terça-feira, 14 de julho de 2009

O escandaloso Rito própio da Igreja do Carmo em Belo Horizonte

http://www.igrejadocarmo.com.br/

(1) Rito Inicial

CEL. : Irmãs e irmãos, um coração alegre e confiante se apropria da riqueza da vida e da salvação. É o que vamos celebrar - em nome do Pai...

TODOS - Amém. Bendizemos a Deus: / em Cristo, ele nos confirma na bênção.

CEL. : Herdeiros da vida enriquecida pela graça, vivemos a comunhão entre céu e terra.

TODOS- Toda bênção nos desperta / para um compromisso com os irmãos.

(2) Liturgia da Palavra

Leitura do Profeta Amós (Am 7,12-15): O sacerdote Amasias disse a Amós: - Vidente, vá embora daqui. Retire-se para a terra de Judá. Vá ganhar a sua vida fazendo lá suas profecias. Não me venha mais profetizar em Betel, pois aqui é o santuário do rei e templo do reino. Amós respondeu a Amasias: - Eu não sou profeta, nem discípulo de profeta. Sou vaqueiro e cultivador de sicômoros. Foi Javé quem me tirou de trás do rebanho, e me ordenou: - Vá profetizar ao meu povo Israel. PALAVRA DO SENHOR!

O Senhor, Deus da Vida, esteja convosco...

Anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo segundo as comunidades de Marcos (Mc 6, 7-13): Naquele tempo, enquanto Jesus percorria os povoados e ensinava, ele chamou os Doze e os enviou, de dois em dois, dando-lhes responsabilidade perante as forças do mal. Recomendou-lhes que levassem pelo caminho um cajado e nada mais, nem pão, nem moedas, nem sacola na cintura; sandálias, sim, porém, não duas túnicas. E acrescentou: Permanecei na casa onde vos hospedais até a hora de partir. E se em algum lugar não vos quiserem receber nem escutar, ao sairdes dali, sacudi a poeira de vossos pés em sinal de protesto. Os apóstolos partiram para anunciar a Boa Nova e exortavam as pessoas para que renovassem seu modo de viver; libertavam das forças do mal, ungiam com óleo muitos enfermos e os curavam. PALAVRA DE SALVAÇÃO!

MOMENTO DE RECONCILIAÇÃO

CEL. : Quem vive na retidão beneficia seus irmãos e se faz hino de louvor a Deus. LEITOR: Corrupção nos desvia e afasta da Salvação.

TODOS - Pai, separei religião da vida. / Piedade, quero me corrigir.

CEL. : Quem crê em Deus, faz o mal recuar, melhorando o conviver.

LEITOR: Na passividade e na omissão recusamos responsabilidade.

TODOS - Cristo, cruzei os braços. / Piedade, buscarei ética nas relações.

CEL. : Promover boa qualidade de vida é dar testemunho da Boa Nova.

LEITOR: Bater no peito e dizer: ‘Senhor, Senhor’ não nos faz seguidores de Jesus.

TODOS- Espírito Santo, fugi de compromissos. / Piedade, serei mais consciente.

CEL. : Irmãos, em Deus só há compaixão; acolhei-a com alegria e renovai sentimentos e atitudes.

TODOS- Perdoados cresceremos na prática do bem. Assim seja.

G L Ó R I A

CEL. : Oremos: Senhor Deus, vós nos familiarizais com vossa bondade para que rejeitemos o que é indigno e valorizemos o que é honrado. Inspirados por Maria, libertemo-nos de alguma maldade.

TODOS - Sejamos dignos da riqueza da Boa Nova./ Por Cristo na unidade do Espírito Santo. Amém

(3) Creio

Cremos em Deus - seu amor nos sustenta no ser. Envolve a Humanidade em sua compaixão.

Cremos em Jesus - ele nos deixou a Boa Nova. Revela nossa dignidade de filhos.

Cremos no Espírito Santo - estimula no renascer. Abre novos horizontes e amplia relações.

Cremos na Vida - oferta da bênção máxima. Missão de crescermos no bem.

Cremos na História - cidadania conquistada sem retorno. Em busca de igualdade e paz.

Cremos na Igreja - sinal e berço de comunhão. Solidariedade no combate à dor.

Cremos na Ressurreição - vida em plenitude. Mistério divino, novidade sem fim.

Cremos na Vida Eterna - ser em Deus para sempre.

Salvação para todos, em clima de festa.

Preces

(4) Ofertório

CEL. : Orai, irmãos...

TODOS - Agrade a Deus nossa oferta: / nossa luta pela justiça / e nosso testemunho do amor apaixonado de nosso Deus.

CEL. : Possamos crescer em dignidade / e produzir frutos que renovem a convivência. Por Cristo na unidade do Espírito. Amém

(5) Louvor

CEL. : O deus amor esteja convosco... Corações disponíveis... Demos graças... Irmãos, somos convidados a tomar consciência das ricas bênçãos que nos são oferecidas. De Deus somos filhos e herdeiros. É mais que oportuno e louvável nossa alegre ação de graças. Louvor e glória a Deus!

TODOS - Experimentamos o amor / e fazemos parte da grande Família. / Bendigamos ao Pai!

CEL. : A Igreja espalhada pelo mundo divulga a oferta da Salvação e organiza serviços que visam ao bem das pessoas. Louvor e glória a Deus!

TODOS - Crescemos na fé / e praticamos boa cidadania. / Bendigamos a Jesus, nosso Irmão.

CEL. : Crianças e idosos são assistidos; jovens, orientados; casais se confraternizam. Em tudo se busca harmonia nas relações. Louvor e glória a Deus!

TODOS - Combatemos injustiças, / renovando a esperança. / Bendigamos ao Espírito Santo!

CEL. : Não trabalhamos em vão! Estamos a serviço do Reino e, com a Senhora do Carmo e tantos que nos precederam no céu e na terra, queremos aclamar: Santo...

(6) ORAÇÃO EUCARÍSTICA

CEL. : Na verdade, ó Pai, vós sois Santo, fonte de toda autenticidade no ser e agir, no crer e conviver. Por vosso Espírito manifestem-se nossos dons; com eles e por todos, aqui presentes, sejamos consagrados Corpo de Cristo, vosso Filho muito amado.

TODOS - Sejamos cidadão e cidadã do Reino.

CEL. : Quando, em sua última ceia, Jesus se dispôs à coragem de uma total doação, ele tomou o pão em suas mãos, rendeu graças..., o partiu e distribuiu entre os discípulos, dizendo: Tomai e comei, todos. ESTE PÃO É MEU CORPO (– vós todos também -) POIS SEREI ENTREGUE E DOADO POR VÓS.

TODOS - Confirmados no amor.

CEL. : No fim da ceia, Jesus tomou o cálice em suas mãos, rendeu graças..., e o ofereceu aos discípulos, dizendo: Tomai e bebei, todos. ESTE É O CÁLICE DA NOVA ALIANÇA PARA SEMPRE, EM MEU SANGUE, DERRAMADO POR VÓS E POR TODOS, PARA A RECONCILIAÇÃO NO AMOR. Fazei isso em memória de mim”.

TODOS - Abençoados por Deus.

CEL. : Quando comemos deste pão e bebemos deste cálice, proclamamos o testemunho do Senhor. Eis o Mistério da fé.

TODOS - Oferecemos a doação de Jesus, / em sua morte e ressurreição.

CEL. : Nós vos agradecemos, Senhor, pois nos consagrastes como membros de vosso povo e nos sentimos abrigados em vossa presença nesta Celebração. Somos parcela do Corpo de Cristo, vossa Família; cresçamos em santidade.

TODOS - No Espírito nos confraternizamos.

CEL. : No mundo todo, a Igreja cresça em gestos de doação. Papa, bispos e todo o clero partilhem o poder para que, em comunhão e participação, vivamos de modo adulto nossa fé na Boa Nova.

TODOS - Comunidades pratiquem a hospitalidade.

CEL. : Governantes e políticos aprendam a discernir o interesse público de seus interesses particulares, eliminem a injustiça e promovam a paz. Um dia, ninguém mais pereça de fome e abandono.

TODOS - Nossos irmãos que partiram para a vida plena / estejam acolhidos na vossa presença.

CEL. : (INTENÇÕES) Com coragem e alegria prossigamos nas trilhas de Apóstolos e Santos rumo à plenitude da vida.

TODOS - POR CRISTO, COM CRISTO E EM CRISTO, / A VÓS, PAI BONDOSO, / NA UNIDADE DO ESPÍRITO SANTO, / TODA A HONRA E TODA A GLÓRIA, / AGORA E PARA SEMPRE, AMÉM.

PAI NOSSO... / Senhor Jesus Cristo, que disseste aos vossos apóstolos... CEL. : Todos incluídos, nos reconhecemos convidados à Mesa do Senhor. TODOS – Jesus, basta uma palavra, / um olhar amigo e nos sentimos comensais. CEL. : Eis o sinal de quem se faz doação - Cordeiro de Deus - nele, a vida vence a morte, compaixão abraça excluídos. TODOS – Com Jesus, na solidariedade da partilha. CEL.: Felizes de nós, convidados à Ceia do Amor! TODOS – Seja a Comunhão nossa paz em Deus. Amém.

(7) Comunhão - Oração Final

CEL. : Senhor Deus, o Mistério que celebramos dará novo brilho à nossa vida. Seremos testemunhas da Boa Nova e haverá mais esperança.

TODOS - Que em nós se manifeste / a alegria da Salvação.

CEL. : O Senhor esteja convosco... Oremos! Irmãos, nesta semana em que festejamos a Senhora do Carmo, seja esta a nossa bênção para todos: alegria, retidão e serviço em convivência harmoniosa e fecunda. É o que pedimos - em nome do Pai...

TODOS - Amém. Por Deus abençoados / viveremos em paz. / Mãos à obra!

PROFECIA AO NOSSO ALCANCE

Os profetas da Bíblia não tinham um canal de comunicação direta com Deus, não eram pessoas privilegiadas. Deus não ditava-lhes as profecias. Não precisamos ficar lamentando: “Ah, se eu fosse Jeremias, se eu fosse Elias, ou Ezequiel, ou Amós, ou Oséias!”. Os profetas da Bíblia eram pessoas do povo. Conseguiam desenvolver toda a beleza, a grandeza e a dignidade humana existente neles. Isto é possível a qualquer pessoa que se coloque em sintonia com a realidade do povo, na perspectiva da fé libertadora. Paulo Freire, com sabedoria refinada, dizia: “Os profetas não são homens ou mulheres desarrumados, desengonçados, barbudos, cabeludos, sujos, metidos em roupas andrajosas e pegando cajados. Os profetas são aqueles ou aquelas que se molham de tal forma nas águas da sua cultura e da sua história, da cultura e da história do seu povo, dos dominados do seu povo, que conhecem o seu aqui e o seu agora e, por isso, podem prever o amanhã que eles mais do que adivinham, realizam.”

Os profetas e as profetisas são pessoas com corações sonhadores, pés cravados no chão, mãos sujas na labuta e cabeça erguida. Dizem para nós: “Ai daqueles e daquelas que pararem com a sua capacidade de sonhar, de inventar a sua coragem de denunciar e de anunciar. Ai daqueles que, em lugar de visitar de vez em quando o amanhã, o futuro, pelo profundo engajamento no hoje, no aqui e no agora, se atrelam a um passado de exploração e de rotina.” Acordemos a profecia em nós!

Frei Gilvander Moreira

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Reflexões sobre o Apocalipse

 

Pe. José Maria Mestre

[N. da P.] O texto seguinte é um trecho de uma carta escrita por nosso amigo, o Pe. José Maria Mestre, ao Rafael Castela Santos, do inteligente Blog "A Casa de Sarto", onde foi originalmente publicada.

