quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A hermenêutica dos cães e dos porcos

 

Não lanceis aos cães as coisas santas, não atireis aos porcos as vossas pérolas, para que não as calquem com os seus pés, e, voltando-se contra vós, vos despedacem. Mt 7,6

O Concílio Vaticano II, foi convocado com o intuito de melhor expor a doutrina católica ao homem moderno. Mas se nós abrirmos as páginas do nosso Evangelho, não veremos essa preocupação em Jesus. Veremos sim, ele falando em parábolas para proteger a revelação de cães, lobos e porcos. Faltando está preocupação a Igreja, ela própria, pérola que é, fica desprotegida da ação nociva, destes “animais” nocivos, que acabaram sendo absorvidos no seio da Igreja, pelo culto do homem.

Na década de 1960 na Igreja Católica, reproduziu-se o mesmo efeito que a Renascença produziu em Martinho Lutero. O pseudo-reformador naquele tempo, já julgava que a raça dos cães, dos porcos e dos lobos, estava extinta, por isso deu a bíblia ao povo. Os resultados de se entregar aquilo que é santo na mão de todos, sem distinguir a quem se dava, podem ser visto em “igrejas” que fundamentaram (e fundamentam) a sua existência em fábulas ou naquilo que antes era claramente considerado heresia. Hoje por exemplo, existem “igrejas” que defendem os direitos dos homossexuais e outras coisas que nem de longe foram desejadas por Jesus. Embora os resultados da pseudo-reforma tenham sido devastadores em todos os campos de atuação da Igreja. Isto não foi o suficiente para que precauções fossem tomadas no último Concílio Ecumênico realizado na Igreja. Por um otimismo ingênuo, também acreditou-se que na década de 1960, apenas existia o homem. Cães, porcos e lobos, eram coisa apenas da magnífica Idade Média. Então conferiu-se a todos, a liberdade para se interpretar um Concílio Ecumênico e o resultado disto, podemos ver em toda Igreja, onde, seja no púlpito, na celebração da Missa, nas homílias e sermões, eles se fazem presentes. Seguiu-se a isto, o efeito óbvio de se desobedecer o Senhor (que já advertira a Igreja através de Pio XII e de sua Humani Generis*) e se dar o que é santo, a quem não deve ser dado, a “pérola” foi despedaçada pela hermenêutica da ruptura (Bento XVI) que teria gerado uma “para-ideologia” (segundo Mons. Guido Pozzo).

Pois bem, deram o que é santo a quem não devia ser dado, para melhor falar ao homem moderno. Romperam radicalmente com nosso Senhor, que não procurou inculturar o Evangelho para que cães, porcos e lobos pudessem entender (ele falou por parábolas…). Mas como na década de 1960 para o Concílio estes “animas” entre os homens estavam extintos, existindo só o homem, eles foram absorvidos no interior da Igreja. Logo em seguida se viu a obra que estavam dispostos a fazer no interior da Igreja: a sua demolição ou o despedaçamento da pérola. Isto aparece na alocução “Livrai-nos do mal” do Papa Paulo VI. Quando este falou em auto-demolição da Igreja, apenas reconheceu a obra dos cães, lobos e porcos. Não existe homens da Igreja que queiram demolí-la, o que existe são estes animais despedançando a pérola. Mas o que foi feito? E embora saltem aos olhos, a ação despedaçadora destes elementos (frutos da desobediência ao Senhor), em Roma o otimismo com relação ao homem, não cessa. Pedem nos que interpretemos o Concílio a luz da tradição e falam da hermenêutica da continuidade, como se fosse toda Igreja que devesse fazê-la. Não reconhecem a existência dos “animais” estranhos entre as ovelhas. E ainda pedem para que façamos, aquilo que compete ao magistério da Igreja fazer: tanto um quanto o outro e ao menos a interpretação do Concílio, este magistério deve proteger por DEVER DIVINO E CATÓLICO, contra a atuação dos cães e dos porcos.

Enquanto o magistério não voltar a ser o que sempre foi e tomar para si a responsabilidade de se interpretar o Concílio, os porcos continuaram tendo a liberdade para despedeçar a pérola e não saberemos o que realmente aconteceu na década de 1960. Uma coisa é certa, na década de 1960 através do culto do homem, cães, lobos e porcos, foram assumidos pela Igreja, iniciaram nela um processo de demolição e nada foi feito por parte do magistério para se conter as suas ações.

*Também é verdade que os teólogos devem sempre voltar às fontes da revelação; pois, a eles cabe indicar de que maneira "se encontra, explícita ou implicitamente" na Sagrada Escritura e na divina Tradição o que ensina o magistério vivo. Ademais, ambas as fontes da doutrina revelada contêm tantos e tão sublimes tesouros de verdade que nunca realmente se esgotarão. Por isso, com o estudo das fontes sagradas rejuvenescem continuamente as sagradas ciências; ao passo que, pelo contrário, a especulação que deixa de investigar o depósito da fé se torna estéril, como vemos pela experiência. Entretanto, isto não autoriza a fazer da teologia, mesmo da chamada positiva, uma ciência meramente histórica. Pois, junto com as sagradas fontes, Deus deu à sua Igreja o magistério vivo para esclarecer também e salientar o que no depósito da fé não se acha senão obscura e como que implicitamente. E o divino Redentor não confiou a interpretação autêntica desse depósito a cada um dos fiéis, nem mesmo aos teólogos, mas exclusivamente ao magistério da Igreja. Se a Igreja exerce esse múnus (como o tem feito com freqüência no decurso dos séculos pelo exercício, quer ordinário, quer extraordinário desse mesmo ofício), é evidentemente falso o método que pretende explicar o claro pelo obscuro; antes, pelo contrário, faz-se mister que todos sigam a ordem inversa. Eis porque nosso predecessor de imortal memória, Pio IX, ao ensinar que é dever nobilíssimo da teologia mostrar como uma doutrina definida pela Igreja está contida nas fontes, não sem grave motivo acrescentou aquelas palavras; "com o mesmo sentido com o qual foi definida pela Igreja".(3) Humani Generis - Pio XII

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A grande questão sobre a solução das hermenêuticas

Admitido e não concedido que o problema do Concílio se reduza a um problema de reta interpretação, espontaneamente surge a questão:

Para quem o Papa pede ajuda para garantir a hermenêutica da continuidade? Mas sobretudo, por quê pede ajuda a outro?

 

Do Davide Pagliarani – Il Magistero à l’único interprete del Magistero - Dottrina: L’ermeneutica dell’ermeneutica - Riflessioni sulle implicazioni e conseguenze ultime dell’ermenutica della continuità

