sábado, 19 de dezembro de 2009

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PALESTRA: A REALEZA DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO.‏

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A subversão da Igreja, operada por um Concílio

Billot é ainda mais preciso: manifesta seu temor de ver o concílio manobrado (sic) pelos piores inimigos da Igreja, os modernistas, que já se preparam, como demonstram certos indícios, para introduzir a revolução na Igreja, um novo 1789..  Dom Marcel Lefebvre

Inscrição para o curso de Trivium

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Missa na Rua (em frente a Catedral de Amiens – França)
LA IGLESIA, DESBORDADA POR EL CRISTIANISMO SECUNDARIO. LA «POPULORUM PROGRESSIO»

Iota Unum – Romano Amerio

Tomo 7 – Capítulo XLI

En §§ 220-221 hemos atribuído el presente declive del catolicismo al alejamiento de su propio fin primario para aplicarse a la perfección mundana del hombre. La religión redunda ciertamente en una perfección también temporal, y éste es el punto principal de las filosofías de Campanella y de Gioberti; pero no puede, sin desnaturalizarse, tomar tal perfección como fin primario o co-primario.

PROFECIAS DE SÃO PIO DE PIETRILCINA

Precedido de tormentas, ventos desencadeados e terríveis terremotos, que abrirão a terra e a farão tremer, Eu virei uma noite, durante os frios meses de inverno, a este mundo carregado de pecados: raios e centelhas, saidos de incandescentes nuvens, incendiarão e reduzirão a cinzas tudo o que está contaminado pelo pecado…

CARITAS IN VERITTE: A SUBSTÂNCIA DO AMOR
Hugo de São Vitor
A SUBSTÂNCIA DO AMOR
Inst. in Decalogum Legis Dominicae
C. 4, PL 176, 15-18;
Miscelannea L. I C. 171,
PL 177, 563-565 *

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

PALESTRA: A REALEZA DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO.‏

vitral coracao de jesus

ATENÇÃO: INSCRIÇÕES ABERTAS!

Prezados amigos e leitores,

Estão abertas as inscrições para a palestra sobre a realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo a ser proferida pelo Professor de Filosofia Tomista, Carlos Nougué.

Dia: 06 de novembro de 2009.

Hora: 19:00h

Local: R. da Bahia, 1136 – Centro - Belo Horizonte - MG, 30160-011 – LIVRARIA PAULUS.

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Valor: R$ 5,00 (cinco reais) *

Para inscrever-se basta depositar o valor de ingresso (R$ 5,00) através do sistema pagseguro na coluna à esquerda deste blog.

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* Toda a quantia arrecadada será destinada à obra de caridade do Index Bonorvm e 1/3 (um terço) da quantia será destinada ao favorecimento do natal das crianças do LEUCEMINAS – Associação dos Leucêmicos do Estado de Minas Gerais.

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Currículum do Palestrante:

Prof Nougué02

Carlos Nougué (57 anos, brasileiro)

1) Professor da doutrina de S. Tomás de Aquino. Tem numerosos artigos publicados sobre esta doutrina e suas múltiplas aplicações.

2) Professor de História da Filosofia. Recentemente ministrou um curso de quatro meses no Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro.

3) Professor de Lógica aristotélico-tomista e de Latim.

4) Professor de pós-graduação de Tradução e Língua Portuguesa.

5) Tradutor de Latim, Francês, Espanhol e Inglês.

6) Principais traduções:

a) Sobre o Mal, de Santo Tomás de Aquino (Tradução do latim e Notas) (Rio de Janeiro, Sétimo Selo, 2005);

b) Sobre o Sumo Bem e o Sumo Mal, de Marco Túlio Cícero (Tradução do latim, Apresentação e Notas) (São Paulo, Martins Fontes, 2005);

c) A Natureza do Bem, de Santo Agostinho (Tradução do latim) (Rio de Janeiro, Sétimo Selo, 2005);

d) Sobre o Sermão do Senhor na Montanha, de Santo Agostinho (Tradução do latim, Apresentação e Notas) (Campo Grande, Edições Santo Tomás, 2003);

e) Santo Tomás de Aquino, de Gilbert Keith Chesterton (Tradução do inglês e Notas) (Nova Friburgo, Edições Co-Redentora, 2002);

f) A Inocência do Padre Brown, de Gilbert Keith Chesterton (Tradução e Notas, com Apresentação de Rosa Nougué) (Rio de Janeiro, Sétimo Selo, 2006);

g) D. Quixote da Mancha, de Miguel de Cervantes (Tradução do espanhol, Apresentação e Notas, em co-tradução com José Luis Sánchez) (Rio de Janeiro, Record, em 2005).

7) Prêmio Jabuti/1993 de Tradução e indicação para os de 1998 e 2006.

8) Lexicógrafo.

REALIZAÇÃO:

cabeçalho

APOIO:

sétimo selologo de castro01image

domingo, 6 de setembro de 2009

A subversão da Igreja, operada por um Concílio

Billot é ainda mais preciso: manifesta seu temor de ver o concílio manobrado (sic) pelos piores inimigos da Igreja, os modernistas, que já se preparam, como demonstram certos indícios, para introduzir a revolução na Igreja, um novo 1789..  Dom Marcel Lefebvre

 

E, em outra parte, diz que no Vaticano II “a Igreja teve pacificamente sua Revolução de Outubro” Yves Congar

O Concílio Vaticano II, é a Revolução Francesa na Igreja. Cardeal Suenens (Hans Kung, tem opinião similar).

 

A subversão da Igreja, operada por um Concílio

Um grande iluminado, o cônego Roca, viu há mais de um século os detalhes da tentativa de subversão da Igreja e do Papado projetada pela seita maçônica. Mons. Rudolf Graber em seu livro .Atanásio., cita as obras de Roca (1830-1893), sacerdote em 1858, cônego honorário em 1869. Excomungado mais tarde, pregou a revolução e anunciou o advento da sinarquia. Fala a miúdo, em seus escritos, de uma .Igreja novamente iluminada., que estaria influenciada pelo socialismo de Jesus e seus Apóstolos. .A nova Igreja, diz ele, que certamente não poderá guardar nada do ensino e da forma primitiva da antiga Igreja, receberá entretanto a benção e a jurisdição canônica de Roma.. Roca anuncia também a reforma litúrgica: .<strong>O culto divino tal como rege a liturgia, o cerimonial, o ritual, as prescrições da Igreja romana, sofrerão uma transformação após um concílio ecumênico (...) que lhe devolverá a simplicidade respeitável da idade de ouro apostólica, segundo o novo estado da consciência da civilização moderna.. </strong>

Roca especifica os frutos deste concílio: .<strong> .sairá dele algo que encherá o mundo de estupor e o porá de joelhos ante seu Redentor: a demonstração do perfeito acordo entre o idealismo da civilização moderna e o idealismo de Cristo e de seu Evangelho. Será a consagração da Nova Ordem Social e o solene batismo da civilização moderna.. Ou seja: todos os valores dessa cultura liberal, serão reconhecidos e canonizados logo após o concílio em questão. .</strong>

Vejam também o que Roca escreve sobre o Papa: . .Prepara-se um sacrifício que apresentará uma penitência solene (...).O Papado cairá, morrerá sob o punhal sagrado forjado pelos Padres do último concílio. O César pontifical é a hóstia preparada para o sacrifício.. Devemos acreditar que tudo isto está para chegar, a não ser que Nosso Senhor o impeça! .<strong>Por fim Roca fala dos novos sacerdotes que aparecerão, chamando-os de .progressistas.; fala da supressão da batina, do casamento de sacerdotes... muitas outras profecias! .</strong> Notem como Roca viu bem o papel determinante para a subversão da Igreja, de um último concílio ecumênico.

Mas não foram somente os inimigos da Igreja que assinalaram os transtornos que traria consigo um concílio ecumênico reunido em uma época em que as idéias liberais já haviam penetrado profundamente na Igreja.

Conta o P. Dulac que no consistório secreto de 23 de maio de 1923, o então Papa Pio XI interrogou os cardeais da Cúria sobre a oportunidade de convocar um concílio ecumênico. Eram cerca de trinta: Merry Del Val, de Lai, Gasparri, Boggiani, Billot... Billot dizia: .Não podemos dissimular a existência de divergências profundas dentro mesmo do episcopado... que podem dar lugar a discussões que se prolongariam indefinidamente.. Boggiani recordava as teorias modernistas, das quais dizia: parte do clero e dos bispos não estão isentos. .Esta mentalidade pode inclinar certos Padres a apresentar moções e introduzir métodos incompatíveis com as tradições católicas... Billot é ainda mais preciso: manifesta seu temor de ver o concílio manobrado (sic) pelos piores inimigos da Igreja, os modernistas, que já se preparam, como demonstram certos indícios, para introduzir a revolução na Igreja, um novo 1789..  Do liberalismo a apostasia, a grande tragédia conciliar. Dom Marcel Lefebvre – Editora Permanência

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Inscrição para o curso de Trivium

Inscrições para o curso de Trivium. Siga o procedimento que se segue:

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2o. PAGAMENTO: o pagamento poderá ser feito de 3 formas.
a)Pagseguro;
b)Depósito em Conta;
c) Diretamente em dinheiro e à vista no dia das próprias aulas.

ATENÇÃO: Para fazer o pagamento por via de Depósito direto em Conta, informe-nos de sua opção via e-mail para receber os dados bancários. (indexbonorvm@gmail.com – dirigido a Renato Salles). Após efetuado o pagamento, o inscrito deverá scannear e enviar, via e-mail, o comprovante de pagamento. Tão logo seja confirmado o pagamento, o participante receberá um e-mail confirmatório que deverá trazer consigo para as aulas.

DÚVIDAS E ESCLARECIMENTOS durante o processo: indexbonorvm@gmail.com A/C Renato Salles.

VALOR: R$ 120,00 por mês

EMENTA DO CURSO E OUTRAS INFORMAÇÕES RELEVANTES:
http://indexbonorvm.blogspot.com/2009/08/o-trivium-em-belo-horizonte-rio-de_11.html

Dúvidas e Informações: indexbonorvm@gmail.com – Renato Salles

Datas das Aulas:

24/10/09
21/11/09
12/12/09
16/01/10
06/02/10

terça-feira, 4 de agosto de 2009

LA IGLESIA, DESBORDADA POR EL CRISTIANISMO SECUNDARIO. LA «POPULORUM PROGRESSIO»

Iota Unum – Romano Amerio

Tomo 7 – Capítulo XLI

En §§ 220-221 hemos atribuído el presente declive del catolicismo al alejamiento de su propio fin primario para aplicarse a la perfección mundana del hombre. La religión redunda ciertamente en una perfección también temporal, y éste es el punto principal de las filosofías de Campanella y de Gioberti; pero no puede, sin desnaturalizarse, tomar tal perfección como fin primario o co-primario.

La variación afecta realmente a toda la teoría de los valores mundanos, tratada en §§ 205-210 y presupuesta en nuestro razonamiento. La Iglesia maduró la civilización europea como un efecto natural de la religión, pero secundario; ha desarrollado las virtualidades civilizadoras del mundo profano; ha asumido con el Vaticano II la toma directa de partido en el perfeccionamiento temporal, y así ha intentado hacer entrar el progreso de los pueblos en la finalidad del Evangelio.

La Populorum progressio explicita la doctrina. Se presenta como un desarrollo de la Rerum novarum: ésta enseñaba la armonización de las clases (ricas y pobres) en el ámbito de los Estados individuales; la encíclica de Pablo VI promueve sin embargo la armonización de los diversos pueblos (ricos y pobres) entre sí, ahora que la semejanza entre las gentes se ha hecho más conocida, más sentida y más estrecha, y son los pueblos (y no los individuos hambrientos) los que se presentan ante la solicitud de los pueblos opulentos.

También Juan Pablo II, en el discurso al Bureau international du travail, afirma ser el bien común mundial el problema social que hoy nos incumbe (OR, 16 junio 1982).

No entro a observar cómo en la Populorum progressio llega a su consumación un deslizamiento desde el orden de la beneficencia, que es un deber moral, al orden de la justicia, convertido en un derecho exigible.

Este deslizamiento se justifica en el sistema católico: como dije, las circunstancias históricas no sólo pueden cambiar el grado, sino incluso las especies de una conducta moral, hacer de una culpa leve una culpa grave, y convertir un acto de beneficencia en un acto jurídicamente obligatorio.

Prescindimos aquí de las propuestas concretas de la encíclica, como la constitución de un fondo mundial para socorrer a los países pobres, propuesta impugnada por sociólogos y economistas, movidos quizá por una visión demasiado unilateral. Más relevante es la variación de prospectiva por la cual se invierte la teleología, convirtiendo al progreso técnico y crematístico no exactamente en el fin, pero sí al menos en la condición previa de la perfección espiritual y de la obra de la Iglesia, según la orientación doctrinal del padre Montuclard (4 117).

Ciertamente, el término al que se dirige el desarrollo es un «un crecimiento integral»: un humanismo destinado a integrarse con Cristo, convirtiéndose así en un humanismo trascendente. Pero la relación entre ese todo que es el hombre humanamente desarrollado y ese otro que es el hombre sobrenaturalizado no resulta determinada.

Pablo VI auspicia un mundo en el cual la parábola de Lázaro y de Epulón sea corregida, «la libertad no sea una palabra vana y donde el pobre Lázaro pueda sentarse a la misma mesa que el rico» (n. 47).

Se invierte así el sentido de la parábola. En el Evangelio el rico «accepit bona in vita sua [recibe bienes durante su vida] », y por esta razón «cruciatur». Lázaro, al contrario, «recepit mala et nunc consolatur [recibe males y ahora es consolado]» (cfr. Luc. 16, 25).

Querer que Lázaro goce como el rico significaría igualar esos bienes mundanos a la consolación celeste y hacer de la fruición de los bienes del mundo un valor conectado con la fruición de Dios e incluído en ella.

Además, como enseña solemnemente el Sermón de la Montaña, hay una contraposición entre el llanto y la consolación, entre la sed de justicia y la saciedad de justicia» [1]. Sin embargo no se puede sostener que el llanto sea una consolación incipiente (ésta consiste en la cesación del llanto) o que estar sediento sea un incipiente no tener sed. El preámbulo de una cosa no es la cosa. La fórmula del cristianismo es aut aut, no et et. Se puede quizá legitimar también et et, pero no a la par, porque las cosas del mundo se quieren solamente hipotéticamente y como medio, mientras las del cielo absolutamente y como fin de todos los fines.