... Dou-lhe minha opinião. É a seguinte: de modo geral, penso que deveríamos descartar todo Milenarismo, quer material (condenado pela Igreja como herético) quer espiritual (que a Igreja não permite ensinar e, de todo modo, afirmou não se poder ensinar com segurança). É certo que o Padre Castellani, no que toca o Apocalipse, nos dá uma interpretação muito sólida, pois se baseia em tudo o que de claro disseram os Santos Padres, e gozou de uma singular penetração na compreensão dos acontecimentos modernos para a aplicação das profecias do Apocalipse. Parece-me que poucos autores se poderão consultar que sejam tão luminosos quanto ele. Mas, quando advoga em favor do Milenarismo, devemos tomá-lo com cuidado. E isso por quatro razões:

1. A primeira é que esta doutrina de dois mil anos de reinado visível de Cristo, com seus santos e com a prévia ressurreição dos mesmos, e da conseqüente Igreja dos dois mil anos, foi censurada pela Igreja. Poder-se-ia alegar que o documento do Santo Ofício do ano 1947 é local e que não proíbe inteiramente esta doutrina, mas que se limita a afirmar que não se pode ensiná-la com segurança etc; mas o espírito é claro: a Igreja jamais criaria entraves a que se ensinasse uma doutrina verdadeira, que reconhecesse como parte do depósito que lhe há sido confiado. E quanto à doutrina milenarista espiritual, não quer a Igreja que se difunda, que se ensine, que se sustente (não me lembro os termos exatos do decreto do Santo Ofício).

2. A segunda é que, conforme o dizer do Papa Pio XII, a Igreja não pode deixar de ensinar, e menos ainda deixar por muito tempo em esquecimento uma doutrina que venha dos Apóstolos e faça parte do depósito das verdades católicas (tal é o argumento que utiliza na definição do dogma da Assunção de Nossa Senhora). Ora, a doutrina do Milenarismo, mesmo mitigado ou espiritual, foi quase unanimemente relegada ao ostracismo pelos doutores há quinze séculos. É certo que alguns Padres da Igreja (oito, se bem me lembro) o professaram, acreditando falsamente, por São Papias, que era doutrina recebida dos Apóstolos; e, por esse motivo, a Igreja não o condenará jamais, isto é, pelo respeito devido a tais Padres; contudo, não é menos certo que a Igreja deixou de ensiná-lo desde S. Jerônimo e S. Agostinho.

3. A terceira é que, teologicamente, a doutrina do Milenarismo espiritual é como uma "materialização da esperança", segundo uma tendência nitidamente judaica; isto é, pretende colocar o objeto da esperança nesta terra, ainda que de maneira elevada, quando, na realidade, a esperança não aponta absolutamente para os bens de aqui embaixo, senão que aponta e suspira unicamente por realidades que não são deste mundo.

4. A quarta e última é que, em matéria de exegese, é incorreta a atitude de se querer explicar as passagens claras da Escritura pelas difíceis e obscuras; o normal é fazer o contrário, explicar as passagens obscuras pelas claras. Ora, nas diferentes passagens em que a revelação nos fala dos últimos tempos, o reino milenar reina justamente por sua ausência. Tais são os dois conhecidos textos do Apocalipse sinóptico (especialmente, S. Mateus cap. 24), e o da segunda epístola aos Tessalonicenses. Nosso Senhor, depois de descrever a perseguição e tribulação dos últimos dias, apresenta, ato contínuo, o Juízo Final, sem qualquer interlúdio de mil anos; igualmente São Paulo, quando descreve o que falta antes da segunda vinda do Cristo, a Parusia, diz simplesmente que, primeiro, há de vir a apostasia, depois, o homem do pecado ou Anticristo e, por fim, a epifania ou manifestação de Cristo. Não se encontra nenhuma menção clara e expressa de algo tão significativo quanto deveriam ser os mil anos do reinado de Cristo, se realmente tivessem de se realizar. É certo que se poderá dizer que tanto o Juízo Final como a manifestação de Cristo são o reino de Cristo que se prolonga por mil anos; mas a mim me parece que semelhante interpretação força o significado óbvio destes textos, apenas para fazer com que se encaixem na frase obscura e enigmática de Apocalipse, cap. 20. Muito mais natural seria explicar o capítulo 20 do livro do Apocalipse pelas passagens claras de Mateus cap. 24 e Tessalonicenses, 2.

É certamente legítimo tentar explicar como sucederão os últimos tempos da Igreja, pois, como acertadamente diz o Padre Castellani, a revelação, e mesmo o Apocalipse, não é um enigma insolúvel, mas uma profecia que, se é verdade que não se a entenderá perfeitamente até que se realize, tem um significado determinado que Deus nos estimula a indagar. Com a ajuda do que já sabiam os autores antigos, os Santos Padres, o Pe. Emmanuel [1], o Pe. Castellani, e à luz dos acontecimentos atuais, nos é perfeitamente legítimo tentar esboçar a fisionomia dos últimos tempos, ainda que nem sempre acertemos e as coisas possam se apresentar de modo distinto. O esforço de intuir como serão as coisas nos ajudará, ao menos, a estar atentos aos sinais dos tempos, a estar vigilantes com nossa lâmpada acesa e com azeite ― o que não é pouca coisa. Ademais, como diz o Pe. Emmanuel, há uma graça especial que Deus concederá aos humildes (que Deus já vai concedendo), para adivinhar ou vislumbrar ao menos o essencial na grande trama dos acontecimentos. Deixando de lado, pois, o Milenarismo pelas razões que já disse, indico aqui os princípios que, em minha opinião, permitirão a compreensão dos últimos acontecimentos.

1o. Primeiro: parece-me indiscutível que o Apocalipse é um escrito profético e não simplesmente histórico, como pretenderam muitos autores em todos os tempos (v. g., uma descrição simbólica da queda da Sinagoga e do Paganismo, ou das perseguições romanas contra os cristãos etc). Com efeito, sempre se considerou que os livros do Novo Testamento se dividem, como os do Antigo, em históricos, sapienciais e proféticos; e somente ao Apocalipse se encaixaria bem o apelativo de profético entre os livros do Novo Testamento. A clave para a interpretação, a meu ver, está no próprio Apocalipse, capítulo 1, versículo 19: «Scribe quæ vidisti, et quæ sunt, et quæ oportet fieri post hæc»: Escreve, pois, as coisas que viste. E que viste? Duas coisas: as que são e as que hão de suceder depois destas.

Isso quer dizer que S. João viu uma dupla realidade, ou duas coisas que são uma: algo que já é, e algo que há de ser; e as viu a um só tempo, como superpostas, como por transparência: ou seja, viu algo que já é (poderia ser o império romano perseguidor do cristianismo) como figura de algo que tem de ser (toda a história da Igreja, perseguida, mas especialmente nos últimos tempos, a que se refere principalmente).   

2o. O segundo é uma aplicação do que foi dito: as cartas às sete igrejas não são apenas, como pretenderam esses autores de que lhe falava, uns avisos dirigidos por São João aos bispos das igrejas mencionadas, válidos apenas para aquele tempo e desligados do resto da obra ― que seria o único com alcance histórico (isso seria "o que já é")  ― mas que são, por sua vez, verdadeiras profecias das sete principais épocas da Igreja, com que o Apocalipse começa sua projeção histórica sobre o futuro (isso seria "o que há de ser"). O principal autor que assim expõe estas cartas, além de Castellani, é o venerável Bartolomeu Holtzhauser, em sua explicação do Apocalipse, de cujo pensamento há um extrato na introdução que Migne faz ao comentário de Cornélio Alápide sobre o Apocalipse (que, para infelicidade sua, está em latim).

3o. Prossigamos. É preciso levar em conta, como assinala Castellani, que as sete igrejas, como os demais setenários do Apocalipse, estão divididos em 4 + 2 (e o ternário, por sua vez, em 2 + 1, o último designando invariavelmente o tempo da Parusia). Nas igrejas, esta divisão estará assim assinalada: as quatro primeiras igrejas indicam as etapas de crescimento e desenvolvimento da Igreja ― são quatro igrejas pujantes e vigorosas, cada vez mais ― enquanto que as outras três são etapas de declive da Igreja: combatida, começa a cede ante seus inimigos, até que, na última Igreja, é dado ao Anticristo o poder de guerrear contra os Santos e vencê-los. E, por isso mesmo, parece-me indiscutível que as quatro primeiras igrejas são respectivamente, como diz o padre Holzhauser: Éfeso, a Igreja dos Apóstolos; Smirna, a Igreja dos Mártires; Pérgamo, a Igreja dos Doutores; Tiatira, a Igreja do Sacro Império Romano, quando a Igreja produz a civilização e a sociedade cristãs. Sardes, a quinta igreja, já é o começo do declive da Igreja, e pode ser identificada com a Igreja do Renascimento ou, de modo mais geral, com a Igreja da Revolução. Quando acaba a Igreja de Sardes e começa a de Filadélfia, e a quais épocas se identificam as Igrejas de Filadélfia e Laodicéia, that is the question! Isso não é fácil saber e não sei a que ponto se atualmente se pode saber com certeza. Sabemos somente que são etapas em que a Igreja irá declinando cada vez mais. Porém, avancemos um pouquinho.

4o. Parece-me fora de dúvida que a Igreja de Laodicéia é a Igreja dos últimos tempos. Nela, Nosso Senhor se descreve como estando já à porta e chamando: alusão clara à sua Parusia, como também a ceia a que convida a quem lhe abra é uma clara alusão ao banquete celestial, à glória celeste. E, por isso mesmo, a Igreja que a precede, que é a de Filadélfia, há de ser a Igreja que vai da Revolução aos acontecimentos que dão lugar aos últimos tempos.

5o. Esta Igreja de Filadélfia tem várias características. A primeira é surpreendente: é a única Igreja, junto com a de Smirna, que não recebe reprovações de Nosso Senhor. Ora, a Igreja de Smirna foi a Igreja dos Mártires. Por isso, parece bastante evidente que esta Igreja da Filadélfia se caracteriza, como a de Smirna, por padecer perseguições por parte dos poderes anticristãos e por sua fidelidade a Cristo em meio a esta perseguição. Ademais, é uma Igreja que «modicam habes virtutem», que tem pouco poder, mas, perante a qual, abre-se uma porta que ninguém pode fechar. Pela porta aberta designa-se sempre, em São Paulo, uma ocasião propícia para a difusão do Evangelho: esta Igreja, portanto, terá uma oportunidade maravilhosa para difundir a doutrina católica com essa pequena fortaleza que lhe queda. E parece que, a esta ocasião de difundir o Evangelho, está vinculada a conversão dos judeus:«Ecce faciam illos [qui dicunt se Judæos esse] ut veniant, et adorent ante pedes tuos; et scient quia Ego dilexi te»: farei que aqueles que se chamam judeus venham e adorem prostrados diante de ti, e saibam que Eu te amei. Finalmente, a esta Igreja se recomenda, como já se disse das duas anteriores, perseverar na Tradição, isto é, manter o que recebeu: «Tene quod habes». É o único que lhe consigna o Senhor.

6o. Com estes dados, pode-se tentar duas interpretações possíveis. Dou as duas, ainda que me esforce por justificar a segunda, não porque tenha autoridade, mas porque me parece a mais provável. A primeira, que se não me equivoco é a de Bartolomeu Holzhauser, e a de Dom Williamson [2], consiste em dizer que a quinta Igreja, Sardes, é a da Revolução. Inclui, então: a reforma protestante (1517), primeira etapa da revolução; o estabelecimento da maçonaria (1717), segunda etapa da revolução; o nascimento do comunismo (1917), terceira etapa da revolução, que há de acabar com um grande castigo, graças ao qual uma grande parte da humanidade perecerá e, a que sobrar viva, converter-se-á majoritariamente. A sexta igreja, Filadélfia, designaria, portanto, um grande triunfo da Igreja, sem precedente, que corresponderia ao triunfo do Coração Imaculado de Maria, que ainda não se realizou. Isto é, estaríamos ainda na igreja de Sardes. E a sétima Igreja, Laodicéia, seria a igreja do Anticristo, da feroz perseguição contra a Igreja (da qual a crise atual da Igreja não seria que uma prefiguração) e da Parusia.