Instrução pastoral do Cardeal Pie

Brasão do Cardeal Pie

ANTICRISTO

Instrução pastoral do Cardeal Pie - Quaresma 1863

Anticristo, o que nega que Jesus seja Deus; anticristo, o que nega que Jesus seja homem; anticristo, o que nega que Jesus seja homem e Deus ao mesmo tempo.
Um anticristo, nos diz São João, nega o Pai, pois negando o Pai nega o Filho: Hic est antichristus qui negat Patrem et filium (I Jo. 2, 22). De fato, não há anticristianismo mais radical do que aquele que nega a divindade em sua raiz, em seu princípio. Como o Cristo seria Deus se Deus não existisse? Ora, negar o ser divino, a substância divina, a personalidade divina e introduzir não sei que outra teodicéia é prova de que suprimem a realidade, substituindo-a por abstrações e sonhos que flutuam entre o ateísmo e o panteísmo ou que não têm sentido algum. Eis o sistema capital da atual situação intelectual; eis o ensinamento que enche os livros e inspira as lições de toda uma escola, abundante e poderosa. Diante de tais doutrinas, “só tenho uma coisa a dizer-vos: cuidado com o anticristo”: Unum moneo: cavete antechristum.
São João continua: “Todo aquele que nega o Filho, também não reconhece o Pai. O que crê no Filho de Deus, tem em si o testemunho de Deus. O que não crê no Filho, torna Deus mentiroso, porque não crê no testemunho que Deus deu de seu Filho. Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho, não tem a vida” (I Jo. 2,23; 5, 10-12). “Muitos sedutores se têm levantado no mundo, que não confessam que Jesus Cristo tenha vindo em carne; quem faz isso é um sedutor e um anticristo”: “Qui non confiteur Christum in carne venisse, hic est seductor et antichristum” (II Jo. 7). Ora, se os senhores escutarem o que se diz hoje e se lerem o que se escreve atualmente, descobrirão ou que o personagem histórico Jesus nem chegou a existir (ao menos como é representado nos Evangelhos) ou que foi um desses tipos que manifestou mais fortemente o ideal de sabedoria, de razão, de perfeição e que convencionou-se denominar “Deus”. Jamais admitirão que o Filho de Maria seja o Filho de Deus feito homem, o Verbo feito carne, aquele em que reside corporalmente a plenitude da divindade (Col. 2, 9), e, para concluir definitivamente, o Homem-Deus. Aterrorizado com tais blasfêmias, que são a própria inversão do símbolo cristão, “só tenho uma coisa a dizer-vos: cuidado com o anticristo”: “Unum moneo: cavete antechristum”.
Que diria eu ainda? Anticristo, o que nega o milagre, o que ensina que o milagre não tem lugar possível na trama das coisas humanas. Cristo, ainda que suas palavras tivessem um tom que merecesse credibilidade, só estabeleceu sua divindade pelo argumento decisivo do milagre. Ele deu a seus apóstolos, como meio de persuasão e conquista, o poder de operar milagres. Sua vinda ao mundo em carne, a união entre a natureza humana e a natureza divina em uma única pessoa é o milagre por excelência. Suprimir o milagre é suprimir toda a ordem sobrenatural e cristã. Aqui repito: “Cuidado com o anticristo”: “Unum moneo: cavete antechristum”.
Anticristo, aquele que nega a revelação divina das Escrituras: pois são os profetas divinamente inspiradas que nos anunciaram o Cristo. São os Evangelhos ditados pelo Espírito Santo, assim como os atos e as cartas dos Apóstolos que nos fazem conhecer a Cristo. Podemos alegar as próprias palavras de Santo Hilário: “Quem quer que negue o Cristo tal como foi anunciado pelos Apóstolos, este é um anticristo”: “Quisquis enim Christum, qualis ab apostolis est praedicatus, negavit, antichristum est”. Se os senhores ouvirem negar os livros santos, se sua autoridade for desprezada como simples concepção e invenção do espírito humano, “tenho um conselho a dar: cuidado com o anticristo”: “Unum moneo: cavete antechristum”.
Anticristo, aquele que nega a instituição divina a missão divina da Igreja, pois a conclusão, a finalização das obras, dos sofrimentos e da morte de Jesus Cristo foi a fundação de sua Igreja. “Cristo amou a Igreja e por ela se entregou a si mesmo, para a santificar, purificando-a no batismo da água pela palavra da vida, para apresentar a si mesmo esta Igreja gloriosa, sem mácula, sem ruga, mas santa e imaculada” (Ef. 5.25-27). Ora, se a Igreja não possui um caráter sobrenatural, se ela é somente uma instituição terrena, um dos estabelecimentos religiosos destinados a desempenhar um papel mais ou menos longo no seio da humanidade, uma sociedade exposta às vicissitudes e falhas das coisas desse mundo, uma escola mais ou menos respeitável de filosofia e filantropia, numa palavra, se a Igreja não é divina, é que Cristo, seu fundador, não é Deus. Rejeitar a divindade da obra é rejeitar a divindade do autor: “Tenho sempre a mesma recomendação a dar: cuidado com o anticristo”: “Unum moneo: cavete antechristum”.
Anticristo, aquele que nega a suprema e indefectível autoridade de Pedro. Na verdade, Jesus Cristo, depois de ter olhado nos olhos desse homem, disse-lhe: “Simão, filho de João, tu serás chamado Cefas que quer dizer Pedro” (Jo. 1, 42); “e sobre esta pedra Eu edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão sobre ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; e tudo o que desatares sobre a terra, será desatado nos céus” (Mt. 16, 18-19). E o mesmo Jesus lhe disse ainda: “Simão, Simão, eis que Satanás te reclamou com instância para te joeirar como trigo; mas eu roguei por ti, para que tua fé não falte; e tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos” (Lc. 22, 31-32). Se essas palavras de Jesus Cristo não fizeram de Pedro o fundamento inabalável da Igreja, a rocha imutável da verdade, o oráculo infalível da fé, é porque quem as pronunciou não tinha o poder de torna-las eficazes. Ferir Pedro é ferir a cabeça viva, o chefe invisível da Igreja cristã que nele revive e subsiste. “Clamo ainda: cuidado com o anticristo”: “Unum moneo: cavete antichristum”.
Anticristo, aquele que nega ou despreza o sacerdote cristão. Jesus Cristo ressuscitado disse a seus apóstolos: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo. 20, 21). “Foi-me dado todo o poder no céu e na terra. Ide, pois, ensinai a todas as gentes, batizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as observar todas as coisas que vos mandei; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt. 28, 18-20). Se os poderes assim conferidos por Jesus não são os plenos poderes de ensinar a verdade em nome de Deus pela pregação, de administrar a graça dos sacramentos, de velar pela observância dos preceitos divinos pelo governo eclesiástico e se, no exercício de seus poderes, o sacerdócio cristão não for sustentado por uma assistência contínua e uma presença quotidiana de Cristo, aqui ainda, deve-se admitir que Cristo falou mais do que podia fazer. Conseqüentemente, ele não é Deus. O Senhor disse aos próprios levitas da antiga lei: “Não toqueis os meus ungidos” (I Par. 16, 22), e disse aos ministros da nova lei: “O que vos recebe, a Mim recebe; e o que Me recebe, recebe Aquele que Me enviou” (Mt. 10, 40); sabendo disso, quando vejo a língua de meu país se depravar até chegar a transforma em título de insulto e desdém essa primícia sacerdotal e real chamada clericatura, e que o vocabulário tinha sido por muito tempo sinônimo de saber e de instrução, me sinto tomado de imensa piedade por uma geração cuja própria elite sucumbe a tal baixeza e se mostra culpada de tal esquecimento e desrespeito em relação ao que todos os povos tiveram de mais sagrado. E “repito sempre a mesma lição: cuidado com o anticristo: unum moneo: cavete antichristum”.
Anticristo, aquele que nega a superioridade dos tempos e países cristãos sobre os tempos e países infiéis ou idólatras. Se Jesus Cristo, que nos iluminou quando estávamos nas trevas e nas sombras da morte, e deu ao mundo o tesouro da verdade e da graça, não enriqueceu o mundo com bens superiores aos possuídos no seio do paganismo, [e falo até mesmo do mundo social e político] é que a obra do Cristo não é uma obra divina. Além disso: se o Evangelho que salva os homens é impotente para fornecer os princípios do verdadeiro progresso dos povos; se a luz revelada, proveitosa aos indivíduos é prejudicial às sociedades, e talvez até para as famílias, é prejudicial e inaceitável para as cidades e os impérios; em outros termos, se Jesus Cristo, que os profetas prometeram e a quem o Pai deu as nações como herança, só pode exercer seu poder sobre elas em seu detrimento e para sua infelicidade temporal, tem de se concluir que Jesus Cristo não é Deus. Porque nem em Sua pessoa nem no exercício dos Seus direitos, Jesus Cristo pode ser dividido, dissolvido, fracionado. Nele, a distinção das naturezas e das operações nunca poderá ser a separação, a oposição. O divino não pode ser antipático ao humano, nem o humano ao divino. Ao contrário, ele é a paz, a aproximação, a reconciliação, é o traço de união “que faz de duas coisas, uma”: “ipse est pax nostra qui fecit utraque unum” (Ef. 2, 14). Por isso São João nos diz: “todo espírito que divide Jesus não é de Deus; mas este é um anticristo do qual vós ouvistes que vem, e agora está já no mundo”. “Et omnis spiritus qui sivit Jesum, ex Deo non est; et hic est antichristum de quo audistis quoniam venit, et nunc jam in mundo est” (I Jo. 4, 3). Quando ouço então certos ruídos que surgem, certos aforismos que prevalecem com maior freqüência dia a dia e se introduzem no coração das sociedades, dissolvendo-as sob a ação daquele por quem o mundo há de perecer, “lanço um grito de alarme: cuidado com o anticristo”: “unum moneo: cavete antichristum”.
Poderíamos, caros irmãos, nos estender sobre os detalhes dos erros que se propagam a cada dia em nosso redor, que constituem o que poderíamos chamar anticristianismo. O que dissemos é mais do que suficiente para excitar em nós a vigilância e desconfiança de qualquer doutrina que não proceda da Igreja (...).
Permaneçamos firmes na fé antiga e invariável da Santa Igreja; “sejam homens e não crianças flutuantes, e levadas, ao sabor de todo vento de doutrina, pela malignidade dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro” (Ef. 4, 14). O divino Salvador disse, profetizando os tempos de ruína de Jerusalém: “Mas ai das mulheres grávidas e das que tiverem crianças de peito naqueles dias!” (Mt. 24, 19). Santo Hilário nos explica essa passagem: “Nos dias difíceis e de tempestade da Igreja, ai das almas minadas pela incerteza e nas quais a fé e a piedade estiverem ainda em estado embrionário ou ainda na infância. Umas, surpreendidas no embaraço de suas incertezas e atrasadas por causa das irresoluções de seu espírito constantemente irrequieto, estarão muito pesadas para escapar às perseguições do anticristo. Outras, tendo apenas degustado os mistério da fé em embebidas somente de uma fraca dose de ciência divina, não terão força suficiente e habilidade necessário para resistir a tão grandes assaltos” (Comment. In Mat. 25. 6). É esse o peso e debilitação das almas que hão de tornar os últimos tempos tão perniciosos, propícios a tantas quedas.
Por outro lado, Santo Agostinho ressalta o quanto esses dias de provações serão favoráveis ao embelezamento e crescimento do mérito das almas fieis. Comentando a passagem do Apocalipse: “depois disso é necessário que o demônio seja solto por um pouco de tempo” (Ap. 20, 3), o santo doutor nos mostra que o demônio nunca está preso de maneira absoluta durante a vida da Igreja militante. Entretanto, ele fica freqüentemente preso no sentido de que não lhe é permitido utilizar sua força toda nem todos os seus artifícios para seduzir os homens.
A enfermidade do grande número é tal que, se ele tivesse esse pleno poder ao longo de todos os séculos, muitas almas com que Deus quer aumentar e povoar sua Igreja seriam desviadas da verdadeira crença ou tornar-se-iam apóstatas: isso Deus não quer suportar. Eis porque o demônio fica parcialmente atado. Porém, por outro lado, se ele nunca fosse solto, o poder de sua malícia seria menos conhecido; a paciência da Cidade Santa menos exercida e compreenderíamos menos o imenso fruto que o Todo Poderoso soube tirar da imensa força do mal. O Senhor então desatá-lo-á por um tempo a fim de mostrar a energia com a qual a cidade de Deus vencerá tão horrível adversário, para a grande glória de seu redentor, de seu auxílio, de seu libertador. E o santo doutor chega a dizer a seus contemporâneos: “Quanto a nós, irmãos, quem somos e que mérito possuímos em comparação aos santos e fiéis de então? Porque, para prova-los, o inimigo que nós já temos tanta dificuldade em combater e vencer atado, estará desatado”.
Coragem, meus caros irmãos. Quanto mais a religião é atacada, a Igreja oprimida por todos os lados, quanto mais as doutrinas errôneas e de perversão moral invadem os discursos, livros e teatros e enchem a toda a atmosfera com seus miasmas pestilentos, mais possível será adquirir grandeza, perfeição e mérito diante de Deus, se não nos deixarmos abalar em nenhuma de nossas convicções e permanecermos fiéis ao Senhor Jesus, coisa em que muitos outros falharam e tiveram a desgraça de abandona-Lo. Não vos deixai seduzir pela força e número dos perversos, nem pelas aparentes vitórias dos adversários de Jesus Cristo. Está escrito que os maus e os sedutores farão a terra progredir; progresso no mal, progresso na destruição, progresso na desordem: proficient in pejusirão de mal a pior” (II Tim. 3, 13). Mas também está escrito que esse tipo de sucesso nunca durará por muito tempo. Os homens que resistem à verdade, pessoas corrompidas em seu espírito e réprobos sob o olhar da fé não tardarão a se convencer dessa loucura juntamente com seus seguidores nessa via.
Perseverai na fé, caríssimos irmãos; perseverai também nas obras, sobretudo nas obras de caridade. É uma doutrina constante e que não deve ser abandonada a nenhum preço: aqueles que crêem em Deus são os que tomam a frente das boas obras: a humanidade, e principalmente, a humanidade sofredora encontrará sempre consolo desse modo. Não ouvimos dizer também, que nesses últimos dias, a esmola feita por sentimento sobrenatural e segundo as tradições da piedade cristã não terá lugar no seio de nossas sociedades e que seu “selo eclesiástico” será uma ofensa à dignidade dos necessitados que se tenta aliviar? O naturalismo, o ardor que põe na secularização de tudo, entende que fazer o bem é obra puramente humana, profana e não tem nada em comum com a ordem da graça e da salvação. Propósito execrável, e se pudesse chegar a desencorajar a caridade cristã e sacerdotal, conseguiria neutralizar as mais oportunas fontes de alívio dos infelizes. Ah! Eu vos diria ainda: “cuidado com o anticristo”: “unum moneo: cavete antichristum”. Mas tenham os olhos sempre fixos em Cristo; no menino Jesus do estábulo de Belém; no operário-Deus do ateliê de Nazaré; naquele que, sendo rico por natureza fez-se pobre para nos enriquecer com sua humilhação; naquele que será um dia nosso juiz, e que, em consideração com essa multidão de operários indigentes e privados de trabalho que terá sido aliviada por amor a Ele, nos fará possuir o reino que seu Pai nos preparou.        