Pero el pensamiento de la encíclica de Pablo VI está bien aventurado por su difusor, el padre Lebret [2] el oficio de la Iglesia en la transformación del mundo no es ni supletorio ni secundario, sino más bien esencial a la predicación del Evangelio, que es «la misión de la Iglesia [dice el Sínodo de obispos de 1971] para la redención de la Humanidad y la liberación de toda situación opresora». La dualidad de redención y liberación repropone el et et sofístico; en realidad redención y liberación no son dos, sino una, porque la redención coincide con la liberación: pero una liberación en Cristo, espiritual y escatológica.


[1] Esta contraposición es hoy debilitada y eludida.

[2] Ver V. COSMAO, Transformar el mundo: una tarea para la Iglesia, Ed. Sal Terrae, Santander 1981. El autor es el director del Centre Lebret.

domingo, 2 de agosto de 2009

PROFECIAS DE SÃO PIO DE PIETRILCINA

 

Precedido de tormentas, ventos desencadeados e terríveis terremotos, que abrirão a terra e a farão tremer, Eu virei uma noite, durante os frios meses de inverno, a este mundo carregado de pecados: raios e centelhas, saidos de incandescentes nuvens, incendiarão e reduzirão a cinzas tudo o que está contaminado pelo pecado. A destruição será total. O ar envenenado de gases sulfurosos e levantando asfixiantes fumaceiras, será levado a grandes distânciaspelas rajadas de vento. As obras levantadas pelo homem com espirito louco e atrevido de adoração a si mesmo, querendo demonstrar seu ilimitado poder, serão aniquiladas. Então a raça humana compreenderá que há uma vontade muito superior á sua, que destruirá seus vazios alardes de vanglória. Rapidamente, fechai vossas portas e janelas, tapai toda a vista do mundo exterior durante o mais terrivel dos acontecimentos; não profaneis vossa vista com olhares curiosos, porque santa, santa é a ira de Deus. A terra será purificada para vós, os restos do fiel rebanho.

Encomendai-vos á protecção de Minha Santissima Mãe; não desanimeis apesar do que vereis e ouvireis; é uma ficção do inferno que não vos poderá fazer nenhum dano. Cobride-vos em constantes orações debaixo da protecção de Minha cruz e invocai os anjos de vossas almas. Lutai com confiança em Meu eterno amor e nao deixeis que se levantem em vós duvidas acerca de vossa salvação. Quanto mais firme e perseverantemente permanecerdes em Meu amor, tanto mais seguramente os defenderei contra todo o dano. Lutai pelas almas amadas do Meu coração.

Preseverai por uma noite e um dia e por uma noite e um dia, e a noite seguinte se acalmarão os terrores… Ao amanhecer do proximo dia o sol brilhará outra vez e seu calor e sua luz dissipará os horrores da escuridão. Aceitai a nova vida com humilde gratidão. Vivei com simplicidade e gratidão em paz e amor, segundo Minha intenção. Orai e sacrificai-vos para que vosso sacrificio produza abundantes frutos de bençãos e para que floresça uma raça nova que alegre vossos corações...

O mundo os chamará de fanáticos, loucos e criaturas miseráveis; ameacarão fazer-vos vacilar em vossa constância com sua elocuencia enganosa. E os trapaceiros intrigantes do inferno tentarão ganha-los com os seus astutos enganos. Lutai com humildade e silencio; combatei com as armas das boas obras; oração, sacrificios e com a convicção interior do dever. Buscai refugio na Minha Mãe da Graça, para que o flagelo inevitavel resulte numa vitoria sobre o inferno e para que os Meus anjos possam dar as boas vindas nas eternas venturas do Pai ás ovelhas penitentes...

A hora do castigo está proxima, mas eu manifestarei Minha misericórdia. Nossa época será testemunha de um castigo terrivel. Meus anjos se encarregarão de extreminar a todos os que riem de Mim e não acreditam nos meus profetas. Furacões de fogo serão lancados pelas nuvens e se estenderão sobre toda a terra.

Temporais? Tempestades, trovões, chuvas initerruptas e terremotos cobrirão a terra. Pelo espaco de três dias e três noites de uma chuva initerrupta de fogo seguirá então, para demonstrar que Deus é o dono da criação.

Os que acreditam e esperam em Minha palavra não terão nada que temer, porque Eu não os abandonarei, o mesmo que os que escutem minhas mensagens. Nenhum mal ferirá os que estão em estado de graça e buscam a proteção de Minha Mãe. A vós, preparados para esta prova, quero dar sinais e avisos. A noite será muito fria, surgirá o vento, se farão... e trovões.

Fechai todas as portas e janelas, não faleis com nenhuma pessoa fora de casa. Ajoelhai-vos em frente do vosso crucifixo. Arrependei-vos de vossos pecados. Rogai a Minha Mãe, para obter sua protecção. Não olheis para fora enquanto a terra tremer, porque o nojo de Meu Pai é Santo. A vista de sua ira não a podeis suportar vós. Os que não prestem atenção a esta advertência, serão abandonados e instantaneamente mortos pelo furor da colera Divina.

O vento transportará gases envenenados que se espalharão por toda a terra. Os que sofram inocentemente serão mártires e entrarão no Meu reino. Depois dos castigos, os anjos descerão do céu e espalharão o espirito de paz sobre a terra. Um sentimento de incomensuravel gratidão se apoderará dos que sobrevivam a esta terrivel prova. Rezai piadosamente o rosário, se possivel em comum ou sós.

Durante estes três dias e três noites de trevas, poderão ser acesas só velas benzidas no dia da candelaria (2 de Fevereiro) e darão luz sem se consumir.

Mensagem tomada do seu testamento e feito distribuir pelos sacerdotes franciscanos a todos os grupos de oração catolicos em todo o mundo, já desde o Natal de 1990.

Fonte: Blog do Manuel (Polêmicas à parte)

domingo, 26 de julho de 2009

CARITAS IN VERITTE: A SUBSTÂNCIA DO AMOR

Hugo de São Vitor

A SUBSTÂNCIA DO AMOR

Inst. in Decalogum Legis Dominicae
C. 4, PL 176, 15-18;
Miscelannea L. I C. 171,
PL 177, 563-565 *
1. Introdução. Os dois rios do amor.
Semeamos cotidianamente um sermão sobre o amor para que possa faiscar e acender-se em nossos corações aquele fogo que produz a chama que tudo consome e tudo purifica.
Tudo o que é bom o é pelo amor, e tudo o que é mau o é também pelo amor. Uma só é a fonte do amor que, subindo do interior, derrama-se em dois rios: um destes rios é a cobiça, o amor do mundo; o outro é a caridade, o amor de Deus. Entre ambos estes rios está o coração do homem, de onde jorra a fonte do amor. Quando este se derrama pelo apetite às coisas exteriores, é chamado de cobiça; quando o seu desejo, porém, se dirige às coisas interiores, é denominado de caridade.
Há, portanto, dois rios que emanam da fonte do amor, a cobiça e a caridade, e a cobiça é a raiz de todos os males, enquanto que a caridade é a raiz de todos os bens. É pelo amor que tudo o que é bom é bom e é pelo amor que tudo o que é mau é mau. O que quer que seja o amor, portanto, coisa grande é quando está em nós. Por ele é tudo o que há em nós: isto é o amor.
O que é o amor, quão grande é o amor, e onde está o amor?
A Palavra de Deus fala de amor. Não vos parece, porém, que este assunto pertença mais propriamente aos que costumam prostituir o seu pudor? Eis quantos são os que abraçam prontamente o seu ministério, e eis quão poucos são os que não se envergonham de falar abertamente de suas palavras! Que fazemos nós, portanto? Teríamos talvez tão pouco pudor que não nos envergonhamos de proclamar este amor que até os impúdicos às vezes não conseguem exprimi-lo sem vergonha?
Mas uma coisa, porém, é investigar o vício para que seja erradicado; outra exortar ao vício, para que a virtude e a verdade não sejam amadas. Nós investigamos e buscamos conhecer o que há em nós que divide de tantas maneiras nossos desejos e conduz um só coração a coisas tão diversas para que, conhecendo-o, possamos nos precaver, enquanto que eles investigam este mesmo assunto também para conhecê-lo, mas para que, conhecendo-o, possam não se precaver, mas praticá-lo. Esta coisa nada mais é do que o amor o qual, sendo um movimento do coração singular e único segundo a sua natureza, é, todavia, segundo a ação, dividido, pois quando se move desordenadamente, isto é, ao que não deve, é dito cobiça; quando, porém, o faz ordenadamente, é chamado de caridade.
Com que definição poderá ser significado este movimento do coração ao qual chamamos de amor? É importante que nós o examinemos adequadamente, para que nada dele fique escondido e desconhecido e, para que, por este motivo, não seja evitado sendo mau e não seja apetecido sendo bom, justamente este amor do qual, sendo mau, procedem tantos males e do qual, sendo bom, procedem tantos bens.
2. O que é o amor.
Como definiremos o amor? Investiguemos, consideremos, porque é oculto o que se busca e quanto mais interiormente estiver colocado tanto mais dominará em todas as partes do coração.
Isto, portanto, parece ser o amor: uma deleitação de um coração a algo por causa de algo, que é desejo ao apetecer, gozo ao fruir, que corre pelo desejo e repousa pelo gozo. Por ele o coração humano é bom, e por ele também o coração humano é mau; pois nem de outro modo será bom, se é bom, nem de outro modo será mau, se é mau, senão porque bem ou mal amamos o que é bom. Tudo o que é, é bom, mas quando aquilo que é bom é mal amado, isto não é bom e é mau. Nem quem ama é mau, nem o que é amado é mau, nem o amor pelo qual se ama é mau, mas amar mal é mau e nisto consiste todo o mal.
Ordenai, pois, a caridade, e já não haverá mais nenhum mal.
3. O plano de Deus.
Grande coisa queremos recomendar, se todavia pudermos o que queremos.
Deus onipotente, que de nada necessita, porque Ele é o sumo e verdadeiro bem, o qual nem pode receber de outrem algo pelo qual cresça, já que todas as coisas provém dEle, nem pode perder algo do que é seu pelo qual venha a morrer, já que nEle imutavelmente consistem todas as coisas, Ele mesmo criou o espírito racional apenas pela caridade, movido por nenhuma necessidade, para que o fizesse participante de sua própria bem aventurança.
Para que ele, porém, fosse capaz de fruir de tanta bem aventurança, fêz nele o amor espiritual, um certo paladar do coração pelo qual este fosse sensibilizado ao gosto da doçura interior, na medida em que por este amor saboreasse a alegria de sua felicidade e a Ele inerisse por um infatigável desejo. Pelo amor, portanto, Deus uniu a si a criatura racional para que, sempre inerindo a Ele, dEle sugasse de algum modo pelo afeto o próprio bem pelo qual seria beatificado, dEle o bebesse pelo desejo e nEle o possuísse pelo gozo.
Suga, ó pequena abelha, suga; suga e bebe a inenarrável suavidade de tua doçura. Submerge-te e plenifica-te, porque Ele não pode falhar se tu não começares a te enfastiar. Adere e inere, toma e frui; se o gosto for sempiterno, sempiterna será também a bem aventurança.
Não nos envergonhemos e não nos arrependamos de ter feito esta palavra de amor; não nos arrependamos de onde procede tanta utilidade, não nos envergonhemos de onde procede tanta honestidade.
4. Os dois cordéis da caridade.
A criatura racional, portanto, une-se ao seu Criador pelo amor, e só há este vínculo de amor que liga nele a ambos, vínculo tanto mais feliz quanto mais forte.
Por este motivo, para que a indivisa sociedade e concórdia também fossem perfeitas, há um duplo cordel na caridade de Deus e do próximo, para que pela caridade de Deus todos co-inerissem a um só, e pela caridade do próximo todos se fizessem mutuamente um só. Deste modo, o que alguém em si mesmo não entenda deste um só ao qual todos inerem, mais plena e perfeitamente poderá possuí-lo no outro pela caridade do próximo, e assim o bem de todos pode-se tornar o todo de cada um. Ordenai, portanto, a caridade.
O que significa `ordenai a caridade'? Significa que, se o amor é desejo, que corra bem; se é gozo, que repouse bem. O amor, de fato, conforme já foi dito, é a deleitação de um coração a algo por causa de algo, desejo ao apetecer e gozo ao fruir, correndo pelo desejo e repousando pelo gozo, correndo a algo e nele repousando.
Ao que, porém, e em que?
5. A ordenação da caridade.
Ouvi, se talvez o pudermos explicar, pelo que deve correr o nosso amor, ou em que deve repousar.
Três coisas há que podem ser amadas bem ou mal, isto é, Deus, o próximo e o mundo.
Deus está acima de nós, o próximo está junto a nós, e o mundo está abaixo de nós.
Ordenai, portanto, a caridade. Se corre, que corra bem; se repousa, que repouse bem. O desejo corre, o gozo repousa. Por este motivo o gozo é uniforme, porque sempre está em um só, nem pode variar pela vicissitude; o desejo, porém, recebe a mutabilidade do movimento e, portanto, não se contém em um só, mas apresenta várias espécies.
Toda corrida é ou daquilo que é, ou com ele ou para ele. Como, portanto, deve correr o nosso desejo?
Existem três coisas, Deus, o próximo e o mundo. Deus pode ter três coisas na corrida de nosso desejo, o próximo pode ter duas e o mundo apenas uma. Deste modo pode haver caridade ordenada no desejo.
O amor pode correr ordenadamente pelo desejo de Deus, com Deus e a Deus. Corre pelo desejo de Deus, quando dEle recebe de onde o ame. Corre com Deus, quando em nada contradiz à sua vontade. Corre a Deus quando apetece nEle repousar. Estas são as três coisas que pertencem a Deus.
Já duas são do próximo. A caridade pode correr pelo desejo do próximo e com o próximo, mas não o pode ao próximo. Corre pelo desejo do próximo quando se alegra de sua salvação e de seu aproveitamento. Corre com o próximo quando na via de Deus o deseja como companheiro de caminho e como sócio em seu encontro. Mas não pode correr ao próximo, para que constitua no homem a sua esperança e confiança. Estas são as coisas que pertencem ao próximo; isto é, dele e com ele, mas não a ele.
Uma só coisa pertence ao mundo, que é correr recebendo dele; não com ele, nem a ele. O desejo, de fato, corre recebendo do mundo quando este, examinado como obra de Deus, pela admiração e pelo louvor nos converte mais ardentemente a Deus. O desejo correria com o mundo se o mundo, por causa da mutabilidade das coisas temporais, nos conformasse a si pelo desânimo na adversidade e pela elevação na prosperidade, e deste modo a ele nos tornássemos semelhantes. O desejo correria ao mundo se quisesse sempre repousar em seus prazeres.
Ordenai, portanto, a caridade, para que ela corra pelo desejo de Deus, com Deus e para Deus; pelo desejo do próximo, com o próximo mas não ao próximo; recebendo do mundo, mas não com ele e nem para ele, para que assim somente em Deus repouse pelo gozo.
Esta é a ordenada caridade, e fora dela tudo o que se faz não é caridade ordenada, mas cobiça desordenada.
6. O amor, vida do coração.
O amor é a vida do coração e, portanto, sem amor é inteiramente impossível que haja um coração que deseje viver.
Considera o que se segue daqui.
Se, de fato, a mente humana não pode existir sem amor, é necessário que ame ou a si mesma ou a algo além de si mesma.
Como, porém, em si mesma não pode encontrar o perfeito amor, se se amasse apenas a si mesma o amor feliz não existiria.
É necessário, portanto, se desejamos amar com felicidade, que busquemos algo além de nós a que amemos. Se começarmos a amar, porém, algo imperfeito fora de nós, estimularemos em nós o amor, mas não excluiremos a nossa miséria.
Ninguém amará, portanto, com felicidade, até que o seu desejo não se converta pelo amor ao verdadeiro e sumo bem.
Como, porém, somente Deus é o verdadeiro e sumo bem, amará com felicidade apenas quem amar a Deus, e com tanta maior felicidade quanto mais amplamente o amar.
Este, portanto, será o verdadeiro repouso de nosso coração, quando nos estabelecermos pelo desejo no amor de Deus, nem mais nada além dEle apetecermos mas, nEle já possuído, nos deleitarmos por uma feliz segurança. Como Ele não estende o apetite para além dEle, nem repele pelo temor, assim de certo modo nEle repousamos por uma felicidade sem vexação.
A enfermidade da mente humana porém, não direi sempre, mas algumas vezes, dificilmente pode fixar-se na doçura da divina contemplação. Por este motivo, enquanto não o consegue, deve ser acostumada por um certo estudo àquela estabilidade a qual ainda não é capaz de alcançar. Isto é, se não podemos pensar sempre em Deus, que pelo menos reprimamos nosso coração dos pensamentos ilícitos e vãos, para que o possuamos na consideração das suas obras e de suas maravilhas, até que, enquanto nos esforçarmos em ser sempre menos instáveis, finalmente, no-lo concedendo Deus, sejamos capazes de nos tornar verdadeiramente estáveis.
7. A fé, navio nas ondas deste mundo.
Procurarei oferecer-te um exemplo para que possas promover estas coisas.
Todo este mundo é como um dilúvio, porque todas as coisas que estão neste mundo, à semelhança das águas, correm flutuando por eventos incertos.
Já a verdadeira fé, que não promete coisas transitórias, mas eternas, levanta a alma como que de certas ondas, erguendo-a da cobiça deste mundo às coisas do alto; ela pode então ser levada pelas águas, mas não pode ser inteiramente submergida, porque este mundo pode ser usado devido à necessidade, mas não pode obrigar o afeto.
Quem quer que, portanto, não crendo nas coisas eternas, somente apetece as que são transitórias, debate-se entre ondas como que sem navio, e o ímpeto das águas que correm o carregam consigo. Quem , porém, crendo nas eternas, ama as coisas transitórias, este é como aquele que naufragou perto de um navio. Já quem crê nos bens eternos e os ama, como que já colocado no navio, atravessa seguro as ondas do mar revolto. E se pelo desejo da fé não abandonar o navio, de certo modo, ainda que no meio das ondas, imita a estabilidade da terra.
Em primeiro lugar, portanto, se quisermos atravessar ilesos este grande mar, fabriquemos um navio, de tal maneira que tenhamos uma fé íntegra. Habitemos depois o navio da fé pela caridade, para que creiamos o que devemos amar e amemos o que cremos, de modo que assim tanto a lei de Deus esteja em nosso coração pelo reto conhecimento da fé como o nosso coração esteja na lei de Deus pelo amor.
Mas para que mais facilmente conheças como ou de onde deves edificar este navio ou arca em teu coração pelo qual, conduzido em meio ao naufrágio deste dilúvio, chegues ao porto da quietude, considera as duas obras de Deus que são a obra da criação e a obra da restauração.
A obra da criação é a criação do céu e da terra e de todas as coisas que neles estão contidas, as quais foram feitas em seis dias.
Já a obra da restauração é a Encarnação do Verbo e todas as coisas que, desde o princípio do mundo até o seu fim, tanto a precederam para anunciá-la como a seguiram para confirmá-la. Estas todas se fizeram ao longo de seis idades.
A obra da restauração mais pertence à fé católica, a qual por isto é mais amada pelos santos, porque nela reconhecem os remédios para a sua salvação. Deus operou esta obra em parte pelos homens, em parte pelos anjos, em parte por si mesmo, de tal maneira que na arca espiritual a primeira morada são as obras dos homens, a segunda as obras dos anjos, a terceira as obras de Deus, e nela o supremo repouso é o próprio Deus, autor de todas.