A segunda interpretação, que á a minha (não sei quantos a compartilham) é a seguinte: a quinta igreja, que é a de Sardes, corresponderia, como explica Castellani, com o período que vai do Renascimento à Revolução francesa. Tem fama de viva (Re-Nascimento), mas está morta (pois é a ressurreição do culto do homem que substitui o culto de Deus). A sexta Igreja, Filadélfia, corresponderia à igreja que vai da Revolução francesa ao Concílio Vaticano II: uma igreja combatida, perseguida, como a de Smirna, mas fiel em dar testemunho a Nosso Senhor Jesus Cristo. E é fiel porque essa Igreja, apesar de não possuir muito poder, por ver-se perseguida por tantas partes (protestantismo, maçonaria e pelos poderes públicos), encontra uma porta aberta para difundir o Evangelho: é a Igreja das missões, que se difunde na Ásia e na África como talvez nunca antes havia se difundido. Ao mesmo tempo, esta Igreja conta com Papas extraordinários, de grande firmeza doutrinal, de Pio VII à Pio XII, que deram à Igreja grande prestígio, apesar de tão combatida. Na França, Alemanha, são freqüentes as conversões de judeus, para nada dizer das conversões dos protestantes. Poderíamos dizer que foi uma Igreja que não merece reprovações? Parece que sim: a perseguição a fez forte e generosa. Em meu modo de entender, esta Igreja termina com a morte de Pio XII, o último grande Papa, em cujo Pontificado a Igreja conservou um prestígio mundialmente reconhecido em todas as ordens. Com o Vaticano II, a Revolução francesa introduzida no seio da Igreja, começa a Igreja de Laodicéia, a Igreja da tibieza, a Igreja do ecumenismo e do indiferentismo religioso. O próprio Papa prega os idéias do Anticristo, os direitos do homem (como diz mais tarde o Apocalipse, é o falso profeta do dragão, a besta da terra, que tem pés de cordeiro, mas fala as palavras do dragão, e seduz a todas as gentes ― quem, senão o Papa ou a hierarquia da Igreja, tem esta influência a nível mundial? ― para que adorem a imagem da Besta). A Igreja, pois, divide-se em dois grupos, por assim dizer: a Igreja fiel, perseguida pelo dragão e figurada pela mulher revestida de sol, com a lua sob seus pés e uma coroa de estrelas em sua cabeça; e a "Igreja" infiel, isto é, uma estrutura prevaricadora, que guarda todas as aparências da verdadeira Igreja e que se serve de seus representantes, de seus santos, de sua jurisdição etc., e está figurada pela prostituta sentada sobre a besta, e que se prostitui com todos os reis da terra, com todas as ideologias anticristãs (ideais humanistas, islã, budismo, protestantismo, ONU etc). Portanto, esta etapa de Laodicéia é a que conhecerá, segundo minha interpretação, a apostasia das nações, a aparição do Anticristo, a perseguição feroz contra a Igreja, a conversão final dos judeus e a Parusia de Cristo com o Juízo final (esse é o significado de Laodicéia: julgamento dos povos).

7o. Trato de aduzir os argumentos (bastante pessoais, reconheço, por falta de autoridade) em que fundamento esta interpretação. Primeiro: sabemos que a Igreja, por ser o Corpo Místico de Cristo, há de viver os mesmos mistérios e sofrimentos que Cristo, sua Cabeça. Também deverá ter a sua Paixão. Mas, antes de viver sua Paixão, Cristo conheceu um triunfo, passageiro, porém sonoro: o domingo de Ramos. O mesmo deve acontecer com a Igreja Católica. Depois de conhecer este triunfo, a Igreja sofrerá sua Paixão, morrerá inclusive (aparentemente, não em realidade, assim como Cristo) e depois ressuscitará e se elevará aos céus. A ascensão da Igreja se identifica com a Parusia, com o Juízo Final, não cabe a menor dúvida. É preciso saber, pois, em que consistirá seu domingo de ramos, sua paixão e sua ressurreição. Segundo: A Virgem Maria profetizou em Fátima o triunfo final de seu Coração Imaculado. Este triunfo será um grande renascimento da Igreja, que não durará muito: "Ao mundo será dado um certo tempo de paz". Ora, como parece insinuar São Paulo em sua Epístola aos Romanos, este renascimento da Igreja se realizará pela conversão dos judeus, que será "uma como ressurreição dos mortos". Por isso, para mim é evidente que o triunfo do Coração Imaculado corresponde à ressurreição da Igreja após a sua Paixão, e esta ressurreição, por sua vez, consiste na conversão do povo judeu à Igreja Católica. Terceiro: segundo os Santos Padres, São Gregório, em particular, o Anticristo, que perseguirá a Igreja, chegará ao poder graças aos judeus, que colocarão a seu serviço imprensa e finanças, com as que manipulam o mundo. Mas, nesse momento, aparecerá o profeta Elias, que, com sua pregação incendiada converterá grande parte do povo judeu; de modo que o Anticristo, segue dizendo São Gregório Magno, por ódio, em sua perseguição contra a Igreja, perseguirá sobretudo os judeus convertidos. E na morte do Anticristo, quando o Senhor Jesus os tiver destruído com um sopro de sua boca, toda a gente, aliviada de sua cruel tirania, se converterá e ocorrerá um renascimento da Igreja como jamais se viu, que terá como estímulo a conversão maciça dos judeus que ainda não tiverem convertido. Depois, com esta paz temporal, voltará a tibieza dos cristãos e, a esta, seguirá a Parusia de Cristo. Com efeito, como não ver no profeta Elias o nexo Maria-judeus-triunfo da Igreja? Pois Elias é o grande profeta da Virgem no Antigo Testamento e é ele mesmo quem há de aparecer para a conversão dos judeus; por isso, a conversão dos judeus parece intimamente ligada à Mediação da Santíssima Virgem. E, uma vez que essa conversão será o maior triunfo conhecido pela Igreja durante toda sua história, como não identificá-la com o prometido triunfo do Coração Imaculado de Maria, que conduz ao triunfo de seu divino Filho?

8o. Desse modo, ordenaria os acontecimentos como segue: Primeiro, a sexta Igreja, que é a de Filadélfia, corresponderia com esta etapa precursora da paixão da Igreja: a Igreja já se vê condenada à morte pela Revolução, Como Cristo já havia sido condenado a morte pela Sinagoga (é de pequena fortaleza), mas conhece um tempo de triunfo temporal, como Cristo quando é triunfalmente recebido em Jerusalém. Este triunfo temporal da Igreja, quando já se encontra tão perseguida, manifesta-se pela grande porta que se abre pelo labor das missões, pelo prestígio internacional de que gozam seus Papas, pela difusão da devoção ao Sagrado Coração e à Santíssima Virgem, pelo extraordinário desenvolvimento da mariologia e dos dogmas marianos, pelas numerosas aparições de Nossa Senhora, pelos Congressos Eucarísticos internacionais, pelos chefes de estado católicos etc. etc. Triunfo da Igreja em um mundo já corrompido, em um mundo que bebeu profundamente dos princípios da Revolução. Assim como Cristo chora sobre Jerusalém nom momento mesmo em que é triunfalmente recebido, assim a Igreja há de chorar sobre estas sociedades corrompidas em seus princípios, nas quais, apesar de tudo, consegue este sonoro triunfo. Esta é a sexta igreja, irrepreensível, porque sofreu muito; irrepreensível, porque teve Papas de grande porte, firmíssimos doutrinariamente. Esta sexta Igreja acaba com a morte de Pio XII e, com Vaticano II, começa a sétima Igreja (tudo isto coincide, que coincidência! com o momento em que Roma deveria ter difundido o terceiro segredo, que falava destas coisas). Este Concílio dá início à paixão da Igreja: traição e abandono dos Apóstolos, isto é, dos bispos que se querem amoldar ao mundo moderno, ao mundo anticristão, e que, por isso, tornam-se traidores (é o caso dos mais audazes) ou, pelo menos, abandonam Nosso Senhor e se calam (é o caso da maioria). A Igreja entra em sua Paixão e sofre uma espantosa solidão. Vê a seus filhos totalmente desamparados, dispersos como ovelhas, por terem sido feridos por seus pastores. Esta Igreja, como Cristo, se vê acusada de falsos crimes, e cala como Cristo em sua paixão: Deus não lhe permite defender-se das calúnias que são dirigidas contra ela, pois não está em suas mãos nem a imprensa, nem as artes, nem a televisão, nem o rádio. esta Igreja vê difundir-se em seu nome a mais espantosa tibieza, característica de Laodicéia, sob os nomes de ecumenismo, de agiornamento, de liberdade religiosa. Esta Igreja vê como, em seu nome, se consuma a apostasia: a própria Santa Sé pede às nações católicas que abram mão de sua confissão em respeito às demais crenças. Seus pastores têm pés de cordeiro, sim, mas pronunciam as palavras do Dragão. o mistério de iniqüidade avança, e não me parece que tenha de interromper-se, como postularia a primeira interpretação (com o castigo geral e a conversão em massa antes do Anticristo), mas antes que prosseguirá sem solução de continuidade até encontrar seu apogeu na aparição do Anticristo, que, segundo São Paulo, será favorecido e permitido pela apostasia das nações. Aparece, pois, o Anticristo, a quem os judeus reconhecem como Messias e, graças aos quais, sobe ao poder e começa a perseguir a Igreja. Chegou o momento da crucifixão e morte da Igreja (morte aparente, é claro, mas talvez visível: voltará às catacumbas?). No entanto, ao mesmo tempo, aparece Elias e dá inicio à conversão do povo judeu. O Anticristo, furibundo, começa a perseguir os judeus conversos; no cúmulo de sua soberba, faz-se adorar como deus, mas é destruído por uma ação milagrosa de Deus. Com a morte do Anticristo, completa-se a conversão do povo judeu: chegamos ao momento da ressurreição da Igreja, tal como São Paulo a parece entender. Mas, não dura muito este tempo de paz e florescimento: levados pela comodidade, os cristãos voltam a cair na tibieza, volta a ganhar força o mistério de iniqüidade, e a única solução é a vinda e aparição pessoal de Cristo: a Parusia e o Juízo final: é a culminação da Igreja, da obra de Cristo e a assunção da Igreja ao céu, em companhia de Cristo.  

9o. Resumindo: Laodicéia é a Igreja dos últimos tempos; não é a Igreja do milênio, pois o Magistério reprova esta opinião; e, a meu parecer, estamos na sétima época da Igreja, mas não sou profeta (sobre isso podemos todos levarmos uma surpresa; segundo Holzhauser ― e Dom Williamson ― estaríamos ainda na quinta Igreja, na de Sardes; somente afirmaria estarmos na sexta quem julgasse que a sétima haveria de ser a do milênio).

Quando, em uma oportunidade, comentei esta minha "genial" tese com um sábio e prudente bispo, lá em Madri, se limitou a dizer-me: "muito bonita a sua interpretação; mas... pode prová-la?" É claro que não, é apenas uma opinião pessoal, que formei com minhas leituras e meditações.

(Tradução: Permanência. O original espanhol foi publicado em A Casa de Sarto)


Notas:

[1] [N. da P.] Leia nossa tradução do Comentário do Pe. Emmanuel ao Apocalipse aqui.

[2] [N. da P.] A interpretação de Dom Williamson, bispo da SSPX, encontra-se publicada aqui (em espanhol)

domingo, 12 de julho de 2009

Hugo de São Vítor e os fiéis…

"Há um gênero de homens
para os quais crer significa
apenas não contradizer a fé,
aos quais denominamos fiéis
mais pelos costumes da vida
do que pela virtude de crer.

De fato,
dedicados apenas às coisas que passam, nunca elevam a mente
ao pensamento das coisas futuras;
embora recebam os sacramentos da fé cristã juntamente com os demais fiéis, não atentam para o que significa ser cristão ou que esperança há na expectativa dos bens futuros.