(Revista Sim Sim Não Não N°146  Janeiro-Fevereiro de 2006)

Originalmente publicado na Permanência

domingo, 26 de dezembro de 2010

Sermão n° 23: «Natal do Senhor»

São Leão Magno

Sermão n° 23: «Natal do Senhor»

(P.L. 54, 199 ss)

á muitas vezes, caríssimos, ouvistes falar e fostes instruídos a respeito do mistério da solenidade de hoje; porém, assim como a luz visível enche sempre de prazer os olhos sadios, também aos corações retos não cessa de causar regozijo a natividade do Senhor.

Jamais devemos deixá-la transcorrer em silêncio, embora não possamos condignamente explaná-la, pois aquela palavra: "a sua geração, quem a poderá explicar?" 1 se refere certamente não só ao mistério pelo qual o Filho de Deus é co-eterno com o Pai, mas ainda a este nascimento em que "o Verbo se fez carne" 2.

O Filho de Deus, que é Deus como seu Pai, que recebe do Pai sua mesma natureza, Criador e Senhor de tudo, que está presente em toda parte e transcende o universo inteiro, na seqüência dos tempos que, de sua providência dependem, escolheu para si este dia, a fim de, em prol da salvação do mundo, nele nascer da bem-aventurada Virgem Maria, conservando intacto o pudor de sua mãe. A virgindade de Maria não foi violada no parto, como não fora maculada na conceição, "a fim de que se cumprisse - diz o evangelista - o que foi pronunciado pelo Senhor, através do profeta Isaías: Eis que uma virgem conceberá no seu seio e dará à luz um filho, ao qual chamarão Emanuel, que quer dizer Deus conosco" 3.

O admirável parto da sagrada Virgem trouxe à luz uma pessoa que, em sua unicidade, era verdadeiramente humana e verdadeiramente divina, já que as duas naturezas não conservaram suas propriedades de modo tal que se pudessem distinguir como duas pessoas: não foi apenas ao modo de um Habitador em seu habitáculo que o Criador assumiu a sua criatura, mas, ao contrário, uma natureza como que se adicionou à outra. Embora duas naturezas, uma a assumente e outra assumida, é tal a unidade que formam, que um único e mesmo Filho poderá dizer-se, enquanto verdadeiro homem, menor que o Pai 4 e enquanto verdadeiro Deus, igual ao Pai 5.

Uma unidade dessas, caríssimos, entre Criador e criatura, o olhar cego dos arianos não pôde entender, os quais, não crendo que o Unigênito de Deus possua a mesma glória e substância do Pai, afirmaram ser menor a divindade do Filho, argumentando com as palavras (evangélicas) que dizem respeito à forma de servo 6.

Ora, o próprio Filho de Deus, para mostrar como essa condição de servo nele existente não pertence a uma pessoa estranha e distinta, com ela mesma nos diz: "eu e o Pai somos uma só coisa" 7

Na natureza de servo, portanto, que ele, na plenitude dos tempos, assumiu em vista da nossa redenção, é menor do que o Pai; mas na natureza de Deus, na qual existia desde antes dos tempos, é igual ao Pai. Em sua humildade humana, foi feito da mulher, foi feito sob a Lei 8, continuando a ser Deus, em sua majestade divina, o Verbo divino, por quem foram feitas todas as coisas 9. Portanto, aquele que, em sua natureza de Deus, fez o homem, revestiu uma forma de servo, fazendo-se homem; é o mesmo o que é Deus na majestade desse revestir-se e homem na humildade da forma revestida. Cada uma das naturezas conserva integralmente suas propriedades: nem a de Deus modifica a de servo, nem a de servo diminui a de Deus. O mistério, pois, da força unida à fraqueza, permite que o Filho, em sua natureza humana, se diga menor do que o Pai, embora em sua natureza divina lhe seja igual, pois a divindade da Trindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo é uma só. Na Trindade o eterno nada tem de temporal, nem existe dissemelhança na divina natureza: lá a vontade não difere, a substância é a mesma, a potência igual, e não são três Deuses, unidade verdadeira e indissociável é essa, onde não pode existir diversidade.

Nasceu pois numa natureza perfeita e verdadeira de homem o verdadeiro Deus, todo no que é seu e todo no que é nosso. "Nosso" aqui dizemos que o Criador criou em nós no início, e depois assumiu para restaurar. O que, porém, o sedutor (o demônio) introduziu e o homem, ludibriado, aceitou, isso não teve nem vestígio no Salvador, pois comungando com nossas fraquezas não participou dos nossos delitos. Elevou o humano sem diminuir o divino, dado que a exinanição em que o Invisível se nos mostrou visível foi descida de compaixão, não deficiência de poder.

Assim, para sermos novamente chamados dos grilhões originais e dos erros mundanos à eterna bem-aventurança, aquele mesmo a quem não podíamos subir desceu até nós. Se, realmente, muitos eram os que amavam a verdade, a astúcia do demônio iludia-os na incerteza de suas opiniões, e sua ignorância, ornada com o falso nome de ciência, arrastava-os a sentenças as mais diversas e opostas. A doutrina da antiga Lei não era bastante para afastar essa ilusão que mantinha as inteligências no cativeiro do soberbo demônio. Nem tampouco as exortações dos profetas lograriam realizar a restauração de nossa natureza. Era necessário que se acrescentasse às instituições morais uma verdadeira redenção, necessário que uma natureza corrompida desde os primórdios renascesse em novo início. Devia ser oferecida pelos pecadores uma hóstia ao mesmo tempo participante de nossa estirpe e isenta de nossas máculas, a fim de que o plano divino de remir o pecado do mundo por meio da natividade e da paixão de Jesus Cristo atingisse as gerações de todos os tempos e, longe de nos perturbar, antes nos confortasse a variação dos mistérios no decurso dos tempos, desde que a fé, na qual hoje vivemos, não variou nas diversas épocas.

Cessem, por isso, as queixas dos que impiamente murmuram contra a divina providência e censuram o retardo da natividade do Senhor, como se não tivesse sido concedido aos tempos antigos o que se realizou na última idade do mundo. A Encarnação do Verbo podia conceder, já antes de se realizar, os mesmos benefícios que outorga aos homens, depois de realizada; o ministério da salvação humana nunca deixou de se operar. O que os apóstolos pregaram, os profetas prenunciaram; não foi cumprido tardiamente aquilo a que sempre se prestou fé. A sabedoria, porém, e a benignidade de Deus, cem essa demora da obra salutífera, nos fez mais capazes de nossa vocação, pois o que fora prenunciado por tantos sinais, tantas vezes e tantos mistérios, poderíamos reconhecer sem ambigüidade nestes dias do Evangelho. A natividade, mais sublime do que todos os milagres e do que todo o entendimento, geraria em nós uma fé tanto mais firme quanto mais antiga e amiudada tivesse sido antes sua pregação. Não foi, pois, por deliberação nova ou por comiseração tardia que Deus remediou a situação do homem, mas, desde a Criação do mundo instituíra uma e mesma causa de salvação, para todos. A graça de Deus, que justifica os santos, foi aumentada com o nascimento de Cristo, não foi simplesmente principiada. E esse mistério da compaixão, esse mistério que hoje já enche o mundo, fora tão potente em seus sinais prefigurativos que todos os que nele creram, quando prometido, não conseguiram menos do que os que o conheceram realizado.

São assim, caríssimos, tão grandes os testemunhos da bondade divina para conosco que, para nos chamar à vida eterna, não apenas nos ministrou as figuras, como aos antigos, mas a própria Verdade nos apareceu, visível e corpórea. Não seja, portanto, com alegria profana ou carnal que celebremos o dia da natividade do Senhor. celebra-lo-emos dignamente se nos lembrarmos, cada um de nós, de que Corpo somos membros e a que Cabeça estamos unidos, cuidando que não se venha a inserir no sagrado edifício uma peça discordante.