* Pode ser encontrado também em PL 40, 843-848.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

SIM SIM NÃO NÃO: A REINCIDÊNCIA DO AMERICANISMO

SIM SIM NÃO NÃO

“O vosso falar seja SIM SIM NÃO NÃO; porque tudo o que passa disso vem do Maligno” (Mt. 5,37)

Ubi veritas et iustitia, ibi caritas

Site da Edição Portuguesa do Jornal Romano antimodernista “Sì Sì No No”

Fundador: Pe. Francisco Maria Putti

Diretor: Pe. Emmanuel de Taveau

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PARA ASSINATURAS: secretariassnn@yahoo.com.br

“Jamais se vence o erro sacrificando-se qualquer direito da verdade.” Santo Irineu

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A REINCIDÊNCIA DO AMERICANISMO

Depois da viagem de Bento XVI aos Estados Unidos da América (17-20 de abril de 2008), parece-nos um dever necessário oferecer aos leitores uma análise do que significa realmente a cultura norte-americana, tão exaltada pelo Papa Ratzinger em seus discursos na ONU e na sinagoga de Nova York. No primeiro, em presença do presidente americano, Bento XVI apresentou o modelo americano de total - mas respeitosa - separação entre Igreja e Estado como sendo o ideal e no segundo, corroíxroj cue o caminho empreendido pela NostraAetate nas relações judeu-cristãs é irreversível.

O americanismo, condenado pela Igreja

"AMERICANISMO: termo usado a partir do final do século XIX para denotar o movimento suscitado pelas ideias e os métodos do Pé. Hecker, fundador da Sodedade Americana dos Missionários Paulinos. Este padre americano, convencido de estar consciente das exigências psicológicas, da mentalidade e da índole de seu exuberante povo, sem maiores preocupações dogmáticas tentou adaptar a religião católica ao espírito de seus concidadãos (gente ávida por uma liberdade individual absoluta; insensível ao abstracionismo teórico; amante do pragmatismo e inclinada a conceber a vida num sentido hedonista devido às riquezas naturais do país). Os ecos dessa tentativa chegaram à Europa e essa corrente de pensamento foi denominada "americanismo".

Não se tratava de um sistema propriamente dito, mas apenas de uma tendência sem organização complexa que se concretizava nalguns princípios práticos. Leão XIII, uma vez detectado o perigo, enviou ao cardeal Gibbons (1889) e através dele, a todo o episcopado norte-americano, a carta apostólica Testem benevolentiae. Este documento pontifício denunciava os principais erros do americanismo, 7ue se sintetizam na presumida necessidade de:

a - adaptar a Igreja às exigências da civilização moderna, sacrificando um ou outro cânon antigo, mitigando a antiga severidade, orientando-se em direção a um modo de agir mais democrático;

b - dar mais amplidão à liberdade individual no pensamento e na ação, levando em conta que é o Espírito Santo, mais do que a organização hierárquica, quem opera diretamente na consciência do indivíduo (influxo do protestantismo):

c - abandonar, sem preocupar-se mais com elas, as virtudes passivas (mortificação, penitências, obediência, contemplação), cultivando as virtudes ativas (ação, apostolado, organização), o que levaria a favorecer, entre as congregações religiosas, as de vida ativa.

O Papa conclui com as seguintes palavras depois de um severo exame: "não podemos aprovar as opiniões que integram o que se denomina americanismo".

Apesar das boas intenções dos americanistas, sua posição certamente não se adequa à doutrina e ao espírito tradicional da Igreja; melhor dizendo, abre brecha para erros teóricos e práticos - e com isso está dito tudo [ o americanismo foi, na verdade, como uma^ementeiraparao modernismo]" (P. Parente - A. Piolanti - S. Garofalo, Dízionario di Teologia dogmática, Roma, Studium, 41a edição).

Monsenhor Henri Delassus escreveu na época um livro sobre o americanismo (L'Americanisme et Ia Conjuration anti-chrétienne, Lille-Paris, Desclée de Brouwer, 1899), em que afirmava que entre todos os fatores inquietantes do mundo, o espírito que animava a América do Norte não era dos menos preocupantes. Na verdade, o que o caracterizava era a audácia com que pisoteava "todas as leis da civilização católico-romana" (pág. 1).

Tal "audácia" estendia-se inclusive ao campo religioso. O termo "catolicismo americano" ou "americanismo" não era rótulo de um cisma ou de uma heresia, era, como ensinava Mons. Delassus, "um conjunto de tendências doutrinais e práticas que têm sua sede na América e que se difundem a partir dali por todo o mundo cristão, especialmente pela Europa" (pág. 3) com o objetivo de debilitar, e se possível, aniquilar as nações católicas "dando hegemonia às protestantes, como América, Alemanha e Grã-Bretanha" (nota 1, pág. 7). Um dos "elementos distintivos da "missão americana" é o retorno à unidade de todas as religiões através da destruição das barreiras e das diferenças, chegando até à celebração de um congresso com o seguinte tema: a tolerância internacional das religiões para a luta unida contra o ateísmo" (pág. 124). O indiferentismo ou tolerância por princípio (isto é, tolerância dogmática) para o qual tende o americanismo consiste em equiparar "todas as religiões como igualmente boas"(pág. 85).

Mons. Henri Delassus relembra (pág. 94) que o magistério da Igreja condenou todos os princípios falsos em que se baseia o espírito americanista: os denominados "direitos do homem" (condenados por Pio VI); a liberdade absoluta da pessoa humana, a liberdade de pensamento, de imprensa, de consciência e de religião (condenadas por Gregório XVI e Pio IX); a separação entre o Estado e a Igreja (condenada por Leão XIII). Para os americanistas, entretanto, é mister basear-se no "liberalismo amplo ou latitudinarista e na tolerância dogmática, evitando-se falar de tudo que possa desagradar aos protestantes e às demais religiões" (pág. 97). Em poucas palavras, para a Igreja de Roma "o catolicismo é a religião verdadeira, enquanto que para os americanistas ela não passa de uma entre outras tantas" (pág. ÏOO).

Infelizmente, o ideal americanista começou a colher resultados uns cinquenta, sessenta anos depois da condenação de Leão XIII, inicialmente de modo latente no concílio Vaticano II e depois, abertamente em Assis, em 1986, e agora com a viagem de Bento XVI aos Estados Unidos, em abril de 2008.

Que futuro?

O livro de Monsenhor Delassus hoje parece quase que profético. "Os americanistas - escrevia o prelado -dizem que as ideias americanas são as que Deus quer para todos os povos de nosso tempo. Judaísmo e americanismo [que têm um ponto de intercessão nos princípios que regem o espírito de 1789] crêem ter recebido uma "missão divina". Infelizmente, a influência da América, com seu espírito de liberdade absoluta, propaga-se sempre mais entre as nações, de modo que a América dominará os outros países" (págs. 187 - 188). Parece que a América seria a "nação do futuro" (pág. 190). Entretanto, comentava Mons. Delassus, "se esfe futuro é o desenvolvimento político, social, comercial e industrial segundo os princípios de 1789, ou seja, o progresso material e a independência absoluta do homem em relação a toda autoridade, inclusive a autoridade divina, a era que veremos será a mais desastrosa que jamais surgiu. Nessa era a América destruirá as tradições nacionais europeias para fundi-las na unidade ou pax americana" (págs. 191-2).

A base, ou o denominador comum dessa mistura de religiões, povos e culturas é um moralismo sentimental ou "uma moral indeterminada" (pág. 192), subjetiva e autónoma de tipo Kantiano, "independente do dogma, de modo que cada um fique livre para interpretá-la a seu modo"(pág. 130). Este denominador comum está se concretizando em nossos dias, conduzido pela união dos "teo (ou neo) conservadores" americanistas e cristãos com o sionismo e com os elementos conservadores do catolicismo liberal: todos se unem para defender a vida (coisa boa em si), o embrião, para combater o materialismo ateu, mas em detrimento da pureza do dogma (o que é inaceitável), da tradição cultural de cada nação e das diferenças étnicas - estas não devem ser exageradas com a teoria da defesa de uma inexistente "raça pura", mas não devem tampouco ser destruídas com prejuízo da raça em sentido lato, isto é, do povo com suas peculiaridades em termos de língua, cultura, mentalidade e hábitos religiosos.

"O movimento neocristão ou americanista tende a liberar-se do dogma para basear-se na beleza da ética" (pág. 60), "tende a substituir a fé por uma cultura ou sensibilidade independente, numa vaga religiosidade superior a todas as religiões positivas" (pág. 76). Ora, de acordo com a doutrina católica, é verdade que "a fé sem as obras é morta" (São Tiago), mas também é verdade que "sem a f é é impossível agradara Deus"(São Paulo). Portanto, a moral não pode ser desprezada, mas também não se pode reduzir a religião à pura moralidade, deixando de levar em conta a integridade dogmática.