Estes, embora sejam ditos fiéis pelo nome, de fato e em verdade estão longe da fé".
Hugo de S. Vitor: De Sacramentis Fidei Christianae; L. I, p. X, c. 4; PL 176, 332

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Cruzada do Rosário - Rosary Crusade com legendas em português

Conferências do Rev. Padre José María Mestre (Áudio em espanhol)

Pe José Maria Mestre

Clique nos links para ouvir as conferências

Fonte: Conferências do Distrito Sulamericano da Fraternidade Sacerdotal São Pio X

Vida do Cardeal Pie (Áudio em Espanhol)

TESTIMONIO Y DOCTRINA DEL CARDENAL PIE.
Por el R.P. Alfredo Sáenz S.J.
Conferencia pronunciada en el XI encuentro de formación católica organizada por el Círculo de formación San Bernardo de Claraval en el año 2008.

R.P. Osvaldo Lira

Clique no banner do Stat Veritas (fonte) para fazer download do arquivo em áudio

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sábado, 4 de julho de 2009

Povo de Deus ou Deus e povo?

Nota:  Teoricamente a Igreja atual é o chamado povo de Deus, mas na prática este modelo de Igreja reproduz a fórmula maçônica (Carbonária) de Guiseppe Mazzini (Deus e Povo). É o que poderão constatar no texto, que seguirá após algumas citações de trechos específicos, que aplicados a Igreja, apontam para o sedevacantismo praticado pelos modernistas e pelas conferências episcopais.  Vejam:

“a existência de um rei (Papa) vicia a igualdade dos cidadãos e ameaça a liberdade de um país, enquanto permite que no pico da escala social alguém goze de extraordinários privilégios com grande perigo para todos os outros;

a soberania não reside num indivíduo somente, mesmo que nobre e valoroso, mas em todo o povo, cuja vontade descende diretamente de Deus e é a única capaz de exprimir o desejo divino nos ordenamentos de um Estado (Deus e povo) sagrada é portanto sua indignação, sagradas são as suas revoluções contra aqueles que pretendem sufocar a liberdade;

Em resumo: "Deus e povo" significa exatamente que Deus manifesta-se através do povo; significa que a nação deve considerar-se "uma operária a serviço de Deus", ou seja a serviço da Humanidade. Como cada indivíduo tem um dever a cumprir, assim cada nação tem uma própria missão”.

Os leitores sentem alguma estranheza ao ler estes trechos, ou como eu, já leu algum “católico” escrever o mesmo?

Segue abaixo o texto…

http://jornalecarbonario.110mb.com/archives/12-01-2006_12-31-2006.html

GUISEPPE MAZZINI

Postado Quinta-feira, Dezembro 21, 2006 as 1:18 PM pelo B:.Pr:. Guiseppe 33

Nascido em Genova no dia 22 de maio de 1805 (filho de Giacomo, professor universitário ex giacobino, e de Maria Drago, mulher de grande sensibilidade moral e religiosa), foi estudante em lei na sua cidade natal, mas desde a sua adolescência mostrou-se mais interessado em assuntos políticos e literários do que em assuntos de jurisprudência. Ele se achava um revolucionário diferente dos outros porque não concebia a revolução como reivindicação dos direitos individuais não reconhecidos, mas sim como um dever religioso a ser atuado em favor do povo.
Por este motivo filiou-se à Carbonária, pela qual exerceu várias tarefas de caráter organizativo em Liguria e na Toscana. Além disso colaborou com o Indicatore Genovese e com o Indicatore Livornese, dois jornais que se definiam literários, mas que cedo foram fechados pela polícia sabauda e toscana, porque a razão literária era somente um disfarce, aliás pouco escondida, da intenção política. De algum interesse é o Ensaio sobre algumas tendências da literatura européia no século XIX, com que ele endereçava o romantismo no álveo democrático e laico.
Em 1830, acusado de atividade conspirativa, foi preso em Savona pela polícia de Carlo Felice, mas não tendo provas contra ele ofereceram-lhe o exílio em qualquer aldeia perdida do reino sob a vigilância da polícia, ou ir para Marselha: ele decidiu pela segunda opção (1831). Graças ao seu espírito profundamente religioso e a sua dedicação aos estudos sobre os acontecimentos históricos, ele entendeu porque somente um Estado do tipo republicano poderia permitir a conquista dos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade próprios da Revolução Francesa. Por este motivo formulou o programa mais radical entre todos aqueles que foram debatidos no decorrer do Renascimento Italiano (não é um erro: muitos diziam renascença ou renascimento no lugar de ressurgimento) e, fiel à suas idéias democráticas, adversou a formação de um Estado monarquista. Um capítulo interessante para ser explorado é constituído pelo relacionamento de Mazzini e da sua Jovem Itália com os movimentos de oposição difundidos naqueles anos.
Apesar de ter sido aceito na I Associação Internacional dos Trabalhadores como representante da Itália (mas eram os anos de exílio em Londres) Mazzini nunca conseguiu entender a luta de classe e a prova está no seu irreduzível anti-marxismo e na sua contínua oposição aos movimentos socialistas. Também problemático foi o relacionamento com as sociedades secretas dirigidas por Filippo Buonarroti, cuja força estava no número e no vínculo com os grupos camponeses que eram atraídos pelo programa coletivista. Mazzini tentou uma aliança com os seguidores de Buonarroti (1832), mas a luta de classe e o apego que eles tinham com o "Oitenta e nove francês" produziram logo a ruptura (1833) tirando dessa forma dos "mazzinianos" qualquer influência sobre as massas operárias e camponesas. Não podendo contar com a ajuda de um soberano, Mazzini necessitou buscar a própria base de ação no povo. Começou assim a fixar as linhas programáticas de uma associação que enfrentasse com espírito e novos meios o problema da independência e da unidade da pátria. Ninguém mais do que ele era convicto de que a Carbonária não podia de modo algum conduzir o povo italiano ao seu resgate por causa de alguns graves defeitos tais como:como:
a falta de uma ação unitária e de visão nacional do problema político italiano;
a excessiva confiança nos soberanos locais e estrangeiros;
a incerteza do programa (republicano? monarquista? federal?);
a não difusão deste fato nas mais diferentes classes sociais inclusive por meio da imprensa;
a conseguinte ausência do povo nos movimentos revolucionários;
a presença de aristocratas, intelectuais, ricos burgueses ou oficiais do exército decididos a construir, também depois da vitória, uma classe privilegiada a quem deveria ser entregue a direção do Estado.
É por tudo isso que, segundo Mazzini, era chegado o momento de dizer e fazer algo novo, dirigindo-se não somente para um restrito número de pessoas, mas para todos os italianos através de programas claramente redigidos e levados ao conhecimento do público. É na base destas convicções que Mazzini, em julho de 1831, criava em Marselha a Jovem Itália: "jovem" porque era destinada a fundar-se, principalmente, sobre o entusiasmo revolucionário dos jovens e não mais sobre os sutis cálculos políticos das velhas gerações; "Itália" porque era a expressão de um movimento unitário em base nacional, intérprete das necessidades e das esperanças de toda a península. A nova associação devia, além disso, inspirar-se em princípios "republicanos" porque:
todos os homens de uma nação são chamados, pela lei de Deus e da humanidade, a serem iguais e irmãos;
a instituição republicana é a única que assegura este futuro;
a existência de um rei vicia a igualdade dos cidadãos e ameaça a liberdade de um país, enquanto permite que no pico da escala social alguém goze de extraordinários privilégios com grande perigo para todos os outros;
a soberania não reside num indivíduo somente, mesmo que nobre e valoroso, mas em todo o povo, cuja vontade descende diretamente de Deus e é a única capaz de exprimir o desejo divino nos ordenamentos de um Estado (Deus e povo) sagrada é portanto sua indignação, sagradas são as suas revoluções contra aqueles que pretendem sufocar a liberdade;
Eis o programa político-espiritual, que Mazzini através da nova associação desejava realizar e que se pode assim sintetizar:
Providenciar a educação e formação de uma nova consciência popular como indispensável premissa de qualquer ação. A Jovem Itália se definia "associação tendente antes de tudo a um propósito de insurreição, mas essencialmente educadora até aquele dia e depois daquele dia", e portanto era necessário que seu programa fosse difundido o mais amplamente possível, que fosse "gritado pelos telhados", a fim de que resultasse claro em todos seus pontos. A clandestinidade, da qual as seitas anteriores se compraziam, permanecia obviamente necessária pelos aspectos organizativos da associação (para esconder os nomes dos filiados), mas devia cessar completamente em relação aos propósitos e fins da Jovem Itália. A importância atribuída à educação não deve fazer pensar a uma atitude acadêmica e livresca, porque, ao contrario, a fórmula de Mazzini "pensamento e ação" visa exatamente a sublinhar o vinculo entre o amadurecimento moral e o empenho na luta, condenando ao mesmo tempo qualquer cultura puramente intelectualista.
Fazer da Itália, com uma "revolução do povo", uma nação firmemente unida, independente do estrangeiro, livre em seus ordenamentos e soberana, ou seja dona de si mesma e do seu destino.
Fundar uma república democrática baseada no sufrágio universal, enquanto somente o Povo, sem distinção de classe, riqueza ou religião, é soberano e tem portanto o direito de auto governar-se.
Lutar por um sistema social melhor baseado em uma distribuição das riquezas mais justa.
Renegar o predomínio de uma nação sobre a outra e contribuir para o pacífico progresso de toda a humanidade Se a ação anterior era falida, era devido, segundo Mazzini, a falta de uma profunda inspiração religiosa, a falta de confiança que ainda se tinha em relação aos príncipes, e por ter acreditado no valor das constituições e não na ação criativa do povo, a única capaz de construir um edifício duradouro.
Religiosidade, democracia e nação são para Mazzini uma coisa só: sem a fé num princípio superior, num Deus de verdade e justiça (que para Mazzini não se identifica com aquele da tradicional religião), os italianos teriam continuado a ocupar-se do próprio interesse particular e não teriam sentido nascer em si mesmo aquele sentimento de solidariedade e dignidade que é necessário para um renascimento; sem um regime de plena democracia republicana, eles teriam ficado como simplórios objetos da história, escravos dos estrangeiros ou dos tiranos e príncipes locais; enfim, sem religião e sem democracia não pode existir uma nação, também quando se conseguiu a independência territorial, porque a nação não se identifica com a unidade étnica ou com as tradições comuns, mas funda-se, ao contrário, na unidade dos propósitos que podem manifestar-se em cheio somente graças a conquista de um regime de completa liberdade.
Em resumo: "Deus e povo" significa exatamente que Deus manifesta-se através do povo; significa que a nação deve considerar-se "uma operária a serviço de Deus", ou seja a serviço da Humanidade. Como cada indivíduo tem um dever a cumprir, assim cada nação tem uma própria missão.
Mazzini atribuiu à Itália a missão de fazer-se inspiradora do movimento de liberação de todos os povos europeus: não um primado de potência político-militar, mas uma vocação de solidariedade e de liberdade. Neste sentido ele podia dizer de amar a própria pátria enquanto amava todas as pátrias, e fundou em 1834 a" JOVEM EUROPA", (dividida em quatro organizações locais: a "Jovem Alemanha", a "Jovem Polônia",a "Jovem Itália", e a "Jovem Suíça") a fim de conduzir todos os povos à insurreição libertadora, depois da qual, derrubados os governos, reconhecerem-se como irmãos.
A presença de Mazzini (que considerando os fatos foi, de certo modo, o grande derrotado do ressurgimento), foi essencial e determinante para a realidade italiana, de fato ele não soube somente criar uma consciência de "povo" e de "pátria" em todas as classes sociais, mas soube também ser, nos países europeus, o símbolo do nosso "Risorgimento" e da absoluta necessidade de dar aos problemas italianos uma solução adequada. A propaganda "mazziniana" teve ampla difusão em Toscana, Abruzzi e Sicilia, mas sobretudo em Piemonte e Liguria, onde recebeu muitas adesões, especialmente no âmbito militar (oficiais e sub-oficiais).
Exatamente nestas últimas regiões, que ele conhecia melhor, Mazzini iniciou em 1833 a sua primeira tentativa insurrecional, que deveria encontrar seus centros de iniciativa em Chambèry, Turim, Alessandria e Genova. A mesma amplitude da conjura e os métodos muito mais abertos da "Jovem Itália" fizeram com que o governo sabaudo tomasse conhecimento da conjura antes dela começar, e sendo que Carlo Alberto sentiu-se ameaçado justamente pela lealdade do exército, que segundo tradição devia ser instrumento fiel da política regia, a repressão foi desumana e feroz: vinte e sete condenações a morte, das quais doze foram realizadas; uma centena de condenações a penas carcerárias de diferentes entidades; numerosos exilados voluntários ou obrigatórios.
O mais querido amigo de Mazzini, Jacopo Ruffini, chefe da "Jovem Itália" de Genova, onde foi preso, para evitar a violência dos interrogatórios, aos quais nem todos conseguiam resistir, preferiu suicidar-se. Estas vítimas, e especialmente a lembrança de Ruffini, pesaram por muito tempo no coração de Mazzini, que, alguns anos depois, se verá acometido pela dúvida de tê-las sacrificado inutilmente por uma idéia orgulhosa e arbitrária. Mas o "tormento da dúvida" (que foi superado em consideração ao sentido religioso ou da missão em que ele se empenhou) não interromperam a atividade de Mazzini. Em 1834 a insurreição recomeçou: um grupo de italianos deveria entrar em Savoia passando pela Suíça, e acender o fogo da rebelião; em Genova o sinal da revolta deveria ser dado por Giuseppe Garibaldi, ardente filiado da "Jovem Itália", que alistou-se na marinha sarda exatamente com o objetivo de difundir as novas idéias republicanas e patrióticas.
Para chefiar as colunas provenientes da Suíça foi escolhido um veterano da insurreição polonesa de 1830-31,Girolamo Ramorino, que nesta ocasião deu péssima prova, guiando a expedição sem entusiasmo, depois de ter desperdiçado os fundos de que dispunha. Um grupo foi barrado pelas tropas suíças antes de atravessar a fronteira com o Reino de Sardegna e outras duas tropas, não apoiadas pelas populações, foram facilmente derrotadas pelas patrulhas de Carlo Alberto. Outras tantas negativas foram as tentativas de insurreição da "Jovem Itália" em Sicília, Abruzzi, Toscana e Lombardo-Veneto.
Evidentemente Mazzini pedia ao povo italiano muito mais do que ele estava preparado para dar e isto o colocou num estado de profunda amargura e desconforto, que perdurou de 1835 até 1840. A mãe foi sempre espiritualmente do seu lado, estimulando-o a prosseguir até o fim, tanto que o infatigável Mazzini fundou a "Jovem Europa" (o projeto era todavia ambicioso demais para dar resultados concretos) e organizou em Bologna (1843) um outro movimento que chamou a atenção sobre dois jovens oficiais da marinha austríaca recentemente convertidos às idéias de Mazzini: Attilio e Emilio Bandiera. Infelizmente, este movimento também teve hesito negativo. Único momento exaltante, depois de tantos insucessos, foi para Mazzini a experiência da República Romana de 1849, porém logo seguida de novos tristes insucessos, como aqueles sofridos no ano de 1852 em Mantova, que redundou em nove condenações à morte, e em 1853 em Milão, que ofereceu ao governo austríaco a ocasião para seqüestrar os bens dos patriotas lombardos emigrados em Piemonte.
A situação precipitou-se na fracassada tentativa de Carlo Pisacane em 1857. Depois da unificação da península sob a direção dos Savoia, a personalidade de Mazzini teve sempre menos importância e ele viveu cercado somente por poucos amigos até o ano de sua morte em 1872.
A este ponto nos perguntamos o motivo de todos estes insucessos apesar de tanta atividade. A resposta deve ser procurada no programa de Mazzini. Todo inflamado pelo ideal de nação, ele não entendeu bastante o próprio povo que era formado pela grande massa de camponeses e pela emergente burguesia. Ao primeiro não apresentou uma solução do problema agrário fundamentada sobre uma distribuição de terras mais justa, enquanto ao segundo não soube oferecer aquelas garantias de progresso e estabilidade que a ação de Casa Savoia parecia poder assegurar especialmente depois da eliminação das classes feudais.