Considerai atentamente, caríssimos, sob a luz do Espírito Santo, quem nos recebeu consigo e quem recebemos conosco: sim, como o Senhor se tornou carne nossa, nascendo, também nós nos tornamos seu Corpo, renascendo. Somos membros de Cristo e templos do Espírito Santo e por isto o Apóstolo diz: "Glorificai e trazei a Deus no vosso corpo" 10. Apresentando-nos o exemplo de sua humildade e mansidão, o Senhor comunica-nos aquela mesma força com que nos remiu, conforme prometeu: "Vinde a mim, vós todos, que trabalhais e estais sobrecarregados, e eu vos reconfortarei. Tomai o meu jugo sobre vós e aprendei de mim que sou manso e humilde de coração, e encontrareis repouso para vossas almas" 11.

Tomemos, portanto, o jugo, em nada pesado e em nada áspero, da Verdade que nos guia e imitemos na humildade aquele a cuja glória queremos ser configurados. Que nos auxilie e nos conduza às suas promessas quem em sua grande misericórdia é poderoso para apagar nossos pecados e completar seus dons em nós, Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina pelos séculos dos séculos. Assim seja.


Fonte:

GOMES, Cirilo Folch, OSB. Antologia dos Santos Padres. Coleção "Patrologia". Ed. Paulinas, São Paulo, 1985.

Notas:

[1] Jo 53, 8;

[2] Jo 1, 14;

[3] Mt 1, 23 (cf. Is7, 14);

[4] Jo 14, 38;

[5] Jo 10, 30;

[6] FI 2, 6;

[7] Jo 10, 30;

[8] Gl 4, 4;

[9] Jo 1, 3;

10 1Cor 6,20;

[11] Mt 11, 28s.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Declaração do Pe. Camel

 

Pe. R.-TH. Calmel, O.P

Pe. R.-TH. Calmel, O.P

Pe. Calmel

Eu conservo a MISSA TRADICIONAL, aquela que foi codificada, não fabricada, por São Pio V. no século XVI, conforme um costume multissecular. Eu recuso, portanto, o ORDO MISSAE de Paulo VI.

Por quê? Porque na realidade, este Ordo Missae não existe. O que existe é uma Revolução litúrgica universal e permanente, patrocinada ou desejada pelo Papa atual, e que se reveste, momentaneamente, da máscara de Ordo Missae de 3 de abril de 1969. É direito de todo e qualquer padre recusar-se a vestir a máscara desta Revolução litúrgica. Julgo ser meu dever de padre recusar celebrar a Missa num rito equívoco.

Se aceitamos este rito, que favorece a confusão entre a Missa católica e a Ceia protestante — como o dizem de maneira equivalente dois cardeais e como o demonstram sólidas análises teológicas — então cairemos sem tardar de uma Missa ambivalente (corno de fato o reconhece um pastor protestante) numa missa totalmente herética e portanto nula. Iniciada pelo Papa, depois abandonada por ele às igrejas nacionais, a reforma revolucionária da Missa seguirá sua marcha acelerada para o precipício. Como aceitar ser cúmplice?

Perguntar-me-iam: Mantendo a Missa de sempre, em oposição a todos e contra todos, o senhor refletiu a que se expõe? Sim. Eu me exponho, se assim posso dizer, a perseverar no caminho da fidelidade a meu sacerdócio, e, portanto, prestar ao Sumo Sacerdote, nosso Supremo Juiz, o humilde testemunho de meu oficio de padre. Exponho-me a dar segurança aos fiéis desamparados, tentados de cepticismo ou de desespero. De fato, todo e qualquer padre que conserve o rito da Missa codificado por São Pio V, o grande Papa dominicano da Contra-reforma, permitirá aos fiéis participar do Santo Sacrifício sem equívoco possível; comungar, sem risco de ser enganado, o Verbo de Deus Encarnado e imolado, tornado realmente presente sob as sagradas espécies. Aliás, o padre que se submete ao novo rito, inteiramente forjado por Paulo VI, colabora, de sua parte, para instaurar progressivamente urna Missa falsa, em que a presença de Cristo já não será real, mas transformada num memorial vazio; e por isso mesmo o Sacrifício da Cruz já não será real e sacramentalmente oferecido a Deus; enfim, a comunhão não passará de uma ceia religiosa em que se comerá um pouco de pão e se beberá um pouco de vinho; nada mais do que isso; como entre os protestantes.

Não consentir em colaborar para a instauração revolucionária de uma missa equívoca, orientada para a destruição da Missa, será entregar-se a certas desventuras temporais, e certas desgraças neste mundo? O Senhor o sabe, e Sua graça basta. Na verdade, a graça do Coração de Jesus, que chega até nós pelo Santo Sacrifício e pelos Sacramentos, sempre é suficiente. É por isso que Nosso Senhor nos diz tão tranqüilamente: “Aquele que perder a sua vida neste mundo por minha causa, salva-la-á na vida eterna”.

Reconheço sem nenhuma hesitação a autoridade do Santo Padre. Afirmo, no entanto, que qualquer Papa, no exercício de sua autoridade, pode cometer abusos de autoridade. Sustento que Paulo VI comete um abuso de autoridade de gravidade excepcional quando constrói um rito novo da Missa baseado numa definição de Missa que deixou de ser católica. “A Missa”, escreve ele em seu Ordo Missae, “é a reunião do povo de Deus, presidida por um sacerdote, para celebrar o memorial do Senhor”. Esta definição insidiosa omite propositadamente aquilo que faz católica a Missa católica, sempre irredutível à ceia protestante. Porque na Missa católica não se trata de um memorial qualquer, o memorial é de tal natureza, que contém realmente o Sacrifício da Cruz, porque o Corpo e o Sangue de Cristo se tornam realmente presentes por virtude da dupla consagração. Isto aparece, de modo a não permitir engano, no rito codificado por São Pio V; mas aparece flutuante e equívoco no rito fabricado por Paulo VI.

Da mesma maneira, na Missa católica o padre não exerce uma simples presidência; marcado com um caráter divino que o põe à parte por toda a eternidade, ele é o ministro de Cristo que, por si mesmo, realiza a Missa; é inadmissível que o padre seja assemelhado a um pastor qualquer, delegado dos fiéis para liderar sua assembléia. O que é perfeitamente evidente no rito da Missa ordenado por São Pio V torna-se dissimulado, senão escamoteado, no novo rito.

Portanto, não só a simples honestidade mas infinitamente mais: a honra sacerdotal, exigem de mim não ter a impudência de traficar a Missa católica, recebida no dia de minha ordenação. E porque se trata de ser leal, e principalmente em matéria de gravidade divina, não há autoridade no mundo, ainda que seja a autoridade pontifícia, que mo possa impedir.

Outrossim, a primeira prova de fidelidade e de amor que o padre deve dar a Deus e aos homens é guardar intacto o depósito infinitamente precioso que lhe foi confiado quando o bispo lhe impôs as mãos. É primeiramente sobre esta prova de fidelidade e de amor que serei julgado pelo Supremo Juiz.

Espero, com toda a confiança, da Virgem Maria, Mãe do Sumo Sacerdote, que me conceda permanecer fiel até à morte à Missa católica, verdadeira e sem equívoco.

Tuus sum ego, salvum me fac.

Pe. R.-TH. Calmel, O.P.

Pe. Calmel morreu em 1975, fiel à Missa de sempre, rejeitando com toda a alma a Missa nova de Paulo VI.

Fonte: Associação Cultural Santo Tomás

sábado, 18 de dezembro de 2010

TRATADO SOBRE A TRADIÇÃO DIVINA DO CARDEAL FRANZELIN

 

SIM SIM NÃO NÃO

“O vosso falar seja SIM SIM NÃO NÃO; porque tudo o que passa disso vem do Maligno” (Mt. 5,37)

Ubi veritas et iustitia, ibi caritas

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“Jamais se vence o erro sacrificando-se qualquer direito da verdade.” Santo Irineu

CARDEAL FRANZELIN

Depois da publicação no ano passado de Tradição e Modernismo do cardeal Billot, as edições "Courrier de Rome" acabam de publicar a primeira tradução francesa do Tratado sobre a Tradição divina do cardeal Franzelin (400 páginas, 21 euros + taxa de correio).

O padre Jean-Michel Gleize, professor de eclesiologia no Seminário Internacional São Pio X em Écône, assegurou a tradução do tratado do cardeal Franzelin, acrescentando uma apresentação e notas substanciais quefacilitam enormemente a leitura.

Elevado ao cardinalato pelo papa Pio IX em 1876, Jean-Baptiste Franzelin (1816-1886) ensinou teologia dogmática durante vinte anos no Colégio Jesuíta de Roma. Teólogo consultor do prmeiro concílio Vaticano em 1870, ele publicou nesse mesmo ano um tratado sobre a tradição, o De traditione divina, que o tornou célebre e que é considerado a justo título como obra de referência sobre o assunto. Franzelin não se contenta em apresentar, com perfeito domínio de erudição, todas as fontes da patrologia grega e latina. Seu tratado é construído como uma obra propriamente científica deve ser. As duas funções da teologia, a positiva e a especulativa, estão aqui presentes para definir precisamente o conceito de tradição, na mais estreita dependência das fontes da revelação. Aobra de Franzelin põe o dedo na chaga do vício radical do sistema protestante, que repousa em grande parte sobre a recusa desse dogma católico da Tradição Divina. O livro mantém toda sua atualidade sobretudo nesse momento em que a falsa noção de tradição viva que está no centro dos ensinamentos do concílio Vaticano II dá margem a tantas confusões doutrinais que alimentam muitos fiéis da Igreja católica.

TRATADO SOBRE A TRADIÇÃO DIVINA

DO

CARDEAL FRANZELIN

1- Uma obra que não envelheceu

2-A vantagem de uma tradução

3- Breve exame crítico do Protestantismo

4- Constância e Unanimidade da Pregação da Igreja

4.2- Um magistério vivo

4.3 - Nas antípodas da nova tradição viva

5- Magistério hierárquico e crença dos fiéis

6- Em caso de necessidade: recurso à doutrina de sempre

7-A atualidade de Franzelin

1- Uma obra que não envelheceu

O Cardeal João Batista Franzelin, da Companhia de Jesus, morreu em 11 de dezembro de 1886, em Roma, deixando atrás de si a imagem de um religioso exemplar. Ele ficou famoso sobretudo por sua obra mestra De traditione divina, o grande tratado teológico sobre a Tradição, publicado em 1870. É a obra prima do mestre, e como todas as obras primas, não envelheceu. Aqueles que desejam se debruçar seriamente sobre os textos do concílio Vaticano II, para analisar as dificuldades que eles colocam à consciência dos católicos, não podem ignorar o estudo de Franzelin; porque a pedra angular em que repousa uma boa parte da nova eclesiologia, a nova teologia do magistério e da fé, é a ideia modernista de "tradição viva". O tratado de Franzelin contribui profundamente para fundamentar a argumentação dos que procuram resolver os problemas levantados pelo último concílio.