A Igreja "ecuménica"

Mons. Delassus escreveu também que o americanismo está em sintonia com o judaísmo ao querer substituir a religião católica por uma "igreja ecuménica mundialista" que professa uma "religião democrática" (pág. 193). Trata-se de um acordo feito com o judaísmo liberal e filantrópico-humanitário, que substituiu a "fé" do judaísmo ortodoxo num messias pessoal, pela "crença humana" num "messias-idéia", isto é, no mundo moderno, nascido do humanismo, do protestantismo e do iluminismo revolucionário inglês, francês e americano. E esse espírito revolucionário fará todo o planeta cair no relativismo, responsável pela erosão do credo católico e do que ainda resta da cristandade europeia "para que assim a humanidade seja suavemente conduzida à nova Jerusalém" (pág. 195). O espírito do "novo mundo" ou do americanismc caracteriza-se, segundo Delassus, pêlos princípios da Revolução francesa, que são "a independência do homem em relação a todo poder humano e também ao poder divino" (pág. 196), isto é, os direitos (ou o culto) do homem e a usurpação do trono de Deus e de sua Igreja.

O mundialismo

O americanismo apresenta um duplo aspecto: político e religioso.

Caracteriza-se, em termos políticos, por certo cosmopolitismo que leva ao mundialismo e à globalização, que se infiltram em todas as nações e corrompem suas características particulares.

Enquanto iniciava-se em Roma o concílio Vaticano l em 29 de junho de 1869, celebrava-se em Leipzig um concílio judaico para afirmar que "a realização dos princípios da modernidade é a maior garantia para o presente e o futuro do judaísmo" (pág. 22). Infelizmente, continuava o prelado francês: "temos dois fenómenos em vista: a preponderância crescente do povo judeu e a triste crise da cristandade" (pág. 24).

A intercessão entre judaísmo e americanismo está particularmente nessas duas teses: "1 °- que todas as nações renunciem ao amor à pátria e se fundam numa república universal

2°- que os homens renunciem, igualmente, a toda particularidade religiosa para confundir-se numa só religiosidade vaga" (pág. 25).

Estes ideais eram propostos pela Aliança Israelita Universal, fundada em 1860 pelo judeu maçom Adolfo Crémieux, mestre do Grande Oriente da França. A AIU, informa Delassus, "não era apenas uma internacional judia, porque tinha ideais mais altos: aspirava a ser uma associação aberta a todos os homens, sem distinção de nacionalidade nem de religião, sob a alta direção de Israel... Ela pretende penetrar em todas as religiões, como penetrou em todos os países e destruiu as barreiras que separam tudo que um dia deverá ficar fundido numa indiferença comum" (págs. 26-7). O prelado perguntava-se: "O que significa penetrar numa religião? Significa, sobretudo, introduzir nela as ideias próprias. O judaísmo tenta infiltrar suas próprias ideias na Igreja católica? Sim, seus representantes o asseguram" (pág. 28).

As forças políticas de que o judaísmo liberal e filantrópico se serve são:

1 ° - a democracia;

2° - a liberdade como valor absoluto;

3°-a mudança radical (cf.pág. 153).

Essa mudança radical atinge também a vida religiosa ao estabelecer o primado da ação sobre a contemplação e exaltar a iniciativa individual (próprio do liberalismo puritano americano) juntamente com uma excessiva confiança em si mesmo (cf.págs. 154-5), o bem estar físico e corporal (distinto do bem estar comum temporal) como "transfiguração do corpo" (pág. 159) e o "sensualismo empirista como oposição radical à metafísica e ao cristianismo''(pág. 161). O prelado comprovava que os novos cristãos americanos aspiravam, na época, de mãos dadas com os judeus liberais e humanitários, "a um messias que não é Jesus Cristo, nem tampouco o messias militante e pessoal do judaísmo ortodoxo, e sim uma ideia de bem estar material e corporal que tornará o homem rico e feliz nesse mundo" (págs. 164-5). Esse Bem estar (com maiúscula) consiste não em possuir o necessário ou o conveniente, mas sim o "supérfluo" (pág. 166). Os "fiéis" dessa nova religião não devem ser conduzidos a contragosto: é preciso sempre lhes dar razão, fazê-los seguir junto com a corrente, dizer o que gostam de ouvir e satisfazer seus sentidos (cf.pág. 167).

O americanismo e o modernismo

Do ponto de vista religioso, o americanismo aspira a substituir a "polémica" (polemikós: aquilo que se refere à luta e à disputa doutrinal) pela "irênica" (eirenikós: aquilo que se refere à paz, ou melhor, ao pacifismo, à tolerância dogmática e à conciliação a qualquer custo). Estão "absolutamente convencidos de que os Estados Unidos estão predestinados a produzir um estado social superior ao que se viveu até agora"(pág. 130).

Outro ponto essencial do americanismo é o evolucionismo religiosos (cf.págs. 101-108), segundo o qual o dogma evolui ou muda radical, substancialmente, de modo heterogéneo, não homogéneo; ou seja, passa-se de uma verdade a outra de acordo com as necessidades ou exigências dos tempos (cf.pág. 109), pois a verdade não é a "conformidade do pensamento com a realidade" e sim "a adequação do pensamento às necessidades dos tempos e do homem moderno"(Herberi Spencer).

A outra coluna em que se baseia o americanismo é o ecumenismo. Mons. Delassus recordava (pág. 133) que se celebrou em Chicago, de 11 a 28 de setembro de 1893 (sessenta e nove anos antes do concílio Vaticano 11-1962 -e noventa e três anos antes do encontro ecuménico de Assis em 1986) um congresso ou concílio ecuménico de todas as religiões promovido pela vertente liberal do catolicismo americano. Estabeleceu-se nesse conciliábulo que "a Igreja devia fazer as concessões mais generosas às demais religiões"(pág. 134); naturalmente foi condenado por Roma. Não se pode deixar de ressaltar que essas ideias americanistas penetraram amplamente nos ambientes católicos nos anos 1962-1965, como foi possível ver claramente durante o concílio Vaticano II. Inclusive um pensador leigo como Sérgio Romano pôde advertir que enquanto o Concílio Vaticano l afirmou o primado do papa, o Vaticano II, ao contrário, ensinou a colegialidade dos bispos; e enquanto Pio IX condenou a "modernidade", Paulo VI a abraçou. Infelizmente, é a triste realidade.

Quando João Paulo II pediu perdão ao mundo inteiro pelas "culpas" da Igreja, outro leigo, Indro Montanelli, escreveu o seguinte no jornal Corriere delia Será: "Pressenti alguma coisa ou achei que tinha pressentido numa conversa que tive com o Papa há anos, durante um jantarem seu apartamento particular [....]; entendi ou achei que tinha entendido que ele, veemente e inclinado à introspecção, deixaria atrás de si uma montanha de ruínas: as da estrutura autoritária e piramidal da cúria romana. Creio compreender agora que aquela minha íntuiçãOr vagamente catastrófica, pecava por inexatidão, sim, mas por falta: o que o Papa Woityla deixou atrás de si não foram apenas os escombros da cúria, mas os da Igreja, ou ao menos os da que estamos habituados a considerar como tal há dois mil anos e que até nós mesmos, os leigos, temos no sangue. [...] Apresentar entre os próprios erros, se entendemos bem, ou melhor, entre as próprias culpas (nada menos), inclusive os cismas e as consequentes excomunhões das outras igrejas cristãs, ortodoxas ou protestantes, faz com que nós também, os leigos, perguntemos, cheios de perturbação: masentão...?"

Parece que já quiseram reunir em Chicago, em 1893, "os sacerdotes e os ministros dos mais diversos cultos para associá-los numa oração comum" (pág. 147), naturalmente sem cair no indiferentismo (exatamente como em Assis em 1986). Delassus definiu assim esse congresso de Chicago: "autêntico concílio ecuménico dos novos tempos" (pág. 148). As analogias com o Vaticano II são, infelizmente, objetivas e impressionantes. Basta ler o relato que Monsenhor Keane, reitor da Universidade católica de Chicago, leu em Bruxelas, em setembro de 1894, sobre o congresso ecuménico de Chicago: "Pensamos que tínhamos chance de darão mundo inteiro uma grande lição. [...]A Providência permitiu a emigração [para a América] originária de todas as nações. Todas as nações se encontram representadas entre nós; vivem misturadas fraternalmente, sem qualquer hostilidade. É o privilégio que Deus concedeu à América: destruirás tradições dos ciúmes nacionais, que os senhores perpetuam na Europa, para fundi-las todas na unidade americana.

A mesma lição tinha que ser dada no plano religioso. Cada vez que me sinto tentado de pessimismo recorro a um remédio: olho ao redor e vejo que o género humano se dedica cada vez mais a detestar o ódio e a hostilidade [poucos anos depois estouraram as duas tremendas guerras mundiais!] É inegável que a humanidade se esforça por adotar costumes mais benignos, que existe maior florescimento da caridade. Mas não é este o objeto da religião: unir o homem a Deus e a seus irmãos? A religião é caridade. Mesmo que não possamos nos entender quanto às crenças, não seria possível nos pôr de acordo no que diz respeito à caridade? [mas pode haver "caridade" sem "fé"?]". Observe-se que no congresso de Chicago Mons. Keane tinha proferido uma conferência de título significativo: The ultimate religion', A religinão final. "Quando a pobre família humana se dispersou - dizia ele - , esqueceu os princípios religiosos e morais. Então Deus suscitou, ainda entre os pagãos, homens que recordaram a verdade. Estes foram os sábios da antiguidade: Buda, Confúcio, Zoroastro, Sócrates; não eram de modo algum servidores do demónio: eram instrumentos da divina providência. [...] Por que não prestar homenagem a tudo que há de bom e belo em seus ensinamentos? É precisamente o que fez o Vaticano II, especialmente com NostraAetate.

A coragem de reagir

Na conclusão de seu estudo, Mons. Delassus definia o americanismo com algumas expressões eficazes: 'Compromisso com a incredulidade, concessões ao erro, mutilação do dogma, atenuação do sobrenatural e acomodação de todos os tipos"(pág. 226). Propunha depois o remédio para tantos males: "Evitar o desânimo dos que sabem e conhecem a realidade, mas não têm a coragem de reagir: é esse o mal que paralisa hoje muitos católicos. [...] Jamais cruzar os braços, renunciando à luta, mas empregá-los, ao contrário, na oração, na penitência e na ação cultural e doutrinal com consequências práticas [...]. É preciso, portanto, caminhar com cuidado para não ajudar, nem involuntariamente, ao judeu-americanismo. Assim, jamais pregar o Bem estar como fim último, [...] o êxito neste mundo, [...] a transfiguração do corpo humano, [...], a preocupação desordenada com os interesses humanos, [...] a abolição das barreiras entre religiões e culturas, [...] a cessação da polémica para substituí-la pela "irênica", [...] a diluição do dogma em prol de uma moralidade subjetiva, [...] a conciliação entre o espírito de Cristo e o do mundo" (págs. 262-265).

Se a religiosidade americanista é esta, o elogio que Bento XVI fez é erróneo sob todos os aspectos. No neo-conservadorismo americano, que está se apoderando progressivamente do mundo a partir de 11 de setembro de 2001, vemos renascer hoje o americanismo, forma de modernismo ascético com fortes repercussões econômico-sociais. É o que se deve combater, sem omitir os outros aspectos que o modernismo assumiu, não só na filosofia e na teologia, como também na exegese, na espiritualidade e na política, erros que são sua última e mais devastadora conclusão lógica, como explicava São Pio X na Pascendi.

Temístocles

sábado, 18 de julho de 2009

O Triunfo de São Tomás de Aquino sobre os hereges

Filippino Lippi -  Afresco

Triunfo de Santo Tomas

Caritas in Veritate: Marcel de Corte

 

Permanência

A Temperança, virtude desaparecida

Marcel De Corte

I

Refletir, publicar, escrever sobre a temperança é hoje um desafio. A palavra desapareceu do vocabulário do homem médio, assim como do vocabulário da “elite” intelectual, laica ou religiosa. Quanto a nós, a última vez que a escutamos foi no início do século, em nossa infância, quando o professor instava-nos, à saída da escola, a aderir à uma “sociedade de temperança” ― como as muitas que então havia na Bélgica ― cuja específica finalidade era combater, não as incontáveis formas da intemperança, mas o alcoolismo, que afligia um pouco por toda parte, particularmente na classe operária. O petit Robert dá a ela apenas dois sentidos; um, “didático”: moderação em todos os prazeres do sentido; outro, “corrente”: moderação no beber e no comer, mais especialmente no consumo de bebidas alcoólicas. Ambos se volatilizaram tanto da linguagem da sociedade contemporânea como da terminologia dos moralistas contemporâneos. À exceção de alguns “paleotomistas”, cuja leitura ainda faz nossas delícias, não a encontramos em parte alguma durante um meio-século, nem mesmo nas conversas.