Nota sobre a nota da CNBB sobre a corrupção

 

Em recente “Nota da CNBB sobre a corrupção”Dom Orlando Brandes, que escreve sobre transparência, coerência e honestidade, nota apenas, a corrupção dos políticos. O povo que os coloca no poder, não é corrupto, é o santo povo, constítuido de Reis, Sacerdotes e Profetas, que como reis assistem a litúrgia celebrada democraticamente, por um presidente (o “primeiro entre os iguais”, tal como o novo Cristo democrático), como sacerdotes, ofertam sacríficios a si mesmos, sacrificando a primazia de Cristo na litúrgia, celebrando narcisamente a própia comunidade que pela participação realiza a consagração e como profetas profetizam sobre o resultado de assinaturas e análises de conjuntura para aggiornar a fé a corrupção hodierna.

Bom, enganou-se quem achou que o ano Paulino serviu de alguma coisa para a CNBB. O apóstolo das gentes, que ensinava que “todos pecaram e estão privados da glória de Deus” (Rm 3.23), se vivo estivesse, lamentar-se-ia pelo estado deplorável do episcopado brasileiro. A mensagem de São Paulo supracitada, é uma nota sobre a corrupção do gênero humano, decaído pelo pecado de Adão. Interessante não, Cristo e os Apóstolos, pela pregação da Cruz, dão a nota da corrupção humana e a o remédio para esta corrupção, mas a CNBB não diz nada a sociedade brasileira neste sentido (tem vergonha de Cristo!).

No texto, o Bispo cita o sétimo e o décimo mandamento, que “proíbem o roubo e a corrupção”. Se analisarmos esta citação a fundo, sem a exposição da doutrina paulina, teremos que a CNBB não ensina mais as palavras do apóstolo e a doutrina de Cristo. Mas  por que? Será que o tempo as corrompeu? Será pela apostasia do próprio clero? Ou será ainda pela evolução, da queda em Adão, para a justificação recebida pela encarnação de Cristo, sem ser necessário crer em Cristo e receber a sua graça?

Há finalidade da lei, é pura e simplesmente dar consciência do pecado, preparando o caminho para a graça. Já o Bispo cita a lei como um conselho, do qual já somos cumpridores (menos os políticos).  Lembra um certo alguém chamado Pelágio que acreditava na bondade natural do homem (antes de J.J. Rousseau), mas nem mesmo Pelágio negaria a sua exposição corrompida da graça aos políticos brasileiros. Dificíl é entender porque os políticos são corruptos por transgredirem os mandamentos, e os membros do MST que o transgridem continuamente, não o são. Por que será que para os políticos as leis são leis e para o Bispo e o MST, as leis são conselhos de conduta ética?

Pronto, a CNBB da consciência dos pecados de nossos políticos e fica apenas nisso. Não oferece a graça como remédio para a salvação dos políticos, pois ela esta interessada em salvar a política (isto sem salvar o homem). Então pede ao homem assinaturas para o projeto “Ficha limpa”, não orações para a salvação dos políticos. Efetivamente, a esperança da CNBB, não esta no nome do Senhor que fez o céu e a terra, mas nas assinaturas do povo de Deus. Na Igreja Primitiva os católicos rezavam pelos imperadores pagãos. Mas como sabemos, o episcopado da CNBB, em sua maioria é constituído por modernistas. Portanto devem acreditar também na evolução das orações para as assinaturas. Como o Padre Fábio de Melo, que disse no programa do Jô que a Igreja Evoluiu da Barca de Pedro, para o povo de Deus. Apesar do lugar do Povo de Deus, ser dentro da barca de São Pedro... Reparem que isto tudo, não é corrupção, é evolução…

Nenhum homem, sem a graça de Deus nos ofertada pelo sangue de Cristo na cruz do calvário, é capaz de cumprir a lei, ele disse: “Sem mim nada podeis fazer” (Não é o que prova a CNBB e as demais Conferências Episcopais Européias?).  E para obter esta graça, é necessário crer e ser batizado para ser salvo. Mas a revelação de São Paulo, sobre o homem, é incompatível com a dignidade da pessoa humana que teve sua imagem e semelhança resgatada na encarnação e não no crer que seu sangue foi derramado em resgate pelos nossos pecados.

O fruto desta teologia é achar que Cristo é a revelação do homem, quando na verdade ele é a revelação de Deus. Desde que se passou a crer assim, os Bispos seguem Feuerbach, afirmam de Cristo, o que afirmam deles mesmos. Neste contexto de encarnação da verdade revelada nas culturas humanas e não de crucificação das mesmas como foram crucificadas as culturas pagãs, já não faz sentido o ensino da doutrina paulina ou de Cristo, mas da parábola dos cegos e dos elefantes indianos. Assim, um Católico Protestante, cumprimentando um Católico Marxista, poderia muito bem cumprimentá-lo, dizendo:

“O Cristo que esta em mim, saúda o Cristo que esta em você!”

Quanto a citar Nossa Senhora Aparecida como serva da humanidade, é preciso apenas dizer que ela mostrou muito bem seu serviço a humanidade, em La Salette, Lourdes e Fátima. E os Bispos da CNBB mostraram muito bem o serviço deles a Nossa Senhora, consagrando-se aos erros da Rússia. Entrando em núpcias com a Teologia da Libertação, preferindo seguir ao comunista Dom Hélder Câmara, deixando de lado Nossa Senhora em Fátima.

Para terminar quero dizer aos Bispos da CNBB, que os políticos e o povo brasileiro, tem alma, nós não temos apenas estômago. Parem de querer transformar pedra em pão e sejam transparentes, coerentes e honestos com o chamado que receberam. Velem pela Igreja de nosso país que sofre com a corrupção na liturgia, na pregação e no ensino. Não se preocupem com o cisco nos olhos dos outros, mas com a trave que encobre os vossos olhos!!!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

A Igreja Darwinista

 

