da fé. Ai de nós, clero e leigos, se não chegamos a ter uma consciência suficiente dos verdadeiros pontos-chave e da profundidade de nosso combate. Nossa posição de soldados de Deus nos pede que não nos deixemos embalar pela esperança da retirada de um decreto que, se acontecesse, não assinaria nem mesmo um armistício. A espera não é a passividade. Esse momento deve ser imperativamente aproveitado para prosseguir a instrução e a formação de cada um, do aumento de firmeza e de espírito de combate.

Lembremo-nos, pois, das faltas e das imperfeições constatadas durante esse primeiro período de espera para não recair nelas.        A medida que rumores, sempre mais numerosos e insistentes, alguns deles vindos de Roma, nos advertiam que o Papa ia publicar um texto em favor da Missa antiga, os espíritos tiveram tendência a se dividir entre ceticismo e euforia. Passando o tempo, eles se aqueceram, e se espalhou um clima de excitação realmente pouco propício a uma reflexão objetiva sobre a significação exata que teria a concessão da primeira condição prévia.

De uma condição prévia a outra


Ainda que imperfeito e insatisfatório sob vários aspectos, é evidente hoje que esse Motu Proprio marcou uma data na história da liberdade para a missa tradicional. Ele merecia ser saudado pela Fraternidade, que não deixou de fazê-lo, ao menos pela confissão pontifical tão esperada de que a missa de São Pio V não havia jamais sido abrrogada e pelo conseqüente reconhecimento de que todo padre tinha tido sempre o direito de celebrá-la e tinha, portanto, presentemente o direito de fazê-lo.


Além disso, ele correspondia e respondia, em sua materialidade, à primeira condição prévia sugerida pela Fraternidade e pelo qual ela havia pedido com fervorosas orações. Se ele não era, certamente, apresentado como uma resposta a seu primeiro pedido, ele o era de facto. Não contente de indicar  certo encontro do pensamento do Papa com o nosso, sobre esse primeiro bem que se esperava do reconhecimento da liberdade da missa, ele se prestava evidentemente demais a ser entendido como um sinal para com a Fraternidade para não ter sido pensado e medido como tal.


Notemos também que não repugnou a Bento XVI inscrever-se visivelmente nessa lógica, que foi, no entanto, emitida e definida unilateralmente pela Fraternidade, sabendo perfeitamente que não deixariam – para louvá-lo ou para criticá-lo – de ressaltar isso. Ainda que ter representado o primeiro ato não o comprometa, é verdade, com aqueles que se seguem, o fato de tê-lo feito não é neutro e ele o sabe bem. Tanto mais que o Papa não ignorava que o efeito secundário da publicação do Motu Proprio seria infalivelmente o aumento do discrédito que afetaria as condenações fulminadas por Roma contra a Fraternidade. Ao afirmar que a missa nunca tinha sido proibida, o discurso pontifical dava razão, infelizmente apenas após sua morte, àquele que o tinha sempre afirmado, quase isoladamente entre todos os bispos: “O venerado Monsenhor Lefebvre”.


Na seqüência de tal reabilitação implícita de seu grande combate pela missa, mesmo que ela permaneça ainda parcial, será possível por muito tempo ao Papa manter a lembrança da “excomunhão” daquele que, quase sozinho, teve a coragem de lutar contra todos, que não se deixou intimidar e cuja recompensa, até o momento, consistiu apenas em ter suja sua memória?


É realmente possível que um combate tão heróico, cuja utilidade para a Igreja não cessa e não vai cessar de se revelar cada vez mais, possa ter sido conduzido por um homem mau, mau de uma malícia que teria sido mais tenebrosa que aquela de Lutero e cuja memória deveria para sempre permanecer maldita? Maldito, aquele sem o qual essa missa não teria sido sempre oferecida à Igreja? Quem ousará ainda dizê-lo? Quem não começa, ao contrário, a perceber a reunião e o germinar de todos esses sinais que deixam pressentir que essas “excomunhões” foram simplesmente uma prevaricação, uma aplicação criminosa da lei e que não se pode por mais tempo deixar crer que elas existiram e que existiriam ainda?

Admitamos – dato, non concesso – que as sagrações episcopais de 1988 não tivessem, ali[as, tido outra finalidade que sua decisiva e incontestável contribuição à salvaguarda e à manutenção da missa. Só essa preocupação, tão grave e sagrada, não teria bastado então e, hoje ainda, não deveria ser suficiente para concordar com a realidade de um estado de necessidade, ao menos litúrgica, no qual Dom Lefebvre se encontrava acuado e que foi invocado por ele para agir?


Ou, se não se pode ou não se quer confessar essa necessidade, embora evidente, a preocupação de que ela existisse não deveria bastar a que se reconheça, pelo menos, a nobreza de sua intenção, e, em vista do eminente serviço assim prestado à Igreja, a impedir que se demore sobre uma “falta” que, na seqüência, se teria revelado tão bem-aventurada que só mereceria como sanção a magnanimidade pontifical? Embora não seja, de modo algum, o nosso, esse raciocínio deveria, por outro lado, encontrar atentos nossos interlocutores, submetidos a um novo Código de Direito Canônico que o favorece
.


Não nos espantaria, na verdade, que o pensamento de Bento XVI caminhe nessa direção. Se ele mesmo não estivesse, de saída, intimamente convencido de uma grave necessidade provocada pelo estado de dissolução litúrgica, teria corrido o risco de enfrentar e de ganhar a inimizade da grande maioria do espicopado? Se ele correu esse risco, é que também ele tinha consciência de um estado de necessidade litúrgica suficientemente grave para dever intervir.


Ainda que nós encontremos – e nós não escondemos – muito a dizer sobre a doutrina e a teologia do Papa, enraizados nos textos do Concílio, essas graves reservas não nos impedem de pensar, ao mesmo tempo, que Bento XVI não carece nem de inteligência nem de uma indiscutível probidade
. Ele sabe perfeitamente que não poderia ter devolvido a missa à Igreja se o apego a essa liturgia e a reinvidicação de sua liberdade não tivessem sido mantidas e transmitidas pelo Fundador da Fraternidade São Pio X. Essas excomunhões incomodam em sua alma de Papa como poeira no olho. Nós imaginamos que elas o fazem chorar e que elas obscurecem seu olhar: quanto tempo ele, que quer ver, as suportará ainda?


A partir disso, toda esperança não se torna possível? Essa primeira piscadela pontifical não nos dá o direito de pensar que o Papa não se deterá mais em tão bom caminho?
Teria ele podido, ao escolher dar o primeiro passo, não se colocar a questão do segundo, não se preocupar com essa lógica que leva irresistivelmente a subir de uma condição prévia a outra, ou seja, de uma ação reconhecida como benfazeja a um ser que não pode, portanto, ser um malfeitor?

Aliás, os dois processos se parecem. Nos dois casos, trata-se apenas de obter a confissão de um não-ser: não-serda interdição da celebração da missa de São Pio V, não-ser das excomunhões e nulidade de um decreto vergonhoso. Se a primeira cruzada do Rosário foi seguida do Motu Proprio sobre a missa, a segunda poderia muito bem terminar com a retirada do decreto das excomunhões.

A segunda condição prévia

Antes da obtenção da primeira condição, pouco numerosos, realmente, eram os que conjecturavam que Roma se arriscaria a concedê-la apesar da agressividade episcopal. Poucos procuraram, consequentemente, tomar a verdadeira medida de tal acontecimento. Após sua obtenção, é ainda possível ou ter tendência a relativizar sua significação e seu alcance por uma justa preocupação de não se arriscar a entusiasmo injustificado em relação ao Papa Bento XVI, ou então ter sido atingido pessoalmente por esse entusiasmo.

É preciso refletir bem e rezar para encontrar o equilíbrio no julgamento e esclarecer as almas como é preciso, não afastar a hipótese da retirada do decreto como improvável, nem anunciá-la,como um astrólogo, como estando para se produzir em breve.

Porque o decreto pode muito bem não ser retirado por muito tempo ainda, é preciso mostrar sua nulidade e injustice, e demonstrar, ao mesmo tempo, que ele é a conclusão lógica da máquina conciliar rejeitando Fé e Tradição. Enquanto subsistir a aparência dessa sanção, nós continuaremos a levá-la como uma Legião de Honra, como o símbolo de um glorioso opróbrio, aquele que valeu a nossos bispos sua fidelidade solitária.

Porque a retirada do decreto pode igualmente se produzir rapidamente, é nosso dever antecipar essa declaração, de maneira que tal ato, se acontecer, seja unicamente julgado conforme sua significação exata. Se se trata realmente da retirada do decreto – e não de um levantamento das excomunhões – será então o começo da reparação da injustiça inaudita que conhecemos e nós poderemos então nos rejubilar.


Com efeito, mesmo que se trate apenas, em definitivo, de um primeiro passo para a reparação de uma indignidade, nós teremos para com o Papa que decidir isso um verdadeiro sentimento de gratidão, que não devemos de modo algum hesitar em exprimir
..Se, por outro lado, se tratar de um “levantamento das excomunhões”, as coisas seriam outras. Isso não corresponderia a nossa segunda condição prévia, e não isentaria nossos bispos do mau processo que lhes tinha sido movido. Deixando crer que as penas pronunciadas não era nulas mas que eram talvez mesmo merecidas, não resultaria disso, em certo sentido, pelo menos, um novo mal mais profundo? Roma teria então retirado, com uma aparência misericordiosa, sanções que se encontrariam, pelo mesmo ato, confirmadas como tendo sido validamente e até mesmo legitimamente aplicadas.


Nós ouvimos dizer que alguns padres dos Institutos Ecclesia Dei tinham se unido a nossa cruzada do Rosário e nós lhes agradecemos
. Nós queríamos simplesmente observar-lhes que nossa cruzada visa obter a retirada de um decreto nulo e aflitivo, não a retirada de uma penalidade que nós sabemos ser inexistente. Esta distinção é importante! A existência dessa Comissão Ecclesia Dei,  trepadasobre a condenação de Dom Lefebvre, assim como a aceitação de pertencer a ela, é um autêntico assunto de escândalo.. Nós nunca entendemos, em particular, como alguns, que lhe devem tudo e estão convencidos da nulidade das excomunhões, tenham se perdido nessa via. Que eles possam protestar contra tal tutela e se emancipar dela. Não seria essa uma maneira de pagar sua dívida de reconhecimento para com Dom Lefebvre?

Se tivemos sucesso, como cremos, nesse esforço de explicar o que anima nossa Fraternidade, as almas não se encontrarão desorientadas. Essas duas condições prévias, por mais importantes que sejam, não são, no final das contas, nada mais do que o começo de um longo processo!


Todas as questões mais sérias, que dizem respeito à própria fé, restam a abordar. Esse é o coração de nosso combate e não podemos fazer concessão de um só iota. Não será, portanto, certamente, uma falta de gratidão, mas um ato de caridade, continuar a exprimir bem nitidamente todos os nossos desacordos com a doutrina envenenada do Concílio
. Tenhamos o trabalho, desde agora, de refutar esse sentimentalismo tão comum que gostaria, como resposta aos avanços do Papa, que nós cessemos nossas críticas a respeito de seu pensamento, o qual está, no entanto, resolutamente inscrito na sua hermenêutica de continuidade do Vaticano II, absolutamente inadmissível.