Não podemos sequer dizer com Valéry que «toute chose m´est claire à peine disparue; ce qui n´est plus se fait clarté». Além da palavra que a designa, é a realidade mesma da virtude da temperança que se evaporou da alma dos homens entregues às delícias da “sociedade de consumo” e, daqui a pouco ― ou mesmo, a partir de agora ― aos suplícios da moderna economia materialista em plena crise. Os cristãos ― os católicos ― não escapam desse saldo negativo, tanto no ensino que recebem quanto em sua conduta. A este respeito, estamos em situação idêntica a do fim do Império Romano, tal como veementemente a descrevia Santo Agostinho: «onde encontrar quem, diante de tais monstros de avareza, orgulho e luxúria [1], cuja iniqüidade, cuja impiedade execrável constrange Deus a flagelar a Terra, conforme antiga ameaça, quem, volto a perguntar, seja perante eles o que deve e com eles conviva como é preciso conviver com semelhantes almas? Quando se trata de esclarecê-los, censurá-los e, mesmo, repreendê-los e corrigi-los, com bastante freqüência, funesta dissimulação nos detém, ou preguiçosa indiferença, ou respeito humano incapaz de afrontar alguém já de si perturbado, ou temor a ressentimentos que poderiam causar-nos prejuízo e prejudicar-nos no tocante a esses bens temporais cuja possa nossa cupidez cobiça, cuja perda nossa fraqueza receia.» [2]

Para que fosse diferente, seria preciso que a temperança fosse professada como virtude e mesmo como virtude cardeal que, apesar do lugar que ocupa, depois da justiça, da prudência e da força, não deixa de intervir, se exercida, em quase todas finalidades da vida cotidiana do homem. Como estamos distantes disso! Ora, a temperança é uma virtude, i. é, no sentido esquecido da palavra, uma disposição natural que inclina ao que é segundo a razão: o nome mesmo de “temperança” o indica, pois significa uma certa moderação, um “temperamento”, ou, em termos precisos, uma certa “medida no julgamento e na conduta”; enfim, uma “solução adequada” aos problemas que envolvem os prazeres que o homem não deixa de experimentar no curso de sua vida [3]. Esta medida que a razão impõe às ações e às paixões humanas é o sentido geral da palavra “temperança”. Em seu sentido mais restrito, que a define como virtude, a “temperança é a virtude que põe um freio à concupiscência que mais fortemente atrai o homem. Ela tem, pois, uma matéria especial” [4]: a concupiscência de bens sensíveis que todos desejamos e, particularmente, o deleite de tocar o que nos parece atraente e que é tanto maior quanto os atos que se dirigem a eles provêm de um impulso de nossa natureza, a saber, daqueles responsáveis por conservar a natureza do indivíduo ― o comer e o beber ― e a natureza da espécie ― a união do homem com a mulher. A temperança, portanto, trata do prazer do tato, que é, de acordo com Aristóteles e com o bom senso, a raiz de todas as sensações [5]. Coisa que observamos nas expressões populares, que se referem a um espetáculo dizendo que agride a vista; de um barulho, que nos fere os tímpanos; de um perfume, que acaricia o olfato; de um vinho inebriante, que seu buquê envolve o paladar. Essas metáforas são muito sugestivas.

Santo Tomás distingue um elemento principal entre os prazeres do tato que a temperança deve regrar, e que servem à conservação e à transmissão da vida humana ― a deleitação essencial, essentialem delectationem, que acompanha tanto o consumo de alimento e de bebida como o uso da mulher, que são de necessidade vital para a humanidade ― e um elemento secundário que acompanha o primeiro para torná-lo mais agradável, qual seja, a beleza e a elegância da mulher ou o sabor e o aroma dos alimentos. O necessário uso sempre se dá pelo contato. Os outros sentidos só intervêm para dar ao tato determinações subsidiárias que acrescentam um agrado específico. Ora, como estas complementações dão relevo a todos os demais sentidos que não o tato, é preciso dizer que a temperança diz respeito sobretudo ao tato e acessoriamente à visão, ao paladar, ao odor e à audição. Isso não é mera sutileza. Sendo próprio do filósofo distinguir o essencial do acessório que o acompanha, é preciso dizer, nesse caso, que o prazer, no primeiro sentido do termo, está ligado intimamente ao ato de comer e de beber, assim como ao ato de procriar, sem que o prazer, no segundo sentido, necessariamente esteja. Santo Tomás sempre orienta seu pensamento profundamente objetivo à essência mesma das coisas. Importa, pois, concluir com ele sobre esse ponto, que “a temperança e a intemperança só se relacionam de forma secundária aos prazeres do paladar, do odor ou da visão, na medida em que as impressões desses sentidos contribuem para o uso deleitoso das coisas necessárias à vida, as quais dependem do tato" [6]. Todavia, eles estão concretamente ligados ― tal como o acidente é inseparável da essência, sem que aquele se confunda realmente com essa.

Se é verdade que a virtude ― e aqui cada palavra tem peso ― é “uma disposição estável para o bem agir, cujo sujeito próprio é a faculdade voluntária dum ser inteligente” [7], a temperança é não apenas uma virtude própria ao homem ― como ser virtuoso sendo um intemperante? ― mas também uma virtude cardeal, uma virtude fundamental, em torno da qual giram, como ao redor de um gonzo (cardo), uma série de outras virtudes, semelhantes a uns feixes que se subordinam e a subdividem; uma virtude em que se exprime, de modo eminente, a ordem da razão no que diz respeito às ações humanas. Ora, a temperança introduz uma ordem particularmente digna de elogio (praecipue laudabilis) nas manifestações do ato de tocar, exatamente onde a vida humana a exige imperiosamente [8]. Deste modo, como veremos, ela domina uma longa série de virtudes adjacentes que nossa época desconhece vergonhosamente. Enquanto virtude, ela rege os prazeres sensíveis e as concupiscências carnais que acompanham necessariamente a vida do homem e, enquanto virtude cardeal, os demais prazeres e concupiscências análogas, que são regulados por outras virtudes conexas que se ligam, seja à título de condição, de espécies de que a temperança é o gênero, ou de energias morais que lhe são conexas ou aparentadas [9].

Está claro, além disso, que as realidades nas quais se exerce a temperança são mais necessárias à vida que aquelas das virtudes subordinadas, e que são mais naturais ao homem. Não se trata aqui da vida em geral, mas da vida vivida. Com efeito, se é verdadeiro dizer que “o bem tem razão de fim e que o fim é, ele mesmo, a regra do que se ordena ao fim”, e que “todas as coisas que se apresentam ao uso do homem como deleitáveis devem ser ordenadas ― e este é o ofício da temperança ― tanto à vida presente como ao seu fim”, no ato concreto em que ela se exprime e, portanto, de acordo com o lugar e o tempo, as condições sociais em que se dá por nascimento ou de acordo com a profissão que exerce (officia), segundo as congruências daqueles com os quais vivemos [10].

Há portanto que se levar em conta, no exercício da virtude da temperança, as realidades exteriores, as riquezas que possuímos, as funções que ocupamos e, acima de tudo (multo magis), a honestas, i. é, o caráter honorável, a estima e a honra com que nos revestimos, a consideração social que nos envolve [11]. Em Santo Tomás, nenhuma virtude cardeal ― ou qualquer outra que lhe seja associada ― é personalizada, como temos demasiada tendência em fazer hoje em dia; o laço íntimo e profundo das virtudes com a sociedade, com a política (no sentido etimológico e nobre do termo) é sempre destacado por ele. O único fato de que a temperança depende essencialmente da vida presente, que é sempre uma vida social ― nenhum homem é um selvagem solitário, ou um deus ― bastaria para atestar isso.

Ainda que “a temperança apenas modere as concupiscências e prazeres individuais” [12] e que, por isso, se mostre inferior à justiça e à força, que pertencem mais ao bem da sociedade, ela não deixa de estar, por sua vez, orientada para o bem social, não somente porque procede das diretivas que a educação acrescenta à natureza [13], mas ainda e sobretudo porque ela está condicionada pelo pudor e pelo senso de honra, suas partes integrantes, que são sentimentos precisamente ligados às relações sociais e aos olhares dos demais [14]. A intemperança, de resto, sempre desvia o homem de seu justo fim [15] ou de seu fim último, que, na ordem temporal, é o bem comum da cidade onde vive. A matéria da temperança individual ― o comer e o beber ― está ordenada à união carnal, tal como o fim particular está ao fim último [16]; e a união carnal, por sua vez, à continuidade da espécie.

Podemos dizer, de acordo com Santo Tomás, que a temperança se apoia na moderação das duas formas fundamentais de prazer naturalmente suscitadas pelo tato; e que a temperança implica, sem deixar de levar em conta as circunstâncias de lugar, de tempo e de situação social, um equilíbrio entre a natureza racional do homem e seu componente corporal, tão natural quanto a primeira, em que o tato ocupa lugar essencial. A palavra grega sôphrosunê, que traduz temperantia, mostra isso bem. Ela é composta por um adjetivo (sôs), que significa são e de um substantivo (phrên), que designa o envoltório, a membrana de algum órgão que o mantém em unidade e, particularmente, a alma, o coração, a sede dos sentimentos e das paixões. O homem temperante é aquele cujo espírito saudável equilibra como o faz a saúde dos órgãos do corpo ― as paixões do coração e, mais especificamente, as paixões do concupiscível, da parte da alma pela qual desejamos necessariamente as coisas do mundo indispensáveis à nossa vida e à da espécie. Requer-se uma harmonia entre a inteligência prática, mãe da ação, e as paixões do concupiscível que fazem parte de nossa natureza. Esta harmonia não é, em última instância, repressão, punição, sufocamento. Como bom discípulo de Aristóteles, Santo Tomás sabe que a alma e o corpo são complementares, e sua fé cristã na ressurreição confirma-o em sua filosofia realista. Para ele, não se trata de suprimir as paixões, mas de impregná-las da vida do espírito, que necessariamente as faz integrar-se à sua vida temporal e à sobrenatural. Trata-se menos ainda de ser moderado no que toca as paixões do concupiscível no sentido moderno da palavra, o qual implica a idéia de pouca intensidade, duma certa fraqueza, dum distanciamento de todo o excesso. Com efeito, se a virtude é um justo meio entre o excesso e a carência, é notável que as paixões do concupiscível manifestem-se antes de forma exuberante, e que a insensibilidade perante elas testemunhe uma carência na constituição natural do homem, pois “a natureza juntou o prazer às operações necessárias à vida do homem”. Seria até mesmo um pecado, acrescenta Santo Tomás, fugir ao gozo que lhes é inerente, assim negligenciando as necessidades desejadas por Deus para a conservação da natureza.

Contudo, uma precisão deve ser dada a esta alegação. Sendo a natureza um sistema hierarquizado de fins, é louvável e até necessário abster-se dos gozos que acompanham as necessidades da vida presente em vista dum fim mais alto, seja temporal ou sobrenatural. Jejuamos para a boa saúde do corpo. Abstemo-nos de bebidas alcoólicas pelo esporte. Restringimos o comer e o beber à guisa de penitência pelos pecados. Os padres, votados às coisas divinas, renunciam ao casamento. Nada disso é insensibilidade, pois tudo isso visa, conforme a resolução mesma da razão reta, a fins cada vez mais altos, muito superiores ao simples trato da vida individual e ao da espécie. Não obstante, é preciso defender energicamente com Santo Tomás que “o bem da razão não pode existir no homem ― dotado de corpo ― se se abstém de todo prazer” [17], e que “aqueles a quem cabe, por razão do oficio que exercem na sociedade, entregar-se aos trabalhos corporais os quais exigem maior abundância de alimento e bebida, ou à geração carnal para assegurar a permanência da família e da cidade, não mereceriam louvor se se abstivessem do prazer” [18].

Sem dúvida, a temperança ocupa o último lugar no cortejo das quatro virtudes cardeais. Ela é inferior à prudência, que adapta com proporção os meios ao fim último perseguido ― seja bem temporal ou bem sobrenatural ― e que é a recta ratio agibilium, a regra objetiva do bem que se deve fazer, e que, para ser alcançado, deve ser o justo meio entre o excesso e a carência. Ela é inferior à justiça, que regula nossas relações com os outros homens e que visa o bem comum, particularmente o da união. Ela é inferior à força, que enfrenta a morte para a salvação pública [19]. Diz Santo Tomás que ela apenas tempera “as concupiscências e os prazeres que se relacionam ao homem em si (ad ipsum hominem)” [20], mas esta expressão, certamente extensa, não visa o indivíduo enquanto tal ― ou a pessoa ― mas o aspecto naturalmente subjetivo do prazer num ser que, por sua natureza, é intrinsecamente social, um “animal político”. O prazer é experimentado subjetivamente ― e a temperança possui um caráter subjetivo ― não no sentido moderno do termo, de um objeto aparente, ilusório, ou de uma puro recolhimento em si mesmo, mas enquanto é da essência mesma do homem de experimentar prazer com o alimento, com a bebida ou com o sexo, realidade cujo caráter social não podemos negar. A inferioridade da temperança em relação às demais virtudes cardeais reside no fato de que estas têm, na ordem das essências, um objeto mais elevado que aquela. A temperança liga-se estreitamente à prudência pois modera as paixões do concupiscível e conserva-as num justo meio razoável entre o excesso e a carência. Ela se une à justiça pelos atos e pela rejeição à intemperança, vício essencialmente próprio ao indivíduo dedicado ao seu prazer pessoal. Ela é companheira da força, que luta pelo bem comum, já que é impossível ser forte sem ser temperante.

Não há nenhuma outra virtude que esteja em mais estreita conexão com todas as demais ou que lhe seja mais extensível: quase todas as virtudes, cardeais ou não, tem necessidade da temperança para se levar a efeito. Seu uso é freqüente, cotidiano, e, se a força a supera “dum certo modo” (quoad aliquid) por seu aspecto social, por sua freqüência necessária e pelos vínculos concretos com as demais virtudes, a temperança pode encontrar a preferência do moralista, não somente em relação à força, mas “mesmo à justiça” [21]. Ela é uma virtude viril e santo Tomás, seguindo Aristóteles, comenta com precisão que seu contrário “é um pecado de concupiscência” excessiva que, de ordinário, atribuímos às crianças [22]. Igualmente destaca, acompanhando “o mestre daqueles que sabem”, que a intemperança é um vício mais grave que a pusilanimidade, porque é mais voluntária, mais própria do homem feito. O pusilânime tem quase sempre o espírito paralisado diante do perigo da morte física ou moral; é mais sujeito aos impulsos exteriores que sofre, mais sensível aos riscos e às ameaças em geral. O intemperante é atraído pelos gozos particulares, adjacentes ou acessórios às concupiscências da natureza. Ora, “é pura e simplesmente mais voluntário o que é voluntário nas ações singulares, nas quais culminam a virtude ou o vício, no sentido próprio dos termos” [23].

Mas, indo um pouco além, estas ações singulares não estão isoladas de seus prolongamentos sociais. A vergonha que se associa à intemperança se opõe à honra e distinção da virtude contrária. Sem dúvida, a intemperança é freqüente em meio à humanidade, e sua repetição, por demais visível, parece diminuir a vergonha e a desonra que se associam a ela na opinião dos homens. Todavia, elas não se apagam completamente dali: a natureza do vício ao qual sucumbe o intemperante, marcada por sua gravidade, opõe-se a isto. Demais, os estigmas deixados pela intemperança sobre o aspecto do homem ― a abjeção de sua conduta libidinosa ― apagam, diz-nos Santo Tomás com profundeza, o brilho e a beleza inerentes ao homem temperante, equilibrado, dono de si, seguro das finalidades que persegue, e cuja razão ilumina, por sua transparência, os atos virtuosos [24]. Um visível envilecimento caracteriza o libidinoso e, na mulher, os artifícios que o dissimulam só acentuam a ausência de castidade. Todos esses sinais, ao mesmo tempo individuais e sociais, cujos sentidos são evidentíssimos, manifestam que o homem ou a mulher entregues à intemperança se rebaixam ao nível do animal, destruindo em si as marcas do seu caráter verdadeiramente humano.