2-A vantagem de uma tradução

Num episódio que ficou famoso, São Jerônimo desmascarou, com certa severidade, a tática da areia nos olhos: "Nada mais fácil - diz ele - do que seduzir uma plebe vulgar e ignorante com um discurso volúvel, pois quanto menos ela entende, mais ela admira1". Hoje em dia, todos nós fazemos mais ou menos parte dessa plebe vulgar e ignorante, porque o desconhecimento do latim tende a se generalizar. O acesso às obras dos grandes teólogos anteriores ao último concílio tornam-se cada vez de acesso mais difícil. Quem quiser pode mentir à vontade ou abusar da situação...

A vantagem de uma tradução2 é dar acesso ao verdadeiro pensamento do autor: cada um pode julgar, com bases firmes, sem glosas nem oráculos. É Franzelin quem fala.

O tratado de Franzelin comporta quatro granoes partes, totalizando 26 teses (ou capítulos). A primeira parte (teses 1-12) estuda detalhadamente a noção de Tradição Divina. É a parte mais importante e mais longa, correspondente a metade da obra. A segunda parte (teses 13-17) é consagrada aos monumentos da Tradição, isto é, às fontes graças as quais a Tradição é conservada e chega até nós. A terceira parte (teses 18-21) examina a natureza das relações existentes entre s Tradição e a Escritura. Enfim, a quarta parte (teses 22-26) versa sobre a explicitação do dogma e mostra err que sentido pode-se admitir um certo progresso dz Tradição.

3- Breve exame crítico do Protestantismo

A primeira preocupação de Franzelin é dar urr golpe de misericórdia no protestantismo. E ele faz issc com método, indicando imediatamente o ponto centra do debate: "Existe, fora das escrituras, um outro órgão graças ao qual se conserva com toda segurança a doutrina pura e íntegra transmitida um sua origem por Cristo e pelos apóstolos? Os protestantes são obrigados a negar, se querem salvaguardar sua heresia3".

O essencial da refutação encontra-se na tese 20, em que Franzelin explica a existência da Tradição Divina, tal qual o magistério da Igreja a transmite, propõe de viva voz, e que passa à frente das Escritura inspiradas4.

O princípio sobre o qual repousa todo o protestantismo é, na verdade, a própria negação da Tradição. Ele enuncia assim: "Cremos, confessamos e ensinamos que há uma só regra e única norma segundo a qual se deve estimar e julgar todos os dogmas e todos os doutores, e não há outra senão os escritos dos profetas e dos apóstolos, no Antigo e no Novo Testamento". Mas esse princípio não se encontra em nenhum lugar nos escritos inspirados, nem no Antigo nem no Novo Testamento. "Eis porque - conclui Franzelin - se os protestantes partem do princípio que não se deve crerem nada fora da Escritura, pelo próprio fato eles crêem e impõem à crença, como primeiro princípio, [...] um postulado que não está na Escritura e que eles apresentam como o dogma deles. Enunciando esse princípio segundo o qual eles negam que se deva crer outra coisa além da Escritura, os protestantes afirmam por esse mesmo fato que se deve crer no que não está na Escritura e há aí uma contradição manifesta".

Isso não é tudo. "Todas as seitas protestantes ainda sustentam, tanto em sua profissão de fé quanto na prática, certas posições que não puderam deixar de pedir emprestado à tradição da Igreja Católica, pois não estão consignadas em parte alguma das Escrituras". Por exemplo, a inspiração dos livros santos ou ainda a santificação dos domingos em vez do sábado. "Essas crenças, observa Franzelin justamente, repousam unicamente sobre a Tradição e a autoridade do magistério da Igreja católica, não se encontra vestígio nenhum escrito delas".

A conclusão impõe-se: "Eis porque esse princípio de base do protestantismo, tal como eles o enunciam em seus símbolos de fé, implica contradição em si mesmo e contradiz todo o resto de sua doutrina".

Eis aí a contradição onde qualquer um se fecha ao rejeitara instituição divina do magistério eclesiástico, que é "a instituição fundamental estabelecida pelo Cristo". A Escritura é somente "uma fonte parcial e um instrumento a serviço da doutrina". Eis porque "Cristo e os Apóstolos declaram explicitamente e de mil maneiras essa instituição fundamental do magistório; mas não acontece o mesmo quando se trata de colocar a doutrina por escrito: Cristo nunca deu tal preceito aos Apóstolos [...]. Nem todos os Apóstolos escreveram uma obra, e mais ainda, nenhum deles pensou que devia colocarem livros toda a doutrina que pregavam5".

4- Constância e Unanimidade da Pregação da Igreja

4.1- Franzelin mostra em seguida que o magistério tradicional e constante deve se definir num sentido muito particular, porque é um magistério essencialmente tradicional6. Há na verdade uma diferença essencial entre o primeiro magistério dos apóstolos e o de seus sucessores. "O apostolado foi instituído para fundar a Igreja, pregando toda a verdade revelada. Por isso mesmo, os sucessores dos apóstolos não podem ter como função revelar uma outra verdade; eles devem ao contrário conservar e pregar em sua integridade e seu significado autêntico toda a verdade que os apóstolos receberam: "O magistério apostólico é o órgão da revelação, enquanto que o magistério eclesiástico é o órgão da tradição, e a tradição depende da revelação como de sua regra e de seu princípio fundamental. "O magistério pertence aos apóstolos como àqueles que vão promulgar pela primeira vez toda a revelação da fé católica [...] enquanto que com seus sucessores, é um magistério que deve pregar em sua totalidade essa doutrina, cuja revelação fica a partir de então completa".

Se o magistério eclesiástico depende do magistério apostólico como de sua regra, a pregação desse magistério eclesiástico deve permanecer conforme à dos apóstolos: essa pregação tradicional permanece constante: "Os sucessores dos apóstolos aparecem sempre como as testemunhas e os doutores encarregados de propor unicamente o que receberam dos apóstolos. Porque seu cargo e seu ofício têm por objeto permanecer fiéis ao ensinamento que receberam e às verdades que lhes foram confiadas pêlos apóstolos, como discípulos que reconhecem seus mestres".

4.2- Um magistério vivo

É verdade que a Igreja explicita a expressão das verdades reveladas e propõe aos fiéis uma compreensão mais penetrante do depósito da fé. É nesse sentido que se pôde dizer que o magistério tradicional era também um magistério vivo.

Na realidade, "é claro que as verdades objetivas podem fazer parte do depósito de fé, sem que entretanto a pregação pública da Igreja as tenha proposto de modo suficiente para que os fiéis se sentissem obrigados a aderir por um ato de fé católica. E pode-se demonstrar que foi isso que aconteceu realmente. Basta apoiar-se sobre todas as definições dos concílios e dos papas que declaram como sendo de fé verdades a respeito das quais os teólogos católicos seguiam até então opiniões diferentes, sem prejuízo da fé e de sua pertença à Igreja. E eles estavam todos de acordo para reconhecer que essas verdades ainda não faziam parte do depósito de fé, tal como a Igreja declara e impõe à crença. Pode-se também estabelecer a mesma conclusão observando que há ainda hoje muitas questões teológicas que não estão definidas, que os papas e os concílios deixaram voluntariamente sem solução e que entretanto concernem o sentido de certos pontos da revelação7".

Isso se explica facilmente8. "Os dogmas revelados por Deus quanto mais profundos, mais fecundos. Eles podem corresponder de uma infinidade de modos às exigências das diferentes épocas. Eles se opõem a erros muitos diversos que a fraqueza ou a perversidade humanas podem inventar". É somente na medida em que esses erros surgem que a explicitação se faz necessária. Na realidade, esses erros põem em causa a verdade implícita que gozava até então de uma soberania pacífica. Para manter a tranquilidade da ordem no seio da crença e evitar divisões no seio da Igreja, o magistério deve se pronunciar e afirmar no tom solene que lhe é próprio, a verdade que está sendo posta em dúvida. "Poderia haver nessa pregação dos apóstolos verdades enunciadas sem muitas precisões e devido às heresias que sobrevieram em seguida, tornou-se necessário dar uma explicação mais precisa, para refutar diretamente uma certa foima de erro. Assim, os Padres e os concílios definiram expressões e a Igreja consagrou fórmulas que tomaram o valor de profissões de fé".

Essa pregação torna-se mais precisa quando o magistério da Igreja fornece uma inteligência (uma compreensão) mais profunda do dogma. Há progresso não do dogma mas da inteligência (compreensão) do dogma para os fiéis, que ficam mais protegidos contra os ataques do erro. É a passagem de um conhecimento implícito a um conhecimento explícito; a mudança afeta o modo segundo o qual vai se exercer a adesão do intelecto do fiel ao objeto de fé. O objeto de fé permanece imutável tanto antes quanto depois da definição do papa porter sido formalmente revelado.

O fiel cria até agora (1858) por exemplo, implicitamente, na Imaculada Conceição, crendo explicitamente que a Santíssima Virgem possuía a plenitude da graça (Lc. 1, 28). Essa plenitude da graça implica muitas coisas, particularmente a concepção isenta do pecado original. Essa consequência particular foi explicitada pela definição do Papa Pio IX (enquanto que outra consequência particular será explicitada por Pio XII por ocasião do dogma da Assunção). Desde então, o fiel deve crer não mais apenas implicitamente mas também explicitamente na verdade da Imaculada Conceição. A evolução se faz única e precisamente sobre o modo de crer: o modo com que o fiel exerce seu ato, de maneira implícita ou explícita. A evolução não se faz sobre o objeto da crença.