Imaginem uma Igreja que é o corpo do homem, do qual quase todos fazem parte. Apliquem nessa Igreja a noção darwinista da origem do homem. Teremos nela a história da humanidade segundo Charles Darwin, onde o homem sofre "aggiornamentos" para se adequar as condições de vida que o ambiente fornece. Assim, da mesma maneira que se tem um homem para cada idade histórica, também se terá uma Igreja para cada uma das idades históricas. Temos aqui, o princípio da história da nova Igreja.
Apesar das frequentes atualizações que se observam nos homens de Darwin, a substância material dos diversos homens da teoria da evolução, é a mesma. Mudando-se o formato da substância, para que o homem se adequasse a novas realidades, o que se alterou foi a substância espiritual dos mesmos; O homo habilis, por exemplo, não pensava, mas o homo sapiens, "pensa e logo existe".
Atualmente ocorre o inverso, cada homem sente-se no dever de mudar a forma de sua substância espiritual. Se a Evolução Darwiniana é produto do nada a evolução da humanidade é produto de todos os homens. Cada um estipula um fim para a evolução da humanidade, em um grande contra-senso, pois o nada sem razão e sem vontade, na visão darwiniana produz um universo ordenado e o ser humano dotado de exatamente de "razão e vontade livre", ele ganha de dez a zero, dos homens. Dotados de "razão e vontade livre", eles são incapazes de produzir uma sociedade que seja uma analogia ao universo em que vivem. Absurdos...
A concepção darwiniana, foi absorvida pelos modernistas católicos, eles à aplicaram, na Igreja e no católico, ela foi a motivação do Concílio Vaticano II, no qual ela triunfou. Agora para a grande maioria dos Católicos, como para Charles Darwin, a verdade também evolui, ela tem que ser constantemente "agiornata" como o homem foi constantemente "Aggiornato". Para a Teoria da Evolução o Aggiornamento do homem faz a vida acessível a ele, mas para a heresia modernista, o "aggiornamento" da verdade é que torna a verdade acessível ao homem. Como se vê o modernista quer ter acesso ao nada, pois uma verdade que evoluí, não é nada, ela não é acessível a ninguém, ela não existe.
Antes do Concílio, o católico era o "homem eterno", agora ele passou a ser visto como homem antigo, medieval e moderno. A catolicidade da Igreja, não lhe imprime mais caráter eterno. Agora o que imprime caráter é o tempo. Se olharmos por este ponto de vista, nunca existiu sequer um católico e diremos como Nietszche, que "o único cristão foi Jesus Cristo". Afinal se o tempo determina as necessidades humanas, se é ele quem dá as diretrizes para a Igreja, nunca houve uma só fé e um só batismo. Porque reduzindo-se tudo ao material e ao homem, nunca houve um Senhor.
Nunca tinha ocorrido em toda a história da Igreja um Concílio para atualizar a Igreja. Ainda mais nas circunstâncias em que se deu a convocação do Concílio, uma subita inspiração. Durante 1960 anos a Igreja é inspirada a expressar ao mundo uma porta estreita e durante 500 anos ela luta contra aqueles que escancararam a porta da perdição. Para na década de 1960, através de uma súbita inspiração ela se abrir ao mundo e permitir que ele transformasse a si mesma em uma auto-projeção da humanidade.
Ora, se a Igreja necessita ser atualizada, ele já não é mais o reflexo de Cristo, mas da humanidade. Em nenhum momento da antigüidade ou da idade média, os membros da Igreja pediram por uma atualização da Igreja. Na Antigüidade Santo Agostinho batizou Platão e na Idade Média Santo Tomás de Aquino batizou Aristóteles, sem que houvesse a necessidade da convocação de um Concílio para adequar a Igreja a tempos platônicos e outro para adequar a Igreja a tempos Aristotélicos. Muito pelo contrário, foram tempos platônicos e aristotélicos que se converteram ao tempo eterno, o tempo católico.
Dizem que o tempo é o senhor da razão, sendo assim hoje pode se dizer que ele é o cabeça da Igreja Conciliar. Porque tem se deixado de cumprir as ordenanças de nosso Senhor, para se atender as determinações de nosso tempo. A vida presente é tida como a primeira e última realidade do ser humano. De alguma forma desviaram o fim da graça da vida futura e aplicaram na em nossa vida presente. O que é um Concílio Pastoral senão um Concílio materialista? Entrem no site da CNBB, não existe pastoral da fé, todas as pastorais cuidam de questões da vida presente e se encerram nela. Não existe nenhuma preocupação com a vida futura. Todos dotados de razão e vontade livre, já não necessitam do conhecimento da verdade para alcançar a liberdade (Jo 8,32). Pensam nascer livres, mas sequer podem definir a liberdade e o concílio assina embaixo.Termino perguntando:
A Igreja é o Corpo de Cristo, ou o Corpo dos homens Darwinianos? Teria a Igreja sido máculada pela velhice e por rugas e o Concílio efetuado uma plástica?

terça-feira, 30 de junho de 2009

A Igreja das Conferências Episcopais, é a humanidade!

A Igreja que é santa e pecadora, é a auto-projeção do homem irremediavelmente corrompido pelo pecado, é justificada somente pela fé (Sola Fides), ela é a humanidade!

Há “Ecclesia semper reformanda” dos reformistas protestantes, é também a Igreja dos modernistas. Não é dificíl identificar esta Igreja com a humanidade, basta-se apenas considerar que ela (humanidade), evoluiu após sucessivas reformas. O bom senso, move o juízo a acreditar que, é  o homem, quem necessita sempre se reformar de acordo com as normas da Igreja de Cristo, que é santa e incorruptível, tem Cristo por cabeça. A Igreja tem a promessa de Cristo feita a Pedro, ao homem, é dito que aquele que perseverar até o fim será salvo. Mas se o objeto da perseverança necessita de reformas, como ele poderá perseverar no caminho da salvação? Como acreditar em uma Igreja Santa e Pecadora?

Na Igreja Católica, as Conferências Episcopais (desde o Vaticano II),vem reproduzindo este modelo maligno. Transformaram o episcopado de responsável pela unidade da fé na Igreja, em responsável pela unidade do gênero humano. Isto é evidentemente claro nestas conferências que não possuem racionalidade, mas afetividade católica. Provar isto, é muito fácil, basta-se observar que a racionalidade do episcopado moderno, é humanista, liberal, protestante, socialista, comunista, pelagiana, etc. Na obra desenvolvidas pelas dita cujas, existe muito da obra do reformista e do modernista, onde é bastante evidente que não sabem; o que é Deus? Quem é Deus? O que possuem é apenas um sentimento religioso, não possuem racionalidade Cristã, mas apenas uma afetividade que move a esperança de encarnar a verdade revelada em culturas humanas. Enquanto os reformistas tentaram encarnar a verdade revelada na cultura nominalista, os modernistas a tentam encarnar em qualquer cultura humana. Porém o que ocorre, é um efeito contrário, onde tudo acaba se encerrando na humano.

Os falsos profetas que diriam que Cristo esta aqui, ou acolá, nada mais são do os encarnadores da verdade revelada.  Santo Tomás de Aquino e Santo Agostinho, para batizar Aristóteles e Platão, primeiro crucificaram suas filosofias com Cristo. Se eles tivessem tentado encarnar a verdade revelada, como hoje se tenta, esta encarnação estaria perdurando até nossos dias. De fato, a linguagem da cruz é loucura para os que se perdem e salvação para aqueles que acreditam, como bem provam os modernistas. Desesperados da cruz, tentaram centralizar o cristianismo na encarnação, mas então, para que a cruz?

Os inumeráveis abusos que temos assistido nos últimos tempos, tem sua origem nesta visão teológica. O Papa, por exemplo, é sucessor de São Pedro, ele é o responsável pela unidade da fé na Igreja, mas o episcopado preocupado com a unidade do gênero humano, empenhado no serviço a humanidade, simplesmente não o obedecerá. Isto efetivamente, demonstra-se na prática dos Bispos, que mantém um vínculo afetivo junto ao Papa, mas o racional, é devotado a humanidade. Na mesma rota estão os abusos litúrgicos (tão comuns em nosso tempo), nada mais são do que a celebração da unidade do gênero humano. Dentro da visão exposta anteriormente, os abusos tornaram-se naturais e não sofrem mais coerção, porque segundo alguns, agora a Igreja assumiu uma forma positiva de ensino.

Enfim, não faz sentido condenar o erro, anatematizar e excomungar, quando a Igreja é a humanidade. Independentemente das condenações o católico, permanecerá católico, enquanto membro da humanidade…

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Festa dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo

pedro

O dever do vigário de Cristo

  Como vigário daquele que, numa hora decisiva, diante do representante da mais alta autoridade terrena de então, pronunciou a grande palavra: "Nasci e vim ao mundo para dar testemunho da verdade; quem está pela verdade, ouve a minha voz" (Jo 18,37), de nada nos sentimos mais devedores ao nosso cargo, e também ao nosso tempo, como de, com apostólica firmeza, "dar testemunho da verdade". Este dever implica necessariamente a exposição e a refutação dos erros e das culpas humanas que devem ser conhecidas para que se torne possível a cura: "conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres" (Jo 8,32). No cumprimento deste nosso dever, não nos deixaremos influenciar por considerações terrenas, nem nos deteremos diante de difidências e contrastes, de recusas e incompreensões, nem diante do temor de desprezos e falsas interpretações. Animar-nos-á sempre aquela paternal caridade que, enquanto sofre pelos males que afligem seus filhos, não deixará de indicar-lhes o remédio, esforçando-nos por imitar o divino modelo dos Pastores, o Bom Pastor Jesus Cristo que é, a um tempo, luz e amor: "Seguindo a verdade com amor" (Ef 4,15).

  No início da caminhada que leva à indigência espiritual e moral dos tempos presentes, estão os esforços nefastos de não poucos para destronar Cristo, o desapego da lei da verdade, que ele anunciou, da lei do amor, que é o sopro vital do seu reino. O reconhecimento dos direitos reais de Cristo e a volta de cada um e da sociedade à lei da sua verdade e de seu amor são o único caminho de salvação.

  Enquanto escrevemos estas linhas, veneráveis irmãos, chega-nos a apavorante notícia que se desencadeara o terrível tufão da guerra, não obstante todos os nossos esforços para esconjurá-lo. A nossa caneta como que hesita em prosseguir, quando imaginamos o abismo de sofrimentos de inúmeras pessoas, às quais sorria ainda ontem, no ambiente doméstico, um raio de modesto bem-estar. O nosso coração enche-se de angústia, ao prevermos tudo o que poderá medrar da tenebrosa semente da violência e do ódio, depositada hoje nesses sulcos sangüinosos que a espada acaba de abrir: Mas, mesmo diante destas apocalípticas previsões de desventuras iminentes e futuras, achamos que é nosso dever sugerir àqueles em cujos corações se aninha ainda um sentimento de boa vontade, que elevem os olhos ao único do qual deriva a salvação do mundo, ao único; cuja mão onipotente e misericordiosa pode fazer cessar esta tempestade, ao único, cuja verdade e cujo amor podem iluminar as inteligências e inflamar os corações de tão grande parte da humanidade imersa no erro, no egoísmo, nos contrastes e na luta, e reorganizá-la no espírito da realeza de Cristo.

  Talvez nos sej a lícito esperar - e Deus o permita - que esta hora de máxima indigência seja também uma hora de retificação do pensar e sentir de muitos que até agora palmilhavam, com cega confiança, o caminho semeado de erros modernos, sem suspeitarem quão insidioso e falso era o terreno que pisavam. Muitos talvez, que não compreendiam a importância da missão da Igreja, perceberão melhor agora os seus avisos, por eles descurados na falsa segurança de tempos passados. As angústias do presente são uma apologia do cristianismo, e não poderia ser mais impressionante. Do gigantesco vórtice de erros e movimentos anticristãos originaram-se frutos tão amargos que constituem uma condenação, cuja eficácia supera qualquer confutação teórica.

  Horas de tão penosa desilusão são muitas vezes horas de graça, uma "passagem: do Senhor" (Ex 12, 11) nas quais; à palavra do Salvador: "Eis que estou à porta,e bato" (Ap 3;20) abrem-se as portas que, de outra maneira, se conservariam fechadas. Bem sabe Deus com que amor comipassivo, com que santa alegria o nosso coração se volta para aqueles que, em meio de tão dolorosas experiências, sentem nascer em si o imperioso e salutar desejo da verdade, da justiça e da paz de Cristo. Mas também por aqueles que aguardam ainda a luz superna que os ilumine, o nosso coração não conhece senão amor, e de nossos lábios não se desprendem senão preces ao Pai das luzes pedindo-lhe que faça resplandecer em suas almas, indiferentes ou inimigas de Cristo, um raio daquela luz que transformou um dia Saulo em Paulo, daquela luz que demonstrou sempre a sua força misteriosa mesmo nos tempos mais difíceis para a Igreja.

CARTA ENCÍCLICA DO PAPA PIO XII

SUMMI PONTIFICATUS

SOBRE O OFÍCIO DO PONTIFICADO

sábado, 27 de junho de 2009

A FÉ NÃO É SUBSTITUÍDA PELO SENTIMENTO

QUINTA CARTA
A FÉ NÃO É SUBSTITUÍDA PELO SENTIMENTO

Do Opúsculo do Pe. Emmanuel-André: Cartas sobre a fé (Ed. Permanência)

Atacada por todos os lados, hoje a Fé tornou-se rara nas almas. À medida que os tempos avançam, caminhamos para a realização das palavras de Nosso Senhor: «Quando o Filho do homem voltar, crês que Ele encontrará Fé sobre a Terra?». (Lc. 18,8).

Repare que as almas que vemos já não ter Fé, tiveram-na ao menos no batismo. Estas almas estão em um estado bem diferente dos infiéis que nunca tiveram Fé. A Fé é um bem tão grande que uma vez entrando numa alma fica sempre alguma coisa.