(Itineraires no. 250, Fev/81 Tradução: Permanência)

Fonte: Permanência

Notas:

[1] O orgulho e os outros vícios enumerados aqui por Santo Agostinho são, como veremos, anexos da intemperança, segundo Santo Tomás.

[2] A Cidade de Deus, Ia. parte, cap. 9. Editora Vozes, São Paulo, 1991

[3] Suma Teológica (doravante S. T.), 2-2, 141, 1, conclusão (c.) e ad 1.

[4] Ibid., 141, 2.

[5] 141, 3 e 4.

[6] 141, 5.

[7] 1-2, 56, 4, c.

[8] 141, 7 e 1-2, 61, 3 e 4.

[9] Estes três tipos ou partes da virtude são chamadas tecnicamente partes integrantes ou condições que concorrem necessariamente à formação da virtude; partes subjetivas ou diversificação da virtude segundo as diferenças específicas de sua matéria ou de seu objeto; partes potenciais ou virtudes secundárias que têm uma matéria diferente da virtude principal, mas que, como ela, observam uma medida idêntica, em sua matéria, àquela que exerce a virtude principal em sua matéria própria. Os tomistas falam pouco disso, ou simplesmente não falam. Eles consideram esta divisão das virtudes como “escolástica”, quiçá desprezível. Contudo, em se considerando o real, a virtude é uma como árvore vigorosa, condicionada pelo terreno em que se enraíza, pelas espécies variadas nas quais se diversifica e pelos ramos que distribuem sua seiva, tal como seu caule faz para com estes. Longe de ser uma divisão incômoda, estéril e abstrata, esposa-se estreitamente com a realidade.

[10] 141, 6, c e ad 1, 2, e 3.

[11] Santo Tomás lia e encontrava melhor desenvolvida em Cícero a noção de honestas, muito mais abrangente que “a honestidade” moderna, quase exclusivamente centrada no dinheiro.

Cf. H. MERGUET, Lexicon zu den philosophischen Schriftan Cicero’s. Iens, 1892, s. v. Podemos consultar também N. THEIL, Grand dictionnaire de la langue latine du Dr. Guill. Freund traduit en français. Paris, 1867, e o Glossarium mediae et infimae latinitatis de Du Cang, Paris, 1843.

[12] 141, 8, c.

[13] 142, 2, c.

[14] 143, art. Único, c, e 145, 1, ad 2. Cf. a citação de Aristóteles efetuada por Santo Tomás em 144, 3, sed contra: “Os homens ruborizam-se mais freqüentemente perante os que sempre estarão presentes que perante seus parentes”. O outro, em sentido forte, possui um olhar de qualquer modo mais objetivo que aquele dos parentes, inclinados a perdoar, sobretudo porque o homem teme mais a censura das pessoas que lhe são próximas e com as quais vive continuamente; isso resulta, para ele, um dano quase permanente (144, 3, c)

[15] 148, 2, c.

[16] Trata-se aqui evidentemente do fim último temporal.

[17] 142, 1, ad 2.

[18] Ibid.

[19] Ver nossos trabalhos De la Justice, De la Prudence, De la Force, publicadas pelas edições Dominique Martin Morin, de Paris.

[20] 141, 8, c.

[21] 141, 8, ad 3.

[22] 142, 2.

[23] 142, 3, este artigo inteiro é duma precisão e duma análise admiráveis.

[24] 142, 4; cf. 3 Eth., lect. 20. Cf. 141, 2, ad 3; 145, 2. Lembremo-nos que de acordo com a metafísica tomista o belo é um transcendental que emana do verdadeiro: splendor veri. Um homem verdadeiramente homem é sempre belo, quaisquer que sejam as irregularidades de sua aparência. Sua alma ― sua reta razão bem dirigida ao fim pelas virtudes cardeais e pelas outras virtudes ― ilumina seu corpo, o qual domina. Notemos também o misterioso sentimento de vergonha que o ato sexual não deixa de inspirar. Esse ato nada tem que seja naturalmente público, não obstante a licença dos costumes atuais. É que a alma, não comandando mais completamente o corpo desde o pecado original, é humilhado pela besta que ela não mais controla inteiramente e que, na maioria dos casos, visa mais ao prazer que à procriação, o que dar-se-ia (junto com o prazer) se o homem e a mulher não tivessem pecado.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Está Definitivamente Criado o INDEX BONORVM! DEO GRATIAS!

 

Santa Rita de Cássia rogai por nós!

Prezado leitor e amigo,

A paz de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Ser católico nunca foi fácil e hoje isto não é nenhuma exceção.

As dificuldades do dia-a-dia são enormes, mesmo assim, não podemos nos desanimar, mas sim reconhecer a primazia de Nosso Senhor Jesus Cristo em nossas vidas.

Com este pensamento, foi formado o INDEX BONORVM, uma iniciativa de promoção da caridade e do inter-relacionamento entre católicos apostólicos romanos.

Ele nasce para dar testemunho da verdade, principalmente a que se manifesta através da caridade, e tem na cruz do Calvário, o seu maior testemunho.

Seus objetivos são dois: a) fazer caridade; b) fortalecer os vínculos de amizade e união entre os católicos apostólicos romanos e a defesa de seus interesses.

Atualmente existe um núcleo de caridade e inter-relacionamento que está arrecadando fundos para erigir uma capela em homenagem a Santa Rita de Cássia na cidade de Belo Horizonte - MG, Brasil, além de prestar caridade espiritual e material a quem dela necessitar.

Portanto, convidamos a você, católico, a fazer parte deste nosso esforço. Participe!

Acesse:

http://indexbonorvm.blogspot.com

ou mande um e-mail para:

indexbonorvm@gmail.com

Vamos manter nossos corações acesos e inflamados na caridade de Cristo!

Deus os abençoe.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Romano Amério e Caritas in Veritate

Ver também em “Fratres in Unum”: Grandes retornos. “Iota unum” e “Stat veritas” de Romano Amerio.
LA DISLOCACION DE LA FUNCION MAGISTERIAL DESPUÉS DEL CONCILIO VATICANO II

Romano Amério

Ruunt saecula, stat veritas.Immo, stante veritate,
stat homo, stat mundus.
Circumversamur undique, et deversamur;
sed veritas nos erigit.
Amice, siste fugam, pone te in centro,
ubi nullus motus,
sed vita, immo: vita vivificans.

Transcurren los siglos, pero la verdad permanece.
Y si permanece la verdad,
permanece el hombre, permanece el mundo.
Por todas partes estamos rodeados, y desviados,
pero la verdad nos mantiene rectos.
Amigo, detén la huida, colócate en el centro,
allí donde no hay movimiento
sino vida, sí, vida vivificante

Mi contribución al Congreso teológico de Sí Sí No No consistirá en desarrollar el siguiente principio: la crisis de la Iglesia Católica consiste en una dislocación de la autoridad magisterial, que se transfiere desde la autoridad del Magisterio universal a la autoridad de los teólogos. Esta dislocación fue pronto advertida, porque en los años próximos al Concilio tuvo lugar una viva reacción. Pero en estos seis últimos lustros la gran mayoría de los teólogos han conseguido la reivindicación que entonces se propusieron obtener: ser reconocidos como partícipes en el oficio didáctico de la Iglesia. Dispongo en mi archivo de muchos recortes y pruebas de que esto se sentía como un peligro.
Es preciso decir que sobre este punto el Concilio afirmó la doctrina perenne de la Iglesia, pero dicho peligro se formuló inmediatamente después. No debe olvidarse el gran principio metódico de los innovadores, obispos y peritos conciliares, quienes introdujeron subrepticiamente en los textos propuestos al Vaticano II expresiones anfibológicas, cuya interpretación en sentido innovador se reservaban para cuando fuesen publicados los textos. Es la estrategia perpetrada explícitamente por los modernistas. A este propósito existe una importantísima declaración del dominico holandés Edward Schillebeeckx, quien dice expresamente: "las manifestamos [las ideas que nos impulsan] de una forma diplomática, pero después del Concilio extraeremos las conclusiones implícitas" (De Bazuin, nº 16, 1965; trad. francesa en Itinéraires, nº 155, 1971, pág. 40). Es como decir: utilizamos un estilo diplomático (como dice el vocablo, doble), en el cual las palabras se conforman con vistas a la hermenéutica, iluminando u oscureciendo, respectivamente, las ideas que nos impulsan o las que no nos convienen. Se produjeron así documentos conciliares que, en previsión de una posterior hermenéutica laxista y enervante, tenían por objeto apoyar las opiniones innovadoras. El escándalo principal y radical debe atribuirse a Juan XXIII, quien consintió que los observadores protestantes en el Concilio no solamente asistiesen a los trabajos de las comisiones, sino que cooperasen en ellas, de modo tal que algunos textos del Concilio no sólo son una elaboración de teólogos, en vez de obispos, sino de teólogos protestantes.

Fe y razón
La transferencia de autoridad de la cual queremos hablar es uno de los movimientos de inspiración racionalista, humanista y naturalista más imponentes y arraigados. Su gran principio es que las verdades de fe proceden de las elucubraciones del intelecto humano.
En la doctrina tradicional, la fe es una superación de la razón: según la doctrina de la Iglesia Católica, para creer es preciso salir fuera de la razón, ir más allá de la razón, al ser extrínseco a ella lo que está por encima de la razón. Que esté fuera de ella no quiere decir que le sea opuesto: al contrario, quiere decir que la completa y la apoya, y precisamente por eso está fuera de ella. Sin embargo, según la doctrina moderna la fe es una forma de la razón, es decir, algo intrínseco a ella. Lo cual significa que para creer no es preciso salir de la razón.
La función del Magisterio de la Iglesia consiste en inculcar en el espíritu de los fieles las persuasiones sobrenaturales: enseñarlas, arraigarlas, provocar su adhesión a las mismas. La palabra enseñar quiere decir "obrar de modo tal que uno pase a saber lo que no sabía". La función del Magisterio es también apologética, porque el maestro debe defender lo que enseña. Y lo debe defender alegando tanto motivos ofrecidos por la autoridad bíblica (motivos, por consiguiente, de orden sobrenatural) como motivos de razón natural. Finalmente, enseñar una cosa quiere decir también conseguir que la retengan las mentes a las cuales ha sido enseñada, porque el maestro debe velar para que no se pierdan ni se vean modificadas sus enseñanzas.

El Magisterio del Papa
Como testimonio de la consciencia con que, en tiempos del Concilio, la virtud didáctica que acabamos de recordar se estaba diluyendo en el vacío, puede recordarse aquella autorizada declaración del Card. Heenan, Primado de la Iglesia de Inglaterra, que en una de las primeras sesiones del Concilio se expresaba así: "hoy en la Iglesia ya no existe la enseñanza de los obispos: ya no son un punto de referencia en la Iglesia. El único punto en el cual todavía actúa la función magisterial de la Iglesia es el Sumo Pontífice" (Osservatore Romano, ed. it., 28-4-68). Es decir, donde ya nadie enseña, todos enseñan; y donde ya no hay una verdad que enseñar, se enseñan multitud de opiniones. Pero a treinta años de distancia esa declaración del Primado de Inglaterra suena optimista, porque hoy ni siquiera el Pontificado ejercita ya la función magisterial. Si, como hemos visto, el Magisterio es la manifestación de la Palabra divina de la cual es depositaria la Iglesia y que la Iglesia tiene de oficio el deber de enseñar y predicar, entonces esa manifestación de la Palabra divina está ausente, o cuando menos en decadencia, en el actual Pontificado: yo no habría escrito mi libro Stat Veritas, con sus cincuenta y cinco glosas al documento Tertio Millenio Adveniente, si el Santo Padre hubiese enseñado y manifestado siempre la Palabra divina (que es, ésta sí, el verdadero Magisterio viviente en la Iglesia), en vez de sus propias opiniones, expresándose en una forma que no refleja directa y netamente la verdad. Al contrario, si las he escrito es precisamente porque tampoco el Santo Padre, en el ejercicio de su magisterio, presta el auxilio que los fieles esperan del Sumo Magisterio: él habla, pero no manifiesta lo que le correspondería manifestar. Porque es necesario decir que, incluso en los documentos más vinculantes, no todas las palabras del Papa constituyen Magisterio, sino que con frecuencia son sólo expresión de las opiniones, pensamientos, y consideraciones difundidas hoy en la Iglesia. Incluso el Papa refleja en sus alocuciones todo un sistema de pensamiento, el sistema de pensamiento en el cual se complace hoy el hombre.
Una doctrina privada es elaboración propia de un individuo, pero aquí no se trata de eso: se trata de doctrinas que se han difundido y se han convertido en dominantes en buena parte de la teología. Por ejemplo, en Tertio Millenio Adveniente: "Cristo es el cumplimiento del anhelo de todas las religiones del mundo y, por ello mismo, es su única y definitiva culminación" (n. 6); y aún más: "no se habría de descuidar (...) el encuentro del cristianismo con aquellas antiquísimas formas de religiosidad, significativamente caracterizadas por una orientación monoteista" (n. 38); e incluso: "en este diálogo deberán tener un puesto preeminente los hebreos y los musulmanes" (n. 53). Y en Ut unum sint se afirma que la infalibilidad del Papa es una verdad irrenunciable de la Iglesia, pero que deberá encontrarse un modo nuevo de interpretarla (n. 95).
Por consiguiente, también las manifestaciones didácticas del Papa han asumido una característica impropia de la suprema función magisterial. Cuando el Papa no manifiesta la Palabra divina que le ha sido confiada y que tiene la obligación de manifestar, expresa sus opiniones personales en el sentido que hemos clarificado antes.