4.3 - Nas antípodas da nova tradição viva

Assim, por um lado, o progresso dessa inteligência (compreensão) deve decorrer "na mesma crença, no mesmo sentido e no mesmo pensamento9",

sem questionar o teor positivo do depósito revelado. Por outro lado, é o magistério infalível e constante, o magistério tradicional da Igreja, e só ele, que deve propor essa inteligência, não a simples razão natural nem a filosofia sozinha. Eis porque Franzelin ainda lembra10 a definição solene da constituição Dei Filius pela qual o concílio Vaticano l consagrou com sua autoridade essa propriedade essencial do magistério eclesiástico: ser um magistério constante. "Adoutrina da fé que Deus revelou não foi proposta como uma descoberta filosófica que devesse progredir pela reflexão do homem. Ela foi revelada como um depósito divino confiado à Esposa de Cristo para que ela o guarde fielmente e o apresente de modo infalível. Consequentemente, o sentido dos dogmas sagrados que devem ser conservados para sempre é aquele que nossa Mãe, a Santa Igreja, apresentou uma vez por todas e jamais é permitido afastar-se dele sob pretexto ou em nome de uma compreensão mais avançada11". A essa definição corresponde o seguinte cânone: "Se alguém disser que é possível que, às vezes, os dogmas propostos pela Igreja se revistam de um sentido diferente do que a Igreja compreendeu e ainda compreende, devido ao progresso da ciência, anátema sit, (que seja anátema)12".

Essa definição é importante, porque condena previamente a noção de tradição viva, cujo ancestral é o padre alemão Antoine Gunther (1783 - 1863), condenado em 1857 pelo Papa Pio IX, que reafirmou "o caráter constantemente imutável da fé13". Para Gunther, ao contrário, a inteligência da fé se desenvolve e evolui ao longo do tempo, graças às simples contribuições da filosofia e da razão natural e não graças ao Espirite Santo que assiste o magistério infalível da Igreja Segundo ele, "foi preciso esperar a descoberta desse verdadeira filosofia para abrir a via de acesso è inteligência perfeita de toda a revelação14" e nesse desenvolvimento da verdade ao longo do tempo, o únicc papel do magistério da Igreja é "decidir qual é, entre as diferentes maneiras sucessivas de compreender c dogma, aquela mais adaptada ao momento presente15" Eis porque "devem-se considerar essas definições quí a Igreja promulga nas diferentes épocas de sua historie como se elas contivessem uma certa parte de verdade sem ver aí a verdade em si e a verdadeira inteligênci; propriamente dita do dogma16".

Para chegar à concepção renovada de "tradiçã< viva", tal qual está germinando hoje no neo modernismo, basta fazer o desenvolvimento da verdadi depender da evolução da consciência individual ou d< sentimento religioso. Sendo revista e corrigida pel filosofia imanentista, que serve de base a ess modernismo, essa nova concepção procede em linha direta de Gunther, e continua merecendo a condenação de Pio IX.

5- Magistério hierárquico e crença dos fiéis

A função do magistério é conservar intacta a fé da Igreja. Como explica Franzelin17, isso implica duas verdades. "Por um lado o Espírito Santo conserva na sociedade dos fiéis a integridade da fé sempre intacta. Por outro, o Espírito Santo obtém esse resultado não apenas agindo diretamente e sem recorrer a um ministério visível, mas também através do exercício do magistério autêntico dos sucessores dos apóstolos18".

Certamente o Espírito Santo pode sempre agir no íntimo das almas, pela graça. Entretanto, essa ação mística é inseparável da ação social do magistério. O Espírito Santo age nas almas na medida em que as almas permanecem na dependência da hierarquia da Igreja. "Quando se fala dessa graça interior chamando-a de doutrina, revelação, testemunho, não se deve entender as expressões desse género no sentido em que elas excluíram a graça exterior e a pregação autêntica. Deve-se ao contrário torná-las como se significassem ao mesmo tempo essa segunda noção19". Todas as passagens da -Escriturérsobre as quais os— protestantes quiseram se basear para defender seu postulado do livre exame ou de uma inspiração nëivjdual direta (1 Jo, 2,18-21 e 2, 24-27; Isaías, 54,13; Jer 31T 31-34) não se podem compreender com exclusão da atividade do magistério; ao contrário, supõem essa atividade20".

Há uma dependência essencial da Igreja discente em relação à Igreja docente. E ao invés de falar em relação aos fiéis de uma "infalibilidade passiva da Igreja", Franzelin pensa que seria melhor "distinguir a infalibilidade na creftça e a'infalibilidade no ensino, ou melhor, a infalibilidade da obediência da fé e a da pregação e da definição da fé.21"

Sem dúvida, Santo Hilário pôde dizer que "os ouvidos do povo são mais santos do que os corações dos padres22". Mas essa expressão deve se entender num sentido bem preciso. "O povo", diz Franzelin, "prefere permanecer na unidade e de acordo com o pensamento dos padres que, por sua vez, permanecem na unidade e de acordo com o pensamento da Igreja. O povo prefere isso a seguir a doutrina dos padres que estão desligados da unidade e da fé comum. Mas seria completamente absurdo ouvir os corações dos padres sem precisão ou achar que o povo passe a ser juiz dos padres. A ordem é exatamente inversa e os corações dos padres, a consciência de sua fé e a inteligência católica dos pastores que permanecem na unidade da Igreja são a causa ministerial e o órgão graças ao qual o

Espírito da verdade modela os santos ouvidos do povo, formando neles o sentido e a inteligência católica dos fiéis que devem escutar, aprender e obedecer a fé23". O sentido da fé ("sensus fidei") é o efeito, não a causa, da atividade do magistério eclesiástico.

6- Em caso de necessidade: recurso à doutrina de sempre

Para prová-lo, Franzelin imagina até um caso limite (poderíamos pensar hoje que não é só teoria). "Pode acontecer que bispos, até mesmo muitos bispos, de províncias inteiras, percam a f é e a maior parte do rebanho dos fiéis permaneça com a profissão de fé católica e prefira se agrupar na unidade e no acordo de pensamento com os sucessores dos apóstolos que permanecem no centro da unidade, isto é, a Sede de Pedro24".

Em tal situação crítica, a Igreja discente terá sempre o meio de reconhecer a autêntica pregação da Igreja docente, porque essa deve sempre permanecer como tal, de um modo ou de outro, ao menos numa parte dos pastores que permaneceram fiéis. E haverá sempre um sinal indubitável para reconhecer essa pregação, MasJranzelin não diz que_ seja primeiro e acima de tudo a pregação dos pastores que obedecem ao sucessor de Pedro. É a pregação dos pastores que obedecem ao sucessor de Pedro na medida em que este obedece ao Cristo, continuando a transmitir o depósito. O verdadeiro magistério deve sempre ser um magistério constante e tradicional. Basta "que tenha constância para transmitir a doutrina já recebida uma vez por todas, e é graças a essa constância que permanece para o povo católico uma norma viva que regula sua fé e o laço que estabelece sua unidade25".

A constância do ensinamento tradicional é portanto o critério por excelência, necessário e suficiente, da pregação autêntica da fé católica. "É impossível que uma doutrina revelada, depois de ter sido unanimemente defendida e explicitamente professada entre os sucessores dos apóstolos, venha a ser negada no interior da Igreja. E reciprocamente, é impossível que uma doutrina, depois de ter sido negada e condenada pela unanimidade, seja defendida26".

7-A atualidade de Franzelin

Dom Lefebvre sempre invocou esse critério da constância, o argumento dos 20 séculos de Tradição, para justificar a resistência dos católicos face aos erros do concílio Vaticano II. Em particular, fica claro que os ensinamentos da declaração Dignitatis humanae sobre a liberdade religiosa (especialmente o no. 2) são a própria expressão dos erros solenemente condenados pelo magistério infalível do papa Pio IX na encíclica Quanta cura de 1864. É portanto impossível aceitar esse texto do concílio Vaticano II.

"Somos obrigados a constatar que a orientação que a Igreja toma atualmente se encontra em contradição com o que seus predecessores disseram. E eis-nos obrigados a escolher. É um drama para nós. Escolher entre a Igreja de hoje, a orientação da Igreja de hoje e a que a Igreja sempre ensinou durante dois mil anos".

"O que podemos fazer? Só nos resta a alternativa de nos reportarmos a dois mil anos de Tradição. Não é possível desligarmo-nos da Igreja. Seria fazer um cisma. Desligarmo-nos da Igreja de dois mil anos! [...]. Vemos os erros que são ensinados atualmente, as práticas contrárias à tradição da Igreja, coisas que são contrárias a nossa fé. Devemos dizer: não! Não podemos aceitar o que vai de encontro a nossa fé, seja quem for que no-lo ensine. Mesmo se for um anjo vindo do céu, dizia São Paulo, não podemos abandonar nossa fé [...]. E eis porque nos apegamos à Tradição da Igreja. Porque, permanecendo fiéis ao que a Igreja sempre ensinou durante dois mil anos, estamos seguros e certos de não nos enganar27".

Evocando este argumento de 20 séculos de Tradição, Dom Lefebvre não fez outra coisa a não ser seguir os ensinamentos recebidos há anos de seus professores no Seminário Francês de Roma, ensinamentos que eram e continuam sendo a expressão da doutrina católica da Igreja. É mérito de Franzelin nos ter dado a formulação teológica mais sublime. Eis a razão porque a leitura de beu livro é tão útil ao esclarecimento dos espíritos, fazendo-os compreender melhor as bases e a necessidade da resistência aos erros do último concílio.

Pe. Jean-MicheI GLEIZE

Notas

1 São Jerônimo, Carta 52 a Népotien, n. b em PL, 22 -534.

2 A primeira tradução francesa do tratado de Franzelin acaba de ser publicada pela Edição Courrier de Rome.

3 Tese 3, n. 26.

4 Tese 20, n. 436-438.

5 Tese 4, n. 40.

6 Tese 22, n. 470-472.

7Tese 23, n. 490.

8Tese 23, n. 485 et485.