Nunca deixemos dizer que “essas discussões teológicas” são um problema de especialistas e não nos dizem respeito. É preciso insistir em demonstrar que é totalmente o contrário: já que se referem à fé, essas questões dizem respeito a todos eminentemente, clero e leigos. Nós devemos ter o trabalho de entender e de fazer entender os pontos chave delas.

O Vaticano II é o “descoroamento” político de Nosso Senhor Jesus Cristo e a negação de Seus direitos sobre as sociedades. O Vaticano II é uma benevolência, infinitamente danosa e escandalosa para as almas, para com essas sociedades, escoltas do erro e do vício e fornecedoras do Inferno, muito impropriamente chamadas “outras religiões”. O Vaticano II é o triunfo do democratismo na Igreja, que torna toda autoridade quimérica e todo mando mais ou menos impossível, que permite a proliferação da heresia e do cisma. O Vaticano II é, na realidade, o maior desastre que jamais se produziu na Igreja.


Para se refazer, ela deve se livrar dele. De modo algum, portanto, a Fraternidade poderá cessar seu imenso combate de confissão da fé, que comporta obrigatoriamente a denúncia do erro
. Ela deve permanecer humilde e respeitosa, mas intrépida, impávida, para continuar a dizer tudo que ela deve dizer, confessar tudo o que ela deve confessar, denunciar tudo o que ela deve denunciar.

De Santa Joana d’Arc a Dom Lefebvre

Não é chegada a hora de se lembrar do processo de Santa Joana, daquela que foi queimada, em 30 de maio de 1431, como feiticeira, herege e relapsa na praça do Velho Mercado de Rouen?

Foi sua admirável mãe, Isabelle Romée, que obteve a instalação de um novo processo da Inquisição. Em 7 de julho (essa não é uma data que nós já conhecemos?) de 1456, na grande sala do palácio arquiepiscopal de Rouen, os comissários pontifícios, sob a presidência de Jean Juvenal de Ursins, arcebispo de Reims, declararam o processo de condenação de Joana e a sentença “manchados de roubo, de calúnia, de iniqüidade, de contradição, de erro manifesto de fato e de direito, inclusive a abjuração, as execuções e todas as suas conseqüências” e, por isso, “nulas, inválidas, sem valor e sem autoridade”.

Hoje, ainda que, certamente, a santa mãe de Dom Lefebvre, do alto do céu,  espere isso com confiança, é a Fraternidade São Pio X, sua filha, que pede justiça por seu pai. Nós estamos certos de que, dele, os católicos confessarão um dia, o que alguns tinham pressentido a respeito de Joana: “Tua morte será tua vida”. E os franceses, do mesmo modo que experimentam um legítimo orgulho de contar entre os seus uma tal filha, terão não menos vivo orgulho do serviço prestado à Igreja por esse arcebispo, outro insigne rebento e honra de sua raça.

Ambos julgaram, no dia seguinte às suas famosas sagrações, das quais eles tinham consciência de que lhes valeriam as mais violentas incompreensões e represálias de seus juízes, terem acabado sua epopéia. Tanto para um como para a outra, a sagração, seja de um rei ou de quatro bispos, é o instante por excelência para o qual convergem suas admiráveis missões. E de suas cavalgadas, seus destinos e sua fidelidade ao plano de Deus, ninguém compreendeu nada e ninguém compreenderá jamais, se não tiver percebido que eles são voltados inteiramente para essas sagrações salvadoras.

O gênio deles ou sua santidade, o selo da inspiração divina como o símbolo de sua indomável determinação, não se manifesta, em toda sua amplitude, senão na hora dessas sagrações vitoriosas. Sua missão se encerra e culmina nessas sagrações, que valeram a uma e valerão um dia ao outro, muito mais que qualquer outro ato de suas vidas, a declaração da heroicidade de suas virtudes e que os tornam, um e outra, tão teologicamente próximos! É encantador ver, aliás, até que ponto as reflexões dos melhores biógrafos e hagiógrafos de Joana esclarecem também a vida de nosso fundador.

Ora, em 1456, a leitura da reabilitação de Joana foi feita em todas as grandes cidades do reino da França. De nossa parte, esperamos pacientemente a hora (e estamos firmemente convencidos de que ela virá) em que cada bispo de nosso país, cada um em sua catedral, será convidado a anunciar que as pretensas sanções levantadas contra nossos bispos, na realidade, jamais existiram. Muito pelo contrário, que Dom Lefebvre, por sua coragem em 30 de junho de 1988, rendeu um notável serviço à Igreja. Antes disso, eles terão, é claro, cada um em seu bispado, estourado um champanhe, ou pela sagração de Reims ou pelas sagrações de Ecône, para festejar essa reparação! Queiram nos perdoar a pequena ironia – que aliás nem é necessariamente uma ironia! – de ter imaginado essa divertida cena.

Como quer que seja, nós gostaríamos de convidar cada um a refletir sobre a luz que fornece a obtenção da primeira condição prévia. A Fraternidade pediu e agora ela obteve. Isso teria sem dúvida sido concedido antes, se ela tivesse sido mais vigorosamente imitada e apoiada em seu pedido e em sua oração. Hoje, ela começou uma segunda oração e um segundo pedido – não para pedir o levantamento das excomunhões! – mas para requerer a retirada do vergonhoso decreto.


Ninguém deve pensar que esse segundo pedido só interessaria desta vez – diferentemente do primeiro – exclusivamente aos membros e aos fiéis da Fraternidade! Em primeiro lugar porque todos e cada um de nós devem estar implicados, quando se trava um combate a serviço da verdade e da justiça. Em seguida e principalmente, porque a obtenção da segunda condição prévia abrirá, enfim, oficialmente, o debate tão esperado dessas questões graves e decisivas que o Concílio coloca à consciência católica.

Possam os católicos contemporâneos não passar a vergonha de ter de confessar, tarde demais, que só entraram na batalha após a vitória alcançada, por falta, certamente, de ter tido a coragem de enfrentar o consenso para levantar a capa do “religiosamente correto”. Será muita pena, tanto mais que se torna fácil, hoje em dia, sentir que o vento está começando a virar e farejar o fim que vai ter esse caso!

O carrasco de Joana, após ter acendido o fogo que devia queimá-la viva, gritou: “Estamos perdidos: queimamos uma santa”.  Nós nos perguntamos se as pessoas mais secretamente confusas não serão, um dia, aquelas que quiseram se obstinar em crer ou fazer de conta que crêem, nessas “excomunhões” e que, com uma voz grave e penalizada, mandam, ainda hoje, rezar pelo seu levantamento e pelo retorno dos cismáticos ao aprisco da Igreja. Quem será o último a dizer que acredita nisso ainda?

Quanto à Fraternidade, ela continua, tão pacificamente quanto é possível avançar pacificamente em meio a uma tempestade, a seguir sua rota. Com ou sem a retirada do decreto das excomunhões, ela se encontra ainda mais resoluta a não baixar os braços e a não assinar com Roma “um acordo entre a água e o fogo”, pelo fato de sua providencial estratégia ter sido reconhecida e escolhida e estar mesmo começando a dar frutos.

Com a graça de Deus, ela passará, neste ano de 2009, a fronteira de quinhentos membros padres. Na França, ela tem a alegria de anunciar-lhes, após a benção da nova igreja construída no coração da cidade de Rouen, a abertura, para este novo ano, de dois novos lugares de culto na região parisiense, um em plena cidade de Paris, o outro perto de Meaux, e tem esperança, na próxima volta às aulas, de abrir um priorado em Rouen e uma nova escola primária em Brest.

Para o progresso de nosso apostolado, nós lhes agradecemos, de todo coração, suas orações e seu apoio. Nós devemos, em toda parte, continuar a construir tudo sozinhos, pois os lugares de culto nos serão sempre recusados. Na medida em que se amontoam cada vez mais os escombros do Concílio, parece, com efeito, que os bispos, ao invés de tentar se livrar deles, preferem se deixar igualmente sepultar com o que subsiste de suas dioceses.

Não nos queixamos de pagar caro nossa liberdade de palavra e de confissão da fé. Mas é um fato, de que se deve ter consciência clara, que enquanto as igrejas vazias permanecem obstinadamente fechadas – como em Amiens – e que nós temos que pagar, até o último centavo, cada metro quadrado de nossas instalações e cada pedra de nossas construções, que o combate da fé só se manteve, miraculosamente, e continua, graças a esse ostracismo e a essa imensa precariedade aos quais nós continuamos confrontados.

Mais do que nunca, a fim de intensificar nossa resistência e a fim de propagar a fé, nós temos necessidade de sua ajuda. Nós lhe agradecemos esse apoio indispensável para que nós possamos sempre mais desenvolver nosso apostolado para a glória de Deus, para a salvação das almas, para que a fé seja transmitida a nossos filhos e que não desapareça de nosso país.  Santa Joana o disse e viveu: “É preciso fazer o que se deve quando Deus quer. Façamos a nossa parte que Deus fará a d’Ele”.

Caros amigos e benfeitores, nesse começo do ano de 2009, cheios de uma invencível certeza de que a hora de Deus e do triunfo de sua justiça está para vir, eu lhes apresento meus votos de que enraizados no combate da fé, nós continuemos a combater, todos juntos e até o fim, no cadinho das virtudes cristãs e no Coração Doloroso e Imaculado da Santíssima Virgem Maria.

Votos de 2009 aos fiéis

Suresnes, 31 de Dezembro de 2008

Abbé Régis de Cacqueray-Valménier, Superior Distrito da  França da FSSPX


Para citar este texto:
Abbé Régis de Cacqueray-Valménier - "De uma condição prévia à outra"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas&subsecao=igreja&artigo=fraternidade-vaticano&lang=bra
Online, 22/01/2009 às 18:40h

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Acerbo nimis

SS Pius X

Acerbo nimis

Carta encíclica de San Pío X sobre la enseñanza del Catecismo

15 de abril de 1905

Los secretos designios de Dios Nos han levantado de Nuestra pequeñez al cargo de Supremo Pastor de toda la grey de Cristo en días bien críticos y amargos, pues el enemigo de antiguo anda alrededor de este rebaño y le tiende lazos con tan pérfida astucia, que ahora, principalmente, parece haberse cumplido aquella profecía del Apóstol a los ancianos de la Iglesia de Efeso: Sé que... os han asaltado lobos voraces que destrozan el rebaño (1).

De este mal que padece la religión no hay nadie, animado del celo de la gloria divina, que no investigue las causas y razones, sucediendo que, como cada cual las halla diferentes, propone diferentes medios conforme a su personal opinión para defender y restaurar el reinado de Dios en la tierra. No proscribimos, Venerables Hermanos, los otros juicios, mas estamos con los que piensan que la actual depresión y debilidad de las almas, de que resultan los mayores males, provienen, principalmente, de la ignorancia de las cosas divinas.