São Francisco de Sales disse, a respeito da caridade: «A caridade tendo sida separada da alma pelo pecado deixa, muitas vezes, alguma coisa que parece com a caridade, que pode iludir e nos entreter em vão».

Esta aparência de Fé, porque ela é apenas aparência, não passa de um fingimento de Fé; uma Fé fingida ou, se quiser, imaginada, é o que se chama sentimento religioso.

Os sentimentos religiosos! Uma espécie de presente que os homens querem dar a Deus, pelo qual Deus deve se sentir muito agradecido; um fundo de benevolência que o homem sente por Deus; uma sorte de polidez, de bom tom, de bom gosto do homem em relação a Deus; sim, tudo que quiser neste gênero, que a pouco obrigue, que não atrapalhe, que se acomode, que se preste a tudo, e não se comprometa com coisa alguma: aí está o que geralmente se entende por sentimentos religiosos, mas isto não é a Fé. Assim como a aparência de Caridade pode nos iludir e nos entreter em vão, a aparência de Fé pode nos iludir e nos ilude muitas vezes e pode nos entreter e nos entretém amiúdo, em vão.

E como isto acontece? perguntará a senhora. A resposta é fácil. Um cristão, para agradar a Deus, deve fazer atos de Fé a toda hora. Na oração, na prática da vida cristã, na recepção dos sacramentos, o cristão deve ter como obrigação severa praticar a Fé, fazendo atos interiores para acompanhar muitos atos exteriores da vida cristã. Este é o dever.

Ora, o perigo, a decepção consiste em fazer atos da vida cristã não com Fé mas com aparência de Fé ou sentimentos religiosos.

A Fé é então substituída pelo sentimento, a realidade pela imaginação. Neste estado podem-se fazer muitas orações sem rezar, confessar-se sem querer se emendar, receber a Eucaristia sem se unir a Jesus Cristo.

Segundo o que ouvi dizer, tanto por um Bispo como por um missionário que percorreu toda a França e estudou atentamente o estado das almas, parece que hoje, sob muitos pontos de vista, fazemos apenas com a máscara da Fé o que deve ser feito com a Fé.

Isto ajudará a senhora a compreender e a poupará do sofrimento quando chegar o dia em que reconhecer que um bom número de cristãos, que se dizem devotos e praticantes, têm exatamente os mesmos vícios dos mundanos não praticantes. Eles praticam, ai de nós! mas a Fé não é o princípio de seus atos religiosos, eles são cristãos em imaginação, e na realidade viciosos como tantos outros.

O sentimento religioso é certamente um dom de Deus. É um bem, um bem de ordem natural. O sentimento religioso é a conseqüência natural de nossa qualidade de criaturas, como o respeito aos pais é natural nos filhos.

Digamos juntos: Credo.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Encontro com o Pe Michael Rodríguez

Temos a alegria de convidar os católicos

do Rio de Janeiro para um

Encontro com o Pe. Michael Rodríguez

Pároco da igreja católica de San Juan Bautista, da diocese de El Paso, Texas

“A Crise de Fé e a Missa Tradicional em Latim”

  • A pérola de grande preço (Mt 13: 45-46): a nossa Fé Católica

  • A pérola de grande preço (Mt 13: 45-46): a Missa Tradicional em Latim

  • Como apreciar e participar da Missa Tradicional em Latim

  • Uma espiritualidade católica autêntica baseada na Missa Tradicional em Latim

Palestra – Terço – Santa Missa

Data: 27/06/09 (sábado)

Horário: Palestra em espanhol: 15h, culminando com a Santa Missa, às 18h

Local: Colégio Sto. Adolfo Rua Joaquim Murtinho, 641 – Santa Teresa


Peçamos a intercessão da Bem Aventurada Virgem Maria por esse encontro, para que tudo seja para a Glória de Deus e o bem das almas!

Auxilium Christianorum, ora pro nobis!

Devido ao número limitado de vagas, pedimos que os interessados confirmem presença pelo e-mail: padrerodrigueznobrasil@gmail.com

Instruções para quem vem de ônibus:

Para quem vem de Niterói e subúrbio do Rio pode-se pegar o ônibus 206 ou 214 (com ponto final) no Castelo, os quais deixam na porta do Colégio. Para os que vêm da Zona Sul, pegar qualquer ônibus que passe pela Av. Mem de Sá (433, 464, 409 ou 410), saltar no primeiro ponto de ônibus após os Arcos da Lapa e pegar o ônibus 206 ou 214 na Rua Gomes Freire, esquina com Rua Riachuelo. De ônibus a subida da ladeira leva apenas 5 minutos, o colégio fica logo no início de Santa Teresa.

Divulgação do livro "A Candeia debaixo do Alqueire": Conferência do Pe Álvaro Calderón - El Magistério Conciliar

 


Clique na imagem para ouvir a Conferência

Fonte: Conferências do Distrito Sulamericano da Fraternidade Sacerdotal São Pio X

terça-feira, 23 de junho de 2009

Livros Católicos para download

 

domingo, 21 de junho de 2009

EM DEFESA DA MISSA LATINA

missa 

DIETRICH VON HILDEBRAND

Dietrich von Hildebrand, foi um dos filósofos Cristãos mais eminentes do mundo. Professor na Universidade de Fordham, foi chamado pelo Papa Pio XII “doutor da Igreja do Século XX”. Ele é o autor de muitos livros, dentre eles A Transformação em Cristo e A Liturgia e a Personalidade.

Este texto foi transcrito do número de outubro de 1966 da revista TRIUMPH

Os argumentos para a Nova Liturgia têm sido finamente embalados, e agora podem ser apreendidos rotineiramente. A nova forma da Missa é destinada a engajar o celebrante e os fiéis numa atividade comunitária. No passado o fiel assistia à Missa num isolamento pessoal, cada adorador fazendo as suas devoções particulares, ou no melhor dos casos seguindo a celebração num missal. Hoje os fiéis podem visualizar o caráter social da celebração; estão aprendendo a apreciá-la como uma refeição comunitária. Antigamente, os sacerdotes sussurravam uma língua morta, criando uma barreira entre o sacerdote e o povo. Agora todos falam a sua língua vernácula, que tende a unir o sacerdote e o povo um ao outro. No passado o sacerdote falava a Missa com as suas costas voltadas para o povo, criando um ar de rito esotérico. Como hoje o sacerdote se volta para a assembléia, a Missa se tornou uma ocasião mais fraterna. No passado o sacerdote entoava estranhos cantos medievais. Hoje, toda a assembléia canta canções mais fáceis com letras familiares, e se experimenta até arranjos mais regionais. A essência da nova Missa, portanto é isso: está fazendo os fiéis sentirem-se mais ‘em casa’ na casa de Deus.

Além disso, afirmam-se que estas inovações têm a sanção da Autoridade: são representadas como uma resposta obediente ao espírito do Concílio Vaticano Segundo. Isto se diz, não obstante a Constituição do Concílio sobre a Liturgia não ir além de permitir a Missa vernácula em casos onde o bispo local crê ser isso desejável; a Constituição insiste plenamente na manutenção da Missa Latina, e aprova enfaticamente os cantos Gregorianos. Mas os “progressistas” litúrgicos não se impressionam com a diferença entre permitir e impor. Nem hesitam em autorizar mudanças, tais como receber a Sagrada Comunhão em pé, atitude que a Constituição nem sequer menciona. Os progressistas argumentam que estas liberdades podem ser tomadas porque a Constituição, afinal das contas, é apenas o primeiro passo num processo evolucionário. E parece que eles estão conseguindo. É difícil se encontrar uma Missa Latina hoje em dia, e nos Estados Unidos elas estão praticamente desaparecidas. Mesmo uma Missa eventual nos monastérios é feita em língua vernácula, e o glorioso canto Gregoriano é substituído pelas melodias insignificantes.

A minha preocupação não se restringe ao aspecto legal das mudanças. E eu não estou reclamando enfaticamente de que a constituição tenha permitido o uso da língua vernácula para complementar o Latim. O que deploro é que a nova Missa está substituindo a Missa Latina, e que a antiga liturgia está sendo irremediavelmente esmagada e negada pela maioria do Povo de Deus.

Eu gostaria de colocar àqueles que estão indagando várias questões neste desenvolvimento: Será que a nova Missa faz mover, mais que a antiga, o espírito humano – ela evoca o sentido da eternidade? Será que ela ajuda os nossos corações a sair das preocupações da vida diária – dos aspectos puramente naturais do mundo para o Cristo? Será que ela aumenta a reverência, uma apreciação do sagrado?

Certamente essas questões são retóricas e auto-explicativas. Eu as faço porque todos os Cristãos mais preocupados desejarão pesar a sua importância antes de chegar à conclusão sobre os méritos da nova liturgia. Qual é o papel da reverência numa vida Cristã verdadeira, e acima de tudo numa verdadeira adoração Cristã a Deus?

A reverência concede ao ser a oportunidade de falar a nós: A grandeza última do homem é ser capax Dei. A reverência é de capital importância para todos os domínios fundamentais da vida do homem. Ela pode ser chamada perfeitamente “a mãe de todas as virtudes”, pois é a atitude básica que todas as virtudes pressupõem. O gesto mais elementar de reverência é uma resposta para o seu próprio ser. Ela distingue a majestade autônoma do ser da mera ilusão ou ficção; é o reconhecimento da consistência interior e positividade do ser – da sua independência da nossa ambientação arbitrária. A reverência dá ao ser a oportunidade de se abrir, para falar para nós, para fecundar as nossas mentes. Assim a reverencia é indispensável para qualquer conhecimento adequado do ser. A profundidade e plenitude do ser, e, acima de tudo seus mistérios, nunca se revelarão a ninguém senão à mente reverente. Lembrem-se que a reverência é um elemento constitutivo da capacidade de “se maravilhar”, que Platão e Aristóteles alegaram ser condição indispensável para a filosofia. De fato, a irreverência é a principal fonte do erro filosófico. Mas, se a reverência é base necessária para todo conhecimento confiável do ser, é, além disso, indispensável para visualizar e avaliar os valores alicerçados no ser. Apenas o homem reverente que está pronto a admitir a existência de algo maior que ele mesmo, que esteja pronto para se silenciar e deixar o objeto falar para ele – que se abre – é capaz de adentrar no sublime mundo dos valores. Além disso, uma vez reconhecidas as graduações de valores, surge daí uma nova espécie de reverência – uma reverência que responde não apenas à majestade do ser como tal, mas para o valor específico de um ser específico e sua posição na hierarquia dos valores. E esta nova reverência permite a descoberta de ainda outros valores.

O homem reflete o seu caráter receptivo essencialmente como uma pessoa criada somente na atitude reverente; a grandeza última do homem é ser capax Dei. O homem possui a capacidade, em outras palavras, de visualizar algo maior que ele mesmo, ser afetado e fecundado por ele, abandonar-se para ele e por ele – numa simples resposta ao seu valor. Esta habilidade de se transcender distingue o homem de uma planta ou de um animal; este último esforça-se apenas para revelar a sua própria enteléquia. Ora, é somente o homem reverente que pode conscientemente se transcender e assim conformar-se à sua condição humana fundamental e para a sua situação metafísica.

Encontrar-nos-emos melhor com Cristo elevando-nos a Ele ou puxando-O para baixo ao nosso mundo cotidiano?

O homem irreverente, pelo contrário, se aproxima do ser, ou numa atitude de superioridade arrogante ou de uma familiaridade indelicada e convencida. Em ambos os casos, ele é estropiado; ele é um homem que se aproxima tanto de uma árvore ou uma construção que não mais a enxerga. Ao invés de se manter numa distância espiritual apropriada, e manter um silêncio reverente de tal modo que o ser possa falar a sua palavra, ele se intromete, e assim, com efeito, silencia o ser. Em nenhum outro domínio senão na religião é importante a reverência. Como vimos, ela afeta profundamente a relação do homem com Deus. Mas, além disso, ela permeia a religião inteira, especialmente a adoração de Deus. Há uma ligação íntima entre a reverência e a santidade: a reverência nos permite experimentar o sagrado, a elevarmo-nos acima do profano; a irreverência nos cega para o mundo inteiro do sagrado. A reverência, inclusive admiração – de fato, medo e tremor – é a resposta específica para o sagrado.