9 Concílio Vaticano l, constituição Dei Filius, cap. 4 em DS3020.

10 Tese 25, n. 529.

11 Concílio Vaticano l, constituição Dei Filius, cap. 4 em

DS3020.

12lbid.

13 Pio IX, Breve Eximinian tuam ao arcebispo de Cologne, em 15 de junho de 1857 em DS 2829

14 Tese 25, n. 525.

16lbid.

16lbid.

17Tese 12, n. 193-209.

18 Tese 12, n. 193.

19 Tese 12, n. 202.

20 Tese 12, n. 202-205.

21 Tese 12, n. 194, notai.

22 Santo Hilário, Contre Auxence, n. 6 em PL, 10/613, citado por Franzelin, tese 12, n. 209.

23 Tese 12, n. 209.

24lbid.

25lbid.

26lbid.

27 Dom Lefebvre, Homélie à Ecône, 19 de setembro de 1976 em Vu dehaut.

Hermenêutica da continuidade

Pio VI: A liberdade religiosa, é um “direito monstruoso”

Breve "Quod aliquantum"

PIO VI

     O efeito necessário da Constituição decretada pela Assembléia é aniquilar a religião católica e, com ela, a obediência devida aos reis.

     Com este propósito ela estabelece como um direito humano na sociedade essa liberdade absoluta, que não só assegura o direito de permanecer indiferente às opiniões religiosas, como também concede plena autorização para livremente pensar, falar e escrever, e até mesmo imprimir tudo o que qualquer um queira em matéria religiosa, inclusive as mais desordenadas idéias.

     Não obstante, é um direito monstruoso, o que a Assembléia reivindica como resultado da igualdade e da liberdade natural do homem.

     Mas o que poderia ser mais insensato, do que estabelecer entre os homens essa igualdade e essa liberdade sem limites, que reprime a razão – o mais precioso dom natural dado ao homem e que o distingue dos animais?

     Depois de haver criado o homem em um lugar provido com coisas deleitáveis, Deus não o ameaçou com a morte se comesse a fruta da árvore do bem e do mal? E com essa primeira proibição Ele não estabeleceu limites para a sua liberdade? Depois que o homem desobedeceu a ordem, incorrendo por meio disso em culpa, Deus não lhe impôs novas obrigações, por meio de Moisés? E apesar de deixar ao homem o livre arbítrio para escolher entre o bem e o mal, Deus não lhe forneceu os preceitos e mandamentos, que poderiam salvá-lo "se ele os observasse"?

     De onde, então, é a liberdade de pensamento e ação, que a Assembléia outorgou ao homem na sociedade, como um indiscutível direito natural? A invenção desse direito não é contrária ao direito do Supremo Criador, a quem nós devemos nossa existência e tudo o que temos? Podemos ignorar o fato de que o homem não foi criado apenas para si próprio, mas para ser útil ao seu próximo? ...

     O homem deve usar sua razão antes de tudo para mostrar-se agradecido ao seu Soberano Criador, para honrá-lo e admirá-lo, e para submeter toda a sua pessoa a Ele. Para isso, desde a sua infância, deve ser submisso àqueles que são superiores a ele em idade; deve ser educado e instruído por suas lições; deve ordenar sua vida de acordo com as leis da razão, da sociedade e da religião.

     Essa exageração da igualdade e da liberdade, portanto, são para ele, desde o momento em que nasce, não mais do que sonhos imaginários e palavras sem sentido.

      _________

     Pio VI, Breve "Quod aliquantum", de 10 de março de 1791. In Recueil des Allocutions, Paris: Adrien Leclere, 1865, pp. 53-55.

      _________

* Versão original:

     http://www.traditioninaction.org/religious/n051rp_ReligiousLiberty.htm

     Tradução: André F. Falleiro Garcia

http://www.sacralidade.com/igreja2008/0067.liberdade.html

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Encíclica Pascendi para os católicos de hoje

Rev. Padre Joel Danjou - FSSPX

Cem anos depois

Luzes da encíclica “Pascendi”

para os católicos de hoje,

ou, “Pascendi” explicada

 

1) OS FUNDAMENTOS da filosofia religiosa modernista

Dois princípios entrelaçados: Agnosticismo e imanência vital

O fundamento da filosofia religiosa modernista é o agnosticismo.

Segundo o agnosticismo, a razão humana só consegue conhecer fenômenos.

“(...) A razão humana fica inteiramente reduzida à consideração dos fenômenos, isto é, só das coisas perceptíveis e pelo modo como são perceptíveis” Pascendi.

Pensando assim, o filósofo modernista diz que não pode conhecer a realidade como ela é, não conhece o que são as coisas. Não se trata mais de compreender a realidade, mas o que aparece.

Assim, o homem estabelece primeiro, por ele mesmo, certa ciência da realidade conhecendo os fenômenos. E, depois, ele aplica este conhecimento imperfeito e superficial sobre a realidade.

Dessa maneira, o agnosticismo diz que não conhece a realidade, mas admite um conhecimento sensível da realidade, os fenômenos.

Por esse caminho, a conclusão lógica é a negação da existência de Deus. Se não consegue definir ou dizer o que é uma pêra ou uma maçã que vê, que poderá dizer de Deus que ninguém vê!

Tal homem, cuja inteligência pretende não poder dizer o que é a realidade, mas só designá-la ou qualificá-la, se torna prisioneiro e encarcerado em si mesmo.

Assim, tudo o que consegue dizer ou viver esse homem é uma expressão do que está nele. O homem diz às coisas o que são. Estamos no subjetivismo: O sujeito, o "eu" é afirmado em primeiro lugar, e daí se segue o resto!

domingo, 12 de dezembro de 2010

O papa e o doutor privado

Gederson Falcometa

O Concílio Vaticano II, para iluminar o mundo, eclpsou a tradição da Igreja e, portanto, sua própria identidade (da Igreja). Recentemente na polêmica quanto à declaração do Papa, contida no livro "Luz do mundo", escrito pelo jornalísta Peter Seewald, vimos claramente o avançar deste eclipse. Podemos dizer que a declaração acerca da questão das camisinhas, apresenta efetivamente, uma "Luz para o mundo" e aumenta as trevas da Igreja destes últimos 45 anos. Não pela declarações da camisinha em si, mas pela própria postura do Papa, em exercitar seu magistério privado, em contradição com seu próprio magistério petrino, bem como com o magistério de seus predecessores. Isto é notável no conjunto das obras de Bento XVI, como doutor privado.

Anteriormente ao livro "Luz do mundo", ele escrevera o prefácio da obra "Porque devemos-nos dizer cristãos", do Senador liberal italiano, Marcelo Pera, que é uma apologia da "identidade liberal" do cristianismo. Naquela ocasião, o Papa escreveu o seguinte:

"Caro Senador Pera, nestes dias pude ler o seu novo livro Porque devemos dizer-nos cristãos. Foi para mim uma leitura fascinante. Com um conhecimento estupendo das fontes e com uma lógica cogente, V. Exa. analisa a essência do liberalismo a partir de seus fundamentos, mostrando que à essência do liberalismo pertence seu radicamento na imagem cristã de Deus: a sua relação com Deus de quem o homem é imagem e de quem recebemos o dom da liberdade. Com uma lógica irrefutável V. Exa. faz ver que o liberalismo perde a sua base e destrói a si mesmo, se abandona esse seu fundamento. Não menos impressionado fiquei por sua análise da liberdade e pela análise da pluriculturalidade na qual V.Exa. mostra a contradição interna deste conceito e portanto a sua impossibilidade política e cultural. De importância fundamental é sua análise do que podem ser a Europa e uma Constituição européia na qual a Europa não se trasforme numa realidade cosmopolita, mas encontre, a partir de seu fundamento cristão-liberal, a sua própria identidade. Particularmente significativa é também para mim a sua análise dos conceitos de diálogo interreligioso e intercultural." (Bento XVI: o diálogo entre as religiões não é possível. Não se pode colocar a fé entre parênteses ?Prefácio ao livro Porque devemos nos dizer cristãos ? Marcelo Pera - Para ver a integra do texto http://www.montfort.org.br/index.php?artigo=sao-pedro-anzol-rede&lang=bra&secao=veritas&subsecao=religiao)

Ora, aqui não se podem alegar distorções, instrumentalizações ou retiradas de contexto do texto pela imprensa.  As afirmações contidas aqui estão em ruptura com mais de 200 anos de condenações magisteriais do liberalismo, fulminadas pelo magistério da Igreja, em sua forma tradicional. Os Papas anteriores ao CVII nunca aceitaram o liberalismo como base do Cristianismo. Assim, quando se faz uma apologia do liberalismo, como radicamento da identidade cristã, a fé já foi colocada entre parênteses.  Não há que se dizer que o diálogo entre as religiões não é possível, pois o diálogo com o liberalismo, é também o diálogo com uma religição. Será que a lógica irrefutável de Marcelo Pera, também refuta os pontífices que condenaram o liberalismo? Como não ver neste prefácio, o exercício da hermenêutica da ruptura, tão condenada pelo próprio Papa, enquanto Papa? Será que também existe uma interpretação do Papa para o Concílio e outra interpretação diametralmente oposta, como doutor privado?

Para entendermos a postura do Papa enquanto Papa e do Papa enquanto doutor privado, é preciso ir até uma outra obra sua (sempre como doutor privado), que ele escreveu sobre o Papado,  intitulada L'elogio della coscienza: la verità interroga il cuore - Bento XVI. Nesta obra, ele tenta explicar o significado do papado e para isso se utiliza de uma frase do recém beatificado cardeal Newman (século XIX), onde afirma o beato: "Certamente se eu devesse levar a religião a um brinde depois do almoço - coisa que não é muito indicado fazer - então eu brindaria ao papa. Mas primeiro pela consciência, depois pelo papa". Assim, ao declarar, o que declarou sobre a camisinha, pode-se dizer, ele brindou pela sua consciência. Mas após este brinde, não há mais espaço para se brindar pelo Papa, existe tão somente a ressaca, pelo brinde à própria consciência, ou seja, ao doutorado privado, exercido pela consciência, pelo qual o Papa não tem jurisdição. Convenhamos, se brindamos primeiramente a nossa consciência, para depois brindarmos pelo Papa, a primazia de jurisdição passa à nossa consciência e se reduz a primazia de jurisdição, que por direito divino pertence ao Papa, a uma primazia  de honra.