Esta opinión concuerda enteramente con lo que Dios mismo declaró por su profeta Oseas: No hay conocimiento de Dios en la tierra. La maldición, y la mentira, y el homicidio, y el robo, y el adulterio lo han inundado todo; la sangre se añade a la sangre por cuya causa se cubrirá de luto la tierra y desfallecerán todos sus moradores (2).

Necesidad de instrucción

2. ¡Cuán comunes y fundados son, por desgracia, estos lamentos de que existe hoy un crecido número de personas, en el pueblo cristiano, que viven en suma ignorancia de las cosas que se han de conocer para conseguir la salvación eterna! -Al decir "pueblo cristiano", no Nos referimos solamente a la plebe, esto es, a aquellos hombres de las clases inferiores a quienes excusa con frecuencia el hecho de hallarse sometidos a dueños exigentes, y que apenas si pueden ocuparse de sí mismos y de su descanso; sino que también y, principalmente, hablamos de aquellos a quienes no falta entendimiento ni cultura y hasta se hallan adornados de una gran erudición profana, pero que, en lo tocante a la religión, viven temeraria e imprudentemente. ¡Difícil sería ponderar lo espeso de las tinieblas que con frecuencia los envuelven y -lo que es más triste- la tranquilidad con que permanecen en ellas! De Dios, soberano autor y moderador de todas las cosas, y de la sabiduría de la fe cristiana para nada se preocupan; y así nada saben de la Encarnación del Verbo de Dios, ni de la redención por El llevada a cabo; nada saben de la gracia, el principal medio para la eterna salvación; nada del sacrificio augusto ni de los sacramentos, por los cuales conseguimos y conservamos la gracia. En cuanto al pecado, ni conocen su malicia ni su fealdad, de suerte que no ponen el menor cuidado en evitarlo, ni en lograr su perdón; y así llegan a los últimos momentos de su vida, en que el sacerdote -por no perder la esperanza de su salvación- les enseña sumariamente la religión, en vez de emplearlos principalmente, según convendría, en moverles a actos de caridad; y esto, si no ocurre -por desgracia, con harta frecuencia- que el moribundo sea de tan culpable ignorancia que tenga por inútil el auxilio del sacerdote y juzgue que pueda traspasar tranquilamente los umbrales de la eternidad sin haber satisfecho a Dios por sus pecados.

Por lo cual Nuestro predecesor Benedicto XIV escribió justamente: Afirmamos que la mayor parte de los condenados a las penas eternas padecen su perpetua desgracia por ignorar los misterios de la fe, que necesariamente se deben saber y creer para ser contados entre los elegidos (3).

3. Siendo esto así, Venerables Hermanos, ¿qué tiene de sorprendente, preguntamos, que la corrupción de las costumbres y su depravación sean tan grandes y crezcan diariamente, no sólo en las naciones bárbaras, sino aun en los mismos pueblos que llevan el nombre de cristianos?

Con razón decía el apóstol San Pablo escribiendo a los de Efeso: La fornicación y toda especie de impureza o avaricia, ni aun se nombre entre vosotros, como corresponde a santos, ni tampoco palabras torpes, ni truhanerías (4). Como fundamento de este pudor y santidad, con que se moderan las pasiones, puso la ciencia de las cosas divinas: Y así, mirad, hermanos, que andéis con gran circunspección; no como ncios sino como prudentes... Por lo tanto, no seáis indiscretos, sino atentos sobre cuál es la voluntad de Dios (5).

Sentencia justa; porque la voluntad humana apenas conserva algún resto de aquel amor a la honestidad y la rectitud, puesto en el hombre por Dios creador suyo, amor que le impulsaba hacia un bien, no entre sombras, sino claramente visto. Mas, depravada por la corrupción del pecado original y olvidada casi de Dios, su Hacedor, la voluntad humana convierte toda su inclinación a amar la vanidad y a buscar la mentira. Extraviada y ciega por las malas pasiones, necesita un guía que le muestre el camino para que se restituya a la vía de la justicia que desgraciadamente abandonó. Este guía, que no ha de buscarse fuera del hombre, y del que la misma naturaleza le ha provisto, es la propia razón; mas si a la razón le falta su verdadera luz, que es la ciencia de las cosas divinas, sucederá que, al guiar un ciego a otro ciego, ambos caerán en el hoyo.

El santo Rey David, glorificando a Dios por esta luz de la verdad que le había infundido en la razón humana, decía: Impresa está, Señor, sobre nosotros la luz de tu rostro. Y señalaba el efecto de esta comunicación de la luz, añadiendo: Tú has infundido la alegría en mi corazón (6), alegría con la que, ensanchado el corazón, corre por la senda de los mandatos divinos.

Efectos de la "doctrina"

4. Fácilmente se descubre que es así, porque, en efecto, la doctrina cristiana nos hace conocer a Dios y lo que llamamos sus infinitas perfecciones, harto más hondamente que las fuerzas naturales. ¿Y qué más? Al mismo tiempo nos manda reverenciar a Dios por obligación de fe, que se refiere a la razón; por deber de esperanza, que se refiere a la voluntad, y por deber de caridad, que se refiere al corazón, con lo cual deja a todo el hombre sometido a Dios, su Creador y moderador. De la misma manera sólo la doctrina de Jesucristo pone al hombre en posesión de su verdadera y noble dignidad, como hijo que es del Padre celestial, que está en los cielos, que le hizo a su imagen y semejanza, para vivir con El eternamente dichoso. Pero de esta misma dignidad y del conocimiento que de ella se ha de tener, infiere Cristo que los hombres deben amarse mutuamente como hermanos y vivir en la tierra como conviene a los hijos de la luz: No en comilonas y borracheras, no en deshonestidades y disoluciones, no en contiendas ni envidias (7). Mándanos, asimismo, que nos entreguemos en manos de Dios, que se cuida de nosotros; que socorramos al pobre, hagamos bien a nuestros enemigos y prefiramos los bienes eternos del alma a los perecederos del tiempo. Y sin tocar menudamente a todo, ¿no es, acaso, doctrina de Cristo la que recomienda y prescribe al hombre soberbio la humildad, origen de la verdadera gloria? Cualquiera que se humillare, ése será el mayor en el reino de los cielos (8). En esta celestial doctrina se nos enseña la prudencia del espíritu, para guardarnos de la prudencia de la carne; la justicia, para dar a cada uno lo suyo; la fortaleza, que nos dispone a sufrir y padecerlo todo generosamente por Dios y por la eterna bienaventuranza; en fin, la templanza, que no sólo nos hace amable la pobreza por amor de Dios, sino que en medio de nuestras humillaciones hace que nos gloriemos en la cruz. Luego, gracias a la sabiduría cristiana, no sólo nuestra inteligencia recibe la luz que nos permite alcanzar la verdad, sino que aun la misma voluntad concibe aquel ardor que nos conduce a Dios y nos une a El por la práctica de la virtud.

5. Lejos estamos de afirmar que la malicia del alma y la corrupción de las costumbres no puedan coexistir con el conocimiento de la religión. Pluguiese a Dios que la experiencia no lo demostrara con tanta frecuencia. Pero entendemos que, cuando al espíritu envuelven las espesas tinieblas de la ignorancia, ni la voluntad puede ser recta, ni sanas las costumbres. El que camina con los ojos abiertos, podrá apartarse, no se niega, de la recta y segura senda; pero el ciego está en peligro cierto de perderse. -Además, cuando no está enteramente apagada la antorcha de la fe, todavía queda esperanza de que se enmiende la corrupción de costumbres; mas cuando a la depravación se junta la ignorancia de la fe, ya no queda lugar a remedio, sino abierto el camino de la ruina.

El primer ministerio

6. Puesto que de la ignorancia de la religión proceden tantos y tan graves daños, y, por otra parte, son tan grandes la necesidad y utilidad de la formación religiosa, ya que, en vano sería esperar que nadie pueda cumplir las obligaciones de cristiano, si no las conoce; conviene averiguar hora a quién compete preservar a las almas de aquella perniciosa ignorancia e instruirlas en ciencia tan indispensable. -Lo cual, Venerables Hermanos, no ofrece dificultad alguna, porque ese gravísimo deber corresponde a los pastores de almas que, efectivamente, se hallan obligados por mandato del mismo Cristo a conocer y apacentar las ovejas, que les están encomendadas. Apacentar es, ante todo, adoctrinar: Os daré pastores según mi corazón, que os apacentarán con la ciencia y con la doctrina (9).

Así hablaba Jeremías, inspirado por Dios. Y, por ello, decía también el apóstol San Pablo: No me envió Cristo a bautizar, sino a predicar (10), advirtiendo así que el principal ministerio de cuantos ejercen de alguna manera el gobierno de la Iglesia consiste en enseñar a los fieles en las cosas sagradas.

7. Nos paree inútil aducir nuevas pruebas de la excelencia de este ministerio y de la estimación que de él hace Dios. Cierto es que Dios alaba grandemente la piedad que nos mueve a procurar el alivio de las humanas miserias: mas, ¿quién negará que mayor alabanza merecen el celo y el trabajo consagrados a procurar los bienes celestiales a los hombres, y no ya las transitorias ventajas materiales? Nada puede ser más grato -según sus propios deseos- a Jesucristo, Salvador de las almas, que dijo de Sí mismo por el profeta Isaías: Me ha enviado a evangelizar a los pobres (11).

Importa mucho, Venerables Hermanos, asentar bien aquí -e insistir en ello- que para todo sacerdote éste es el deber más grave, más estricto, que le obliga. Porque ¿quién negará que en el sacerdote a la santidad de vida debe irle unida la ciencia? En los labios del sacerdote ha de estar el depósito de la ciencia (12).

Y, en efecto, la Iglesia rigurosamente la exige de cuantos aspiran a ordenarse sacerdotes. Y esto, ¿por qué? Porque el pueblo cristiano espera recibir de los sacerdotes la enseñanza de la divina ley, y porque Dios les destina para propagarla. De su boca se ha de aprender la ley, puesto que él es el ángel del Señor de los ejércitos (13). Por lo cual, en las sagradas Ordenes, el Obispo dice, dirigiéndose a los que van a ser consagrados sacerdotes: Que vuestra doctrina sea remedio espiritual para el pueblo de Dios, y los cooperadores de nuestro orden sean previsores, para que, meditando día y noche acerca de la ley, crean lo que han leído y enseñen lo que han creído (14).

Si no hay sacerdote, al que esto no sea aplicable, ¿qué diremos de los que, añadiendo al sacerdote el nombre y la potestad de predicadores, tiene a su cargo el regir las almas, así por su dignidad como por un pacto contraído? Estos han de ser puestos en algún modo en el rango de los pastores y doctores que Jesucristo dio a los fieles para que no sean como niños fluctuantes ni se dejen llevar doquier por todos los vientos de opiniones y por la malignidad de los hombres..., antes bien viviendo según la verdad y en la caridad, en todo vayan creciendo hacia Cristo, que es nuestra Cabeza (15).