La decadencia del Magisterio
Nos encontramos pues ante la manifestación de la decadencia del Magisterio ordinario de la Iglesia. El Papa tiene la obligación de custodiar y exponer el depósito de la Fe (la Revelación divina), pero sólo la cumple pálidamente.
Cuando el Papa desiste de cumplir este su primer deber, se abre una gravísima crisis en la Iglesia, porque es el núcleo central de la Iglesia quien la sufre. No existe ningún órgano de corrección superior al Pontífice: de hecho, el Primado del Pontífice romano es uno de los dogmas "fundamentales", si se puede hablar así, de la Iglesia.
En 1969, algunos grupos alemanes sostuvieron, incluso ante el Card. Testa, legado pontificio, que debía ser el Colegio episcopal quien, en los momentos de grave crisis de la Sede Apostólica, asumiese la facultad de corregir al Pontífice o, en último extremo, de deponerlo. Pero esta doctrina incluía un grave error, como es la negación del Primado y por consiguiente de la infalibilidad. El Pontífice es infalible cuando habla ex cathedra, es decir, cuando habla con la autoridad vicaria de maestro infalible.
En los últimos treinta años, centenares de obispos, de superiores religiosos de las más diversas órdenes, de prelados de la Curia, y por último, el Sumo Pontífice, han debilitado progresivamente este fundamento doctrinal, que disuelve la fe y su raíz sobrenatural en una miriada de opiniones privadas y personales. La razón estriba en que, al ser el Pontificado romano el verdadero principio de la Iglesia, si desfallece el Papa desfallece la Iglesia, y si se derrumba el Papa, se derrumba la Iglesia. El principio de autoridad en la Iglesia es único: el Sumo Pontífice, Vicario de Cristo, que ha recibido de Cristo el mandato de confirmar en la fe a todos los hermanos; "confirmar" quiere decir "reforzar", "hacer firme".

Una "nueva forma" de ejercicio del Primado
En la crisis del Concilio tiene un papel relevante la tentativa de repartir entre el Papa y los Obispos el Magisterio infalible. En conjunto, y a pesar de la Nota praevia a la Constitución Conciliar Lumen Gentium, el movimiento antipapal ha triunfado, porque hoy se encuentra muy difundido ese espíritu antipapal, antirromano y enemigo de la autoridad. Hasta los cristianos están convencidos de que debe interpretarse la infalibilidad de un modo nuevo. Por otra parte, el mismo Juan Pablo II hace declaraciones antipapales, como hemos visto, en el sentido de acoger "la petición que se me dirige de encontrar una forma de ejercicio del Primado que, sin renunciar de ningún modo a lo esencial de su misión, se abra a una situación nueva" (Ut unum sint, n. 95). Lo cual viene a ser como decir: es irrenunciable, pero no es irrenunciable; es un principio absoluto, pero no es un principio absoluto. La infalibilidad del Papa es una roca inamovible, pero... Y cuando se dice pero ya ha tenido lugar la concesión: el nuevo modo supondrá en realidad una alteración de la verdad definida como inconmovible. De hecho circulan ya propuestas de teólogos luteranos, apoyadas por teólogos católicos, de que los protestantes podrían admitir la infalibilidad concediendo que permanezca como una costumbre y creencia peculiar exclusiva de la Iglesia romana. Y el Santo Padre, con las palabras citadas, parece acceder a esa idea, en virtud de la cual estaría dispuesto a limitar la infalibilidad de forma tal que, no siendo ya universal, ni siquiera constituiría un dogma de fe. Pero ello quebraría la naturaleza de la Iglesia, porque si unas diócesis creen y otras no, es su naturaleza la que resulta comprometida. La Iglesia y la Fe son una sola cosa, mientras que de ese modo la fe y la Iglesia serían una cosa en Roma y otra en Berlín.

"Nueva evangelización" humanitaria
En los últimos años esta supremacía pontificia ha recibido embates todavía más sórdidos que durante el Concilio. Esta grave herida en lo más excelso del Santuario divino sólo se vé enmascarada por el crecimiento de la autoridad moral del Pontífice en el mundo. Pero dicho crecimiento no tiene ningún significado religioso, y carece de toda forma sobrenatural: se venera al Papa como exponente de la idea humanitaria que debe constituir el fundamento del mundo futuro, esa idea humanitaria condenada con tanta fuerza en el Syllabus de Pío IX (1864): "la Iglesia ha de separarse del Estado, y el Estado de la Iglesia" (LV); "en nuestra edad no conviene ya que la religión católica sea tenida como la única religión del Estado, con exclusión de cualesquiera otros títulos" (LXXVII); "el Romano Pontífice puede y debe reconciliarse y transigir con el progreso, con el liberalismo, y con la civilización moderna" (LXXX).
Sin embargo el Santo Padre parece secundar esta idea, porque habla siempre de un mundo nuevo, gobernado por la justicia, en el cual los pueblos se aman y se respetan en sus distintas y buenas tradiciones, un mundo fraterno y pacífico donde reinan la paz y el bienestar sobre todos los pueblos. Pero ante los jefes de las naciones el Santo Padre no habla jamás de la autoridad de Cristo en su representante sobre la tierra, no habla jamás de Cristo Rey, jamás. El discurso pronunciado en la ONU es un discurso totalmente humanitario; solamente en algún momento se cita de pasada a Cristo, pero por decirlo así, son alusiones formales, de cumplido: el discurso está embebido, e invita a embeberse, de humanitarismo, porque su fin es humanitario.
El Santo Padre habla también de nueva evangelización, pero o bien esta nueva evangelización consiste en repetir la Buena Nueva, o bien consiste en anunciar alguna novedad. La novedad son las proclamas humanitarias, que prescinden de la idea religiosa católica, a la cual sin embargo se refiere la autoridad de San Pablo: "un solo Señor, una sola fe, un solo bautismo" (Ef. 4, 5). Por el contrario, la novedad aprueba la religiosidad humana en virtud de la cual todas las religiones merecen respeto, y todas ellas cooperan para bien de la humanidad. Pero si nuestra religión se diluye en el sentimiento religioso universal, es una religión que no existe; nuestra religión, si no es un primum, no es nada, y si no es la luz, se identifica con las tinieblas.

Dogma y moral en las palabras del Papa
El único conflicto con el mundo versa sobre puntos de moral, como la indisolubilidad del matrimonio o el aborto: sobre las Tablas de la Ley en general. Sobre estos puntos el Santo Padre perservera en las posiciones a las que está obligado. Pero como hemos visto anteriormente, en todos los demás, es decir, en las posiciones dogmáticas, va creciendo la disolución de la doctrina en sus propias opiniones.
Los éxitos del Santo Padre a lo largo y ancho del mundo son realmente grandiosos: se movilizan miles de periodistas, tienen lugar encuentros con los grandes de la tierra; el Papa, además, participa como uno más en las reuniones ecuménicas. Y todo esto es importante, porque obrando así Juan Pablo II ha conquistado el mundo: el mundo está hoy embebido de sus ideas sobre ecumenismo, sobre la bondad indistinta, intrínseca e igual de todas las religiones (que todas ex sese conducirían a Cristo), sobre la necesidad de que los pueblos se hermanen conservando sus cualidades tradicionales y sus propias convicciones culturales, etc. Se recibe al Santo Padre con entusiasmo, pero no por ser el Pontífice Romano, sino porque se le contempla como el sumo exponente de esta generalizada mentalidad buena de nuestro mundo.
El Papa sólo manifiesta su especificidad y su peculiaridad como soberano sobre los puntos espinosos de la moral que el mundo niega. Pero los niega sin darse cuenta de ello, y sin que nadie le recuerde que la negación de los puntos morales incluye la negación de los puntos dogmáticos, porque la ley moral es la manifestación del Verbo, es decir, de la Razón divina, Razón divina que se ha encarnado y se llama Cristo. La ley moral remite directamente al Verbo. Por consiguiente la negación de la ley moral es una negación implícita, pero no por ello menos real, del Verbo. El principio de la Iglesia y el principio de todas las cosas se llama Cristo, que es el Verbo encarnado, que es la Razón divina, que expresa la moral natural. La ley moral es una ley racional y es la expresión de la Razón divina: la ley moral es sumamente razonable.
El principio de autoridad del Sumo Pontífice existe en cuanto que su palabra es vicaria de la Palabra divina y expresa la ley moral secundando la Encarnación del Verbo.

Exclusividad de la Revelación
Las verdades que se tambalean en los discursos y las encíclicas de Juan Pablo II son verdades centrales, y por encima de todas ellas se encuentra la verdad basal del Cristianismo: que Dios se ha revelado hic et nunc, aquí [hic] y no allí, ahora [nunc] y no antes. Esta verdad primigenia se pone hoy en duda, como hemos leído en la carta Tertio Milennio Adveniente, en cuyos párrafos se desarrolla la doctrina según la cual "Cristo es el cumplimiento del anhelo de todas las religiones del mundo" (n. 6). Pero el cristianismo no es una respuesta a estas religiones ("dioses -decía la reina Ester- que nada son", Es. 4, 17k), porque el Cristianismo es la Palabra divina revelada solamente al pueblo elegido en un tiempo concreto y en un lugar concreto, como reza el Salmo 147, 20: "no hizo tal a ninguna nación".
De potencia absoluta, Dios puede salvar sin bautismo a cualquier hombre; pero de potencia ordenada no, porque la salvación sin bautismo no es el sistema, no se inscribe en la economía pensada y querida por Dios. La salvación sin el bautismo es excepcional, extraña al sistema, porque no pertenece al sistema, que se articula sobre Cristo y sobre la Trinidad misma de Dios. Cuando se dice que el hombre puede salvarse sin la gracia, sin el bautismo, en virtud de sus obras de hombre religioso, bueno, pío y justo, se entra en el sistema pelagiano. El sistema pelagiano merecería mucha atención de los teólogos modernos, porque el mundo entero se está pelagianizando.

Ruptura de la unidad de la Fe
Sintetizando mucho, la decadencia en autoridad que va desde la autoridad del Magisterio episcopal a la autoridad de los teólogos gira sobre una realidad concreta: el desarrollo por parte del Papa de sus propias opiniones privadas, en detrimento de la doctrina universal, de la Tradición. Pero además de esta realidad, que afecta a la cumbre, existe una segunda realidad, más universal e impalpable, que puede descubrirse en la desistencia del Magisterio episcopal, encogido en todo el mundo ante la prepotencia de las opiniones teológicas más dispares, diversas, y ricas.
Opiniones dispares, porque se llaman "dispares" las cosas que difieren en algo esencial. Opiniones diversas, porque se llaman "diversas" las cosas que difieren en algo accidental. Dos cosas dispares son dos cosas de distinto género; dos cosas diversas son dos cosas que pueden pertenecer al mismo género. Así ocurre también en las opiniones teológicas que pululan en estos últimos treinta años en el mundo católico postconciliar: divergen de la Doctrina una y santa, porque cuando pertenecen a su mismo género se distancian en los accidentes, y porque la mayoría de las veces no son ni siquiera del mismo género que la doctrina, es decir, no tienen esa misma raíz sobrenatural que hace de la Doctrina católica un unicum. Finalmente, opiniones ricas, en el sentido en que los teólogos mismos hablan de riqueza del pensamiento teológico, cuando a él concurren muchas mentalidades, no sólo la mentalidad de nuestra fe, sino también la mentalidad de las "fes" extrañas a ella (protestante, hebrea, budista, islámica, animista, etc.).
Si converge la mirada sobre este trípode de opiniones dispares, diversas, y ricas, en un cierto sentido se puede decir que hoy la Doctrina de la Fe ya no es una: la unidad de la Iglesia debería ser esencialmente una unidad teórica y doctrinal, porque trata de cosas del intelecto, trata de la actividad teorética: no es en modo alguno una unidad simbólica o aparente. Por lo demás, el Santo Padre sostiene que existe una unidad moral entre las diversas religiones, todas ellas ordenadas a la salvación, y en virtud de la cual todas las religiones y las culturas constituyen "idealmente" una unidad sin que exista una unidad doctrinal; es decir, confesando que son doctrinalmente dispares, diferenciándose en los detalles teóricos.
Unidad de fe: a priori, todos nosotros debemos tener la certeza de que lo que piensan los demás cristianos del mundo, y lo que han pensado a lo largo de los siglos, se identifica con nuestras propias creencias. A priori debo tener la seguridad de creer en todo lo que cree cualquier otro cristiano, sin tener que verificar lo que profesa ese otro cristiano. En mi libro Iota Unum, hablando de la infalibilidad, he dicho también que todo cristiano, cuando enuncia una verdad de fe, es infalible. Por ejemplo: Pío IX afirmó infaliblemente que la Virgen María estuvo exenta del pecado original; pues bien, cuando yo digo que la Santísima Virgen estuvo exenta del pecado original, es decir, cuando repito lo establecido por el Sumo Pontífice, soy infalible, no puedo dudar si me equivoco o no.
Esta doctrina pone en evidencia la univocidad de la dotrina de la fe; univocidad, porque muchas voces, millones de voces de miriadas de hombres, profesan y han profesado siempre la única doctrina, que es el Verbo engendrado por la Mente del Padre: "a Dios nadie le ha visto jamás: el Unigénito Hijo, el que está en el regazo del Padre mirándole cara a cara, Él es quien le dio a conocer" (Jn. 1, 18). Por su propia naturaleza la fe es una y unívoca; hoy, sin embargo, existe la fe de los carismáticos, que no es la de los neocatecumenales, que no es la del Card. Ratzinger, que no es la del Card. Martini, que no es la del Papa. Cada cual acude a la radio o a la televisión, escribe en revistas y libros y da testimonio de su fe "particular". Todos estos testimonios, todas estas manifestaciones de fe, tienen en común entre sí el hecho de tener una cierta relación con la fe católica: son opiniones en el ámbito de la fe católica, pero que a la vez disienten de la fe católica. ¿Podemos seguir sosteniendo que estos teólogos son católicos? Santo Tomás nos conduciría a concluir, con grandísima y lógica preocupación, que "el opinar erróneo [sobre "lo que principalmente se nos ha transmitido divinamente"] cae en la herejía, de modo especial si se añade a eso la pertinacia" (I, q. 32, a.4).