Em suma, ante a produção do Papa como doutor privado, só existe uma conclusão a que podemos chegar, a conclusão de que neste campo ele tem exercido um magistério paralelo. Perigoso para a fé e  unidade da Igreja, uma vez que como doutor privado, ele não expressa aquilo que diria como Papa e como Papa, não expressa aquilo que diz como doutor privado, ou seja, a auto-demolição continua e agora mais do que nunca, ela está visível. Seja na questão da camisinha, como no prefácio ao "Porque devemos-nos dizer cristãos e na obra sobre o papado, existe o exercício recíproco pelo Papa e pelo doutor privado, da hermenêutica da continuidade e da ruptura.

Publicado em: http://www.santamariadasvitorias.com.br/documentos.php?d=o-papa-e-o-doutor-privado.htm

A unidade da Igreja II

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São Cipriano de Cartago

(†258) Bispo de Cartago e Mártir da fé

«A Unidade da Igreja»

I Parte:

2 - Acima de tudo: cumprir os mandamentos de Cristo

(1) Sirvam-nos estes exemplos. Evitemos o caminho do homem velho, para não cair no laço da morte. Sigamos as pisadas de Cristo vencedor, para que, usando cautela diante do perigo, alcancemos a verdadeira imortalidade.

(2) Mas, como poderíamos chegar à imortalidade, sem observar os mandamentos de Cristo? São eles os únicos meios para combater e vencer a morte. Ele nos avisa: "Se queres chegar à vida, observa os mandamentos" (Mt 19,17), e, de novo: "Se fizerdes o que vos mando, já não vos chamarei servos, mas amigos" (Jo 15,15).

(3) Esses são os que ele diz serem fortes e firmes. Esses têm fundamento sólido na pedra, e gozam de inabalável resistência contra todas as tempestades e as rajadas do século. "Quem ouve as minhas palavras - diz ele - e as cumpre é semelhante ao homem sábio que construiu a sua casa sobre a pedra. Desceu a chuva, desabaram as correntes, sopraram os ventos, batendo contra aquela casa, e ela não caiu porque fora fundada na pedra" (Mt 7,25).

(4) Devemos, pois, prestar atenção às suas palavras, devemos aprender e praticar o que ele ensinou e o que fez. Como poderia asseverar que acredita em Cristo aquele que não cumpre o que Cristo mandou? E como conseguirá o prêmio da fé aquele que recusa a fé no que foi mandado? Fatalmente ele irá vacilando, à ventura, e, arrastado pelo espírito do erro, será varrido como pó agitado pelo vento.

(5) Nunca poderão conduzir à salvação os passos daquele que não adere à verdade da única via que salva.

Fonte: Veritatis Splendor

sábado, 4 de dezembro de 2010

A Unidade da Igreja

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São Cipriano de Cartago

(†258) Bispo de Cartago e Mártir da fé

 

«A Unidade da Igreja»

I Parte:

1 - Vigiai, o inimigo vem disfarçado

(1) "Vós sois o sal da terra" (Mt 5,3), diz o Senhor, e ainda nos recomenda que sejamos simples pela inocência e prudentes na simplicidade [Mt 10,16]. Nada pois é mais importante para nós, irmãos diletíssimos, quanto vigiar com todo o cuidado para descobrir logo e, ao mesmo tempo, compreender e evitar as ciladas do inimigo traiçoeiro. Sem isso, embora sejamos revestidos de Cristo [Rom 13,14; Gál 3,27], que é a Sabedoria de Deus Pai [1Cor 1,24], nos mostraríamos menos sábios na defesa da salvação.

(2) De fato, não devemos temer só a perseguição e os vários ataques que se desencadeiam abertamente para arruinar e abater os servos de Deus. Quando o perigo é manifesto, a cautela é mais fácil. O nosso espírito está mais pronto para lutar contra um adversário abertamente declarado. É mais necessário ter medo e guardar-nos do inimigo que penetra às escondidas, e se vai insinuando oculta e tortuosamente com falsas imagens de paz. Bem lhe convém o nome de serpente! Essa foi sempre a sua astúcia, esse foi sempre o tenebroso e pérfido engano com que tenta seduzir o homem.

(3) Já no começo do mundo mentiu e enganou as almas crédulas e ingênuas (dos nossos primeiros pais), acariciando-as com palavras falazes [Gen 3,1ss] . Igualmente ousou tentar a Cristo, nosso Senhor, e se aproximou dele insinuando, disfarçando, mentindo. Foi contudo desmascarado e repelido. Desta vez, foi derrotado porque foi reconhecido e descoberto [Mt 4,1ss].

Fonte: Veritatis Splendor

Cardeal Pie e os Direitos do Homem

 

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"As pessoas podem falar o que quiserem dos Direitos do Homem: há dois deles que nunca devem ser esquecidos. Todo homem nasce com o direito à morte e ao direito para o inferno. "Cardeal Pie

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Uma análise de São Gregório Magno sobre o último pronunciamento de Bento XVI

Do Silêncio dos Pastores...

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São Gregório Magno

"O Pastor deve saber guardar silêncio com discrição e falar com oportunidade, de modo que nem diga o que deve calar, nem cale o que deve dizer. Porque assim como a palavra indiscreta leva ao erro, também o silêncio imprudente confirma no erro os que deviam  ser ensinados. Muitas vezes os pastores incompetentes, pelo temor de perder a estima dos homens, não se atrevem a dizer livremente a verdade; e deste modo, segundo a palavra da Verdade, não atendem à guarda do rebanho com o zelo de verdadeiros pastores, mas comportam-se como mercenários: fogem ao vir o lobo, refugiando-se no silêncio.

Por isso o Senhor os repreende por meio do Profeta: são cães mudos, incapazes de ladrar. E insiste noutro lugar: Não acudistes às brechas nem reconstruístes a muralha em defesa da Casa de Israel, para que pudesse resistir no combate no dia do Senhor. Acudir às brechas é opor-se aos poderes deste mundo, falando com inteira liberdade em defesa da grei. Resistir no combate no dia do Senhor é lutar por amor da justiça contra os ataques da iniquidade.

Dizer de um pastor que teve medo de dizer a verdade, que é senão dizer que voltou as costas ao inimigo com o seu silêncio? Mas se ele vai em defesa do rebanho, é como se levantasse a muralha da Casa de Israel contra os seus inimigos..."

(Da Regra Pastoral de S. Gregório Magno, Papa: séc. VI).

Tempus adventus: Rorate Caeli Desuper

sábado, 27 de novembro de 2010

Conferências em aúdio e video no Fátima Center

Página disponibilizada no endereço: http://www.fatimaondemand.org/brazil_07/pt/

O Único Meio para a Paz no Mundo
Palestrantes
Father Nicholas Gruner
John Vennari
Cornelia Ferreira
Peter Chojnowski
Christopher Ferrara
Robert Hickson
Father Paul Kramer
Michael Matt
Solideo Paolini
Todas as vezes mostradas estão em tempo padrão oriental (EST)
 
Segunda-feira agosto 20, 2007
Nome do Palestrante Titulo da Palestra Horario Programado    
John Vennari A História de Fatima
8:00 to 9:00
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Padre Nicholas Gruner Fatima e o Coração Imaculado de Nossa Senhora
9:15 to 10:15
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Dr. Peter Chojnowski O Milagre do Sol como Proclamação do Reinado Universal de Maria
10:30 to 11:30
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Christopher Ferrara A Consagração da Rússia não foi realizada
14:00 to 15:00
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Cornelia Ferreira Abençoados Jacinta e Francisco: Santidade e Heroismo
15:15 to 16:15
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Terça-feira agosto 21, 2007
Nome do Palestrante Titulo da Palestra Horario Programado    
Christopher Ferrara A ocultação do Terceiro Segredo: Ùltimos acontecimentos
8:00 to 9:00
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John Vennari A Consagração de Portugal: A imagem de Nossa Senhora
9:15 to 10:15
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Dr. Solideo Paolini O Terceiro Segredo: Não menosprezem a Profecia. "Dall`Italia: I miei incontri con l`Arcivescovo Capovilla e lo scontro Socci-Cardinal Bertone"
10:30 to 11:30
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Padre Paul Kramer Sacrificio Na Missa Sagrado
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Padre Nicholas Gruner Pontevedra e os Cinco Primeiros Sábados
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Quarta-feira agosto 22, 2007
Nome do Palestrante Titulo da Palestra Horario Programado    
John Vennari Qual a razão do êxodo em Massa ao Protestantismo?
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Padre Nicholas Gruner Mediadora de Todas as Graças e a Visão de Tui
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Michael Matt A Mensagem de Fatima: a última defesa da Humanidade contra o advento do Gulag Global
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Cornelia Ferreira As Nações Unidas: um Falso caminho para a Paz Mundial
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Padre Nicholas Gruner “Deus está prestes a Punir o Mundo”: Entrevista de Padre Fuentes
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Padre Paul Kramer Os Perigos à Fé & a Vida do Cristão
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Quinta-feira agosto 23, 2007
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Peter Chojnowski A Política da “Prudência” “vs. a Política da Confiança: Ostpolitik e a Mensagem de Tui
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Michael Matt “Mais Almas vão para o Inferno por Pecados da Carne do que por qualquer outra razão”
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Dr. Robert Hickson Compreendendo e Combatendo as crescentes formas de Guerra Total
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Cornelia Ferreira A Decepção da Perestroika atualizada
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Padre Nicholas Gruner Fatima: O Ùnico Caminho para a Paz Mundial
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Sexta-feira agosto 24, 2007
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John Vennari Uma Visão do Mundo Baseada em Fatima
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Padre Nicholas Gruner O Movimento dos Padres de Fatima
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Dr. Robert Hickson A Maior Honra e a Missão do Centurião Católico de Hoje
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Padre Nicholas Gruner Fatima e a Revitalização da Fé
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