Disposiciones de la Iglesia

8. Por lo cual, el sacrosanto Concilio de Trento, hablando de los pastores de almas, declara que la primera y mayor de sus obligaciones era la de enseñar al pueblo cristiano (16). Dispone, en consecuencia, que por lo menos los domingos y fiestas solemnes den al pueblo instrucción religiosa, y durante los santos tiempos de Adviento y Cuaresma diariamente, o al menos tres veces por semana. Ni esto sólo: porque añade el Concilio que los párrocos están obligados, al menos los domingos y días de fiesta, a enseñar, por sí o por otros, a los niños las verdades de fe y la obediencia que deben a Dios y a sus padres. Asimismo manda que, cuando hayan de administrar algún sacramento, instruyan, acerca de su naturaleza, a los que van a recibirlo, explicándolo en lengua vulgar e inteligible.

9. En su constitución Etsi minime, Nuestro predecesor Benedicto XIV resumió tales prescripciones y las precisó claramente, diciendo: Dos obligaciones impone principalmente el Concilio de Trento a los pastores de almas: una, que todos los días de fiesta hablen al pueblo acerca de las cosas divinas; otra, que enseñen a los niños y a los ignorantes los elementos de la ley divina y de la fe.

Con razón dispone este sapientísimo Pontífice el doble ministerio, a saber: la predicación, que habitualmente se llama explicación del Evangelio, y la enseñanza de la doctrina cristiana. Acaso no falten sacerdotes que, deseosos de ahorrarse trabajo, crean que con las homilías satisfacen la obligación de enseñar el Catecismo. Quienquiera que reflexione, descubrirá lo erróneo de esta opinión; porque la predicación del Evangelio está destinada a los que ya poseen los elementos de la fe. Es el pan, que debe darse a los adultos. Mas por lo contrario, la enseñanza del Catecismo es aquella leche, que el apóstol San Pedro quería que todos los fieles habían de desear sinceramente, como los niños recién nacidos. -El oficio, pues, del catequista consiste en elegir alguna verdad relativa a la fe y a las costumbres cristianas, y explicarla en todos sus aspectos. Y, como el fin de la enseñanza es la perfección de la vida, el catequista ha de comparar lo que Dios manda obrar y lo que los hombres hacen realmente; después de lo cual, y sacando oportunamente algún ejemplo de la Sagrada Escritura, de la historia de la Iglesia o de las vidas de los Santos, ha de aconsejar a sus oyentes, como si la señalara con el dedo, la norma a que deben ajustar la vida, y terminará exhortando a los presentes a huir de los vicios y a practicar la virtud.

Instrucción popular

10. No ignoramos, en verdad, que este método de enseñar la doctrina cristiana no es grato a muchos, que lo estiman en poco y acaso impropio para conseguir alabanza popular; pero Nos declaramos que semejante juicio pertenece a los que se dejan llevar de la ligereza más que de la verdad. Ciertamente no reprobamos a los oradores sagrados que, movidos por sincero deseo de gloria divina, se emplean en la defensa de la fe o en hacer el panegírico de los Santos; pero su labor requiere otra preliminar -la de los catequistas- pues, faltando ésta, no hay fundamento, y en vano se fatigan los que edifican la casa. Harto frecuente es que floridos discursos, recibidos con el aplauso de numeroso auditorio, sólo sirvan para halagar el oído, no para conmover las almas. En cambio, la enseñanza catequística, aunque sencilla y humilde, merece que se le apliquen estas palabras que dijo Dios por Isaías:

Al modo que la lluvia y la nieve descienden del cielo y no vuelven allá, sino que empapan la tierra y la penetran y la fecundan, a fin de que dé simiente que sembrar y pan para comer, así será de mi palabra salida de mi boca: no volverá a mi vacía, sino que obrará todo aquello que yo quiero y ejecutará felizmente aquellas cosas a que yo la envié (17).

El mismo juicio ha de formarse de aquellos sacerdotes que, por mejor exponer las verdades de la religión, publican eruditos volúmenes; son dignos, ciertamente, de copiosa alabanza. Mas ¿cuántos son los que consultan obras de esa índole y sacan de ellas el fruto correspondiente a la labor y a los deseos de sus autores? Pero la enseñanza de la doctrina cristiana, bien hecha, jamás deja de aprovechar a los que la escuchan.

11. Conviene repetir -para inflamar el celo de los ministros del Señor- que ya es crecidísimo, y aumenta cada día más, el número de los que todo lo ignoran en materia de religión, o que sólo tienen un conocimiento tan imperfecto de Dios, de la fe cristiana que, en plena luz de verdad católica, les permite vivir como paganos. ¡Ay! Cuán grande es el número, no diremos de niños, pero de adultos y aun ancianos que ignoran absolutamente los principales misterios de la fe, y que, al oír el nombre de Cristo, responden: ¿Quién es... para que yo crea en él? (18). -De ahí el que tengan por lícito forjar y mantener odios contra el prójimo, hacer contratos inicuos, explotar negocios infames, hacer préstamos usurarios y cometer otras maldades semejantes. De ahí que, ignorantes de la ley de Cristo -que no sólo prohibe toda acción torpe, sino el pensamiento voluntario y el deseo de ella- muchos que, sea por lo que quiera, casi se abstienen de los placeres vergonzosos, alimentan sus almas, que carecen de principios religiosos, con los pensamientos más perversos, y hacen el número de sus iniquidades mayor que el de los cabellos de su cabeza. -Y ha de repetirse que estos vicios no se hallan solamente entre la gente pobre del campo y de las clases bajas, sino también, y acaso con más frecuencia, entre gentes de superior categoría, incluso entre los que se envanecen de su saber, y, apoyados en una vana erudición, pretenden burlarse de la religión y blasfemar de todo lo que no conocen (19).

12. Si es cosa vana esperar cosecha en tierra no sembrada, ¿cómo esperar generaciones adornadas de buenas obras, si oportunamente no fueron instruidas en la doctrina cristiana? -De donde justamente concluimos que, si la fe languidece en nuestros días hasta parecer casi muerta en una gran mayoría, es que se ha cumplido descuidadamente, o se ha omitido del todo, la obligación de enseñar las verdades contenidas en el Catecismo. Inútil sería decir, como excusa, que la fe es dada gratuitamente y conferida a cada uno en el bautismo. Porque, ciertamente, los bautizados en Jesucristo, fuimos enriquecidos con el hábito de la fe, mas esta divina semilla no llega a crecer... y echar grandes ramas (20), abandonada a sí misma y como por nativa virtud. Tiene el hombre, desde que nace, facultad de entender; mas esta facultad necesita de la palabra materna para convertirse en acto, como suele decirse. También el hombre cristiano, al renacer por el agua y el Espíritu Santo, trae como en germen la fe; pero necesita la enseñanza de la Iglesia para que esa fe pueda nutrirse, crecer y dar fruto.

Por eso escribía el Apóstol: La fe proviene del oír, y el oír depende de la predicación de la palabra de Cristo (21). Y para mostrar la necesidad de la enseñanza añadió: ¿Cómo... oirán hablar, si no se les predica? (22).

Normas

13. De lo expuesto hasta aquí puede verse cuál sea la importancia de la instrucción religiosa del pueblo; debemos, pues, hacer todo lo posible para que la enseñanza de la Doctrina sagrada, institucion -según frase de Nuestro predecesor Benedicto XIV- la más útil para la gloria de Dios y la salvación de las almas (23), se mantenga siempre floreciente, o, donde se la haya descuidado, se restaure. -Así, pues, Venerables Hermanos, queriendo cumplir esta grave obligación del apostolado supremo y hacer que en todas partes se observen en materia tan importante las mismas normas, en virtud de Nuestra suprema autoridad, establecemos para todas las diócesis las siguientes disposiciones, que mandamos sean observadas y expresamente cumplidas:

I) Todos los párrocos, y en general cuantos ejercen cura de almas, han de instruir, con arreglo al Catecismo, durante una hora entera, todos los domingos y fiestas del año, sin exceptuar ninguno, a todos los niños y niñas en lo que deben creer y hacer para alcanzar la salvación eterna.

II) Los mismos han de preparar a los niños y a las niñas, en épocas fijas del año, y mediante instrucción que ha de durar varios días, para recibir dignamente los sacramentos de la Penitencia y Confirmación.

III) Además, han de preparar con especial cuidado a los jovencitos y jovencitas para que, santamente, se acerquen por primera vez a la Sagrada Mesa, valiéndose para ello de oportunas enseñanzas y exhortaciones, durante todos los días de Cuaresma, y si fuere necesario, durante varios otros después de la Pascua.

IV) En todas y cada una de las parroquias se erigirá canónicamente la asociación, llamada vulgarmente Congregación de la Doctrina Cristiana. Con ella, principalmente donde ocurra ser escaso el número de sacerdotes, los párrocos tendrán colaboradores seglares para la enseñanza del Catecismo, que se ocuparán en este ministerio, así por celo de la gloria de Dios, como por lucrar las santas indulgencias con que los Romanos Pontífices han enriquecido esta asociación.

V) En las grandes poblaciones, principalmente donde haya Facultades mayores, Institutos y Colegios, fúndense escuelas de religión para instruir en las verdades de la fe y en las prácticas de la vida cristiana a la juventud, que frecuente las aulas públicas, en las que no se mencionan las cosas de religión.

VI) Porque, en estos tiempos, la edad madura, no menos que la infancia, necesita la instrucción religiosa, los párrocos y cuantos sacerdotes tengan cura de almas, además de la acostumbrada homilía sobre el Santo Evangelio, que han de hacer todos los días de fiesta en la misa parroquial, escojan la hora más oportuna para que concurran los fieles -exceptuando la destinada a la doctrina de los niños- y den la instrucción catequística a los adultos, con lenguaje sencillo y acomodado a su inteligencia. Para ello se servirán del Catecismo del Concilio de Trento, de tal modo que, en el espacio de cuatro a cinco años, expliquen cuanto se refiere al Símbolo, a los Sacramentos, al Decálogo, a la Oración y a los Mandamientos de la Iglesia.

VII) Venerables Hermanos, esto mandamos y establecemos en virtud de Nuestra autoridad apostólica. Ahora, obligación vuestra es procurar, cada cual en su propia diócesis, que estas prescripciones se cumplan enteramente y sin tardanza. Velad, pues, y, con la autoridad que os es peculiar, procurad que Nuestros mandatos no caigan en olvido, o -lo que sería igual- se cumplan con negligencia y flojedad. Para evitar esa falta habéis de emplear las recomendaciones más asiduas y apremiantes a los párrocos, para que no expliquen el Catecismo sin la previa preparación, y que no hablen el lenguaje de la sabiduría humana, sino que con sencillez de corazón y con sinceridad delante de Dios (24) sigan el ejemplo de Cristo, pues aunque expusiese cosas que estuvieron ocultas desde la creación del mundo (25), sin embargo, las decía todas al pueblo por medio de parábolas, o ejemplos y sin parábolas no les predicaba (26). Sabemos que lo mismo hicieron los Apóstoles, enseñados por Jesucristo; y de ellos decía San Gregorio Magno: Pusieron todo cuidado en predicar a los pueblos ignorantes cosas sencillas y accesibles, y no cosas altas y arduas (27). Y en las cosas de religión, una gran parte de los hombres de nuestra edad ha de tenerse por ignorante.