Algunos ejemplos
Con treinta años de distancia es posible comprobar hasta qué punto este movimiento ha triunfado a la perfección, puesto que hoy día el pueblo cristiano cree los artículos de fe según la forma divulgada por estos teólogos.
Como se señala también en mi último Zibaldone [miscelánea de pensamientos], he reflexionado sobre una serie de dogmas de fe que ya no cree hoy el pueblo cristiano, precisamente porque los rechaza la teología moderna, en virtud de la cual los dogmas de Fe ya no son creídos hoy según el Credo del Concilio de Nicea.
¿Qué cree hoy el pueblo cristiano sobre el infierno? Cree lo que debaten los teólogos en Avvenire, periódico del Episcopado italiano, o sostienen las imponentes transmisiones radiofónicas de Radio María: a saber, que el infierno no existe; que, si existe, es una forma de castigo que se va atenuando; que tal vez ni siquiera Judas se condenó, porque quizás se arrepintió su alma en el último momento; y que por consiguiente debe creerse que el infierno probablemente está vacío. Sin embargo, por ejemplo, en una homilía San Gregorio Magno daba por certísima la presencia en el infierno de Herodes Agripa: "luego al punto le hirió un ángel del Señor, por cuanto no había dado gloria a Dios, y, roído de los gusanos, expiró" (Hech. 12, 23).
¿Qué creen hoy los cristianos sobre el Génesis? Creen que se trata de un relato simbólico; todos los cristianos están hoy de acuerdo sobre este punto, despreciando una sentencia de la Pontificia Comisión Bíblica de 1906, que confirmaba con autoridad el carácter histórico de la sagrada narración del Pentateuco.
¿Qué piensan hoy los cristianos de la Eucaristía? Que la Eucaristía consiste en la presencia real del pueblo cristiano, porque el silogismo innovador se construye sobre las siguientes premisas: la Eucaristía es el sacramento en el cual está presente el Señor; pero el Señor que está presente es místicamente el mismo pueblo cristiano; luego el pueblo cristiano está presente en la Eucaristía. La opinión común admite hoy, sí, la Eucaristía como sacramento en el que está presente el Señor: pero el Señor que está presente es el mismo pueblo cristiano.
¿Qué creen hoy los cristianos sobre la predestinación? Es preciso señalar en este punto la deformación completa del concepto de predestinación, porque los teólogos modernos que todavía hablan de él lo entienden como una previsión de las cosas en el hombre, no como la determinación de las cosas en el hombre por parte de Dios. Ahora bien, se trata de una falsificación importante, porque la predestinación, al constituir la parte que corresponde a Dios en el designio de salvación eterna de los hombres, desde el bautismo a la gloria, concierne a nuestro fin último, y nuestro fin último es la cosa más importante que atañe al hombre. Si falsificamos el fin del hombre, ¿qué queda del hombre?
Así pues, se confirma que se ha impuesto la praxis puesta en marcha después del Concilio, invirtiendo las opiniones generales en la cristiandad. Después de treinta años, no puede sino reconocerse que esta tendencia ha triunfado.
La fe católica se ha desmenuzado en miles de opiniones sobre los Novísimos, sobre la virginidad de María, sobre la presencia real en la Eucaristía, sobre los sacramentos, sobre la Iglesia, sobre el Primado de Pedro, e incluso sobre la Trinidad. No hay artículo del Credo, del Símbolo de la fe que todos los domingos se profesa en la Misa, que no sea alcanzado por opiniones, y opiniones proferidas a pesar de la firmeza absoluta de sus artículos, y contra dicha firmeza. Por consiguiente el cristiano pierde la fe, porque pierde la unidad: una fe que no sea una, no existe. Esta dispersión en las opiniones significa la disolución de la fe.

El olvido del principio de contradicción
En la Summa, la dispersión de lo uno en lo múltiple, en cuanto a la verdad, está bien concretada y reconocida: "el objeto de la infidelidad es la Verdad primera, en cuanto que se aparta de ella; su objeto formal, en cambio, al que ella tiende, es la opinión falsa que sigue, y esto da lugar a su diversidad de especies. De ahí que, como es una sola la caridad que nos une al sumo bien, y son, por el contrario, diversos los vicios opuestos que nos apartan de él, dirigiéndonos a distintos bienes temporales, y esto, a su vez, según las relaciones diversas de oposición a Dios, así también la fe es una sola virtud por su relación a sola la verdad primera; son, en cambio, muchas las especies de infidelidad, ya que los infieles siguen opiniones falsas diferentes" (II-II, q.10, a.5, ad.1).
La única diferencia es que quienes niegan hoy los artículos de fe profesados el domingo por la mañana en Misa, ya no lo confiesan, ya no lo dicen: ayer eran los arrianos, los donatistas, los sabelianos; luego, los luteranos, los calvinistas, los valdenses. Hoy los herejes siguen siendo tan católicos como los católicos, porque ya no existe el pavor a la contradicción, el pudor en la distinción entre las cosas católicas y las cosas no católicas.
La contradicción es algo profundo, más bien es uno de los primeros principios, y es la cosa más profunda del ser porque se encuentra en la más estrecha relación con el ser. Si el ser es profundo, es decir, si es un primer principio, su contradicción, su negación, es igualmente profunda, es igualmente primaria. Cuando nos hallamos en este orden de reflexión, estamos en lo más profundo: no se puede ir más allá. Por tanto, convendría tener reparos, temor, pavor a la contradicción. Hoy, por el contrario, la contradicción no causa terror: vamos a su encuentro, la acogemos, la abrazamos; todo puede encontrarse en todo, y los no católicos también son católicos.

Credere Deo, credere Deum, credere in Deum
San Agustín distingue en el acto de fe tres conceptos: credere Deo [creer por Dios], credere Deum [creer a Dios], credere in Deum [creer en Dios]. En cuanto a estos tres aspectos del acto de fe cristiano, ¿en qué posición se encuentran hoy los teólogos que opinan sobre el tema? Me parece que el concepto que se desvanece es el concepto de Dios como cosa creída: credere Deum; es decir, desaparece Dios como materia de fe. Por el contrario, "credere in Dio" ¿¿?? ¿"credere in Deum"? ¿creer a Dios?, es decir, confiarse con un movimiento del espíritu a la voluntad de Dios, es cosa que también sostienen los teólogos modernos; sobrevive aquí el concepto fiduciario de la fe, el más afín al concepto de fe de los luteranos, para el cual "se procede hacia ¿llega hasta? Dios creyendo", como dice Santo Tomás en la Summa (II-II, q.2, a.2), y "de la fe se encarga ¿¿?? la caridad". Pero si no creo en Dios, menos aún creo a Dios. De hecho, si no creo en la existencia de Dios tal como se anuncia en el Símbolo niceno-constantinopolitano, ¿cómo podré creer en la fuerza de su Autoridad?
El fruto de la transferencia de la autoridad didáctica de la Iglesia, desde la Jerarquía del Magisterio al conjunto de los teólogos, es la decadencia de la Autoridad Primera a la cual éstos deberían creer: es la disolución de la Autoridad, creyendo a la cual se especifica la fe, porque la causa de la fe es "creer lo que ha dicho Dios". En efecto, si se duda de la existencia providente de la Autoridad, no se podrá creer con certeza que las Escrituras tengan su origen en ella, y de hecho hoy las Escrituras se leen como un género literario análogo al de las tradiciones islámica, hinduista, o judía: como una tradición humana. Dios no es su causa sino su fruto, su consecuencia.
Pero todos los teólogos creen lo que creen solamente en virtud de lo que sus razonamientos y sus opiniones les autorizan a creer: toda la autoridad está ahí. No es la Autoridad sobrenatural quien se desvela y conduce a creer más allá de la razón, sino una autoridad razonable, reflexiva, científicamente demostrable.

La herejía consiste en la "elección" en materia de Fe
En una cuestión de la Summa (II-II, q.5, a.3) Sto. Tomás se pregunta "si el hereje que rechaza un artículo de fe puede tener fe informe de los otros artículos". La respuesta es negativa, porque los artículos de fe se creen en cuanto revelados por Dios, y el hombre no puede discernir artículo por artículo, y rechazar un artículo aceptando sin embargo los demás, porque obrando así ha renegado ya del principio de la fe, en virtud del cual todos los artículos de fe se creen "porque han sido revelados". Si se excluye uno, es porque se entiende que ése no ha sido revelado, ofendiendo al principio general de la fe, que no está en el hombre, sino fuera de él. Santo Tomás enseña muchas veces que la causa formal de la fe es precisamente la veracidad de Dios.
Hoy el hombre sólo quiere creer lo que alcanza a comprender; de ese modo la fe hunde sus raíces en el hombre y las arranca de donde deben permanecer: en Dios, en Cristo Jesús, en el Verbo que se revela, como recuerda el Apóstol: "no eres tú quien sostiene la raíz, sino la raíz a tí" (Rom. 11, 18).
Generalmente se pasa por alto el significado del acto de fe. Se piensa que "creer" constituye una conducta psicológica arbitraria. Muy al contrario, "creer" supone la inmolación del principio supremo del hombre; no podemos realizar un sacrificio más elevado, porque si bien sacrificar los sentidos tiene ciertamente valor, sacrificar el intelecto, que es la parte suprema del hombre, es una acción casi increíble: sólo puede cumplirla la fuerza de la Gracia. La prepotencia de la razón particular se revela en la pretensión de escoger: "esto no lo creo, porque no me parece razonable ni posible; sin embargo esto lo creo, porque lo encuentro razonable o posible". La naturaleza de lo herético puede explicarse, como toda palabra, mediante la etimología. Herejía es un vocablo de origen griego que proviene del verbo airùmai, que quiere decir "tomo, escojo": la herejía es una "elección" de las cosas que se creen. Esta elección se hace en función de un criterio individual, mientras que todos los artículos de fe deben creerse simplemente porque son revelados.
La función de la teología es clarificar y articular bien lo que creemos. Si creemos, por ejemplo, en la Inmaculada Concepción, la teología debe aclarar el concepto de "inmaculada" y el concepto de "concepción", es decir, debe proporcionar múltiples aclaraciones sobre todos los elementos del dogma, para que el dogma sea desvelado en su completitud y profundidad. En el lado opuesto, los teólogos innovadores, los de la nueva evangelización, se basan sobre el principio de que aquello que creemos debe ser inteligible y racional, y para buscar ese elemento de inteligibilidad niegan la sustancia de la fe. Si por ejemplo alguien cree entender el dogma de la Inmaculada Concepción, es un hereje, porque desea entender algo que, siendo por naturaleza suprainteligible, no puede ser comprendido. Si alguien pretende entenderlo y resolverlo en su propia racionalidad, se convierte en herético, porque niega el orden sobrenatural, niega el orden de la fe.

Las causas
¿Existen causas para toda esta disolución de la doctrina en opiniones, para esta transferencia de la enseñanza desde la autoridad episcopal a las luces privadas? Existen las causas generales morales de todo acto: unos lo hacen por soberbia, otros por envidia, otros por cualquier otro motivo irracional; las causas de esta nueva teología son las causas de cualquier aberración del espíritu. Por tanto, sería preciso indicar la causa de cada una de estas causas: ¿por qué uno se hace envidioso? ¿por qué uno se vanagloria y desea destacar? Sería precisa una referencia al diablo. San Gregorio Magno concluía así: "las extravagancias de los innovadores nacen de la vanagloria"; y Santo Tomás recuerda dos veces esta sentencia de San Gregorio precisamente en las cuestiones concernientes a la incredulidad (II-II, q. 10, a. 1).
Sin embargo, en nuestro caso las causas generales no son causas que se puedan concretar, donde se pueda señalar con el dedo aquí y decir "son éstas", o señalar con el dedo allá y decir "son aquéllas". Es el espíritu del mundo, el espíritu del mundo que ha asaltado y penetrado la Iglesia. No se puede indicar un hecho como causa, porque todos los hechos particulares que pudiéramos señalar son ya expresión de ese hecho genérico que, en cuanto genérico, ni siquiera puede denominarse hecho. La sustancia del mundo no se identifica todavía con la sustancia de la Iglesia, pero la ha corrompido y continúa corrompiéndola. ¿Cuál será la conclusión de este proceso? Eso es un secreto escondido en el corazón de Dios.
Las causas genéricas o difusas son la manifestación y la difusión de las causas individuales. Esta atmósfera de error no tiene otra causa que el individuo que yerra, y el error de los individuos es debido a alguna de esas causas comunes propias de la vida moral.

La primacía del Verbum, de la Verdad, del intelecto
Una noche, hace poco tiempo, tuve un sueño. Me encontraba ante el umbral, y el Santo Padre Roncalli (Juan XXIII) lo ocupaba. Había otras personas, que sin embargo yo no podía distinguir. Oí que al volverse a él le llamaban Santidad. En un cierto momento, yo hablé claramente y en voz muy alta, para decir estas palabras: "Santidad, hay algo de lo que el mundo tiene tanta necesidad... tanta, tanta, tanta, tanta [lo dije cuatro veces]: el intelecto, el intelecto, el intelecto, el intelecto [también esto lo dije cuatro veces]. Sin embargo hoy sólo nos predican el amor, ignorando que el Espíritu Santo procede del Verbo, es decir, el Amor procede de la Razón. De esta Razón, Santidad, nuestra religión, o nuestro sacerdocio, ya no hacen mención alguna". Cuando concluí, el Santo Padre, que tenía un libro en la mano, entró dejándolo sobre una mesa.
El primum es el intelecto. He dicho el intelecto, pero podría también decir la razón. Este sueño encubre una doctrina, una doctrina que desprecian hoy los hombres de Iglesia: la doctrina según la cual el primum no es el amor, sino el intelecto; no la voluntad, ni el movimiento, ni los impulsos, ni la piedad, sino la razón, el conocimiento, la verdad, la contemplación, el pensamiento, la idea, el Verbum.
Hoy los teólogos innovadores ya no sostienen como primum el Verbo, sino el Amor. Pero obrando así no puden sostener el Amor en su verdad, y el amor que sostienen es un amor falsificado: si el Amor pierde su relación esencial con la Razón, que es una relación de procedencia, el Amor mismo se desnaturaliza. El amor sin reglas confunde el amor de sí mismo con el amor a los demás y con el amor a cualquier cosa. Porque es precisamente el Verbo quien lo determina, es el Verbo quien establece el límite, el fundamento, el horizonte; el amor, por el contrario, es por sí mismo incapaz de cualquier determinación. Por consiguiente el Amor debe tener siempre una referencia a una cosa anterior al Amor: como un río, debe discurrir por su cauce, sin desbordarse, porque si no las mismas aguas saludables se convertirán en mortales. El Amor procede del Verbo, y su medida es el Verbo.
Romano Amerio

Fonte: Stat Veritas