Rudolf Otto desenvolveu claramente o ponto no seu famoso estudo, A Idéia do Sagrado. Kierkegaard também chama a atenção para o papel essencial da reverência no ato religioso, no encontro com Deus. Os Judeus não tremiam em temor profundo quando o sacerdote levava o sacrifício para Sancta sanctorum? Isaías não foi tocado por um temor piedoso quando viu Jaweh no templo e exclamou, “Ai de mim, estou perdido! Sou um homem de lábios impuros, vivo entre um povo de lábios impuros, e, no entanto, meus olhos viram o rei, o Senhor dos exércitos” (Isaías 6:5). As palavras de S. Pedro após a pesca milagrosa. “Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um pecador!” (Lucas 5:8), não nos testemunha que, quando a realidade de Deus se revela diante de nós, nós somos tocados pelo medo e reverência? Cardeal Newman mostrou num sermão formidável que o homem que não teme e reverência não conheceu a realidade de Deus.

Quando S. Boaventura escreve em Itinerium Mentis ad Deum que apenas um homem de desejo (como Daniel) pode compreender Deus, ele quer dizer que uma certa atitude da alma deve ser alcançada a fim de compreender o mundo de Deus, onde Ele deseja nos levar.

Este conselho é especialmente aplicável à liturgia da Igreja. O sursum corda – o elevar do nosso coração – é o primeiro requisito para a verdadeira participação na Missa. Nada mais poderia obstruir a confrontação do homem com Deus do que a noção de que nós “vamos ao altar de Deus”como se fôssemos a um encontro social prazeroso e relaxante. Eis porque a Missa Latina com canto Gregoriano, que nos eleva a uma atmosfera sagrada é vastamente superior a uma Missa vernacular com canções populares que nos deixam numa atmosfera profana, meramente natural.

O erro básico da maioria das inovações é imaginar que a nova liturgia traz o santo sacrifício da Missa mais próximo dos fiéis, que, com o despojar de seus antigos rituais a Missa agora entra na substância das nossas vidas. Pois a questão fundamental é: seria melhor encontrarmo-nos com Cristo na Missa elevando-nos a Ele, ou puxando-O abaixo para o nosso mundo vulgar e rotineiro? Os inovadores estariam substituindo uma santa intimidade com Cristo por uma familiaridade indecorosa. A nova liturgia de fato ameaça frustrar a confrontação com o Cristo, pois desencoraja a reverência em face do mistério, impede a admiração, e tudo faz para extinguir o sentido do sagrado. O que realmente interessa, certamente, não é se os fiéis se sentem em casa na Missa, mas se eles são tirados das suas vidas ordinárias para penetrar no mundo de Cristo – quer sua atitude seja a resposta de máxima reverência, quer estejam imbuídos com a realidade de Cristo.

Aqueles que falam com entusiasmo da nova liturgia acentuam o ponto de que através dos anos a Missa perdeu o seu caráter comunitário e se tornou uma ocasião para adoração individualista. A nova Missa vernacular, insistem, restaura o sentido da comunidade ao substituir devoções particulares com a participação comunitária. Porém, eles se esquecem que há diferentes níveis e tipos de comunhão com outras pessoas. O nível e a natureza de uma experiência comunitária é determinado pelo tema da comunhão, o nome ou causa para o qual os homens se reúnem. Quanto mais elevado e benigno o tema representado, mais sublime o nome e a causa para a qual os homens se reúnem e mais profunda é a comunhão. O etos e a natureza de uma experiência comunitária no caso de uma emergência nacional é obviamente radicalmente diferente de uma experiência comunitária de uma festa de coquetel. E certamente a diferença mais notável nas comunidades será encontrada entre a comunidade cujo tema é sobrenatural e uma comunidade cujo tema é meramente natural. A atualização das almas dos homens que são verdadeiramente tocados por Cristo é a base da comunidade única, uma comunhão sagrada, uma comunidade cuja qualidade é incomparavelmente mais sublime que de uma comunidade natural. A comunhão autêntica dos fiéis, cuja liturgia da Quinta-feira Santa expressa tão bem nas palavras congregavit nos in unum Christi amor é somente possível como fruto da comunhão eu-Tu com o próprio Cristo. Apenas uma relação direta com o Deus-Homem pode realizar esta união sagrada entre os fiéis.

O “nós experimentamos” despersonalizante é uma perversa teoria da comunidade

A comunhão em Cristo não tem nada de auto-asserção encontrada nas comunidades naturais. Ela respira a Redenção. Ela liberta os homens de toda auto-centralização. Entretanto, tal comunhão não despersonaliza enfaticamente o indivíduo; longe de dissolver a pessoa no desfalecimento cósmico, panteísta tão recomendado a nós nestes dias, ela atualiza o verdadeiro eu da pessoa de um modo único. Na comunidade de Cristo não pode existir o conflito entre a pessoa e a comunidade que está presente em todas as comunidades naturais. Assim esta experiência comunitária sagrada está realmente em guerra com o ‘nós experimentamos’ despersonalizante encontrado nas assembléias das missas e reuniões populares que tendem a absorver e evaporar o indivíduo. Esta comunhão em Cristo que era tão plenamente viva nos primeiros séculos Cristãos, experimentada por todos os santos e que encontrou uma expressão sem igual na liturgia agora sob ataque – esta comunhão nunca considerou a pessoa individual como um mero segmento da comunidade, ou como um instrumento para servi-la. Em relação a isso vale a pena observar que a ideologia totalitária não está sozinha no seu esforço de sacrificar o indivíduo ao coletivo; algumas das idéias cósmicas de Teilhard de Chardin, por exemplo, implicam no mesmo sacrifício coletivista. Teilhard subordina o indivíduo e sua santificação ao suposto desenvolvimento da humanidade. Num tempo em que esta perversa teoria da comunidade é abraçada até por muitos Católicos, há suficiente razões urgentes para insistir vigorosamente sobre o caráter sagrado da verdadeira comunhão em Cristo. Eu proponho que a nova liturgia seja julgada com o seguinte parâmetro: Ela contribui para a comunidade sagrada autêntica? Admitindo que ela se esforça por um caráter comunitário; será que esse caráter é desejável? É uma comunhão alicerçada na introspecção, contemplação e reverência? Qual das duas – a nova Missa ou a Missa Latina com o canto Gregoriano evoca estas atitudes da alma mais efetivamente, e assim permite a comunhão mais profunda e verdadeira? Não está claro que freqüentemente o caráter comunitário da nova Missa é puramente profano, que, como acontece em outras reuniões sociais, a sua combinação de relaxamento casual e agitação sentimental impedem uma confrontação reverente e contemplativo com o Cristo e com o mistério inefável da Eucaristia?

Sem dúvida a nossa época está impregnada pelo espírito de irreverência. É vista numa noção distorcida de liberdade que exige direitos enquanto rejeita obrigações, que exalta a auto-indulgência, que recomenda “deixe-se ir”. O habitare secuni dos Diálogos de S. Gregório – a morada na presença de Deus – que pressupõe reverência, é considerada hoje afetada, pomposa ou servil. Mas a nova liturgia não é um compromisso com este espírito moderno? De onde vem a depreciação da genuflexão? Por que a Eucaristia deveria ser recebida de pé? O ajoelhar-se não é na nossa cultura, a expressão clássica da reverência adorante? O argumento de que na refeição devemos permanecer em pé ao invés de ajoelhar é pouco convincente. Ora, esta não é uma postura natural para comer: hoje sentamos, e no tempo de Cristo, deitaríamos. Porém, mais séria é uma concepção especificamente irreverente da Eucaristia ao salientar o seu caráter como sendo uma mera refeição à custa do seu caráter único de um mistério sagrado. Enfatizar a refeição à custa do sacramento certamente significa uma tendência para obscurecer a santidade do sacrifício. Esta tendência é aparentemente determinável pela crença infeliz de que a vida religiosa tornar-se-á mais vívida, mais existencial se estiver imersa na nossa vida diária. Mas isto é correr o perigo de absorver o religioso no mundano, obliterando a diferença entre o sobrenatural e o natural. Temo que isso represente uma intrusão inconsciente do espírito naturalístico, do espírito mais plenamente expresso no imanentismo de Teilhard de Chardin.

Ora, por que a genuflexão às palavras et incarnatus est no Credo foi abolida? Não era esta uma expressão nobre e bela da reverência adorante enquanto se professa o mistério indelével da Encarnação? Qualquer que seja a intenção dos inovadores, eles certamente criaram o perigo, se somente psicológico, de diminuir a ciência e admiração dos fiéis para o mistério. Há ainda outra razão que nos faz acautelar em fazer as mudanças na liturgia e que não são estritamente necessárias. Mudanças frívolas ou arbitrárias ameaçam erodir um tipo especial de reverência: pietas. A palavra Latina, como a alemã Pietaet, não possui um equivalente em Inglês, mas pode ser entendida como um respeito consistente à tradição; o respeito que nos foi legado pelas gerações anteriores; fidelidade aos nossos antepassados e as suas obras. Notem que pietas é um tipo derivativo da reverência, e assim não deve ser confundida com a reverência primária, que descrevemos como uma resposta para o próprio mistério do ser, e uma resposta última a Deus. Segue-se que o conteúdo de uma dada tradição não corresponde ao objeto da reverência primária, não merece a reverência derivativa. Assim, se uma tradição contém elementos perversos, tais como o sacrifício de seres humanos no culto dos Astecas, então aqueles elementos não devem ser considerados com pietas. Mas este não é o caso Cristão. Aqueles que idolatram a nossa época, que vibram para tudo que é moderno simplesmente porque é moderno, que acreditam que em nossos dias o homem finalmente “amadureceu”, a estes falta pietas. O orgulho destes “nacionalistas temporais” não é apenas irrelevante, mas incompatível com a fé verdadeira. Um Católico deveria considerar a sua liturgia com pietas. Ele deveria reverenciar, e portanto, temer abandonar as orações, posturas e músicas que foram aprovadas por tantos santos através da era Cristã e legadas a nós como uma herança preciosa. Para não ir mais longe: a ilusão de que podemos substituir o canto Gregoriano com seus hinos e ritmos inspirados, por uma boa, senão melhor música, trai uma auto-confiança ridícula e falta de auto-conhecimento. Não vamos esquecer que através da história do Cristianismo o silêncio e a solidão, contemplação e introspecção, foram considerados necessários para alcançar uma verdadeira confrontação com Deus. Isto não é apenas um conselho da tradição Cristã, que deve ser respeitado por causa de pietas; é enraizado na natureza humana. A introspecção é base necessária para a verdadeira comunhão da mesma maneira que da contemplação provém base necessária para a verdadeira ação na vinha do Senhor. Um modo superficial de comunhão – a camaradagem jovial de um acontecimento social – leva-nos para a periferia. Uma comunhão Cristã verdadeira leva-nos para as profundezas espirituais.

O caminho para uma verdadeira comunhão Cristã: Reverência... Introspecção... Contemplação.

Certamente devemos deplorar devoções excessivamente individualistas e sentimentais e reconhecer que muitos Católicos as praticaram. Todavia o antídoto não é uma experiência comunitária como tal – não mais do que a cura da pseudo-contemplação é a atividade como tal. O antídoto é encorajar a verdadeira reverência, uma atitude de verdadeira introspecção e devoção contemplativa a Cristo. Somente essa atitude pode-se ter lugar numa verdadeira comunhão em Cristo. As leis fundamentais da vida religiosa que governa a imitação de Cristo, a transformação em Cristo, não mudam de acordo com os ambientes e hábitos do momento histórico. A diferença entre uma experiência comunitária superficial e uma experiência comunitária profunda é sempre a mesma. A introspecção e adoração contemplativa de Cristo – que somente a reverência torna possível – será a base necessária para uma verdadeira comunhão com outros em Cristo em qualquer era da história humana.