El trabajo de la enseñanza

14. Pero no quisiéramos que alguien, en razón de esta misma sencillez que conviene observar, imaginase que la enseñanza catequística no requiere trabajo ni meditación; al contrario, los pide mayores que cualquier otro asunto. Es más fácil hallar un orador que hable con abundancia y brillantez, que un catequista cuya explicación merezca plena alabanza. Por lo tanto, todos han de tener en cuenta que, por grande que sea la facilidad de conceptos y de expresión de que se hallen naturalmente dotados, ninguno hablará de la doctrina cristiana con provecho espiritual de los adultos ni de los niños, si antes no se prepara con estudio y seria meditación. Se engañan los que, confiados en la inexperiencia y rudeza intelectual del pueblo, creen que pueden proceder negligentes en esta materia. Al contrario; cuanto más incultos los oyentes, mayor celo y cuidado se requiere para lograr que las verdades más sublimes, tan elevadas sobre el entendimiento de la generalidad de los hombres, penetren en la inteligencia de los ignorantes; los cuales, no menos que los sabios, necesitan conocerlas para alcanzar la eterna bienaventuranza.

15. Séanos permitido, Venerables Hermanos, deciros al terminar esta Carta, lo que dijo Moisés: El que sea del Señor, júntese conmigo (28). Observad, os lo rogamos y pedimos, cuán grandes estragos produce en las almas la sola ignorancia de las cosas divinas. Tal vez hayáis establecido, en vuestras diócesis, muchas obras útiles y dignas de alabanza, para el bien de vuestra grey; pero, con preferencia a todas ellas, y con todo el empeño, afán y constancia que os sean posibles, cuidad esmeradamente de que el conocimiento de la Doctrina cristiana penetre por completo en la mente y en el corazón de todos. Comunique cada cual al prójimo -repetimos con el apóstol San Pedro- la gracia según la recibió, como buenos dispensadores de los dones de Dios, los cuales son de muchas maneras (29).

Que, mediando la intercesión de la Inmaculada y Bienaventurada Virgen, vuestro celo y piadosa industria se exciten con la Bendición Apostólica, que amorosamente os concedemos a vosotros, a vuestro clero y al pueblo que os está confiado, y sea testimonio de Nuestro afecto y prenda de los divinos dones.

Dado en Roma, junto a San Pedro, el 15 de abril de 1905, segundo año de Nuestro Pontificado.

Notas

1. Act. 20, 29. [Regresar]

2. Os. 4, 1 ss. [Regresar]

3. Instit. 27, 18. [Regresar]

4. Eph. 5, 3 ss. [Regresar]

5. Ibid. vv. 15 ss. [Regresar]

6. Ps. 4, 7. [Regresar]

7. Rom. 13, 13. [Regresar]

8. Mat. 18, 4. [Regresar]

9. Ier. 3, 15. [Regresar]

10. 1 Cor. 1, 17. [Regresar]

11. Luc. 4, 18. [Regresar]

12. Mal. 2, 7. [Regresar]

13. Ibid. [Regresar]

14. Pontif. Rom. [Regresar]

15. Eph. 4, 14. 15. [Regresar]

16. Sess. 5, c. 2 de refor.; sess. 22, c. 8; sess. 24, c. 4 et 7 de refor. [Regresar]

17. Is. 55, 10. 11. [Regresar]

18. Io. 9, 36. [Regresar]

19. Iudas 10. [Regresar]

20. Marc. 4, 32. [Regresar]

21. Rom. 10, 17. [Regresar]

22. Ibid. v. 14. [Regresar]

23. Const. Etsi minime 13. [Regresar]

24. 2 Cor. 1, 12. [Regresar]

25. Mat. 13, 35. [Regresar]

26. Ibid. v. 34. [Regresar]

27. Moral. 17, 26. [Regresar]

28. Ex. 32, 26. [Regresar]

29. 1 Pet. 4, 10. [Regresar]

domingo, 18 de janeiro de 2009

¿HABRÁ QUE HACERSE PROTESTANTE PARA SER BUEN CATÓLICO?

 

 

"Vae mihi si non evangilzavero"

(I Corintios, IX, 16)

Sin referirnos a las vías inesperadas en las que se vieron los Padres del Concilio al tratarse ciertos esquemas desarraigados del magisterio de la Iglesia pretendemos en las páginas que siguen hacernos eco de aquella palabra que los Padres del Concilio no han podido olvidar: ¡Caveamus" (cuidémonos).

Cuidémonos de que nos influya un espíritu absolutamente inconciliable con el que los Pontífices romanos y los precedentes Concilios se esforzaron incansablemente por difundir entre los cristianos. No se trata de un espíritu de progreso, sino de ruptura y de suicidio.

Las declaraciones de algunos Padres a ese respecto son orientadoras: unos afirman que entre las declaraciones pasadas y las de los autores de determinados esquemas no existe contradicción, porque las circunstancias se han modificado. Cuanto el Magisterio de la Iglesia ha afirmado hace cien años regía para aquellos tiempos, pero no para los nuestros.

Hay otros que se refugian en el misterio de la Iglesia.

Otros consideran que un Concilio tiene por objeto modificar la doctrina de los Concilios anteriores.

Por último, otros sostienen que todo el Concilio está por encima del magisterio ordinario, por lo cual puede prescindir de éste t bastarse por sí solo.

Se oye, además la voz de la prensa liberal afirmando que por fin la Iglesia admite la evolución del dogma.

¿Es posible discernir el motivo, al menos aparente, que permitió a esas tesis revolucionarias instalarse oficialmente en las deliberaciones del concilio? Nos creemos con autoridad para afirmar que ello se produjo a favor de un ecumenismo presentado primero como católico y que, durante el curso de las Sesiones, se transformó en ecumenismo racionalista.

Ese espíritu de ecumenismo no católico ha sido el instrumento del cual manos misteriosas se sirvieron para intentar quebrar y pervertir la doctrina enseñada desde los tiempos envangélicos hasta nuestros días, doctrina por la que ha corrido y sigue corriendo tanta sangre de mártires.

Por inconcebible que parezca, así ha sucedido: de ahora en adelante, en la historia de la Iglesia se hablará siempre de esas tesis contrarias a la doctrina que, so pretexto de ecumenismo, se presentaron a los Padres conciliares del Vaticano II.

De esa manera, se hicieron esfuerzos para elaborar esquemas que atenúen o incluso hagan desaparecer ciertos puntos de doctrina específicamente católica que pudieran desagradar a los ortodoxos y, especialmente, a los protestantes. 70

Quisiéramos abordar algunos ejemplos de las nuevas tesis propuestas. Nos parece útil desarrollar las tesis católicas tradicionales sobre tales puntos, pues se trata de una doctrina conocida por todos, enseñada en nuestros catecismos, que nutre nuestra Liturgia y que ha sido objeto de las más firmes y luminosas enseñanzas de los Papas desde hace un siglo.

Expresar el dolor que experimentaron los Padres firmemente aferrados a la continuidad de la doctrina al escuchar la exposición de las nuevas tesis hecha por los relatores oficiales de las Comisiones, es tarea imposible. Pensábamos en las voces de los Papas cuyos cuerpos yacían sepultados en el preciso lugar donde nos encontrábamos. Pensábamos en el inmenso escándalo que pronto haría la prensa por su manera de transmitir esas exposiciones.

La Primacía de Pedro

Veamos primero la Primacía de Pedro, a la cual se quiere desplazar en beneficio de una colegialidad mal definida y mal comprendida, que culmina en un desafío al sentido común. ¡Cuánto mejor y más provechoso hubiera sido señalar la función del obispo en la Iglesia con relación a su grey particular bajo la vigilancia de Pedro, y mostrar cómo -a través de esa grey particular- se debe por caridad a la Iglesia universal, comenzando por las Iglesias que le son próximas, siguiendo por las de las misiones, y luego por la Iglesia entera, pero en dependencia inmediata de Pedro, ¡qué es el único que se debe en justicia y directamente a todas las Iglesias y a toda la Iglesia!

Pero veamos la tesis nueva y las dos afirmaciones que contiene:

1) Todo, absolutamente todo poder sobre la Iglesia ha sido confiado solamente a Pedro.

2) Todo ese mismo poder ha sido confiado también a Pedro y a los Apóstoles colectiva-mente.

Si verdaderamente todo el poder ha sido confiado sólo a Pedro, lo que los otros puedan tener lo habrán recibido de él. Si los obispos tienen con Pedro una parte en el gobierno universal, parte que Pedro no puede quitarles, ya Pedro no tiene todo el poder él solo.

¡Que no hablen de misterio! La contradicción, es manifiesta. En el segundo caso, Pedro no tiene sino la cuota mayor del poder, lo cual ha sido condenado por el Vaticano I: "Si alguien dijere que el Pontífice romano no tiene sino las potiores partes y no la plenitud del poder supremo, que sea anatema".

Después de Pedro, se ataca a la Curia, que es considerada secretaría del Papa, cuando en realidad es la parte más noble de la Iglesia particular de Roma, Iglesia cuya fe es indefectible y que es Madre y Maestra de todas las Iglesias. Hacia ella deben dirigirse las miradas de los Padres, porque pueden estar ciertos de que allí encontrarán la verdad.

¿Por qué se pretende que la Iglesia de Roma calle? ¿De dónde nos vendría la luz si los Padres conciliares de la Iglesia de Roma enmudecieran?

Por otra parte, intercalar entre el obispo de Roma y la Iglesia el cuerpo episcopal de la Iglesia Universal en forma institucionalizada significaría quitar a la Iglesia de Roma su título de Madre de todas las Iglesias.

Con eso no queremos contradecir la posibilidad de que el Soberano Pontífice consulte más frecuentemente a los obispos y modifique, si lo considera conveniente, algunas modalidades o estructuras de la Curia.

Pero el propósito de quienes aspiran a crear una institución jurídica nueva ceñida a una colegialidad siempre en ejercicio, podría hacer de la nueva institución el cuerpo electoral del Soberano Pontífice. Porque es inconcebible que el Papa no resulte elegido por su clero dado que debe ser Obispo de Roma para ser luego sucesor de Pedro.

La Virgen María

Con imprudencia increíble, a despecho del deseo explícito del Santo Padre, el esquema propuesto suprime el título de María Madre de la Iglesia; los ecumenistas lamentan que la Virgen María sea nombrada Mediadora.

Sin embargo, cabe esperar que la devoción de los Padres a María restablecerá el honor que el Concilio debe a la Virgen, proclamándola solemnemente Madre de la Iglesia y consagrando el mundo a Su Corazón Inmaculado.

La Eucaristía

Se habrá observado que a propósito de la Eucaristía – aunque este tema no ha sido tratado ex professo – existen dos alusiones tendientes a disminuir la estimación de la Presencia Real de Nuestro Señor.

Al final del esquema sobre las Sagradas Escrituras, se pone a la Eucaristía en un mismo pie de igualdad con las Escrituras. ¡Cómo no pensar en todos esos evangelios que desde entonces han reemplazado a la Eucaristía en los altares mayores de nuestras Iglesias!

Se afirma, por otra parte, que los protestantes carecen de "la plena realidad de la Eucaristía". ¿De qué Eucaristía se trata? Ciertamente no puede ser de la Eucaristía católica, pues la presencia real ésta no está...

La Revelación

En todos los esquemas relativos a la Revelación se tiende a minimizar el valor de la Tradición en provecho de la Escritura. Se reprocha exageradamente a los fieles y a los sacerdotes no alentar una mayor devoción a la Sagrada Escritura.

En efecto, las Escrituras han sido destinadas a la Comunidad del pueblo de Dios en sus jefes y no a cada miembro individual aisladamente, como sostiene los protestantes. Por eso la iglesia, como una madre, brinda la leche de la doctrina a sus hijos mediante su feliz presentación en la Liturgia, en el catecismo, en la homilía dominical. Está dentro del orden de la naturaleza que la Escritura nos sea enseñada por personas autorizadas. Así lo ha querido Nuestro Señor. Nada tenemos que tomar de los protestantes, cuya historia ha demostrado suficientemente que por sí sola la Escritura no puede mantener la unidad ni preservar del error.

La Verdad de la Iglesia

La Verdad de la Iglesia tiene, evidentemente, consecuencias que molestan a los protestantes y también a ciertos católicos imbuidos de liberalismo.

En lo sucesivo el nuevo dogma que ocupará el lugar que correspondía a la Verdad de la Iglesia será el de la dignidad de la persona humana junto con el bien supremo de la libertad: dos nociones que se evita definir con claridad.

De ello se sigue, según nuestros novadores, que la libertad de manifestar públicamente la religión de su propia conciencia es un derecho estricto de toda persona humana que ninguna otra persona del mundo puede prohibir. Que sea una religión verdadera o falsa, que promueva virtudes o vicios, poco les importa. ¡El único límite será un bien común que evitan celosamente definir!

Por consiguiente, se haría necesario revisar los acuerdos entre el Vaticano y las naciones que con toda justicia reconocen una situación preferencial a la religión católica.

El Estado debería ser neutro en materia de religión. Habría que revisar muchas constitucio-nes de Estado, no solamente en las naciones de religión católica. ¿Habrán pensado esos nuevos legisladores de la naturaleza humana que el Papa también es jefe de Estado? ¿Se lo invitará a laicizar el Vaticano?

Según ello, los católicos perderían el derecho de obrar para establecer o restablecer un 72

Estado católico. Su deber sería mantener el indiferentismo religioso del Estado.

Recordando a Gregorio XVI, Pío IX calificó esa actitud de "delirio", y, más aún, de "libertad de perdición" (Quanta Cura, 8 de diciembre de 1864).

León XIII trató el tema en su admirable Encíclica Libertas præstantissimum. ¡Pero todo eso era adecuado para su época, no para mil novecientos sesenta y cuatro!

La libertad que desean quienes la consideran un bien absoluto es quimérica. Si se admite que la libertad suele estar restringida en el orden moral, ¡cuánto más no lo estará en el orden de la elección intelectual! Dios ha atendido admirablemente las deficiencias de la naturaleza humana por medio de las familias que nos rodean: aquella en la cual hemos nacido y que debe educarnos, es decir, la patria, cuyos dirigentes deben facilitar el desarrollo normal de las familias hacia la perfección material, moral y espiritual; la Iglesia, mediante sus diócesis cuyo Padre es el Obispo, cuyas parroquias forman células religiosas donde las almas nacen a la vida divina y se alimentan en esta vida con los sacramentos.

Definir la libertad como ausencia de coacción significa destruir todas las autoridades colocadas por Dios en el seno de esas familias para facilitar el buen uso de la libertad que nos ha sido dada para buscar espontáneamente el Bien y eventualmente para proporcionarlo, como ocurre con los niños y asimilados.

La verdad de la Iglesia es la razón de ser de su celo evangelizador, de su proselitismo, y -por ende- la razón profunda de las vocaciones misioneras, sacerdotales y religiosas que exigen generosidad, sacrificio, perseverancia en las aflicciones y en las cruces.

Ese celo, ese fuego que quiere abrazar al mundo molesta a los protestantes. Se trazará, pues, un esquema sobre la Iglesia en el mundo que evitará celosamente hablar de evangelización. ¡Toda la ciudad terrestre podrá construirse sin que se dé en ella intervención a los sacerdotes, religiosos o religiosas, sacramentos, Sacrificio de la Misa, instituciones católicas, como escuelas, obras espirituales y materiales de caridad!...

En semejante espíritu un esquema sobre las Misiones se hace muy difícil. ¿Pensarán los novadores llenar así los seminarios y noviciados?

La Verdad de la Iglesia es también razón de ser de las escuelas católicas. Con el nuevo dogma se insinúa que sería preferible fusionarlas con las demás escuelas en tanto éstas observen el derecho natural (sic).

Evidentemente, no queda lugar para Hermanos ni Hermana docentes... ¡La admirable Encíclica de Pío XI sobre la educación de la juventud era para mil novecientos veintinueve, no para mil novecientos sesenta y cuatro!...

La doctrina social de la Iglesia

También la doctrina social de la Iglesia molesta al ecumenismo.

Por ello se nos dirá "que la distribución de la propiedad está librada a la prudencia de los hombres y a las instituciones de los pueblos, dado que ninguna parte de la tierra ni ningún bien ha sido conferido por Dios a ningún hombre en particular". ¡Así la doctrina también afirmada por Juan XXIII de la propiedad privada como derecho esencial de la naturaleza humana no tendría fundamen-to sino en el derecho positivo!.

La lucha de clases y de naciones sería necesaria para el progreso y para la evolución continua de las estructuras sociales.

El bien común sería una noción en continua evolución y "puesto que nadie es universal, nadie tendría una visión completa del bien común", del cual, sin embargo, se da una nueva definición: "La libertad y la plenitud de la vida humana".

¿Qué queda de las enseñanzas de los Papas acerca de a doctrina social de la Iglesia: Rerum 73

Novarum, Quadragesimo Anno, Pacem in Terris

? Estamos en mil novecientos setenta y cuatro. Que nos digan, entonces que pasará mañana con las enseñanzas de mil novecientos sesenta y cuatro en mil novecientos setenta y cuatro...

Estos ejemplos bastan para demostrar que en las comisiones prevalece una mayoría de miembros ganados por un ecumenismo que no sólo es ajeno a lo católico sino que, según propia confesión, se parece extrañamente al modernismo condenado por San Pío X y del cual el Papa Pablo VI nos dice en su Encíclica Ecclesiam Suam que ha comprobado su resurgimiento.

La prensa liberal se ha adueñado de esas tesis antes de que las mismas hayan sido propuestas no bien se las presentó en los esquemas y, particularmente, cuando obtuvieron mayoría importante en la sala conciliar.

Una vez obtenida la victoria, quedó abierta la vía a todos los diálogos, esto es, a todas las transacciones. Por fin concluían la "papolatría" y el régimen monárquico de la Iglesia, el Santo Oficio y el Index, las conciencias quedaban liberadas, etcétera.

¿Qué corresponde que hagamos ante ese desenfreno, ante esa tempestad?

1) Guardar indefectiblemente nuestra fe, nuestra adhesión a todo lo que la Iglesia nos ha enseñado siempre, sin turbarnos ni descorazonarnos. Nuestro Señor pone a prueba nuestra fe, como lo hizo con los apóstoles, como lo hizo con Abraham. Para ello es preciso que nos domine realmente la sensación de que vamos a perecer. De ese modo, la Victoria de la Verdad será auténticamente la victoria de Dios y no la nuestra.

2) Ser objetivo. Reconocer los aspectos positivos que se manifiestan en los deseos de los Padres conciliares, deseos que desgraciadamente y como a su pesar han sido utilizados para establecer textos jurídicos que sirven a tesis que la mayoría de los mismos Padres ni habían imaginado.

Intentemos definir esos deseos del siguiente modo:

Deseo profundo de colaboración mayor en pro de una más intensa eficacia del apostolado: colaboración entre pastores y con el Pastor Supremo. ¿Quién podría condenar semejante deseo?

Deseo de manifestar a los hermanos separados y al mundo entero su gran caridad a fin de que todos acudan a Nuestro Señor y a Su Iglesia.

Deseo de dar a la Iglesia mayor sencillez, en su Liturgia, en el comportamiento habitual de los pastores y, en particular, de sus obispos, en la formación de los clérigos que los preparen más directamente para su ministerio pastoral. Tendencia esta motivada por el temor de ya no ser escuchados ni comprendidos por el conjunto del pueblo fiel.

Estos deseos tan legítimos y oportunos podrían manifestarse perfectamente en textos admirables y orientaciones adaptadas a nuestro tiempo sin la colegialidad, mal fundada y mal definida; sin la libertad religiosa, falsa; sin la declaración sobre los judíos, inoportuna; sin indicios de demolición de la autoridad del Papa, sin negar el título de Madre de la Iglesia a la Virgen María, y sin calumniar a la Curia romana.

No son, en conjunto, los Padres del Concilio quienes alentaron esos textos con semejante redacción que expresa una doctrina nueva, sino un grupo de Padres y de periti que aprovecharon los muy legítimos deseos de los Padres para introducir sus doctrinas.

Los esquemas, gracias a Dios, no tiene todavía redacción definitiva. El papa aún no los ha aprobado en sesión pública. Por lo demás, el Concilio ha afirmado su voluntad de no definir ningún dogma nuevo, sino de ser un Concilio pastoral y ecuménico. La iglesia de Roma, única indefectible entre todas las Iglesias particulares, permanece firmemente en la fe; la mayoría de los cardenales no aprueba las nuevas tesis. Los Padres conciliares que desempeñan tareas importantes en la iglesia romana, así como la mayoría, sin la casi totalidad de los teólogos romanos, no se colocan junto a los novadores. Eso es fundamental, pues los fieles del mundo entero deben unirse en torno de esa Iglesia de Roma, Maestra de Verdad; ya lo afirmó así San Ireneo. 74

3) Afirmar nuestra fe públicamente sin desfallecimientos: en la prensa, en nuestras conversaciones, en nuestra correspondencia; y estar dispuestos a obedecer al Papa y permanecer indefectiblemente unidos a él.

4) Orar y hacer penitencia. Orar a la Virgen María, Madre de la Iglesia, pues Ella está en el centro de todos los debates y ha vencido siempre todas las herejías. En Ella encontrarán los Padres conciliares unanimidad, como los hijos alrededor de su Madre. Ella vela sobre el Sucesor de Pedro y actuará de manera que Pedro confirme siempre a sus hermanos en la fe, en la fe que fue la de los Apóstoles y de Pedro en particular y de todos sus sucesores.

Hay que hacer penitencia para merecer los auxilios de la gracia de Nuestro Señor; penitencia en el cumplimiento de nuestros deberes de estado sin desfallecimientos, sin abandono, sin desánimo, a pesar del ambiente infernal de libertinaje, de impudicia, de desprecio por la autoridad, de atropello a uno mismo y al prójimo.

Tengamos confianza: Dios es todopoderoso y ha dado a Nuestro Señor todo poder en el cielo y en la tierra. Esos poderes, ¿serán menores en 1964 que en 1870, menores en el último Concilio que en todos los anteriores? Nuestro Señor no abandonará las promesas de asistir perpetuamente a la Santa Iglesia Católica y Romana.

"Confidite, ewgo sum, nolite timere" (Mc. 6, 50).

¡Oh, María, Madre de la Iglesia, mostrad que sois nuestra Madre!

11 de octubre de 1964, en la

Fiesta de la Maternidad de la Virgen

[Nota Complementaria]

No hemos modificado en nada este texto, y creemos que hoy corresponde reflexionar particularmente sobre la realidad expresada por el título: en efecto, no se puede negar que en todos los dominios de la iglesia se ha producido un peligroso deslizamiento hacia el protestantismo.

El más grave es el que concierne a la fe a causa de la redacción de los nuevos catecismos, a partir del de Holanda hasta llegar al italiano pasando por los de Francia, Alemania y en particular el inverosímil catecismo de Canadá. Todos están impregnados de la doctrina expuesta en el primer esquema de "la Iglesia en el mundo", el cual, se impone decirlo, no es católico. La fe, la Palabra de Dios, el Espíritu, el Pueblo de Dios son explicados a la manera modernista y protestante, esto es, racionalista. A la Revelación se la reemplaza por la conciencia, que bajo el soplo del Espíritu se expresa mediante el profetismo. Ese profetismo que corresponde a todo el pueblo de Dios se manifiesta particularmente en la Liturgia de la Palabra. El bautismo y los sacramentos son más expresiones de la Fe que causas de la gracia y de las virtudes. No acabaríamos de señalar todos los peligros involucrados en esos catecismos, todos referidos al Vaticano II. Y no hay duda que en el Concilio, especialmente en el documento Gaudium et Spes, pueden encontrarse frases equívocas y un espíritu surgido del primer esquema.

Según el magisterio, también el ministerio sacerdotal se atribuye a todo el Pueblo de Dios, que en virtud del mismo, constituye la Asamblea Eucarística y cumple el culto comunitario, cuyo sacerdote es el presidente, que pronto será su delegado electo. Su carácter sacerdotal y su celibato ya no tienen razón de ser. No puede negarse que las reformas litúrgicas concurren a esa orientación. Los comentarios correspondientes se expresan según la modalidad protestante, minimizando la función del sacerdote, la realidad del sacrificio y la presencia real y permanente de Nuestro Señor en la Eucaristía.

Por último, el gobierno conferido por Nuestro Señor al Sacerdocio se transforma en el poder real del Pueblo de Dios, esto es, la "democratización" de la autoridad en la Iglesia por la Colegiali-75

dad entendida a la manera del Cardenal Suenens, por los Sínodos nacionales en los cuales todas las instituciones de la Iglesia se someten a los votos del Pueblo de Dios, profeta, sacerdote y rey.

De este modo, en los tres poderes confiados al Sacerdocio por Nuestro Señor se introduce el virus protestante, racionalista, naturalista y liberal. Esos poderes destinados a humanizar las personas recreadas por Nuestro Señor a la imagen de Dios, minadas por el virus del racionalismo, deshumani-zan y lanzan a personas y sociedades a todos los vicios de la humanidad caída.

Debemos luchar por la salvaguarda del sacerdocio tal como Nuestro Señor lo ha instituido, en la integridad de su magisterio, de su ministerio y de su gobierno.

Debemos enseñar la fe de siempre, adorar la Eucaristía y venerar el Santo Sacrificio de la Misa como lo enseñan la Escritura y la Tradición, respetar las personas de nuestros sacerdotes, de nuestros obispos y del Vicario de Jesucristo porque llevan en ellos el Sacerdocio y la Misión de Nuestro Señor Jesucristo y no porque sean delegados del Pueblo de Dios.

Se preparan Sínodos nacionales después de los de Holanda y Copenhagen. Si tiene los mismos efectos, pronto habrá otras tantas sectas protestantes. Eso es de esperar, dada la oposición entre las conclusiones de esos Sínodos y las directivas de la Santa Sede. El momento es muy grave. Corremos el riesgo de que la elección impuesta a los fieles holandeses y a los daneses se no imponga mañana a nosotros. Ya se impone en los catecismos y en ciertas formas de culto litúrgico, en las orientaciones de algunos obispos o asociaciones de obispos contrarias a las dictadas por el Sucesor de Pedro, por ejemplo en materia de moral familiar y de celibato sacerdotal.

Recordemos que Pedro vela por todos los Pastores y por todas las ovejas, y que en caso de contradicción entre la fe de nuestro Pastor y la de Pedro, Pedro no ha advertido contra el catecismo holandés y por consiguiente contra todos los nuevos catecismos de él derivados. Pedro nos ha dictado la moral familiar. Pedro nos ha afirmado en el Credo. Pedro nos ha prescripto el manteni-miento del celibato sacerdotal. Nuestros Pastores no tiene derecho a minimizar esas enseñanzas del Pastor de los Pastores.

Recordemos también que las autorizaciones concedidas en el terreno de la Liturgia no son obligatorias; eso vale para la Misa de cara al pueblo, la concelebración, la comunión bajo las dos especies, la comunión de pie, la recepción de la Santa Eucaristía en la mano.

La actitud de vigilancia se ha tornado necesaria a causa de los escándalos de que somos testigos, acontecidos dentro de la misma Iglesia. No podemos desconocer los hechos, los escritos, los discursos, que tienden al sometimiento de la Iglesia de Roma y a su aniquilación como Madre y Maestra de todas las Iglesias, y que buscan transformarnos en protestantes. Resistir a esos escánda-los significa vivir la fe, conservarla pura de todo contagio, mantener la gracia en nuestras almas. No resistir significa dejarnos intoxicar lenta pero seguramente y volvernos protestantes sin saberlo.

En la Fiesta del Sagrado Corazón de Jesús,

Roma, 5 de junio de 1970.

Fonte: Stat Veritas – Cartas Pastorales e outros escritos – Dom Lefebvre

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Da esterilidade do “apostolado” da CNBB

É com forçoso pesar que temos o dever de anunciar que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil é uma apostasia da fé. A prova contumaz desta apostasia esta nos textos dos próprios Bispos. Neles nota-se uma única e notável preocupação temporal, notadamente de tendências marxistas, ainda que forma heterodoxa. Resulta desta idolatria socialista um enorme vazio espiritual que se manifesta exatamente pelas mais variadas formas de corrupção na sociedade brasileira.

Não é preciso muito trabalho para constatar que colocando-se Karl Marx ou qualquer outro filósofo ou idealista no lugar de Cristo e a modernidade no lugar da eternidade a Igreja deixa de ser fecunda. É com constrangimento e lástima que se verifica que hoje a esmagadora maioria dos católicos não praticam a doutrina católica, que é eterna, mas praticam doutrinas modernas que são perecíveis. Desta forma, não é de se estranhar o incessante e vicioso pedido por honestidade e integridade na política. Pois se existem católicos na política, nenhum deles é exemplo de integridade, sendo este um sinal de que a atividade da CNBB é um fracasso. Porque ela não ensina a doutrina católica, mas antes faz dialética da corrupção como médico que usa doença como se fosse remédio. Nosso Senhor ensinou que nada se pode fazer sem Ele, logo o apostolado da CNBB é estéril e não gera católicos, mas é fértil na geração de homens mundanos. Se fosse luz, clamaria por luz?

Com efeito, a CNBB não consegue instruir sequer um católico para ser sal e luz no meio das trevas e pior ainda é a sua capacidade para a conversão e a evangelização dos homens e mulheres do Brasil! Suas relações escusas com o partido que mais produziu escândalos de corrupção na história do país e o seu adultério com a Teologia da Libertação são os maiores propagadores de heresias a ser combatidas. A CNBB, é lamentável, constitui-se em uma entidade sem lei e sem graça. Tudo é só política na CNBB!

A Igreja sempre ofertou honestidade e integridade através de seus filhos, ela nunca pediu isto a todos, porque nem todos vivem o julgo leve e o fardo suave de Cristo. Quando se passa a pedir isto é um sinal de que não se está em sintonia com a Santíssima Trindade. Não se cuida de dizer inexistentes os pecados entre os filhos da Igreja, mas sim de saber que na CNBB não existem e não se produzem exemplos a ser seguidos. Portanto, se ela já não produz luzeiros entre as trevas, algo está errado e necessita ser corrigido. Porém no que diz respeito a CNBB, é muitíssimo difícil imaginar uma reorientação ao sagrado. Com efeito, o próprio fato de se existir uma CNBB é algo que afronta a própria doutrina da Igreja. O nível de corrupção a que chegou esta entidade é tão profundo que eles são até capazes das mais descabidas e não fundamentadas desobediências ao Papa. 

Na desobediência ao Papa, merece principal destaque o Motu Próprio Summorum Pontificum e a orientação para a correção da forma da consagração do vinho. No primeiro caso, a maioria dos Bispos desta entidade impediu ou aplicou parcialmente o Motu Próprio. Já no caso da fórmula da consagração, venceu em outubro último o prazo para a correção e até o presente momento nada foi feito. Haverá testemunho maior de infidelidade do que a contemplação da hermenêutica da descontinuidade promovida por esta entidade?

Tudo isto faz lembrar que o maçon republicano Rui Barbosa disse com ares de profecia que um dia o homem sentiria vergonha de ser honesto. Em uma versão católica, aqueles que não conhecem a verdadeira tradição da Santa Igreja, pela atividade da CNBB, certamente sofrem um forte ímpeto de reformular tal sentença que por eles muitas vezes acaba se dizendo:

“De tanto ver triunfar as heresias, de tanto ver prosperar o erro, de tanto ver crescer a apostasia, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, chego a desanimar da obediência e da fé; a ter vergonha de ser católico." Não é difícil saber porque as seitas proliferam tanto no Brasil!

O apoio e o serviço ao mundo, a desobediência ao Papa e o descumprimento das leis de Deus, não qualificam a CNBB como obra verdadeiramente católica. Quando se apóia grupos como o MST, despreza-se a lei de DEUS que nos manda não cobiçar as coisas alheias.

Agrademos a DEUS por haver permitido o apostolado de Dom Lefebvre e Dom Mayer. Depois do Concílio Vaticano II, apenas estes dois Bispos e mais poucos outros defenderam a fé. Onde se tem dialética, não é possível haver defesa, pois não existe mais fé, não existem mais lobos, porcos ou cães, mas somente o homem orgulhoso idolatrado por este clero modernista que destrói a religião e a crença em Deus. Através de um sentimentalismo romântico barato e de uma negação da racionalidade testemunham os rebeldes que a verdade de Cristo não mais liberta.

Nosso Senhor se compadeça de nós e nos envie Bispos que se preocupem com as nossas almas e nos guiem pelo caminho da fé.  Já passou da hora da Igreja no Brasil deixar de ser Igreja da CNBB e voltar a ser Igreja Católica. O modelo nascido do exemplo apóstata de Dom Hélder foi o responsável por toda corrupção eclesiástica em nosso país e pela pífia frutificação de autênticos católicos.

Frederico de Castro

Gederson Falcometa Zagnoli Pinheiro de Faria

sábado, 10 de janeiro de 2009

Terceiro segredo de Fátima: Uma contradição

 

Acompanhamos pela Mídia comoções gerais provocadas por supostas manifestações de Nossa Senhora. Multidões se deslocam para ver santa que chora mel, aparece em janelas, escreve em folhas, etc. Causa me espanto não observar o mesmo em relação ao famoso Terceiro Segredo de Fátima. É muito mais importante ouvir o que Nossa Senhora tem a nos dizer através dos três Pastorinhos, do que ver uma Santa que chora mel ou aparece em janelas.

O Concílio Vaticano II, trouxe um conceito novo a Igreja, o do chamado "Povo de DEUS". Desde então nos textos e falas das autoridades eclesiásticas, existe uma exaltação e uma disposição em se servir o " Povo de DEUS". É dificíl entender como estas mesmas autoridades, que exaltam e servem o "Povo de DEUS", neguem-lhe o direito fundamental de saber tudo, o que Nossa Senhora revelou aos três pastorinhos em Fátima.

Os dois primeiros segredos de Fátima* foram publicados 4 anos antes do término da segunda guerra mundial (1941). Resumidamente, o primeiro segredo tratava das almas e o segundo das nações. O terceiro segredo, deveria ter sido publicado em 1960, por ordem de Nossa Senhora e foi publicado parcialmente apenas em 13 de maio do ano 2000, pelo Cardeal Ãngelo Sodano. Como era previsto, o terceiro segredo, tratava sobre a Igreja, mas a parte que foi publicada não apresenta a mesma claridade dos dois primeiros segredos. O que demonstra que ele não foi publicado na íntegra!

Evidentemente, "os profetas de desgraças" (como se referiu João XXIII aos Três pastorinhos no discurso de abertura do Concílio Vaticano II) profetizaram alguma desgraça que ocorreria na Igreja. A existência dessa desgraça, é evidente em discursos do Papa Paulo VI. No discurso de 7 de Dezembro de 1968, ele dirá:

" A igreja atravessa, hoje, um momento de inquietação. Alguns se exercem na auto crítica, dir-se-ia que até na auto demolição. É como se houvesse um revolvimento interior agudo e complexo, que ninguém teria esperado depois do Concílio. Pensava-se que haveria um florescimento, uma expansão serena dos conceitos amadurecidos na grande assembléia conciliar. Existe também esse aspeto na Igreja, existe o florescimento, mas... nota-se mais ainda o aspeto doloroso. A Igreja é golpeada também por quem faz parte dela". (Paulo VI, Dicurso em 7 de Dezembro de 1968)

Em outros discursos:

" Por alguma brecha a fumaça de Satanás entrou no templo de Deus: existe a dúvida, a incerteza, a problemática, a inquietação, o confronto. Não se tem mais confiança na Igreja; põe-se confiança no primeiro profeta profano que nos vem falar em algum jornal ou em algum movimento social, para recorrer a ele pedindo-lhe se ele tem a fórmula da verdadeira vida. E não advertimos, em vez disso, sermos nós os donos e os mestres [dessa fórmula]. Entrou a dúvida nas nossas consciências, e entrou pelas janelas que deviam em vez disso, serem abertas à luz...". " Também na Igreja reina este estado de incerteza. Acreditava-se que, depois do Concílio, viria um dia de sol para a história da Igreja. Em vez disso, veio um dia de nuvens, de tempestade, de escuridão, de busca, de incerteza. Pregamos o ecumenismo, e nos distanciamos sempre mais dos outros. Procuramos cavar abismos em vez de aterrá-los. Como aconteceu isso ? Confiamo-vos um Nosso Pensamento: houve a intervenção de um poder adverso. Seu nome é o Diabo" (Paulo VI, Discurso em 29 de Junho de 1972)

Auto-demolição, nuvens e a fumaça de satanás, indicam a presença de um castigo na Igreja, a "desgraça", nas palavras de João XXIII. Sabemos qual a causa do castigo das almas e das nações, mas a parte publicada do terceiro segredo, não revela a causa do castigo da Igreja e muito menos algum meio para suavizá-lo, como nos dois primeiros segredos. Portanto falta alguma coisa que temos o direito de saber para fazermos aquilo que Nossa Senhora pediu. Desconfia-se que essa parte que falta, seja uma proibição a convocação de um Concílio, a mudança da teologia e da litúrgia católica. Talvez seja essa a razão pela qual tanta Cautela na publicação em relação ao terceiro segredo, por parte das autoridades eclesiásticas.

Todo católico tem o dever de cobrar aos Padres, Bispos, Cardeais e ao Papa, o direito fundamental de saber a mensagem de Fátima na íntegra. As autoridades que desejam servir o "Povo de DEUS", não podem continuar negando ao mesmo povo que pretende servir, este direito fundamental de todo Católico. Publiquem o segredo, não neguem aos filhos o direito de ouvir e obedecer a mãe!

* O conteúdo dos segredos podem ser lidos no artigo "Fátima: um "segredo" contendo um enigma envolto em um mistério" (http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cadernos&subsecao=religiao&artigo=fatima3&lang=bra#fatima2).

A Posição do Altar nos Tempos Modernos

Uma análise do Livro do Padre Klaus Gamber por Mons. Richard J. Schuler

Liturgia

Padre Klaus Gamber, que faleceu recentemente, escreveu por muitos anos sobre a reforma litúrgica que se seguiu após o Concílio Vaticano II. “A Reforma da iturgia Romana” foi recentemente traduzida do Alemão para o Francês e Inglês e provocou um considerável comentário na imprensa européia.

Um dos pontos considerado por Pe. Gamber é a posição do altar com referência à congregação. Uma das mais evidentes reformas após o concílio é a prática de se ter o sacerdote voltado para a congregação. A maior parte da propaganda sobre a mudança de posição dos padres alega que é apenas um retorno a um costume da igreja antiga. História e arqueologia foram citadas (mas sem fatos verdadeiros) como evidências. Sem muito estudo ou questionamento, padres e paróquias pelo país (Alemanha, nt) aceitaram essas histórias e arrancaram seus altares, colocando mesas de madeira ou blocos de pedra que permitiam ao sacerdote contemplar a congregação. O design dos arquitetos originais, as linhas e o foco da igreja foram deixados de lado e abolidos. Na maioria dos casos o resultado artístico foi ruim e no melhor dos casos o novo arranjo ficou igual a um vestido conjunto reformado.

A destruição da Igreja e do santuário foi infeliz e custosa. Em algumas partes do país, o dano causado às igrejas pelos reformadores de altar foi maior do que os Vândalos causaram à Espanha ou ao Norte da África. Mas o mal maior foi o dano causado à ação e presença litúrgica do sacerdote. Foi dito ao sacerdote para manter o contato visual com as pessoas, para dirigir suas palavras à elas, para se tornar um "presidente" na assembléia, um "facilitador" da participação ativa da congregação. A noção de Missa enquanto sacrifício foi desencorajada, enquanto a idéia de refeição comunitária foi promovida. O altar tornou-se a mesa, bem semelhante aos dias do Arcebispo Cranmer na Inglaterra.

Entre aqueles solicitados para comentar o livro do Pe. Gamber estava o Cardeal Ratzinger, que foi entrevistado no jornal italiano "Il Sabato" (24 de Abril de 1993). Ele explicou que não há dado histórico, nem na história escrita ou na arqueológica, que estabeleça a posição do altar nos primeiros séculos como sendo voltada para as pessoas. Olhar para as pessoas não era uma questão na igreja primitiva, mas voltar-se para o leste onde Cristo iria surgir em Sua segunda vinda, a "parousia", era mais importante. Os prédios das Igrejas e os altares eram "orientais" (voltados para o leste) para que o sacerdote de forma especial pudesse vê-Lo na Sua chegada. Se devido ao contorno do terreno ou algum outro obstáculo a igreja não pudesse ter essa direção, o sacerdote, sempre olhando para o leste, teria que se posicionar atrás do altar e voltado para o povo. Contemplar a congregação era um fato acidental e ele toma a Basílica de São Pedro como um exemplo desse fato, uma vez que a igreja não poderia ter a entrada voltada para o Oeste (posição oposta ao altar) devido a colina do Vaticano.

O cardeal explica que a mudança quase que universal dos altares para contemplar as pessoas não é um decreto do Vaticano II. Não era impossível antes do Concílio oferecer a Missa voltado para as pessoas. Uma tradição de quinze séculos onde o sacerdote era a cabeça da sua congregação foi eliminada em poucos anos. Aquela tradição admitia exceções. Eu mesmo provavelmente detenho um recorde de Missas em latim celebradas voltado para as pessoas, mais do que qualquer outro padre no país antes do concilio. A igreja onde eu tinha um serviço semanal tinha um altar na cripta e eu oferecia a Missa duas vezes a cada domingo, por aproximadamente dez anos, tudo antes de 1963.

O cardeal foi perguntado se a Igreja voltaria para a tradição ancestral, praticada antes do concílio. Ele retrucou dizendo que não haveria uma mudança "neste momento". Ele disse que as pessoas já estão tão confusas com tantas mudanças e tão rapidamente introduzidas. Mas ele não disse que não iria acontecer numa data futura. Certamente, o retorno daria uma grande ajuda em restaurar a reverência na celebração da Missa. Pe. Jungmann, cujo trabalho na história da liturgia (Missarum solemnia) foi em grande parte responsável pela introdução das mudanças, tem uma segunda opinião sobre o valor das mudanças.

O aspecto interessante da discussão levantada pelo livro do Pe. Gamber é que pouco a pouco a propaganda e afirmações falsas invocadas para realizar a reforma litúrgica estão sendo expostas e se encontram sem veracidade ou bases, históricas, arqueológicas ou litúrgicas. Os erros perpetrados por clérigos e leigos igualmente na década de 60 incluem mentiras como a eliminação do latim, a proibição dos coros, a remoção de imagens, tabernáculos e vestimentas, tudo em nome do concílio ou talvez do "espírito do concílio". Graças a Deus a verdade está começando a reaparecer.

Revista Mater Ecclesiae - http://igrejauna.blogspot.com/